terça-feira, 15 de maio de 2018

“Conversas com…A caricatura em Portugal” - 18 de maio - 21h00 - Museu Municipal de Santiago do Cacém iniciativa paralela à Exposição “Caricaturas de Delfino” (António dos Reis Pereira)


No dia 18 de maio, convidamo-los para participarem na iniciativa “Conversa com…A Caricatura em Portugal”, com o historiador Dr. Osvaldo Macedo de Sousa e o caricaturista Ricardo Galvão (do jornal “A Bola”) que se realiza, às 21h00, no Museu Municipal de Santiago do Cacém, no  âmbito das Comemorações do Dia Internacional dos Museus.

A partir das 22h00 venha ao Museu fazer a sua caricatura!


domingo, 18 de março de 2018

VI BIENAL de HUMOR “LUÍS D’OLIVEIRA GUIMARÃES” – ESPINHAL/PENELA 2018 Portugal




Uma Organização: Câmara Municipal de Penela / Junta de Freguesia do Espinhal
Com o apoio da Fundação Luiz d’Oliveira Guimarães
Uma Produção: Humorgrafe - Director Artístico: Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.oms@gmail.com)

A Bienal onde o humor não necessita de cores, apenas um sorriso, inteligência filosófica e uma cor simples e directa – o negro e seus matizes.

1 - Tema:
      a)“O Ciclo da Vida” - convidamos os artistas de todo o mundo a filosofarem sobre a existência, como cada cultura enfrenta a vida e a morte, que simbologias rituais fazem para superar o terror à incógnita do além. A morte é apenas uma meditação do que é a vida, ou uma anedota que nos amedronta o quotidiano da eternidade? Não desejamos viver aqui a morte, mas homenagear a vida com humor e optimismo em momentos, como o de 2018 em que é evocada o centenário do Armistício da Grande Guerra de 1914/18, a mãe de todas as outras guerras que se tem desenvolvido ao longo do séc. XX e que hoje através do dito terrorismo de fundamentalistas, continua presente na sociedade contemporânea. Como louvar a perenidade do espírito, em vez de cultivarmos uma sociedade que financia a morte da humanidade e do planeta?
      b) Caricaturas de Leonor d’Oliveira Guimarães (nora de L.O.G) que foi a impulsionadora desta Bienal






2 - Aberto à participação de todos os artistas gráficos com humor, profissionais ou amadores.
3 – Data Limite: 10 de Junho de 2018. Devem ser enviados para humorgrafe.oms@gmail.com, humorgrafe@hotmail.com ou humorgrafe_oms@yahoo.com (No caso de não receberem confirmação de recepção, reenviar de novo SFF).
4 - Cada artista pode enviar, via e-mail em formato digital (300 dpis formato A4) até 4 trabalhos monocromáticos (uma só cor com todos os seus matizes – não são aceites desenhos a 2, 3 ou 4 cores –aberto a todas as técnicas e estilos como caricatura, cartoon, desenho de humor, tira, prancha de bd (história num prancha única)... devendo estes vir acompanhados com informação do nome, data de nascimento, morada e e-mail.
5 - Os trabalhos serão julgados por um júri constituído por: representantes da Câmara Municipal de Penela; representante da Junta de Freguesia do Espinhal; representante da família Oliveira Guimarães; pelo Director Artístico da Bienal; um representante dos patrocinadores, um representante de comunicação social local e um a dois artistas convidados, sendo outorgados os seguintes Prémios:
1º Prémio da VI BHLOG- 2018 (€ 1.800)
2º Prémio da VI BHLOG- 2018 (€ 1.300)
3º Prémio da VI BHLOG- 2018 (€ 800)
Prémio Caricatura da VI BHLOG- 2018 (€1.000)
O Júri, se assim o entender, poderá conceder “Prémios Especiais” António Oliveira Guimarães, Leonor Oliveira Guimarães, Município de Penela, Junta de Freguesia do Espinhal e Humorgrafe), a título honorífico, com direito a troféu.
6 - O Júri outorga-se o direito de fazer uma selecção dos melhores trabalhos para expôr no espaço disponível e edição de catálogo (o qual será enviado a todos os artistas com obra reproduzida).
7 – A Organização informará todos os artistas por e.mail se foram selecionados para a exposição e catálogo, e quais os artistas premiados. Os trabalhos premiados com remuneração, ficam automaticamente adquiridos pela Organização. Os originais dos trabalhos premiados deverão ser entregues à Organização (o original em trabalhos feitos a computador é um print de alta qualidade em A4, assinado à mão e numerado 1/1), porque sem essa entrega, o Prémio monetário não será desbloqueado.
8 - Os direitos de reprodução são propriedade da Organização, logo que seja para promoção desta organização, e discutidos pontualmente com os autores, no caso de outras utilizações.
9 - Para outras informações contactar o Director Artístico: Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.oms@gmail.com) ou V Bienal de Humor Luís d’Oliveira Guimarães, Sector de Cultura, Câmara Municipal de Penela, Praça do Município, 3230-253 Penela - Portugal.
10 - A VI Bienal de Humor Luís d’ Oliveira Guimarães – Espinhal/Penela 2018, Inaugura dia 1 de Setembro no Centro Cultural do Espinhal, podendo contudo ser também exposta em outros locais a designar.




