domingo, 31 de julho de 2016

Crónica Rosário Breve Terrorismos estivais por Daniel Abrunheiro


1 O terrorismo não se esgota nos atentados suicidas, nem no fundamentalismo mascarado de religião, nem no maniqueísmo simplista nós bons/eles maus. Ah pois não. Ele há mais terrorismo. O das famigeradas “sanções” da alegada União supostamente Europeia, por exemplo. Intolerável ingerência na soberania de cada Estado mais “periférico” (isto é: tudo o que não é Paris, não é Bruxelas & não é Berlim), todo este aparato dos “défices estruturais” e da “Dívida” traz água estragada no bico. Para mim, é terrorismo. E não costumo enganar-me nas palavras que uso.
2 Outro terrorismo: a Corrupção. Ela é o fascismo de colarinho-branco. É também & ainda, por dentro da Democracia, o mais voraz inimigo dos direitos básicos que são a própria essência da dita. O direito ao trabalho, o direito à justiça, o direito à saúde, o direito à educação – tudo é quotidianamente minado e apodrecido em consequência do que por aí vai de gente vil, sem uma pinga de vergonha na cara, que infesta a banca. Por exemplo, a banca – claro que articulada com a sabujice de certa politica. O clientelismo amiguista à portuguesa prima ainda, todavia, por um outro fenómeno iniludível. Este aqui: uma substancial porção do povoléu não deixa de sentir admiração pelos agiotas que roubam, pelas gravatas que garrotam, pelos euromilhões públicos gamados à escala industrial. É verdade: muito portuguesinho médio sente a sua veneraçãozinha pelos manhosos cujas roubalheiras tornam o erário público numa gamela a céu-aberto & à boca-fechada. Reforço & repito: há por aí muito Zé-Ninguém que gostaria de volver-se Zé-Alguém, não pela justa recompensa de um trabalho justo, mas pelo “esquema”. Haverá por aí algum Leitor meu que não conheça alguém assim?

3 Termino por esta semana com uma confissão: cada ano que acumulo, o Verão torna-se-me mais intolerável. A inflação centígrada dos últimos dias tem-me tornado um bicharoco recluso cozendo à sombra dos quarenta graus. Amanheço a desejar a noitinha. Jornada é fornada. No céu sem fronteiras, o grande Sol, rei ímpar, dardeja uma violência que calcina. Antigamente (falo por mim, só por mim), era uma estação bem-vinda. A trégua escolar chamava & juntava os grandes ócios maravilhosos de ir à fruta, ao rio, à mata, aonde o nariz livre apontasse. Aos 52 anos, sou um velhinho transido de calor que quer tão-só esses estores bem descorridos para baixo, essas cortinas bem encerradas, a casa tornada mosteiro de pedra fechada à violência solar. É como se o Sul da Europa tivesse sido tragado para sempre pelo Norte de África. Ou por Berlim. E ainda temos Agosto aí à porta, raios o partam.

terça-feira, 21 de junho de 2016

O GOLPE DE ESTADO NO BRASIL (impeachment da presidenta Dilma Roussef) PELA PENA SATÍTICA DE LUIZ GÊ

