sexta-feira, 29 de abril de 2016
Crónica Rosário Breve - Eu, rico por Daniel Abrunheiro
Não.
Mas sim.
José Niza.
Luís Eugénio Ferreira.
Eurico Heitor Consciência,
agora.
Mas sim é que não: não
negarei ao doutor Consciência um obituário ao mesmo tempo triste & feliz.
Triste – pelo lado do
sacolejão brusco, da violência estapafúrdia, do escândalo insensato que todo o
falecimento de alguém tão merecedor de honra, estima, consideração & elogio
nunca deixa de causar. Mas feliz também, senhor.
Feliz – pelo lado de
absoluta bonomia que a sua desempoeirada figura, a sua figura alta, egrégia sem
favor, ínclita até, esparrinhou por todos (nós) quantos, ou conhecendo-o em
pessoa, ou dele beneficiando a profissão, ou a ele-cronista lendo em duas
colunas de página-cinco, tiveram a muito (tanta!) boa-sorte de contemporanizar.
Respirámos no mesmo
metro-quadrado uma vez única. Foi por uma gala do nosso comum O Ribatejo. Saudei-o como quem sobe. Ele
recumprimentou-me como se não descesse. Trocámos mimos. Não trocámos números
telefónicos. Isso passou – como tudo passa.
Posso finalmente
escrevedizê-lo em voz-alta, agora que ele me não pode ouvi(le)r: foi sempre
pela coluna de Eurico, O Não-Presbítero, que comecei a leitura do meu/Vosso
Jornal. Mais: fi-lo sempre porque as palavras dele nunca me faziam rir – sorrir
sim, sempre, ah isso sim! Ainda esta semana já para sempre pretérita: a
mordedura irónica do seu incisivo de propósito mal escondido, sabes tu, Leitor?
Aquele sarcasmo nunca humilhante, aquele escárnio nunca gozão, aquele maldizer tão bem dito sempre: e aquela
elegância completamente cavalheiresca, de homem antigo que não sabe ser velho,
ai!, aquela compostura toda democrática que ele português, num Português
forrado de quanto Latim, jurídico ou não, fosse preciso ou não fosse, lembra-te
tu, pá, Leitor dele merecido que meu quero merecer – e tudo sempre, mas sempre,
para Todos, todos quanto fossem, quantos viessem todos.
Meti-me uma vez com ele.
Fi-lo sorrir. Eu sabia que sim, que ele sorriria. Sorriu. Que um advogado com Consciência era abrantino fenómeno só
aos fenómenos do Entroncamento cotejável. Ele encaixou sem esgar nem esforço a
minha boutade, que simpatia
sinalética era. Respondeu-me na crónica seguinte com Abrunhos etc. e tal. Foi das maiores honras da minha vida. Eu era
lido. Por ele. Ele respondia ao que eu fingira perguntar.
O doutor Eurico Heitor
Consciência viveu acordado a vida toda, 79 anos dela. Espero hoje e aqui,
tão-só, que a morte no-lo tenha roubado dormindo.
Dormindo e sorrindo, que é o
que precisamente estou a fazer para não desatar a chorar, José Niza. Perdão, para
não desatar a chorar, Luís Eugénio. O senhor sabe, doutor Eurico. Não finja que
não sabe (fazer) sorrir.
Até para a semana.
segunda-feira, 11 de abril de 2016
V BIENAL DE HUMOR LUÍZ D’OLIVEIRA GUIMARÃES – PENELA 2016 “DO MEL AO FERRÃO”
V BIENAL DE HUMOR LUÍZ D’OLIVEIRA GUIMARÃES – PENELA 2016
“DO MEL AO FERRÃO”
Por: Osvaldo
Macedo de Sousa
“O humorismo
representa a mais sã de todas as filosofias, que é a dos que sabem rir.
O humorista
comentando através da sua ironia os homens e os factos que gravitam á sua
volta,
produz,
quando o faz com o espirito superior e critério conceituoso, uma profunda obra
moral.
Por isso
mesmo a alegria dos humoristas nem sempre deixa de ser ilusória.
Quantas vezes
a pequena máscara cor-de-rosa que eles ostentam sobre a face,
esconde uma
lágrima pungente! A ironia que se desprende da sua “verve” sagaz encobre,
de certo
modo, o drama que o mundo oferece dia-a-dia. Ao seu comentário flagrante.”
(LOG. In “Entre nós que ninguém nos ouve” pág. 68)
O que une a
abelha e o cartoonista, o espírito do mel ou a sátira do ferrão?
Como em tudo
na vida, depende da perspetiva de cada um e, se a verdade nunca está de um lado
nem no do outro, e muito menos no centro mas na essência dos seres, das coisas,
das relações, as minhas deambulações metafóricas por este tema não passam de
muletas, divagações do pensamento, portas para cada um seguir o seu caminho de
reflexão humorística no tópico selecionado para esta Bienal, concordando ou
discordando totalmente do que está escrito.
A abelha, ou a
apicultura, com a exploração de todos os derivados inerentes à actividade deste
insecto, está ligada ao Homem, desde que este tomou consciência do seu espírito,
energia essa que também lhe abriu a mente para conseguir olhar o mundo afora
das aparências, consciencializar-se para além do espelho, pensar ademais da
neblina das palavras e das perspectivas.