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Obras / Works :
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Aceito as condições do Regulamento / I accept the conditions of Rules







Assinatura / Signature


VI Bienal de Humor Luiz d’Oliveira Guimarães – Espinhal / Penela 2018
O Ciclo da Vida - HUMOR É VIDA E TRANSFORMAÇÃO

Por: Osvaldo Macedo de Sousa

O sonho de qualquer humorista, ou cómico, é que alguém morra de riso com as suas intervenções. Na realidade não há melhor morte que a que se vive com o sorriso na alma, com a gargalhada no coração, desintoxicando o azedume, o avinagrar da idade e do quotidiano, contudo só o termo “morte” assusta, é um tema tabu.
O que é para cada um de nós a “morte”? Se não falarmos dela nunca a encaramos e nunca sorrimos com ela, frontalmente, irreverentemente, despreocupadamente, como se deve viver com todo o nosso quotidiano. Acreditas na Vida depois do Parto?
Um simples alento separa os conceitos da morte e da vida, quando a incógnita os une numa linha de transmutação. A filosofia milenar há muito nos ensina que nada morre tudo se transforma, em diferentes fôlegos de energia viva e revigorante. O que separa um estado do outro é apenas o medo. No primeiro, esse sentimento claustrofóbico deixa de existir e no segundo nos condiciona.
Não há melhor forma de enfrentar os medos, as preocupações e opressões que com o humor, não só porque este lhes dá uma nova luz, como nos obriga a enfrentar a realidade sem as sombras dos costumes e as burkas das educações castrantes. A sorrir, a rir, a pensar com filosofia humorística não há medos mas irreverência e segurança, não há opressão mas ousadia e liberdade.
Há vida? Há morte? O que é que nos ultrapassa no quotidiano? A preocupação do futuro, a saudade do passado e a não vivência do presente, dominado por aqueles sentimentos castradores. Porquê tanto medo da dita morte carnal, se tudo não passa de uma ilusão grotesca, macabra imposta por educações apocalípticas e pessimistas?
Comicamente os que se dizem Ateus, graças a Deus, acabam por ser os mais espiritualistas porque ACREDITAM que após a passagem terrestre integram o NADA, do EU, passando ao NÃO EU, ou seja, são utopistas que não se querem sujeitar às passagens de crescimento, integrando de imediato o NADA ABSOLUTO, o absoluto divino, o NÃO SER para SER na energia primordial.
É no sorriso que encontramos a vida, a ressurreição do humor como verdadeira essência do quotidiano em que a degradação, a perenidade e a morte se transformam em energia revigorante do dia-a-dia, sem medos, sem temores porque não há maior sensação de liberdade que uma boa gargalhada, que enfrentar o espelho e aceitarmo-nos como somos, nessa energia eterna no optimismo.
A morte acaba por ser a caricatura da vida, aquele reflexo grotesco que nos mostra como somos todos iguais, porque nesse estado não há ricos nem pobres, não há raças nem religiões, vivendo-se antes na igualdade e simplicidade humorística.
Todos os dias nos desaparecem da vista, do tacto, seres queridos, como aconteceu recentemente com uma das grandes almas desta Bienal, Leonor de Oliveira Guimarães contudo, ela mantém-se presente numa outra dimensão, como tem acontecido com António Oliveira Guimarães que também foi um dos promotores, sem ter conseguido, fisicamente, ver a concretização da Bienal, não esquecendo referir a presença do mentor de todas estas irreverências, o nosso Luíz.
