sábado, 19 de novembro de 2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
O Cartoonista iraniano Emad Salehi, 1º Prémio na Bienal de Humor Luis d'Oliveira Guimarães - Espinhal - Penela 2016 esteve cá e visitou o Museu Bordalo Pinheiro em Lisboa
Emad Salehi com o Director da Bienal Osvaldo macedo de sousa e com o Director do Museu João Alpuim Botelho
Em conversa com a pintora Emilia Nadal na visita da exposição temporária de Paula Rego
No Museu Raphael Bordalo Pinheiro numa alusão ao tema da Bienal de Humor do Espinhal Penela - Do Mel ao Ferrão (O Director da Bienal Osvaldo Macedo de Sousa e o 1º Prémio Emad Salehi)
Crónica Rosário Breve Meio século de O Judeu por Daniel Abrunheiro
O Judeu de Bernardo Santareno foi
publicado há 50 anos.
Obra-prima
da literatura dramatúrgica portuguesa do século XX (e de todos os que vierem),
é ponto cimeiro do extraordinário repertório teatral criado por António
Martinho do Rosário, nome civil do dramaturgo nascido a 19 de Novembro de 1920
na scalabitana freguesia de Marvila.
O Judeu marca, também e ainda, a incursão
de Santareno na dimensão épica do entrecho discursivo-dramático, monumento que
alguns tolos (críticos de pacotilha, revolucionários de café) acharam
“irrepresentável em palco”. (Talvez os engulhasse o parentesco brechtiano da
viragem formal da escrita do Santareno pós-neo-realista.) Mas não só. A peça de
Santareno tem por núcleo primacial a tragédia pessoal de António José da Silva
(1705-1739), autor, como Santareno, de uma produção dramática incómoda
(exasperante até) para o regime seu contemporâneo. As sátiras espirituosas
deste cristão-novo (como As Guerras do
Alecrim e da Manjerona) caíram mal, para dizer o mínimo, entre os
intolerantes e fanáticos monstros da “Santa” Inquisição, que de muito mais não
precisaram para o queimar em público auto-da-fé a 18 de Outubro de 1739.
Retratado
& retratista (António ambos) irmanam-se na desventura trágica das
respectivas existências terrenas. A António José da Silva corresponde Bernardo
Santareno do paralelo modo como ao Santo Ofício dos séculos XVI a XIX
corresponde a PIDE do século XX. A polícia política de Salazar não extinguiu
fisicamente, é certo, Bernardo Santareno – mas tudo fez para lhe sufocar a
Obra, a torrencial & primorosa obra teatral com que Santareno fustigou o
despotismo ao tempo mesmo que exalçava a peremptoriedade da dignidade humana,
essa dignidade que outra coisa não é, ou outro nome não tem, que isto & este:
Liberdade (e da incondicional).
Em e a
partir desse remo(r)to ano de 1966, O
Judeu não pôde, naturalmente
(aqui, o itálico não é de resignação fatalista mas de fatal acusação), ser
levado à cena. Saiu em livro, para prontamente ser perseguido pelas feras
cinzentas & analfabetas do salazarismo, que nessa década de 60/XX já
estertorava de necrose. Todavia, um facto triste veio adensar a solidão
vitalícia do grande escritor. (Faço aqui parágrafo para mais distintamente vos sublinhar
a injustiça e a ingratidão dos factos:)
Não
havendo, depois do 25 de Abril, qualquer razão (bem antes pelo contrário) para não representar O Judeu, as tricas & baldricas aparentemente fatais do milieu intelectual(óide…) português
obstaram a que a magnífica peça tivesse palco & plateia antes da morte física de Bernardo
Santareno. Com efeito, o grande dramaturgo, morrendo a 30 de Agosto de 1980,
não assistiu já à estreia do seu opus-magnum,
que ocorreu apenas e quase meio ano depois (a 20 de Fevereiro de 1981, no
Teatro Nacional de D.ª Maria, com encenação de Rogério Paulo). Bem e
acertadamente andou Luiz Francisco Rebello quando escreveu (in O Jornal de 5/9/1980):
“Santareno não morreu na fogueira acesa pela
Inquisição para suprimir o Judeu da sua obra-prima […]mas
consumiram-no as chamas de mil pequenos fogos ateados pela mesquinhez, pela
intolerância, pelo ódio, até pela indiferença às vezes mais cruel ainda, que
desde muito longe, desde Gil Vicente e mais atrás, têm sufocado a respiração do
teatro português.”