O Brasil está sofrendo um novo tipo de golpe de estado que foi aplicado primeiro em Honduras, depois no Paraguai e, para nossa vergonha, agora é aqui.
Existe muito dinheiro e poder em jogo, e os países ricos, e, em especial, as multinacionais não iriam deixar que o Brasil conseguisse formar um novo bloco econômico como o dos BRICS que estava começando a se desenhar e que ameaçava e se contrapor à sua hegemonia. Mas o campo de petróleo aqui descoberto vale pelo menos um trilhão de dólares e compensa a ninharia que a Secretaria de Estado americano possa vir a gastar para fazer o que fez, desestabilizar, depor e implantar um governo formado por bandidos para que lhes entregue a riqueza que for do seu interesse.
Desde o começo do ano voltei a fazer charges políticas (que não fazia desde o fim da ditadura militar em 84) lutando contra essa violência que mais uma vez se abate contra o Brasil e contra um melhor equilíbrio de forças do mundo inteiro, bem como contra a elevação do nível de vida de um  povo que já muito sofreu sob essa oligarquia truculenta que é a brasileira. Estou mandando algumas charges que fiz desde o acirramento do golpe (que na verdade se desenrola há muito mais tempo) e está sendo concertado pela mídia (dos maiores milionários brasileiros), pela justiça, que sempre foi muito classista, e que é fácil de manipular, pois um pequeno número de seus membros é suficiente para que os juízos sejam dados, e pelo congresso, que é o pior da nossa história, com mais da metade dos congressistas respondendo a processos, às vezes até por assassinatos (e que foi alçado ao poder também com a ajuda da mídia, é preciso que se diga)!
Este material foi produzido em um ambiente angustiante e kafkiano, de alguém que vê a nossa jovem democracia mais uma vez sucumbir aos golpes truculentos de uma oligarquia que jamais pensou na construção de um país, mas apenas no vil metal, para o qual desde sempre se vendeu às custas do sofrimento alheio.
Sei como as charges (não sei se vocês usam esse termo aí, ou se usam apenas caricatura?), precisam do contexto para serem compreendidas. Por isso comecei a escrever e a coisa virou uma espécie de resumo dos acontecimentos até agora. Se for necessário que eu explique alguma não hesite em me mandar uma mensagem.
Essa BD fala sobre o poder midiático e a dificuldade que o indivíduo tem, caso pense de forma diferente. Isso é o pano de fundo em que se desenrola todo o episódio do impeachment/ golpe atual. Era muito difícil emitir uma opinião e não ser, imediatamente, escorraçado pelos demais.
O símbolo da rede Globo, a mais poderosa e onipresente estação brasileira de TV é uma esfera com uma outra inserida numa tela da TV e que, na charge/ caricatura  abaixo aparece em azul. Seu dono é um dos mais, senão o mais rico dos brasileiros. A Globo foi criada para dar suporte à ditadura militar nos anos sessenta. Assim como ela mais duas das emissoras também o foram. Essa charge, a meu ver, resume toda a correlação de forças e a própria situação em que nos encontramos.
A soma das duas charges anteriores produz essa abaixo. Foi uma verdadeira epidemia de linchamentos morais e reais conduzida pela classe média e movida por esse incutido ‘moralismo’ midiático.
Nas manifestações contra o governo, amplamente apoiadas e divulgadas pela mídia, as pessoas, costumavam usar camisetas da Confederação Brasileira de Futebol, órgão totalmente corrupto, cujo presidente, José Maria Marin, foi preso na Suíça e enviado para os EUA para responder a processo. Era uma verdadeira ironia, que aqueles que protestavam contra um governo, cuja presidente era totalmente honesta, vestiam esse símbolo da própria corrupção  que hipoteticamente atacavam.
Mas o discurso dessas pessoas logo se revelou em toda a sua hipocrisia, quando a classe política que era o seu alvo predileto se transformou em força para derrubar o governo de esquerda que  
O congresso se tornou a principal forma de realizar o impedimento da presidente Dilma. Todos os partidos que haviam aderido ao governo do PT apenas por motivos fisiológicos, como o PMDB, passaram para o outro lado e, inclusive com medo de serem condenados na justiça, já que eram, em sua maioria réus de um ou mais processos. Engrossaram assim as fileiras pró-impeachment. O vice presidente Temer virou a casaca, quando percebeu que se tornaria presidente, mas também o fez por ser homem de Cunha, um super vilão (com cara de rato) que conseguira se tornar o presidente da Câmara dos Deputados. Esse super bandido, com milhões de dólares na Suíça e em outros paraísos fiscais, manobrava quase a metade da Câmara, repassando dinheiro para essa gentalha que representa, entre outras, siglas de aluguel, bancadas religiosas protestantes totalmente caça níqueis, argentárias, especializadas em tirar dinheiro dos fiéis. Quando o PT se negou a apoiá-lo ele aprovou o impeachment da presidente Dilma e deflagrou o processo. Saltou aos olhos o fato de que a Justiça nada fez até que ele tomasse essa medida. Apenas o retirou do cargo de presidente do congresso quando o ‘trabalho’ estava feito.