É esse universo de dimensões, de pensamentos, de conceitos, de vivências paralelas que queremos aqui revalidar ao usar este tema como mote da VI Bienal Internacional de Humor. Enquanto acreditarmos nos valores, no espírito que impulsiona a criação, ele não morre, subsiste não apenas na esperança mas na concretização de sorriso, de cumplicidades. A dita morte não nos assusta, apenas nos incentiva a rirmo-nos com o presente e a usar a filosofia do espírito como alento de vida, de ressurreição no quotidiano.
Como é que cada artista, cada cultura, cada povo ri com a morte e com a vida? Só os artistas nos podem responder e é isso que os desafiamos – falem-nos do vosso ponto de vista e da vossa cultura da morte como triunfo da vida, da vida como algo mais importante que o conceito da morte. O importante não é saber se há vida pós-mortem mas, se há vida apesar da obsessão com a morte.
Não há desrespeito rir com a “morte”, antes uma homenagem à vida, razão pela qual no imediato após o desaparecimento físico, nos recordamos mais das boas memórias que das más, talvez o único momento em que a tragédia é ultrapassada pelo optimismo da memória.
Uns dizem que é humor negro, mas como pode ser negro se todos os que tiveram experiências pós-mortem falam da luz? Choramos pelos que partem ou pelos que ficam? Não será mais negra a comicidade sobre o nosso quotidiano, razão pela qual se faz humor para nos dar luz e força para o superar? É mais fácil viver na tragédia porque dá mais trabalho estar constantemente alegre, optimista e filosofar com espírito.
Luíz d’Oliveira Guimarães foi um irónico da vida que preferiu ignorar a morte até aos 98 anos, nunca escrevendo sobre este tema. Por pavor ou por sabedoria? Na realidade, ninguém lhe escapa porque todos a temos de enfrentar na linha da transformação morfológica da matéria desde que nascemos e se uns a ignoram, outros cultivam-na, como é o caso da cultura mexicana. Todos nos transformamos ao longo das vidas e se assim tem de ser, pelo menos que seja com humor.
A morte é apenas uma meditação do que é a vida, ou uma anedota que nos amedronta o quotidiano da eternidade? Não desejamos viver aqui a morte, mas homenagear a vida com humor e optimismo em momentos, como o de 2018 em que é evocado o centenário do Armistício da Grande Guerra de 1914/18, a mãe de todas as outras guerras que se tem desenvolvido ao longo do séc. XX e que hoje através do dito terrorismo de fundamentalistas, continua presente na sociedade contemporânea. Dessa forma, meditar como o egocentrismo e a megalomania de uns poucos, pode trazer a morte a tantos milhões. Como a ganância economicista (que existe e incentiva qualquer guerra) de grupelhos pode ser a miséria de muitos mais. Qualquer motivação ideológica que esteja na base da morte ou de uma guerra não passa de uma irracionalidade humana, de um acto doentio de uma sociedade perdida entre o suicídio e a destruição. Uma primeira guerra que se prolongou nos tempos com as guerras subsequentes e se mantém um pouco por todo o mundo, de forma declarada ou feita terrorismo. Devemos ter medo da morte ou enfrentá-la abertamente sem medos e temores? Como louvar a perenidade do espírito, em vez de cultivarmos uma sociedade que financia a morte da humanidade e do planeta?
Como subtema, no âmbito do retrato-charge, vamos criar outro espaço de homenagem à vida, com o concurso de caricaturas de Leonor Oliveira Guimarães (nora de L.O.G) que foi a impulsionadora desta Bienal (para ajudar os artistas, enviaremos algumas fotos).