Graficamente
encontramos as suas primeiras representações por volta de 7.000 a.C., em
pinturas rupestres de Araña – Valência. No Antigo Egipto (a partir de 3.200 a.C.)
está associada à realeza faraónica, agregadora numa única colmeia – federação de
todas as regiões do Egipto: o verdadeiro título do Faraó era NyswBit, onde Bit
significa Abelha e é o símbolo do baixo Egipto. Segundo a sua mitologia, Bit foi
gerada das lágrimas de Rá (o deus-sol) ao caírem sobre a terra, impondo-se como
um ser de múltiplas riquezas e características terapêuticas, ao mesmo tempo que
assume a iconografia da alma Divina do ser humano.
Esta ligação
espiritual surge em quase todas as culturas da antiguidade, representando,
muitas das vezes, a crença da sobrevivência além-morte, da ressurreição /
reencarnação. Esta ilação ao caminho da evolução da alma leva a que tenha sido
associada a cerimónias iniciáticas, em que o Espírito / Palavra (em hebraico
“abelha” escreve-se “Dbure”, cuja raiz Dbr significa verbo / palavra) se purifica
pelo fogo, se nutre com o mel (o hidromel é a bebida dos deuses) e que destrói as
impurezas / obstáculos com o seu ferrão.
Também o
cristianismo absorveu este universo alegórico em que Jesus assume a imagem da
abelha e o mel é a doçura da sua palavra / pensamento como alimento das almas e
o ferrão o papel de Cristo Justiceiro. Quanto ao Islão, encontramos na Surata
16 : “E teu Senhor inspirou as abelhas:
«Construí as vossas colmeias nas montanhas, nas arvores e nas habitações» /… Do
abdómen delas sai um líquido variegado de cores que constitui cura para os
homens. Nisto há sinal para os que reflectem.” A abelha, nos textos védicos
da India, representa o espirito que se embriaga com o pólen do conhecimento.
Resumidamente, nesta breve divagação nas espiritualidades, a abelha representa
o espírito versus a materialidade, a geometria (divina) contra a ignorância, a
ordem social contra a desordem.
Passando de
novo ao tema da Bienal, poder-se-á dizer que no princípio é o “pólen” que no
caso do humorista é a notícia, o quotidiano que é colhido pelo obreiro, e se na
abelha esse néctar é processado pelos enzimas digestivos, no cartoonista é
deglutido pelo olhar filosófico do humor, desconstruindo o supérfluo para
regurgitar em ironia, comicidade ou mesmo sátira. Tal como o mel, nem todos os
humores têm a mesma cor, nem todos riem da mesma forma, nem dos mesmos
assuntos, por muito que queiramos impôr a aldeia global para todos os seres, coisas
e pensamentos. Consoante os campos, as florações, os pólens recolhidos e as técnicas
de preparação, há várias colorações, aromas e gostos no mel. O riso, mesmo
universal como a luz divina no reconhecimento das fragilidades humanas, é
encarado ou reage em cada cultura e em cada zona geográfica, em cada campo
educacional de forma diferenciada. O riso, o cómico, o humor, é fruto dos pólens
recolhidos que, consoante os seus tratamentos, pode ter espaço de degustação
num território e não noutro. Claro
que, como o mel que quando é puro, com o tempo tende a cristalizar, já que não
foi sujeito a temperaturas que destroem o seu lado bactericida, também o humor
puro se cristaliza no tempo e, por mais anos que passem, por mais voltas que a
vida dê, está sempre actual, incisivo e actuante.
A abelha é um animal social, símbolo
de trabalho e lealdade, mas também um guerreiro na defesa da comunidade, quando
se sente ameaçada, usando o seu ferrão. Da mesma forma, o humor é uma fórmula
de pensamento doce que nos faz quebrar barreiras de sociabilidade, combater o
pessimismo, diluir as tristezas, construindo equilíbrio social pelo sorriso
filosófico, podendo contudo farpear, quando o político, as intolerâncias, os
abusos do poder colocam a comunidade em perigo.
O ferrão da abelha / humorista está
ligado a um sistema venoso que provoca um efeito alérgico, gravidade que está
dependente do sistema imunológico. No caso da sátira, o padrão de reacção à toxicidade
está concomitante ao grau educacional da vítima, ao nível do
seu sentido de humor, capacidade de autocrítica, surdez, cegueira ou
intolerância mental. Já o filósofo grego Epicetus tinha dito: “Não são os eventos do mundo que são o
problema, mas a nossa forma de olhar para eles”. Tal como a tolerância ou
intolerância, o sentido de humor tem de jorrar de ambas as partes.
Há muitas formas de olhar e de não querer ver e, neste momento em que
vivemos um grave deslocamento de povos, de migrações, em que as necessidades,
por vezes, se misturam com oportunismos, mafias, fundamentalismos, em que a
tolerância joga com outras intolerâncias, a alegoria da abelha é uma das formas
de olhar para esse fenómeno porque também ela, como a humanidade, está num
período de crise grave. Como refere Einstein: “Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas
mais quatro anos de existência, sem abelhas não há polinização (ela é
responsável por 80 a 90% deste fenómeno natural), não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não
haverá raça humana”. O equilíbrio da biodiversidade, tal como do
multiculturismo é fundamental. O que coloca em perigo este ser? As políticas de
pesticidas, a sobrepopulação de apicultura (que recomenda 800 metros entre cada
apiário), que cria guerras entre colmeias e migrações, a doença parasitária Varroose,
a vespa Velutina Nigotorax…. Comparativamente, podemos referir que também as
políticas de opressão destroem a liberdade de expressão humorística, que a
doença parasitária do “politicamente correcto” asfixia a mente filosófica e a
vespa do terrorismo mata a criatividade. A vespa para além de cortar a cabeça
das abelhas, instala-se à porta das colmeias infestando esta com stress, com o medo de saírem à rua e
morrerem de fome…
O mel é um dos alimentos do corpo com maior valor energético, rico em
vitaminas, minerais e bactericida, o que lhe confere alto poder terapêutico (tal
como outros produtos ligados às abelhas), cumplicidade que mantém com o humor. A
“apiterapia” como a “geloterapia”, são medicinas alternativas fundamentais
porque o riso, subproduto do humor, quando “explode” exerce o seu impacto no
sistema muscular, nervoso central, respiratório, cardiovascular, imunológico e
endócrino….