Veio então o infame dia 16 de Abril, quando um congresso de bandidos, incentivado pelas manifestações pseudo-moralistas apoiadas pela mídia fizeram o maior papelão da história política nacional, votando o impeachment da presidenta Dilma Roussef, pessoa sem uma única mancha em sua carreira política e profissional. O detalhe ficou por conta dos votos dos deputados, que repetiam hora após hora o mesmo discurso absolutamente monótono, medíocre, hipócrita e revelador: “ pelo meu filho”, “ pelo meu neto”, “ pela minha mulher”, “pelo meu sobrinho”, enfim, por “eles mesmos”. Às vezes diziam “pelo meu Estado”. Mas houve aqueles que disseram que o faziam por algum militar torturador da época da ditadura militar.







Uma das forças que impulsionou o movimento de impeachment, ou melhor, o golpe, foi outra vez, assim como em 1964, na ditadura militar, a FIESP a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Essa federação já pode ter sido mais importante. Hoje, acho bastante misteriosa sua representação. Quem será que ela representa? Digo isso, porque a indústria brasileira sofreu dois processos de desmantelamento brutais. Um foi no final da ditadura, que, sob o comando do FMI, a indústria brasileira, inclusive a estatal (trens, navios, material pesado, que aliás começaram a ser reativadas no governo do PT), sofreu um golpe devastador. O outro momento, que foi o tiro de misericórdia, foi no governo Fernando Henrique Cardoso do PSDB que, realizando as recomendações neoliberais do Conselho de Washington, retirou de um só golpe as medidas protecionistas e escancarou o país para as importações e a entrada facilitada de indústrias estrangeiras multinacionais. Mil e duzentas empresas nacionais de tradição, renome, mercado conquistado, desapareceram, falidas ou vendidas para multinacionais a troco de banana. Desconfio que a FIESP represente, hoje, apenas indústrias que executem serviços menores para as multinacionais. Pois bem, a FIESP realizou uma campanha acirrada pelo impeachment e usou como símbolo um pato inflável gigante usado nas manifestações e cujos olhos tinham em seu lugar cruzes. No peito do pato tinha uma inscrição: “não vou pagar o pato”. Isso era uma referência a um imposto, um dos raros impostos claramente justos, que no caso era sobre os cheques. Era justo porque era pequeno, e quem pagava mais eram os ricos que dão mais cheques e maiores (ou seja, eles da FIESP, por exemplo). Todo mundo hoje em dia usa cartão. Esse imposto ia diretamente para a área de saúde que é uma área muito carente no Brasil. Quando o PSDB, um dos principais partidos contrários ao governo do PT conseguiu derrubar o imposto, esse dinheiro que era crucial, deixou a área da saúde sem uma parcela importantíssima de recursos. Esse símbolo do pato, tão mal compreendido pela classe média, mostra como os poderes plutocráticos do Brasil conseguem manipular essas pessoas que se acham “esclarecidas” por lerem jornais (de propriedade dos ricos), que, é lógico, os manipulam como querem, geralmente apelando para suas crenças conservadoras. O, literalmente, patético é que pato (que virou o símbolo das passeatas golpistas) no Brasil, é gíria para trouxa, bobo. E, pior, o pato inflável foi copiado do pato de um artista europeu que havia exposto aqui no Brasil exatamente esse mesmo pato inflável de sua criação e que representa um daqueles patinhos com os quais as crianças brincam na banheira. No meio das manifestações da direita com esse pato, o artista se manifestou horrorizado pelo uso de seu trabalho de forma totalmente desautorizada (e pela direita, ainda por cima).


A revista semanal que virou um panfleto caricatural. Acabou o jornalismo isento no Brasil.

Atrás do pato, o prédio da FIESP na avenida Paulista, em São Paulo.
Mas a pior coisa que aconteceu, a mais infame, até o momento, foi a oligarquia ter colocado a democracia ‘no prego’ sem ao menos termos um juízo concreto sobre o mérito das questões apresentadas pelo impeachment de um presidente. Jamais houve um consenso. Centenas e centenas de juristas já apresentaram ou subscreveram demonstrações mostrando que não há base para um impedimento. Mas isso até agora não foi considerado pelo Supremo Tribunal Federal, que até agora apenas deu seu aval para as resoluções da câmara e senado, totalmente políticas e não legais, e muito provavelmente não será. A nação ficará sob tutela de gente sem um único voto, entregando o país para a sanha imperial, e quando vier esse ajuizado, será feito por meia dúzia de juízes do supremo. Ou seja, nada mais fácil de manobrar quando se tem o poder econômico e financeiro à disposição, como têm os poderosos interessados, nacionais e estrangeiros.
Impressionante como da classe média para cima, o pensamento nada tem a ver com o país, ou com os brasileiros. Até os médicos que tradicionalmente sempre foram das classes mais abastadas, da classe média para cima, tem o mesmo pensamento. Meu Deus, que luta insana e inglória!
Por fim, um pouco da nossa história, que não tem nada de alegre. Não sei como é que há o mito do brasileiro cordial.