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Dia 22 de Julho na Lousã nova Festa da Caricatura para além da inauguração da exposição "Trevim 50 Anos com Humor" (pelas 15h na Biblioteca Municipal da Lousã) e "O Anti-heroi no humor de Imprensa - Do Zé Povinho ao Broncas / Ti Belmiro" pelas 15h30 (na Redacção do Jornal Trevim).


Integrada nas comemorações dos 50 anos do jornal regional "Trevim" (da Lousã) vai-se realizar naquela localidade mais uma Festa da Caricatura ( com quase uma dezena da caricaturistas a retratarem ao vivo quem apareça a partir das 16h30 e pelas 21h30 ) para além da inauguração da exposição "Trevim 50 Anos com Humor" (pelas 15h na Biblioteca Municipal da Lousã) e "O Anti-heroi no humor de Imprensa - Do Zé Povinho ao Broncas / Ti Belmiro" pelas 15h30 (na Redacção do Jornal Trevim). Nesta homenagem aos anti-herois não foi esquecido o Palhaço de Aleppo. Uma Organização Trevim e Produção Humorgrafe

terça-feira, 18 de julho de 2017

Dia 21 pelas 18h no Museu do Vinho de Alcobaça

O Museu do Vinho de Alcobaça dá continuidade à sua programação de exposições temporárias, inscritas no circuito nacional, com uma mostra que une o bom humor à cultura imaterial e material do vinho. Entre 22 de julho e 27 de agosto, estará patente, na Adega dos Balseiros, a exposição “O Espírito do Vinho e os Humores” cuja temática se insere no levantamento histórico do desenho humorístico associado ao tema do vinho.

A exposição comissariada por Osvaldo Macedo de Sousa (historiador e colecionador) é uma oportunidade rara para o público estabelecer contacto com trabalhos de desenho humorístico que vão do século XIX à contemporaneidade. Partindo de conceitos enológicos faz-se uma viagem pela história da caricatura na imprensa portuguesa e dos problemas que o vinho representou na sociedade ao longo dos anos, ou seja, desde 1809 à atualidade.

Uma exposição com alto teor alcoólico, com cultura e diversão e acima de tudo com muita arte. Os artistas que assinam estes desenhos são referencias históricas como Raphael Bordalo Pinheiro, Jorge Colaço, Jorge Barradas, Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Carlos Laranjeira, Xaquin Marin, Zé Oliveira. São também apresentados trabalhos mais recentes, como os criados nos Salões de Humor de 1999 e 2013 em Vila Real, ou outros de artistas luso-galaicos feitos de propósito para este evento.
Por ocasião da exposição, é lançado ainda um catálogo, com a chancela do Museu do Vinho de Alcobaça, que reporta a história da caricatura dedicada ao vinho e que pode ser adquirido no Museu por todos aqueles que se interessem por este tema.

Museu do Vinho de Alcobaça – Adega dos Balseiros
Terça a domingo: 10h às 13h / 14h às 18h
Entrada livre


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Crónica Rosário Breve Mau tempo no curral por Daniel Abrunheiro