O que separa a abelha do cartoonista? O mel é consumido por todos, sem
observar as religiões, os clubismos, os partidarismos distribuindo a sua
riqueza democraticamente, assim como o seu ferrão é usado apenas quando a
segurança da colmeia é posta em causa. Já a comicidade tem componentes
subjectivas, porque o ser humano é falível, e por muito filósofo que queira ser
no seu humor construtivo, a desconstrução dos factos, que nem sempre são
globais mas parciais, pode induzir a erros, as facciosismos, e isso só se cria
com a verdadeira liberdade de espírito, estando acima das tolerâncias e
intolerâncias, ser superior às ideologias e crenças, ser democrata no sentido
de reconhecer e aceitar as diferenças, assim como obrigar a que reconheçam e
aceitem a sua diferença. Não há melhor critica, filosofia construtiva, ou comicidade
que a que é feita pelo sorriso.
“/…/ O sorriso é o bom
tempo do espírito. As almas que apenas sabem rir e soluçar são almas
que têm apenas Verão e
Inverno. Falta-lhes a Primavera e Outono – que são na verdade,
as duas estações
sorridentes da Natureza”
(LOG in “Fim de Semana” de 15/3/1948)
Por tudo isto podemos dizer “Sigam a Abelha”, a qual, se é um barómetro
do equilíbrio dos sistemas ecológicos, também o humor é o barógrafo de alerta
da sanidade mental da sociedade, do equilíbrio democrático do poder, razão pela
qual ambos têm de ser protegidos para que não sejamos uma humanidade em vias de
extinção.
Sendo portanto o tema desta V Bienal de Humor Luís d’Oliveira Guimarães –
Penela 2016 - “Do Mel ao Ferrão”, convidamos os artistas de todo o mundo a
filosofarem sobre o papel da abelha / mel (e demais derivados) na nossa
sociedade e, paralelamente, o papel do humorista / cartoonista. Não nos podemos
esquecer das alergias que se têm desenvolvido contra o ferrão da sátira /
ironia, o medo da vespa terrorista que tem matado, perseguido e oprimido os
filósofos da liberdade e da actualidade que vive um momento importante no jogo
das tolerâncias e intolerâncias. Não nos esqueçamos que a integração só resulta
quando o outro também se integra, tolerância exige tolerância, intolerância
cria intolerância.
Podendo participar com o máximo de quatro trabalhos, dois devem ser
obrigatoriamente sobre esta temática (ou os quatro), podendo os outros dois
serem retratos-caricaturais de cartoonistas (auto-caricatura ou de mestres do
seu país).
V BIENAL de HUMOR
“LUÍS D’OLIVEIRA GUIMARÃES” - PENELA 2016
Uma
Organização: Câmara Municipal de Penela / Junta de Freguesia do Espinhal
Uma Produção: Humorgrafe - Director Artístico:
Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.oms@gmail.com)
1 - Tema: “Do Mel ao Ferrão” - convidamos os artistas de todo o mundo a filosofarem sobre o papel da abelha / mel (e demais
derivados, para alem do seu papel na biodiversidade) na nossa sociedade e
paralelamente o papel do humorista /
cartoonista. Não nos podemos esquecer das alergias que se têm desenvolvido
contra o ferrão da sátira / ironia, o
medo da vespa terrorista que tem matado, perseguido, oprimido os filósofos da
liberdade e da actualidade que vive um momento importante no jogo das tolerâncias e intolerâncias. Não nos
esqueçamos que a integração só resulta quando o outro também se integra, tolerância
exige tolerância, intolerância cria intolerância.
2 - Aberto à
participação de todos os artistas gráficos com humor, profissionais ou
amadores.
3 – Data Limite: 25 de Junho de 2016. Devem
ser enviados para humorgrafe.oms@gmail.com,
humorgrafe@hotmail.com ou humorgrafe_oms@yahoo.com (No caso de
não receberem confirmação de recepção, reenviar de novo SFF).
4 - Cada
artista pode enviar, via e-mail em formato digital (300 dpis formato A4) até
4 trabalhos a preto e branco (uma só cor com todos
os seus matizes – não são aceites
desenhos a 2, 3 ou 4 cores – em que obrigatoriamente dois
devem ser sobre esta temática, podendo os outros dois serem retratos-caricaturais
de cartoonistas - auto-caricatura ou caricatura de mestres do seu país),
aberto a todas as técnicas e estilos como caricatura, cartoon, desenho de
humor, tira, prancha de bd
(história num prancha única)... devendo estes vir acompanhados com
informação do nome, data de nascimento, morada e e-mail.