Consolemo-nos,
digo eu, com a certeza de o gigante Santareno ter morrido na consciência muito
íntima da sublime valia não só de O Judeu
como de toda a sua Obra literária, a
qual, resistindo à corrosão inapelável do Tempo, se iniciou em 1954 com A Morte na Raiz (poesia), permanecendo
viva & actual para além da extinção corpórea do Homem/Artista que no-la
deu.
Resta-nos
demonstrar, como Público & como Povo, que somos merecedores de tão
descomunal, tão alta, tão preciosa oferenda. Ou então que, não dela
merecedores, ardamos a frio nessa labareda de gelo chamada esquecimento.
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Na próxima 3a feira, dia 8 de Novembro às 19 horas, no Museu Bordalo Pinheiro
ARTISTAS DE CAUSAS é o tema da conversa sobre a exposição Diálogos Imaginados que coloca lado a lado as obras de Bordalo Pinheiro e Paula Rego, porque a defesa de causas e ideais é mais um tópico que une as obras destes dois artistas.
A conversa juntará Arlete Alves da Silva (que, com o seu marido Manuel Brito, foi uma das responsáveis pela divulgação da obra de Paula Rego em Portugal, através das exposições na Galeria 111 e mantém uma amizade forte com a artista) e Pedro Bebiano Braga (comissário da exposição e profundo conhecedor da obra de Bordalo).
Na próxima 3a feira, dia 8 de Novembro às 19 horas, no Museu Bordalo Pinheiro
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Inauguração da exposição "Humores do Vinho" no Teatro Municipal de Vila Real integrada na Vila Real Capital da Cultura do Eixo Atlântico Aconteceu dia 22 de Outubro pelas 21h e estará patente ao público até 11 de Novembro 2016. Mais uma produção Humorgrafe / Osvaldo Macedo de Sousa
A Vereadora da Cultura Drª Eugénia Almeida, o Director do Teatro Municipal Rui Araújo e o Comissário da Exposição Osvaldo Macedo de Sousa.
A Vereadora da Cultura Drª Eugénia Almeida, o Director do Teatro Municipal Rui Araújo e o Comissário da Exposição Osvaldo Macedo de Sousa.
O liveo editado
Elisio Amaral Neves e o cartoonista Santiagu
Crónica Rosário Breve - Escrever nas folgas por Daniel Abrunheiro
Um amigo
meu é historiador amador. Comete monografias. Sabe coisas impensáveis que as
mais das vezes resultam genealógicas. Ou pior. Uma inscrição de fontanário
extasia-o como a mim só me acontece com, com quê?, talvez c’a Sophia Loren aqui
há uns oitenta anitos. Da I República para trás e para os lados todos,
cimabaixestiborbombordo, sabe tudo – menos o que será desta de agora.
Acontece
que ontem, sob a morrinha persistente que acinzentava mais o dia do que à nossa
vista a passagem de uma viúva sincera, apanhei-o esmifrado de nervos &
sudorífero de raivas. Indaguei:
– Atão, pá? Tás c’umas beiças qu’inté parece
que te caiu um músculo a dormir, home’! Qu’é que foi? Morreu-te a vizinha de
baixo ou debaixo?
Ele
desganiu-se-me com a explicação:
– Rafeiro, fui ao Arquivo Municipal ver se
catava uma data infalível e olha, népias.
Tentei
ajudar, claro. (Eu sou assim, ajudante. Nunca hei-de chegar a chefe por causa de
ser assim, assim bom, assim porreirinho, assim amigalhaço, assim
sempre-de-ajudar, assim mentiroso.)
– Que filão é que escavaste?
E ele:
– Os Anais, claro. Mas aquilo era só folgas.
E eu:
– Pá, isso é mau. Anais com folgas… E eram todos
de trânsito só de-dentro-p’a-fora?
E ele:
– Goza, meu ganda-marreco-das-orelhas, goza
pr’aí. Era coisa importante, pá, coisa importantezinha, mat’rial necessário ó
Pobo, pá, necessário cumò pão pà boca, cumò pão pà boca, pá.
Solidarizei-me.