1. O curral me(r)diático nacional é sobrepovoado de “homens da embalagem prateada” e de “rapazes do gongo dourado”. Por assim dizer. São reses pífias, gado repugnante a toda a decência cívica e impermeável ao atavio ético das poucas pessoas-de-bem que ainda por aí haja. A corrupção à portuguesa tinha de ter laivos afrobrasileiros. E tem. O colonialismo não acabou – passou mas foi a ser de lá para cá também, relegando-nos o ultramar ao estatuto de província que nunca deixámos afinal de ser. Mas calma. Nem era disto que queria falar-vos. De Agricultura é que sim.
2. De Agricultura”? Sim. Mesmo? Mesmo. Explicando: tenho andado a ler o Virgílio das Bucólicas, primeiro, e das Geórgicas, logo a seguir. Delícias de há dois mil anos e uns trocos. Sabeis bem que me refiro ao mesmo grande Poeta da épica Eneida. Claro, esse mesmo que amou em Teócrito e Hesíodo o que Dante e Camões amaram nele: o verso perfeito, o diapasão silábico, o frescor pitoresco e a rendida gratidão à Natura-Mater. Esse todo. Mas adiante, que já semelho sacristão sonhando com o vinho eucarístico que sobrou do santo sacrifício.
3. E a Agricultura? Que raio a ver com leiturices clássicas e/ou corrupções pindéricas? Calma. Ter, tem. Tem e cá vai: tanto nas Bucólicas como nas Geórgicas (sobretudo nestas derradeiras), elogia-se vivamente o desprendimento filosófico e a serenidade existencial resultantes da sã interacção, pelo trabalho como pela fruição, com o campo, a vida nele, a sabedoria da observação dos índices meteorológico-sazonais (as estações do ano, pronto), o cultivo de tudo: árvores, solos, sabores e aromas, a maravilha cíclica e ritual da dialéctica sementeira-colheira-poda-vindima. Até o omnipotente instintozinho sexual que faz o gado parecer-se com a gente. Ou nós com ele. E as abelhinhas. Não esquecer as abelhinhas.
4. Sim. OK. Porreirinho. Mas – e portanto? Aquilo da Agricultura o quê? O portanto está em que eu, uma destas manhãs, cedo como se nascesse, me achei achando, aos pés de um contentor juncado, um suplemento em papel daquela coisa digital a que a Direita de cá da parvónia chama Observador. Como sempre faço, colhi do chão o lixo. Preparava-me para o esquecer no odre municipal quando, de viés, o título me cativou: Dicionário dos Grandes Negócios, panfleto com textos de um Luís Rosa e ilustrações de um Henrique Monteiro. Já o não sacrifiquei à voragem benigna da reciclagem. Guardei-o no bornal, cheguei à pastelaria, botei café a ferver para a entranha e fumei como quem nunca há-de morrer a tossir. Tinha ante mim um dilema aparentemente fácil de solver: Virgílio ou o pasquinzito das escandaleiras inocentes-até-trânsito-em-julgado? Fraco, vim por estas. Virgílio, sendo eterno, podia bem esperar um bocadito. Lixei-me. Passei o mor e o melhor da matina a tresler, primeiro, e a sublinhar a fluorescente, depois, o coiso achado no chão. Entradas alfabéticas: Azul (Saco), Bataglia (Hélder), Bava (Zeinal), Espírito Santo (Família), Granadeiro (Henrique), Loureiro (Dias), Salgado (Ricardo), Silva (Carlos Santos), Sócrates (José), Veiga (José) e Vicente (Manuel). [Nota relevantíssima: este rol nada tem a ver com as “embalagens prateadas” nem com os “gongos dourados” do paleio figurado do ponto 1. desta crónica. Cuidado com isso, que não tenho dinheiro para prestidigitadores da vara.] Só que, assim de fulminante repente qual trombose terminal, zás! e zinga! – a Agricultura outra vez.
5. Sim. Ela toda. Foi quando lia o item relativo ao Granadeiro. O Granadeiro, sim, que terá preferido enriquecer a ser Henrique. Foi na pág.ª 7: […] Ricardo Salgado (…) classificou Henrique Granadeiro como um dos grandes sábios portugueses na área agrícola.” É que nem para mais nem por menos: Grande. Sábio. E agrícola. Chiça! Quem? O Henrique? Parece que sim. Parece que sumo mestre de herdades de comportas, fábricas de arrozes, herdades vinícolas, marcas de vinhos capazes de vales de ricos homens e de tapadas de barões. Tudo coisas, hoje, de arresto judicial, infelizmente, mas parece que antes de cornucópica, ou pandórica, maravilha. Fiquei de boca artilhada na quarta vogal. Então e o meu Virgílio ganadeiro ao pé deste Granadeiro épico também? Que desgraçado cotejo me o decepava ali cerce? Calma. Lembrei-me a tempíssimo do resgate. Bucólica Primeira, ali onde, ao pastor Títiro, o colega Melibeu fala pela vez segunda: “Não te invejo, me espanto, pois que tudo/pelo campo é desordem. De que modo!/Eu próprio, já doente, a estas cabras/empurro para a frente e à que tu vês/como custa puxá-la, pois que gémeos/pariu por uma moita e aos dois coitados/os teve de deixar em pedregulhos,/ó perdida esperança do rebanho!”.