5 - Os
trabalhos serão julgados por um júri constituído por: representantes da Câmara
Municipal de Penela; representante da Junta de Freguesia do Espinhal;
representante da família Oliveira Guimarães; pelo Director Artístico da Bienal;
um representante dos patrocinadores, um representante de comunicação social local
e um a dois artistas convidados, sendo outorgados os seguintes Prémios:
*
1º Prémio da V BHLOG- 2016 (no valor de € 1.800)
*
2º Prémio da V BHLOG- 2016 (no valor de € 1.300)
*
3º Prémio da V BHLOG- 2016 (no valor de € 800)
*
Prémio Revelação de Humor da V BHLOG- 2016 (no valor de € 250) (para
autores nacionais com menos de 25 anos de idade).
O
Júri, se assim o entender, poderá conceder “Prémios Especiais” António Oliveira
Guimarães, Município de Penela. Junta de Freguesia do Espinhal e Humorgrafe), a
título honorífico, com direito a troféu.
6 -
O Júri outorga-se o direito de fazer uma selecção dos melhores trabalhos para
expôr no espaço disponível e edição de catálogo (o qual será enviado a todos os
artistas com obra reproduzida).
7 –
A Organização informará todos os artistas por e-mail se foram selecionados para
a exposição e catálogo, e quais os artistas premiados. Os trabalhos premiados
com remuneração, ficam automaticamente adquiridos pela Organização. Os
originais dos trabalhos premiados deverão ser entregues à Organização (o
original em trabalhos feitos a computador é um print de alta qualidade em A4,
assinado à mão e numerado 1/1), porque sem essa entrega, o Prémio monetário não
será desbloqueado.
8 -
Os direitos de reprodução são propriedade da Organização, logo que seja para
promoção desta organização, e discutidos pontualmente com os autores, no caso
de outras utilizações.
9 -
Para outras informações contactar o Director Artístico: Osvaldo Macedo de Sousa
(humorgrafe.oms@gmail.com) ou V
Bienal de Humor Luís d’Oliveira Guimarães, Sector de Cultura, Câmara Municipal
de Penela, Praça do Município, 3230-253 Penela - Portugal.
10 -
A V Bienal de Humor Luís d’ Oliveira Guimarães – Penela 2016, realiza-se de 3 a
21 de Setembro no Centro Cultural do Espinhal, podendo contudo ser também
exposta em outros locais a designar.
sexta-feira, 25 de março de 2016
«Uma DISSERTAÇÃO PARIETAL de Arte'Factos Visuais». de Helder Mendes na Soc. Portuguesa de Oftalmologia até ao final do mês
Na Sociedade Portuguesa de Oftalmologia,
em Lisboa, encontra-se patente ao público uma exposição de alguns dos trabalhos
de Helder Mendes, que intitulou «Uma DISSERTAÇÃO PARIETAL de Arte'Factos
Visuais».
Esta exposição pode ser visitada até ao
final do mês de Março, de segunda a sexta-feira, das 10:00 às 12:00 e das 14:00
às 18:00 horas, nas instalações da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia - Largo
do Campo Pequeno, n.º 2 - 13.º (edifício COSEC).
quinta-feira, 24 de março de 2016
Crónica Rosário Breve - Via melros, rumo à Graciete & a Bruxelas por Daniel Abrunheiro
As palavras iniciais da minha crónica
desta semana eram (e continuam a ser) estas aqui: “Há melros pela linha berma-fluvial que todas as manhãs palmilho em
aparato discreto de gajo pastor de palavras, à falta de melhor destino”. A
hora de Bruxelas, todavia, fustigou-me irremediavelmente tal bucolismo afinal
tão lingrinhas quão flúvio-ornitológico.
O terrorismo é a
Noite-sem-(a)Manhã. Duas não-pessoas, convictas de que o seu/delas deus é mais
maiúsculo do que os blasfemos deuses (ou não-deuses) dos outros, decidiram
matar às cegas os cidadãos não-fundamentalistas que se preparavam para o pecado
de ir trabalhar. À hora a que escrevo (11h41m da Terça-Feira-22-III-16),
dezenam-se já os mortos & os feridos, em mais um episódio (não será o
último) de uma guerra córnea & intolerável que é, em si, antítese a mais
crua de Humanidade.
Os meus melros cedo-matinais,
aturdidos pelo espavento genocida da noite-sem-manhã belga, desertaram-me a página,
proscénio de papel em que me vejo ora sozinho à maneira de uma dessas folhas
que, caduco-tombadas à terra, querem ser árvore na mesma como a mãe de ramos.
Ao cabo do trilho ribeirinho, porém, vela ainda, valha-me isso ao menos, a
Graciete Florista. O cesto a seus/dela pés irroram o ar de sílabas cromáticas
que são as violetas a dez tostões, olhos que são os gerânios a doze, sínteses
de neve que são as gardénias (carotas…) a vinte-cinco, humildades vegetais
feitas dálias a dezoito - & papoilas que tingem o ar de vivíssimos beijitos
escarlates pelo que o freguês quiser dar.
(Isto deveria ser sempre assim,
Graciete: sem bélgic’arabismos percutores de pólvora.)
Valho-me, pois, da literatura
possível para afugentar da manhã portuguesa a minha indignação rábica. Ou
(a)rábica. A Graciete vende também xaropes de refresco aquoso: groselha,
capilé, café, lima, canela abaunilhada. Enverga, a Florista, uma blusa de chita
com aquele florão de estampado que antigamente se designava por “de fantasia”. O home’ dela, que é tão Vicente quão fraca gente, sei-o burgesso,
calcanhar-rachado, canastrão, cabotino, impertinente, grosso, acavalgadurado,
jogador & ecuménico-bagaceiro. Mas ela gosta dele e a outro não quer, quem
sou eu, ninguém, Romeiro.