Diga 33 - 33 anos de Cartoons de Bandeira inaugura dia 24 (Sexta-feira) dia 24 às 18:30 - Pátio do Sol, Fábrica da Pólvora de Barcarena, Oeiras







quinta-feira, 16 de junho de 2016

Inauguração da exposição retrospectiva dos trabalhos de humor de Júlio Montalvão Machado - Montalvão o lado irreverente de um democrata no Museu da Vila velha em Vila Real

 O Director do Museu João Silva, Osvaldo Macedo de Sousa, o Presidente da Câmara Dr. Rui Santos, a Vereadora da Cultura DrªEugénia Almeida e o Vereador da Educação
 Osvaldo Macedo de Sousa, o Presidente da Câmara Dr. Rui Santos, 


 Com o Mestre do humorismo cubado Pepe Pelayo






Rosário Breve Onze milhões de Emplastros por Daniel Abrunheiro

É que nem Salazar teria sido capaz de tão alto feito: desmiolar toda uma república mercê de um desporto dito rei.
Não recuo um milímetro nem tiro uma sílaba ao título que escolhi para a crónica desta semana. Desgosta-me profundamente toda a euforia de plástico que pelo meu País, por desgraça, grassa. Outra vez as bandeiretas compradas nos chineses, caraças! Outra vez os patriotas da boca-para-fora, chiça! Ainda e sempre a impossibilidade de ligar a TV, num canal produzido cá, sem que os rebanhos de totós (quantos deles desempregados?) não irrompam pela pantalha mui parv’alegres, micóticos como a sarna, amostardados como o sinapismo cataplasmante – e de uma moral tipo impingem que já não vale a pena coçar.
Eu gosto muito de bola, juro que gosto. Até corri atrás dela que nunca me fartei, na minha remo(r)ta mocidade que não volta. Mas isto é de mais: a alienação a granel de uma gente que não é senão culpada da própria mi(s)tificação a que de tão bom grado se sujeita – e tudo sem um ai, sem um vagido, sem um isto-é-tudo-muito-lindo-mas-então-e-os-contratos-a-prazo-a-dívida-externa-o-Estado-a-socorrer-os-banqueiros-o-petróleo-no-Algarve-o-nuclear-em-Espanha-às-portas-da-fronteira-via-Tejo?
Quem há-de rinchavelhar-se desbragadamente com tudo isto há-de ser o Pepe. Todo o tuga conhece este grande lusíada. Pepe 10 – Jorge de Sena 0.
Rui Patrício 5 – Miguel Bombarda 0. Renato Sanches 4 – Passos Manuel 0. Quaresma 8 – Aristides de Sousa Mendes 0. CR7 1000 – Bernardo Santareno 0. E, de repente, a realidade: Portugal 1 – Islândia 1.
Já tive mais pena que assim fosse, seja & continue a ser. Com os anos, o futebol foi & veio dando lugar, no meu caso como na minha casa, a outras predilecções lúdicas: a gotinha de soro nos olhos a horas certas, a pastilhinha de alopurinol para prevenção da artrite gotosa, o copinho de água fria em jejum para lavar as vielas arteriais seguido do copinho de leite morno para caiar a adega, o chegar cedo ao Café da Graciete tal que a mesa predilecta de fazer as crónicas não esteja ocupada por algum meliante que escreva para outro jornal.
Não, nem sílaba nem milímetro retiro ao título. Tanto patusco também cansa. Tanto carneiro também farta. Tanta micose também exaspera. E tanta idiotia também aleija. Ainda se…
Ainda se os gajos das quinas em campo fossem, sei cá, o Damas, o Jordão, o Vítor Baptista, o Arnaldo, o Lourenço, o Lemos, o Pavão, o Coluna, o Manuel António, o Travassos e o Matateu, isso ’tá bem, isso é que era uma esquadra de ataque à maneira. E o Eusébio no banco a descansar um bocadito sem ser para sempre como agora está.