6. Sim. Perdida. Digo: a esperança. O rebanho soma, que se não some, e segue, que de borla curral lhe damos. Até trânsito em (jul)gado. Diz a abelhinha.

sábado, 13 de maio de 2017

Rosário Breve A gente B.-B. ê-se por aí por Daniel Abrunheiro


Desenho de Onofre Varela

1 Maio também serve para desaparições pouco místicas. Terça-feira, 9 do corrente, foi a vez da de Baptista-Bastos, ao cabo de 83 anos de nascido. Foi um cultor da Língua de subido mérito. Gostava de jornais bem escritos e de livros bem lidos. Era pessoa e personagem. Conhecia milhares de histórias, foi protagonista de milhentas ele próprio. Correu todas as redacções, percorreu todas as ruas de uma Lisboa que, sua de nela nascer & de em ela morrer, poucos terão conhecido tão bem. Deixa admiradores, indiferentes e rancorosos. A mim, deixa-me vontade e pretexto para mansa releitura de alguma da sua literatura, que noutra idade abordei talvez sem a atenção mais proveitosa. Penso que o ângulo do obituário pode ser mais justo se, em vez de “Morreu Baptista-Bastos”, assentarmos que – B.-B. viveu. Ora, como é sabido, não se pode dizer o mesmo de toda a gente.
2 Não se pode dizer o mesmo de toda a gente porque há mortos-em-vida que por aí andam a roer broa muito mal empregadinha em tais dentuças. Ocupam os poleiros e mamam as mordomias que lhes presta a populaça pobrete & alegrete da nossa espécie de fatalidade. Parasitam todas as áreas da sociedade. Infestam, da mesma, todas as secções produtivas – volvendo-as improdutivas. Política, desporto, ex-cultura, culinária, turismo, jornalixo, hidráulica, estiva, transportes, câmaras, clubes de caça & pesca, lares da última idade, bombeiros, saúde, correios, eléctricas, esplanadas – a tudo esterilizam. E reproduzem-se muito, gerando criancinhas estupidificadas pela electrónica amestradora deste século em que a incomunicação pessoal está na razão inversa da profusão de máquinas de bolçar bitaites. Não sofro dúvida: o nosso é um tempo sem eira, sem beira e sem ramo de figueira. Mas quê? Chateio-me muito com isso? Cada vez menos. Sobrevivo e deixo sobreviver. Reciclo o dia antes que o ontem se faça tarde. Ainda agora.
3 Ainda agora, na esplanada de mesas daquele amarelo da publicidade ao chá de palhinha, estava o maralhal muito sossegado a estiolar à torreira de um sol bruto como as derrocadas mineiras. Nisto, uma inquietude assolou a assembleia de desirmanados. Uma ansiedade esquisita, um latejar de próstatas, uma ânsia de ganir à Lua vespertina. A causa? Uma mulher. Apareceu-nos ali sem azinheira nem aviso. De vestido justo a ponto de segunda pele, era um clarão de champanhe. Manava uma fragrância de peixe fresco alimentado a fruta e a leite, decerto por rabejar de cintura qual sereia profissional. Esfíngica, muda, impositiva & incómoda tipo mulher-do-fraque, fez-nos ranger a prótese dentária como se de repente tivéssemos começado todos a sorver esferovite. O B.-B. não lhe perdoaria. Nós perdoámos-lhe. Demorou-se pouco, ficando-nos portanto para sempre. Abençoada posta não-pescada. Milionàriazinha de sua avó. Bisontezinho de Foz Côa em diferido de Paris. Vontadezinha de ter um porta-chaves de BMW. Santa & Senhora. Tive de forçar com conhaque o açude represo do gasganete. De volta a casa, ainda estive para contar à minha mulher. Já nem sei porquê, não contei.