Eu vinha-vos esta matina pelos
melros, juros. São tão bonitos, os caraças dos melros! Carvões vivos, ónixes
alados, atiram-me aquelas bocas-de-ouro como crisóstomos retóricos, finos de
uma esperteza nunca manhosa, sabedores de serem,
eles-mesmos-consigo-de-si-em-si, mestres de pontuação no texto que é o chão.
Melros & Graciete: precisa cá um escritorzeco de beira-rio de mais algum
tesouro? Não precisa. Eu não precisozeco.
No Outono de 2002, estive em
Bruxelas, lá onde se deu o terror de hoje. Exerci o meu francês escolar para
com os meus Belgas: a livreira que me vendeu um belo Saint-Exupéry em seu vol-de-nuit, o porteiro melancólico do
hotel pago pelo grupo parlamentar convidante deste Vosso criado, o
cervejeiro-gato-pingado do célebre & mortuário bar “Le Cercueil” (“O Caixão”) da Rue des Harengs (10-12) & a
hospedeira de hálito mentolado e mamitas perfeitas no avião do feliz regresso
ao pátrio-mátrio Portugal meu & vosso, que era, a hospedeira, redondilha,
perdão!, redondinha como um heptassílabo açucarado.
NB: Já V. disse, em outra crónic’ocasião, que a nossa morte já
começou – lá onde estivemos & aonde não voltaremos. Sei que a minha vida
não voltará a Bruxelas, nessa Bélgica dividida & estranha onde de quando em
vez nascem gigantes tipo Brel & Cortázar. A minha morte irrelevante não se
conta, porém, entre as dezenas de hoje, no aeroporto como no metro. A das
vítimas de hoje carece de remédio hoje.
De remédio & de vindicta
inexorável. O endurecimento repressivo é inevitável. Não é à totó-Trump que
falo. Mas é que a pena-de-morte foi restabelecida: por eles-monstros, não por
nós. Não nos basta ser civilizados: temos de ser civilizantes. Mas atenção: não
iremos lá com espúrios esquerdismos de capitulação: o cancro só extirpação
merece. O terrorismo não é remediável com reformatórios paliativos tipo
bonzinho-guterres-de-calcutá – é com olho da mesma boca & com dente do
mesmo olhar.
Recentemente, perdi a amizade de
alguém que, sentindo-me reticências quanto à beatificação automática de tanto
refugiado só-porque-sim, me vilipendiou de estúpido
para baixo. O lobo com pele-de-ovelha não deixa de cheirar a mijo-de-lobo. E o
lobo não é o melhor amigo do homem-caniche. Perder esse ex-amigo (terrível
justaposição, mas justa) nada me é. Perder estas pessoas da manhã belga – isso
despassara-me de todo os carretos ornitolófilos.
Vou pelos meus melros. Fez-se
entretanto toda de cristal, a manhã deles & minha. Interflúvios eu &
eles, vamos ter com quem? Com a Graciete. Gerânios. Violetas não viole(n)tas, E
uma papoila tingida de groselha via – viva como o sítio onde estamos & a
que voltaremos.
quinta-feira, 17 de março de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
Cartoon Xira inaugura dia 12 de Março no Celeiro da Patriarcal de Vila Franca de Xira
Com obras de António, André Carrilho, Cid, Bandeira, Brito, Cristina Sampaio, Gonçalves, Henrique Monteiro, Maia, Rodrigo de Matos, Vasco Gargalo,
sábado, 5 de março de 2016
De onde vem a palavra = P.O.R.T.U.G.A.L.?
PARA RIR... ou para chorar...
De onde vem a palavra = P.O.R.T.U.G.A.L.?
Após aprofundados estudos de grandes historiadores, descobriu-se agora
o significado da palavra P.O.R.T.U.G.A.L. :
- País Onde Roubar, Tirar, Usurpar, Gamar e Aldrabar, é Legal!
SE CAMÕES FOSSE VIVO ESCREVERIA ASSIM OS LUSÍADAS:
I
As sarnas de barões todos inchados,
Eleitos pela plebe lusitana,
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana,
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram...!
II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando...!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte...!
III
Falem da crise grega todo o ano...!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram...!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta...?
IV
E vós..., ninfas do Coura onde eu nado,
Por quem sempre senti carinho ardente...!
Não me deixeis agora abandonado,
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente...!
Aqueles que já têm no seu gene,
A besta horrível do poder perene...!
(Luiz Vaz Sem Tostões e mais iões....?)
Após aprofundados estudos de grandes historiadores, descobriu-se agora
o significado da palavra P.O.R.T.U.G.A.L. :
- País Onde Roubar, Tirar, Usurpar, Gamar e Aldrabar, é Legal!
SE CAMÕES FOSSE VIVO ESCREVERIA ASSIM OS LUSÍADAS:
I
As sarnas de barões todos inchados,
Eleitos pela plebe lusitana,
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana,
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram...!
II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando...!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte...!
III
Falem da crise grega todo o ano...!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram...!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta...?
IV
E vós..., ninfas do Coura onde eu nado,
Por quem sempre senti carinho ardente...!
Não me deixeis agora abandonado,
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente...!