E, claro, eu como treinador, que percebo muito mais de ser emplastro do que certos 11 milhões de outros que eu bem cá sei mas não digo quem são.

V BIENNIAL of HUMOR "LUIZ D'OLIVEIRA GUIMARAES" - Penela 2016 - Deadline - June 25, 2016

Will the artists themselves, are aware of their role as graphic humorists in contemporary society? Will be simple comic in developing laughable burlesque or everyday philosophers? Simple clowns laugh or wake up consciences? They will be able to synthesize the design what it is your profession? / Function?
Everyone knows the allegory of the ant and the grasshopper, but no one speaks of the humorist bee, this being that with the pollen of news and everyday is the honey of our existence but that with its stinger, when necessary also pica ills society, fundamentalisms, dictatorships. The thematic challenge this year's V Biennial Penela Humor (Portugal) is the proper mood or role of the cartoonist in today's society, which can be presented as an allegorical / parodic trip with bee universe, that being that disappear humanity has no more than four years of existence (as advocated Einstein) and this philosophical art of seeing the world that is disappearing also signal the demise of mankind. At the same time we give way to self-caricatures and cartoons of professional companions.
How can you participate?
 a) The easiest - simple moods on the bee, honey, their ecological importance and therapy.
b) Easy - Self-portraits and caricatures-charge of other graphic humorists.
c) more difficult and more interesting - Parodies, allegories about the work of the bee and the graphic humorist - This should be philosophical (force us to think) as pure or just comic honey as honey processed? It should be therapeutic (the "apitherapy" as "geloterapia" are fundamental alternative medicines because laughter, byproduct of humor, when "explodes" exerts its impact on the muscular system, central nervous, respiratory, cardiovascular, immune and endocrine .... ) or cause allergy, violent reaction to the sting of the bee and satire? How to fight for victory humor / bee against oppression, censorship, terrorism, fundamentalisms / parasitic disease Varroa mites, wasp Velutina Nigotorax .... ? It is mandatory the presence of bee these pictures of what should be the contemporary cartoonismo.
We can not forget the allergies that have developed against the sting of satire / irony, fear of terrorist wasp that has killed, persecuted, oppressed philosophers of freedom and today living an important moment in the game the tolerances and intolerances. Let us not forget that integration only works when the other also integrates, tolerance requires tolerance, intolerance creates intolerance. We can not forget that in defending the right to freedom of thought and expression, the mood were killed, in addition to the world-known French cartoonists of "Charlie Hebdo" - Charb, Cabu, Tignous, Honoré and Georges Wolinski, noted in the last ten years Prageeth Eknaligoda (Sri Lanka), Akram Raslam (Syria).
The prison has spent the Algerian Ali Dilem and Tahar Djehiche; Iranian Mana Neyestani, Hadi Heidari and Athena Farghadani; Syrian Ali Ferzat and Chahim Barzanji, Indian Harish Yadav (Mussveer) and Aseem Trivedi, the Moroccan Walid Bahomane, Turkish Mehmet Duzenli and Musa Kart; Chinese Jiang Yefei in Thailand (but disappeared during his deportation to China); Egyptian Magdy El Shafel the palestiano Mohamed Sabaaneh; Thai Sai - Sakda Sae Lao; Malaysian Zunar - Zulkiflee Anwar Alhaque ...
Among many cases little known or jumped to the public knowledge as the censorship persecution or dismissal of Ecuadorian carbonyl and Vilma Vargas; Rayma Supremi in Venezuela; Portugal - Rui Pimentel; the prohibition to publish in your country (Mikhail Zlatkovsky - Russia); those who have to live under police protection (Lars Vilks - Sweden, Molly Norris - USA, Kurt Westergaard - Denmark) ... Not forgetting the surreptitious disappearance of graphic humor in the Portuguese press and many other countries.
"What we accuse me is not
in the drawing, but in your conscience. "
Philipon (century. XIX)