À aparição, dei apenas, cão velho que sou entre flores, um secreto adeus.

Inauguração da exposição de Fotografias de MMS (Margarida Macedo de Sousa) no Atmosfera M Porto no dia 8 de Maio.



 Com os primos Fernando e Regina Sousa Lopes

 Osvaldo Macedo de Sousa e Onofre Varela
 Com os primos Sousa Lopes

sábado, 6 de maio de 2017

Rosário Breve: Crónica à luz-roxa por Daniel Abrunheiro

Vejo mais pessoas a pé do que de pé. Curto e grosso: a pé, os do embuste anti-republicano de Fátima; de pé, as pessoas que (ainda) comemoram o 25 de Abril e o 1.º de Maio.
Por essas estradas, pirilampos bípedes de coletinho fluorescente: por essas praças, homens e mulheres livres por conta própria. Talvez sejam dois mundos irreconciliáveis. O mais certo é que o sejam de facto. Já me importei mais com isso. Já cheguei, até, a indignar-me com isso. Felizmente, os anos acumulados tornaram-me mais simples e mais bruto. Tenho repentes de ferocidade incendiária que um copito de branco fresco apaga sem grande esforço. Na base do que V. digo, está isto de eu vir do funeral de um Amigo. Aos 58 anos, o Tónio foi para nenhures. Daqui a uns tempos, o canteiro dos mármores resumi-lo-á a um nome entre duas datas. Pronto.
Na volta, vim impregnado da inútil revolta do costume. Entre gares rodoviárias, fui inútil e triste como uma biblioteca encerrada. As marcas quilométricas da auto-estrada sucediam-se sem fadiga, estúpidas, inocentes e branquinhas à maneira de cordeiros da Páscoa. Não pude ler. Não consegui escrever. Fui assistindo aos eucaliptos velocíssimos da vidraça. O vento que neles dava era o mesmo que me varre as ideias e as atitudes positivas. Senti-me, naturalmente, tramado: tenho mais coração do que cabeça. Para a cabeça, ainda há uns paliativos. Para o coração é que não há remédio.
E lá a minha terra, como estava a minha terra? Mais cansada, pareceu-me. O meu envelhecimento projectava-se nela como uma espécie de luz-roxa, dessa que antigamente, nas matinées dos “clúbios” recreativos dos pobres, punham os dentes e as fibras sintéticas da roupa a brilhar no escuro. Troquei com essa minha gente as palavras costumeiras. Alguma dessa minha gente é da classe “a pé”. Outra (minoritária, claro) é gente “de pé”. Não sei se me faço entender. Gosto dela toda, para bem dos meus pecados.
Lá deixámos o Tónio sufocado de flores de celofane. Fazia um calor mortífero. Lá fomos ao copito de branco fresco. Foi até ser meio-dia. Depois, cada qual foi para casa, fiquei eu sozinho no largo, dono tão-só de uma sombra vertical e implacável de toldo sem mesa nem cadeiras por baixo. A incerteza tomou conta de mim sem resistência. O branco fresco a sós é um bocadito pró triste. Um quase-terror assolou-me: “E se deixei de saber ler? E se nunca mais conseguir escrever?”
Pelos vistos, não aconteceu. Está um dia bonito, nesse mundo a que às vezes pertenço. Encerrei-me em casa, estores corridos contra a reverberação implacável de Maio. A realidade funciona sem meu concurso. Olha, telefona-me agora mesmo um dos meus Amigos ainda vivos. Tesouro, para mim. Dizemos chalaças. Dou por mim a rir-me como um chimpanzé num bananal.