Aqueles que já têm no seu gene,
A besta horrível do poder perene...!
(Luiz Vaz Sem Tostões e mais iões....?)
terça-feira, 1 de março de 2016
Conferência 1 de março no do ISCTE-IUL, na Unidade Curricular Projectos Culturais de Património – “Será que o Bordalo ia gostar?” por João Alpuim Botelho
O Museu Bordalo
Pinheiro vai ser o tema de uma das sessões do Mestrado de Empreendedorismo e
estudos da Cultura do ISCTE-IUL, na Unidade
Curricular Projectos Culturais de Património do professor José Soares Neves.
"Será que o Bordalo ia gostar?" é a pergunta que nos leva pensar a
programação do Museu no ano do seu centenário.
Entrada livre | 1 de Março | 20.30
Entrada livre | 1 de Março | 20.30
sábado, 27 de fevereiro de 2016
O Arquitecto e Cartoonista António Ferreira dos Santos (F´Santos) faleceu a 24 de Fevereiro de 2016
O Arquitecto e Cartoonista António Ferreira dos Santos
(F´Santos) faleceu a 24 de Fevereiro de 2016 após prolongada doença cancerígena.
Natural de Cucujães – Oliveira de Azemeis (30/8/1948) licenciou-se em
Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto e exerceu actividade como arquitecto (urbanístico) na
Câmara Municipal do Porto. Desde sempre se dedicou ao desenho de humor e seus
primeiros trabalhos publicados na imprensa surgem em 1971 em “A Voz
Portucalense”. Em 1988 começou uma colaboração regular no semanário “O Regional”
de S. João da Madeira que se prolongou por décadas. Tem também trabalhos publicados
na revista “A Razão” e nos jornais “O Jogo”, “O Público”, “Diário de Notícias”,
“Jornal de Notícias”, “Comércio do Porto”, “O Inimigo”, “Terras da Beiras”, “Trevim
– Supl. Bronkit”…
Realizou exposições
individuais, no âmbito do desenho e da pintura no Porto, Ovar, S.J. Madeira,
Rio Tinto, Matosinhos, Coimbra e Lisboa.
Participou em
diversos Salões Internacionais de Humor no estrangeiro (Croácia, Rússia,
Eslováquia, Espanha, França, Itália, Reino Unido, Turquia e Japão… onde foi
galardoado em 1998 com um 3º Prémio no “V Certame Internacional de Tenerife –
Canárias Espanha”), assim como em Portugal (Vila Real, Porto de Mós, Oeiras,
Porto, Idanha-a-Nova, Coimbra, Penela e Espinho…) tendo sido premiados em 1989
no Salão nacional de Caricatura – Porto de Mós com o Troféu Humor e o Ambiente;
em 1996 com o Prémio Nacional BD de Imprensa, no X Salão Nacional de Caricatura
– Salão nacional de Imprensa – Oeiras e em 2000 com uma Menção Honrosa no I
Salão de Humor de Aveiro. No âmbito da V Mostra de Humor Gráfico de Alcalá de
Henares foi distinguido com o título de Professor Honorífico del Humor da
Universidade de Alcalá de Henares – Madrid em 1998.
Participou em
centenas de Festas da Caricatura organizadas pela Humorgrafe e não só, por todo
o país e em Espanha (Ourense, Madrid…) assim como realizava caricaturas para Livros
de Curso e em eventos de empresas de caricaturas ao vivo.
Bibliografia: para
além dos catálogos de Salões, ou exposições temáticas organizadas pela Humorgrafe
(Rock in Caricatura, Vozes Líricas do séc. XX, Esse ser… Comediante, Humor e
Saúde, “Caricaturistas por Timor, “Paródia & Pastiche, A Censura na
Iconografia e na Caricatura Portuguesa, Humor d’Arquitecte, Comunicar com
Humor, 150 Anos da Caricatura em Portugal, A Luta dos Trabalhadores (pelo
humor), Tolerâncias e Intolerâncias da Humanidade, Humores ao Fado e á
Guitarra, Humor Negro, O Bobo… ) publicou três coleções de postais – “Urbanovisões”,
“Mupivisões” e Mijopostaise; em 2000 publica o livro de cartoons “O Dedo na f’rida”,
em 2002 “Errare Urbanum Est”, em 2007 Cartoonices” e em 2013 “Kito”
Nos últimos anos,
afastado da imprensa, com o pseudónimo de António Sabão cultivou vários blogs
como cartoonisces, Saboonices http://cartoonicesasequela.blogspot.pt/,
http://antoniosabaokito.blogspot.pt/
, http://toonnices.blogspot.pt/ http://caricartono.blogspot.pt/ , http://antoniosabaopintor.blogspot.pt/
Para o seu livro “Dedo na F’rida”escrevi
este prefácio – Reconsiderações à volta de um cartoonista.
Ao longo dos anos tenho
aprendido que nem todfos olham a vida da mesma maneira. Existem os cegos, os míopes,
os astigmáticos… e os humoristas. Contrariamente a todos os outros que por
defeito físico são optimistas e procuram adaptar-se da melhor forma à vida, a
melhor forma de corrigirem o que vêem, os humoristas / caricaturistas são
essencialmente “pessimistas” reconstrutivos.