V BIENNIAL of HUMOR "LUIGI D'OLIVEIRA GUIMARAES" - PENELA 2016
An Organization: Municipality of Penela / Junta de Freguesia do Espinhal
A production: Humorgrafe - Artistic Director: Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.oms@gmail.com)
1 - Theme: "Honey to Stinger" - we invite artists from around the world to philosophize about the role the humorist / cartoonist and parallel the role of bee / honey (and other derivatives, in addition to their role in biodiversity) in our society. We can not forget the allergies that have developed against the sting of satire / irony, fear of terrorist wasp that has killed, persecuted, oppressed philosophers of freedom and today living an important moment in the game the tolerances and intolerances. Let us not forget that integration only works when the other also integrates, tolerance requires tolerance, intolerance creates intolerance.
2 - Open to the participation of all graphic artists with humor, professional or amateur.
3 - Deadline: 25 June 2016. They should be sent to humorgrafe.oms@gmail.com, humorgrafe@hotmail.com or humorgrafe_oms@yahoo.com (If you do not receive confirmation receipt resend new SFF).
4 - Each artist can send via e-mail in digital format (300 dpis A4) up to 4 monochrome works (one color with all its nuances - not accepted drawings 2, 3 or 4 colors -open to all techniques and styles as caricature, cartoon, humor design, strip, plank bd (story in a single board) ... which must be accompanied with information of name, date of birth, address and e-mail.
5 - Entries will be judged by a jury consisting of: representatives of the Municipality of Penela; Spinal representative of the Parish Council; representative of the family Oliveira Guimarães; the Artistic Director of the Biennale; a representative of the sponsors, a local media representative and two guest artists, and awarded the following prizes:
* 1st Prize V BHLOG- 2016 (worth € 1,800)
* 2nd Prize of V BHLOG- 2016 (worth € 1,300)
* 3rd Prize of V BHLOG- 2016 (worth € 800)
* Mood Revelation Prize V BHLOG- 2016 (worth € 250) (for national authors under 25 years old).
The jury, at its discretion, may grant "Special Awards" António Oliveira Guimarães, Municipality of Penela, Junta de Freguesia do Espinhal and Humorgrafe), the honorific title, complete with trophy.
6 - The jury granted the right to make a selection of the best works to exhibit in the space and catalog edition (which will be sent to all artists with work reproduced).
7 - The Organization shall inform all artists by email if you were selected for the exhibition and catalog, and which the winning artists. The works awarded compensation, are automatically acquired by the Organization. The originals of the winning entries must be submitted to the Organization (the original work made the computer is a high quality print in A4, signed by hand and numbered 1/1), because without such delivery, the monetary prize will not be unlocked.
8 - reproduction rights are owned by the Organization, as soon as to promote this organization, and occasionally discussed with the authors in the case of other uses.
9 - For further information contact the Artistic Director: Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.oms@gmail.com) or V Biennial of Humor Luis d'Oliveira Guimarães Culture Sector, Municipality of Penela, Largo do Municipio, 3230-253 Penela - Portugal.

10 - The V Biennial of Humor Luis d'Oliveira Guimarães - Penela 2016 takes place 3-21 September for Cultural Espinhal Center, but can also be exposed in other locations to be designated.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Crónica Rosário Breve Do estrangeiro quase pobre por Daniel Abrunheiro

1 Pobrezas
A gente é pobre, mas pobre não é gente. Pobre só é gente no Natal, quando faz de pobrezinho. Pobre vota, mas não conta. Pobre desconta.
Pode ser-se pobre estando rico. Mas ser pobre não enriquece. Rico pobre é o que se remedeia. Remediar-se empobrece muito mais no tal Natal.
Uma coisa é a gente ser pobre. Ser remediado é a mesma coisa. Mas estar rico não é o mesmo que ser rico. Ser rico pode ser estar pobre. Remediado é que não.
Remedeio não é remédio. Remédio é cara da coroa da doença. Doença é quando se pensa. Pensar empobrece, não remedeia nem enriquece.
Pobre vale mais quando não tem remédio. Menos quando tem remedeio. Quando tem remedeio, pobre é rico pobre.
Pobre rico é outra coisa. Vive remediado e morre pobre. Enriquecer a vida é empobrecer a morte. Mas remediá-la é matá-la porque é empobrecê-la. Como pensá-la é tudo menos remediá-la.
Pobre vota, mas não bota. Pobre perdigota. Pobre perde e gosta. Não gasta. Gosta. Remediado também gosta, mas bota. Bota rico porque vota pobre.
Que remédio.