Mas ai, Tónio. Ai, António Alves dos Santos (1958-2017).

quarta-feira, 19 de abril de 2017

CartoonXira 2017 inaugura dia 22 pelas 18h em Vila Franca de Xira

CARTOONXIRA 2017
| No próximo sábado dia 22 de Abril às 18h, no Celeiro da Patriarcal em Vila Franca de Xira, inaugura a exposição, Cartoons do ano com vários cartoonistas portugueses e o convidado internacional é o Quino. 

domingo, 9 de abril de 2017

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Exposição de fotografias de mms (Margarida Macedo de Sousa) no espaço Atmosfera M Rua Castilho 5 Lisboa até 28 de Abril

Quem quiser navegar no sonho floral, na alma da natureza através de um olhar diferente, introspectivo da natureza, pode ir a este espaço (das 10 ás 19h durante a semana e das 10h às 17h ao sábado) e ai sentir a alma da artista, a alma da mãe Gaia. Exposição a não perder

mms - IMPRESSÕES DE UM MICROCOSMOS

        Perspectivar o mundo é algo muito subjectivo, já que cada um se molda na visão que desenvolve pelos seus prismas pessoais, transformando o que parece realidade numa recriação quântica/ virtual individual ou de grupo.
        A imagem para mms (Margarida Macedo de Sousa) é o reencontro da sua alma, no prazer de captar o belo, não como estrutura codificada pelos conceitos, mas impressões do macrocosmos, pela ampliação do microcosmos do seu jardim. Procura na fotografia, um prazer que a preencha na sua criatividade estética, viajando, com a ajuda das lentes "macro", pelo mundo floral na busca de novos universos, dentro desses mundos reais que se podem recriar na perfeição das suas formas, cores e impressões visuais. O resultado dessa visão floral é estonteante na sua beleza multiforme impressionista em que a harmonia etérea dos esfumados, desfocagens, profundidades de contrastes e cores nos levam para outras concepções abstratizantes, mais estéticas que realistas, mais oníricas que físicas. mms não capta, pincela com o olhar, não regista, recria as formas e cores, não fotografa, pinta com as tecnologias fotográficas. Sem jogar com filtros ou trucagens, são fotos simples de puro prazer e beleza plástica, quais telas da natureza.
        Tímida e humilde nos seus primeiros passos fotográficos, alheando-se das questões técnicas, procura a essência da visão nas perspectivas da cor, no desfoque das luzes, no jogo das sombras e contrastes. Raiando por vezes a abstracção, procura pelo impressionismo da "macro", o belo escondido das flores do jardim, do quintal, aquele quotidiano que nem notamos na correria do dia-a--dia, reconstruindo-o em pormenores de profunda beleza visual. A simplicidade do belo é o que a atrai nas suas fotos, comunicando-nos o prazer da alma com que são executadas.

        margarida
        macedo de
        sousa, natural de Lisboa (1969) é licenciada em Tradução tendo estado toda a sua vida profissional ligada ao Teatro Nacional de São Carlos nos sectores de organização/produção, exercendo funções, neste momento, no Gabinete de Comunicação e Imagem.
        Como "gémeos" de signo que é, os seus hobbies são diversificados, divagando pelas artes artesanais onde a fotografia ganhou algum destaque nos últimos tempos, seja na captação da vida onírica dos bastidores líricos, seja no recorte da natureza e detalhes de viajante do nosso planeta.

        Esta é a terceira exposição individual da artista que se estreou em 2015 no Mês da Fotografia - ImaginArte-Almada, expondo em 2016 no Espaço "Marujo" em Espinhal - Penela integrada na XXVIII Feira do Mel do Espinhal, assim como na colectiva "ADN" no Mês da Fotografia - ImaginArte - Almada. Em 2017, para além desta exposição no Atmosfera M de Lisboa, tem agendadas para Maio no Espaço Atmosfera M - Porto, para Junho na Fábrica de Alternativas - Algés, para Setembro... novas mostras.