No caso de F’Santos pode
faze-lo por duas vias distintas, seja pela circunvalação, seja pela cintura
interna, acabando no Cerco à sociedade, que neste caso concreto é o Cerco do
Porto. Quero eu dizer que o caricaturista é pessimista porque olha sempre com
comiseração para os outros. Olha com compaixão para todos aqueles que
necessitam de pessimistas como interlocutores, para verem a realidade de uma
forma irónica, satírica ou humorística. Para desvendarem a realidade nua e
crua. /…/ António Augusto Ferreira dos Santos é um desses pessimistas que
nasceu com o olhar “deformado” e que, desde novo, assumiu a missão de
missionário da verdade irónica. Com a idade, ele tentou comprar esses óculos que
se vendem nas farmácias, ditos milagreiros, mas nem assim deixou de ver o mundo
deformado no grotesco do dia a dia.
/…/ Ferreira dos santos é um
cultor de amizades, é um artista do belo pelo exagero. Um activista da estética
sempre pronto a colaborar, a apoiar com a sua arte todas as causas nobres, a
lutar pelo dignidade de um género estético, por vezes tão denegrido e
incompreendido. /…/ A sorrir e por vezes a chorar com raiva, denuncia os
atropelos dos humanos, desmascara as incongruências dos que para subirem no
grau da animalidade social, para ganharem mais uns tostões não se importam de
pisar os vizinhos. Contudo, no seu traço há sempre um matizado na agressividade,
onde as aguadas, as cores subtis, dão um condão de leveza, de ironia. Ou seja,
o seu humor é temperado pela cor.
Acima de tudo não nos podemos esquecer da sua formação
de arquitecto, já que esse elemento é uma presença constante, seja como fundo
cénico da ideia humorística, seja nas suas preocupações ambientais e
estético-arquitectónicas, procurando denunciar, como poucos em Portugal,
algumas atrocidades que ele vai encalhando pela via da vida. Ele é, pois, um
grande observador, um pessimista que sabe viver com humor e sabedoria.quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Rosário Breve - Roma 0 – Cristo 1 por Daniel Abrunheiro
Não se vê uma nuvem. Manhã
perfeita. Sem uma gelha. Sem um ponto-persa. Revérberos coriscam no dorso do
rio. É muito bom ter, da noite, renascido meridional, atenta a graça da jornada
novel. Ao arrepio de antanhos recentes, a luz é de uma pureza riscável à unha.
Bêbedas de viço, as aves matinais tripulam os veios azuis, as ramas verdes, o
espaço branco, o ouro impagável da totalidade natural. Respirar é uma
conspiração de açúcar. Não há por aqui sevandijas, sicários, bandoleiros
&/ou corsários. Há gente (não muita) que se desestarrece ao sol franco,
pintalgada de joalharias coloridas. Uma dama, que vinha a seu chá-meia-torrada,
comete a ontem impensável extravagância da imperial-com-tremoços-mas-é. Um
cavalheiro, tido por sisudo, mete-se a graçolar com cada bebé-de-colo que lhe
passe ao alcance das unhas aparadas. Fiapo de eternidade, o instante vale um
coalho de cal na colina-esmeralda. Não são vaidade, hoje, as lentes-fumadas de
marca tornando de mochos cegos os rostos humanos. Não são (tão) frívolas, hoje,
as poses do tipo perfil-egípcio com que os leitores do Expresso alardeiam aquela cultura-post-moderna-de-saco
que nunca entenderam nem vão entender. Mesmo hoje. Mas adiante. O Sábado,
coleante jibóia inócua, vive & deixa viver em uma paz inocente de
barbáries. A duas mesas desta sobre que se amanha a crónica pró-Ribatejanos, um
miudito faz rir o pai por-causa-de-quási-nada – nada, excepto o facto tremendo
de um ao outro pertencerem para sempre. O preto e o branco não dão cinzento,
hoje não. Das prévias jornadas februárias, os grandes ventos & as iradas
chuvadas não campeiam nem enxurram nem descabelam nem geram gemer. É um
bocadito como se o senhor Adão & sua/dele dona Eva não tivessem jamais sido
compelidos à reforma mutilada. Com outro bocadito (de atenção, agora), é
perfeitamente possível a ressuscitação das espécies extintas pelo plástico do
Homem, pelos homens-de-plástico – ou pelo Demo que os não carregou a todos. Até
o Tejo (mas, hélas!, só à distância
apartada) parece um moço lavado em aparato de pé-de-alferes com a Lezíria que o
bebe & deixa beber. Uma pessoa semicerra por instantes as persianas ópticas
– & a música, à maneira de toda esfera arredondada pela claridade total,
põe-se logo a violinar vivaldismos de passarada sem caçador derredor. A Dívida-Pública? Bah! Hoje (mas só hoje,
sabemo-lo bem, que já há muito comemos broa rija), consiste tão-só no que,
todos & cada um, devemos ao que é de todos: o perfume das maçãs
portuguesas, o patriotismo rescendente do bacalhau, os bons-dias dados como pão
novo, a saciedade cervejada daquela tremoceira dama, o patusco que aqueles
bebés-de-(tira)colo acham o senhor-sisudo-de-outros-dias. Torpor pasmaceiro – a
termonuclear prumo, o vertical meio-dia dardeja todo este santo lirismo sem
caruncho, sem génio & sem progénie: este dia é filho-único, como Aquele que sabemos. Como na vida,
todavia-toda-a-vida, em instantes se faz tarde. Os telemóveis tornaram a
guinchar. O patrão da pastelaria ralhada desabrida & altiaudivelmente com a
empregadita mai’ nova – que com as duas mais antigas não se atreve ele. O momento
é chegado de nos retirarmos à la
française. O exemplar do Correio da
Manhã foi parar às mãos do miudito causador de patergargalhadas, que a
feltros iridescentes o vai exsanguinando.