2 Um estrangeiro quase feliz
Moro em Portugal desde que nasci, o que, naturalmente, não abona muito a meu favor. Sou mais um estrangeiro, portanto. Sim, é estrangeiro que me sinto. Manhã muito cedo, por exemplo, vou ao café do meu vizinho tomar a primeira chávena do dia. Como trabalho por conta própria, deixo-me estar. Ainda por cima, é permitido fumar. Porreiro. Então, ligam o televisor. É fatal: TVI. É fatal: o Goucha. Sou corrido por aquela portugalidade que me resulta inaceitável, intolerável, insustentável, incontornável. Cá fora, chove. Escolho outro sítio para escrever. Descobri um que, coisa rara, não tem televisão.

É o cemitério. Entro, escolho um jazigo com degraus, sossego o coração, trabalho. Ninguém me chateia. Estou ali na paz do Senhor. O vento dá nas árvores, as aves pontuam reticências pelo papel do céu, deixou de chover, uma farpa de sol fura o cartão das nuvens. Quando preciso de algum nome para uma personagem, dou uma volta pelo labirinto simples das sepulturas. O primeiro nome deste senhor aqui, o segundo daquele e os dois últimos desta tão saudosa e estremecida senhora. Como vou morar em Portugal até morrer, já ando, por assim dizer, entre eternas saudades. Pelo fim da tarde, concedo-me uma hora de faz-nenhum e descanso em paz. Dou pão aos pombos e aos pardais da praça, ouço o canto branco da fonte luminosa, vejo passar as mulheres dos outros, vou ao parque sentir os anjos que se fazem pedra quando são descobertos, desando pelas vielas húmidas, atravesso uma praça de chão de gravilha, leio os nomes das ruas, cheiro as bancadas de fruta que alegram as ruas de uma felicidade vegetal, cheiro o frango voador das churrasqueiras, aprecio o rosto cheio de dignidade dos cães, resisto à tentação de nunca mais parar, paro, tomo um doce num tasco geriátrico cujas paredes contam calendários de santos e posters do Sporting – e sou quase feliz, apesar de estrangeiro no, afinal, meu País.

terça-feira, 7 de junho de 2016

SARDINHAS DO POVO lançamento da edição no Museu Bordalo Pinheiro na quarta-feira, 8 de Junho, às 19h



Contraprova - Atelier de Gravura e o Museu Bordalo Pinheiro têm o prazer de vos convidar para o lançamento da edição "Sardinhas do Povo", na quarta-feira, 8 de Junho, às 19h. A exposição estará patente no Museu Bordalo Pinheiro até ao dia 22 de Junho.


Artistas participantes desta edição:
Alexandre Jorge
Ana Neto
Artur Madeira
Cristiana Fernandes
Daniela Crespi
Diogo deCalle
Joanna Latka
Luís Fernandes
Marcela Manso
Paula Almozara
Renata Bueno
Ricardo Campos
Sofia Morais
Susana Romão
Mais Informações:
Museu Bordalo Pinheiro
Campo Grande, 382 - Lisboa

Horário de Funcionamento:
Terça-feira a Domingo, das 10h às 18h
Encerrado às segundas-feiras e feriados

Evento no facebook:
 http://www.facebook.com/events/612398018937426/

segunda-feira, 6 de junho de 2016

"Mont'Alvão - O lado irreverente de um democrata" - Exposição retrospectiva inaugura dia 10 pelas 21h30 no Museu da Vila Velha em Vila Real (Capital da Cultura do Eixo Atlântico 2016)

Retrospectiva da obra humorística do Médico e Politico Júlio Augusto Montalvão Machado
Natural de Vila Real (1926 / 2012), Montalvão Machado foi uma personalidade histórica de reconhecido mérito no campo médico e político, sendo que poucos conhecem a sua faceta de humorista gráfico. Exibem-se os seus principais trabalhos (mais de 40 – fac-símiles, já que os originais se perderam pelas gavetas das redacções e tipografias) assim como quatro vitrinas com os álbuns onde o artista guardou os recortes dos jornais e exemplares dos livros de que foi autor ou realizou capas. Trata-se de uma retrospectiva da obra humorística de Mont’Alvão, um artista que surge no “Primeiro de Janeiro” de 1946 a 1958, com colaborações também nos “Ridículos”, “A Bomba”, “Cara Alegre”… Essa assinatura de Mont’Alvão só recentemente teve a confirmação da sua autoria, o artista Júlio Montalvão Machado.
Uma produção Humorgrafe (investigação de Osvaldo Macedo de Sousa)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Crónica Rosário Breve Lisboa vai ela por Daniel Abrunheiro