Ofereci-lhe que beber. (Só beber. É de lei que, co’ comer & co’ fumar &
co’ aquele resto que toda a gente sabe, cada um paga o seu. E o dever acima de
tudo, como na tropa.) Fomos ao Ramiro Tira-Linhas a modos que esvurmar uma tal
pomada que ele lá tem, mas tal, que os médicos só não a receitam para o ranger
das artroses e para as borrachas da figadeira porque isto de médicos e
laboratórios, pá, isto de médicos e laboratórios é tudo Roque-da-Amiga &
Amiga-do-Roque. É-é, mas-é-qu’é mesm’assim. Entonces,
depois de umas pucheiritas lá mudámos para o cântaro, que sempre fica mais em
conta.
Na
brevidade que a vida é, por contar menos um dia do que o carnaval, a
pajens-tantos intentei cognoscer (no mínimo, cognoscer, que eu ainda fiz o quinto-ano antigo), quer’eu dizer,
apurar o âmbito & o intuito das anais escavações do meu amigo.
Ele recognosceu-me
ist’assim:
– Tinha a ver com a data exacta, ali exactinha
preto-no-branco, da última vez em que a Câmbra interveio, pá, sei lá, nos
problemas. Os problemas, tás-a-ver?, as cenas que dão mau nome aqui à parvónia,
pá, aqui à parvónia, pá, mau nome, tás-a-ver?
E eu:
– Tar-a-ver-tou. Mas assim tipo alguma zona em
particular, sei lá, tipo ali nas Trigosas?
E o sacana
do gajo a esgalhar-se todo de risota & a cuspinhar farelo de pevides pa’
todo o lado, o sacana do gajo assim na mouche
qu’eu às vezes c’a pomada fico:
– Trigosas? Trigosas? Ó meu, bebe cérélác sem grumos
cuspidos, meu! Eles lá nas Trigosas não são de folgas, meu. Se precisam, não
pedem nem esperam. Fazem. Fazem ali feitinho. Entre todos. Para todos. E
pluribus unum, carago! Mete lá esta nos teus anais, anda.
E eu meti. Tanto
meti, qu’inté escrevi esta de pé e tudo.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Cronica Rosário Breve - Três de Janeiro, por exemplo por Daniel Abrunheiro
A 3 de
Janeiro de 1903, Alois Hitler, pai do Adolf, morreu. O mal estava já feito,
todavia. Klara, a mulher dele, foi definitivamente roída pelo cancro em 1907 –
mas o mal não apenas teimava feito como crescia. Sobre a morte desse obscuro
funcionário público austríaco, o mesmo há a reter que da sua vida: cinza uma
como cinza outra. A coisa passou-se.
Exactamente
22 anos depois, eram suprimidos em Itália os partidos políticos que queriam ser
oposição à meteórica trajectória ascendente de um tolo perigoso chamado Benito.
(Nessa precisa data de 3/I/1925, contava a senhora minha Mãe 68 dias de vida –
e era decerto feliz, pois que então purificada pelo esquecimento do futuro.)
O futuro é
que se não esqueceu do seu destino demolidor. Assim foi pois que, num terceiro
dia januário também, mas o de 1935, se assiste em Coimbra a uma cena causadora
de colectiva tristeza. Tem a ver com demolição & destino: por decisão da
Câmara Municipal, é demolida a altaneira e histórica Torre de Santa Cruz, em
frente ao formoso Jardim da Manga. A construção ameaçava iminente &
eminente derrocada. Tinha de um lado o Celeiro dos frades crúzios (onde
funciona hoje em dia a esquadra da PSP) e do outro a Enfermaria, que foi depois
residência do senhor Prior e biblioteca até se tornar no que é hoje: a Escola
Secundária de Jaime Cortesão.
Treze anos
exactos se esfumam. Não estamos já em Coimbra lacrimejando de impotência à face
do sacro entulho. É ora em Lisboa que estamos. Por magia, quantos são hoje? 3
de Janeiro. O ano é 1948. A noite promete: há fadistagem no Café Luso, como de costume, mas este
serão é especial por ser o da consagração de um fadista chamado Alfredo. Desde
outro Janeiro (o de 1941) que o Luso
já não é na Avenida da Liberdade (onde nascera em 1927), trasladado que foi
para as antigas adegas e cocheiras do Palácio do Largo de São Roque, ali à
Travessa da Queimada (8-A, telefone 32 889). Chama-se agora Cervejaria Luso. Há menos de três anos
que o filho do tal Alois foi ter com o pai. Há menos de três anos que o Benito
foi pendurado pelas patas como uma carcaça de açougue. Os ventos da
democratização que por (alguma) Europa grassam, não desgraçam porém a cinzenta
nau ibérica, cujos timoneiros se chamam Franco e Salazar. Muitos Janeiros
hão-de arder a frio até que seja Abril. Mas hão-de.