E ainda: sem uma nuvem sobre que
descansar a augusta cabeça nevada, o Senhor, lá tão de cima, é obrigado a
vigiar, cá tão bem baixo, Francisco – achando, como eu acho também, que o
Argentino não é católico, mas sim cristão só. E sem gelha per(ver)sa, o danado
do Homem.
"Imprensa Humorística e República", com António Ventura e Ana Vasconcelosno Museu Bordalo Pinheiro (Lisboa)neste Quinta-feira
Esta quinta-feira, pelas 19.00, temos mais uma tertúlia aqui no Museu, desta feita dedicada ao tema "Imprensa Humorística e República", com António Ventura e Ana Vasconcelos. Mas não só. Também será lançado o livro "Luís Filipe e a Farsa da Vida", com a assinatura do triunvirato da casa: João Alpuim Botelho, Mariana Caldas de Almeida e Pedro Bebiano Braga. E assim acontece...!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Reportagerm da tertúlia de ontem, no Museu Rafael Bordalo Pinheiro (Lisboa) com Osvaldo Macedo de Sousa, Rui Pimentel conversando sobre o Modernismo e o Humor Gráfico
Ciclo de Tertulias - Luis Filipe e a Farsa da Vida
João Alpuim Botelho, Director do Museu Bordalo Pinheiro e moderador da tertúlia
João Alpuim Botelho, Rui Pimentel e Osvaldo Macedo de Sousa
João Carlos Oliveira, da Hemeroteca Digital de Lisboa epresentando "A Farça" que esté on-line
João Alpuim Botelho, Rui Pimentel e Osvaldo Macedo de Sousa
Osvaldo Macedo de Sousa, historiador do Humor e da Caricatura, e o cartoonista Rui Pimentel a conversar sobre o Modernismo e o Humor Gráfico à boleia da obra de Luís Filipe.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Ciclo de tertúlias - Luís Filipe e a Farsa da Vida Galeria do Museu Bordalo Pinheiro - 18 de Fevereiro, 5ª feira, 19 horas Modernismo e Humor Gráfico por Osvaldo Macedo de Sousa e Rui Pimentel
Ciclo de tertúlias - Luís Filipe
e a Farsa da Vida Galeria do Museu Bordalo Pinheiro - 18 de Fevereiro, 5ª feira, 19 horas
Modernismo e Humor Gráfico por Osvaldo Macedo de Sousa e Rui Pimentel
Museu Bordalo Pinheiro - Campo
Grande, 382 - Lisboa
Entrada Gratuita
No âmbito da exposição Luís
Filipe e a Farsa da Vida, o Museu Bordalo Pinheiro vai apresentar um conjunto
de três conversas ao longo do mês de Fevereiro, que abordarão alguns aspetos da
vida e obra deste autor tão pouco conhecido do Primeiro Modernismo Português.
Para cada um destes temas convidámos especialistas de várias áreas (História,
História da Arte, Design, Humor, Antropologia) permitindo assim um melhor
conhecimento deste artista que há mais de 100 anos foi um dos pioneiros do Modernismo
em Portugal mas que só agora a sua obra é apresentada em Lisboa.
18 de Fevereiro, 5ª feira, 19 horas
Modernismo e Humor Gráfico
Osvaldo Macedo de Sousa (Historiador do Humor
e da Caricatura | Humorgrafe)
e Rui Pimentel (Cartoonista)
Antecede a apresentação da
disponibilização em linha na Hemeroteca Digital de Lisboa do jornal A Farça
(1909 – 1910) de que Luís Filipe foi Diretor Artístico, por João Carlos
Oliveira (Hemeroteca Digital / CML) http://hemerotecadigital.cmlisboa.pt/Periodicos/AFarsa/AFarsa.htm
25 de Fevereiro, 5ª feira, 19 horas Imprensa Humorística e República
António Ventura (Historiador -
Faculdade de Letras/UL)
e Ana Vasconcelos (Historiadora
da Arte Fundação Gulbenkian)
Antecede a apresentação do livro
Luís Filipe e a Farsa da Vida da autoria de João Alpuim Botelho, Mariana Caldas
de Almeida e Pedro Bebiano Braga
Luís Filipe (1887 – 1949) foi um
dos pioneiros do Modernismo em Portugal. A exposição patente no Museu Bordalo
Pinheiro Luís Filipe e A Farsa da Vida acompanha o seu percurso artístico,
desde os primeiros anos em Coimbra, com o despertar da sua consciência política
e social, mas também com a representação de tipos sociais retirados da vida
mundana. Foi neste período que publicou o jornal A Farça (1909-1910), um dos
primeiros a publicar desenhos modernistas em Portugal, e que faz a ligação ao
título desta exposição; os anos que se seguiram à implantação da República, com
uma forte presença nos jornais com desenhos acentuadamente políticos,
anticlericais e denunciadores de situações de injustiça social; e por fim os
desenhos da sua vida adulta, em Viana do Castelo, com caricaturas de figuras
locais e representações da cor e movimento do folclore, sempre com um olhar
humorístico.
A exposição apresenta também
autocaricaturas e obras que outros artistas do grupo de Coimbra lhe dedicaram,
como Cristiano Cruz e Almada Negreiros.
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