Vem tu daí comigo, meu justo & meu fiel Leitor, ao quintal das traseiras da minha lembrança. Concede-me esse obséquio que, impagável embora, tentarei remunerar-te mercê de uma Língua limpa e, como tu, fiel e justa.
Tenho trinta anos. O senhor meu Pai morre há bocadito. Eu bato com a porta. Tenho trinta anos e estou há anos de mais na Escola. Desemprego-me do giz & da ardósia. Vou para Lisboa.
Ânimo que a Lisboa me leva: viver, se não do que escrevo, para o que puder escrever. Escolhi bem o exílio: Lisboa é a brancura perpétua, escândalo de cal que, qual mulher fácil, se oferece sem preço à veia aberta do Tejo.
Adapto-me logo: a pé, venho dos Prazeres à Alameda para (re)conhecer tudo. Franqueio as Águas-Livres, espreito de longe a podridão exposta do Casal Ventoso, tenho cuidado com a carteira quando roço os manhosos de Alcântara, da de São Paulo ao Arsenal colho a sombra já mediterrânica que encharca as casas velhas, pesponto, pedestremente sempre, a Áurea e a Augusta, descambo afinal no mesmo Rossio onde os senhores pais do Eça tiveram um quarto-andar.
É bonita, a Velha Olisipo. Às Portas de Santo Antão, que Rua de Eugénio dos Santos foi mas ingratamente deixou de ser, apetece-me pipis de frango imiscuídos em pimenta e caril. Vou-me a eles.
Enquanto tasquinho as entranhas aviárias e impregno as papilas gustativas de indianas especiarias, sei muito bem que estou existindo sem doença nem remédio na Cidade da multidão chamada Fernando Pessoa, que chamou nomes a Deus, e do douto doutor tomarense chamado José-Augusto França, que felizmente Deus ainda não chamou.
De ali, saio a ver o Passeio Público, a que têm a mania de chamar Avenida da Liberdade. Subo, subo, balão de todo. Escancara-se-me o Marquês, o tremendo anti-jesuíta da Reconstrução pós-1755. Saturo-me sem saciedade possível de todo o articulado geométrico, amplo, respiratório. A luz é tanta, mas tanta, que chega a doer nos ossos da cara. Compasso o passo ao ritmo capital da Cidade. Finjo que sou feliz, que sou liberto, que nunca deixarei de ter trinta anos nem de ser órfão, ou órgão, de Pai.
Tenho um quarto no Bairro dos Artistas, a poucas passadas do Areeiro. Vinte-seis continhos por mês e por baixo da mesa: não há papéis nem Finanças para ninguém. Trabalho ali aos Mártires da Pátria, Jardim do Torel, tão perto do Irmão Doutor José Thomaz de Souza Martins, esse tão bom médico, esse tão bom homem. Recebo sessenta e duas milenas: é curto, mas tem de dar. E dá. Foi dando.
Repara agora, meu Justo & meu Fiel: há quarta-feira europeia, os energúmenos dos cachecóis infestam o metro, há que evitá-los pelo lado certo da noite. Vou ao bar do peep-show sito ao sopé da Calçada de Santo António da Glória. O balconista chama-se Fernando e é sportinguista. A cerveja é a trezentos paus. Ainda não aconteceu a roubalheira da conversão do escudo em euro. Fernando teve qualquer coisa a ver com o Parque Mayer, ali tão perto: não sei se uma nostalgia teatral, se uma mulher. Não inquiro. Saio.

É Lisboa outra vez: se eu quiser, dou à doida pela Fontes Pereira de Melo, devasso os Campos, chego a Campolide. Mas não quero. Quero antes isto: submeto-me à paranóia descomunal da fugacidade do Tempo, tenho mas é 52 anos e dou-me de cara(s) a ti, meu Fiel, meu Justo, num jornal que é, afinal, de Santarém, primeiro e último apeadeiro até à Coimbra de que nunca deixarei de ser, por mais boa que ela vá.

Exposição de cartoons de Augusto Cid - Entre Lisboa e Macau na VSB Art Galeria (Estoril) inaugura dia 4 de Junho pelas 17h