Ainda
assim, e meros doze anos passados sobre a boémia consagratória do fadista
Marceneiro, a estagnação estadonovista é furiosamente sacudida de cabo a rabo.
3/I/1960 – de uma das mais perversas prisões de alta-segurança da Ditadura, o
Forte de Peniche (que nos nossos tristes presentes dias os patarecos da
dinheirama fácil & rápida parece quererem transformar em amnésica
hotelaria), chega notícia de sensação: fugiram uns gajos que ali estavam presos
“por seu livre pensamento” (cf. fado Abandono, vulgo Fado Peniche, pela divina Amália). Eram eles: Joaquim Gomes, Carlos
Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, Rogério de Carvalho, Francisco Martino
Rodrigues & um tal Álvaro Barreirinhas Cunhal. A intrépida evasão roça a
ironia histórica. Porquê? Por se dar precisamente
dez anos & um dia depois da morte de Militão Ribeiro, acontecida a 2 de
Janeiro de 1950 na Penitenciária de Lisboa, supostamente ao cabo da greve de
fome que a cabo levava contra a falta de assistência médica. Militão e Cunhal
haviam sido presos conjuntamente pela PIDE em 1949. Nunca mais seriam presos:
Militão, pela absoluta libertação chamada Morte; Cunhal, pela absoluta
liberdade chamada Vida.
De modo
que: 1903, 1925, 1935, 1948, 1960. Tudo depois de Cristo. E a 3 de Janeiro
tudo. Queira todavia o meu Leitor tomar nota ainda de uma outra efeméride. A
próxima edição deste Jornal não há-de esperar pelo 3 de Janeiro do ano que
há-de vir. Pois não. A próxima acontece a 27 de Outubro.
Ora, a 27
de Outubro nasceu a senhora minha Mãe.
Mas aí a
História, porque futura, porque purificada, porque nunca esquecida, aí a
História já é outra.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Mont'Alvão, o lado irreverente de um democrata na Biblioteca Municipal de Chaves (uma produção Humorgrafe - Osvaldo Macedo de Sousa para Vila Real Capital da Cultura do Eixo Atlântido)
Após a sua apresentação no Museu da Vila Velha em Vila Real a retrospectiva da obra humoristica de Júlio Montalvão Machado está patente na cidade onde viveu toda a sua vida ligada à medicina - Chaves. Estas as fotos do local e da sua inauguração.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Crónica Rua dos Combatentes - LOUSÃ, MEU HUMOR por José Oliveira (in jornal TREVIM da Lousã)
Nunca acreditei que Lisboa fosse,
verdadeiramente, ‘capital’ de Portugal; antes pelo contrário. Foi por isso que,
há um quarto de século, sendo necessário um título para o primeiro livro de
recolha dos cartoons de ‘O Broncas’, optei por “Portugal, Capital de Lisboa”.
Felizmente, há evidentes sinais de
algum esvaziamento da tutela macrocefálica, ao mesmo tempo que o ‘Portugal
autêntico’ (ou devido a isso…) vai, paulatinamente, crescendo na afirmação da(s)
sua(s) identidade(s) e na(s) sua(s) capacidade(s) de afirmação; ainda é em
Lisboa que se cose (com ésse) e se cozinha (com zê) o Plano e Orçamento, ainda
é em Lisboa, no hemiciclo de S. Bento, que os deputados vão dormir a sesta (e
estou a tentar averiguar quais é que dormem mais… se os da capital, se os do
Portugal autêntico…) mas vou notando que, na grande metrópole lisboeta (que
engloba vários municípios envolventes da vetusta Olissipo), a tendência é para
o desmantelamento de iniciativas que versem as artes da Caricatura e/ou da
Banda desenhada. Porquê? (vou tentar averiguar); por serem actividades
comunicacionais de grande adesão popular mas, ao mesmo tempo, caracterizadas
pelo gene da irreverência? ou porque as respectivas organizações estavam a
custar muito dinheiro? (e também tentarei averiguar por que é que custavam
tanto). Não descarto a possibilidade de a verdadeira explicação radicar em
ambas as razões. E assinalo: o ‘World Press Cartoon’ arvorou bandeira, durante
bastantes anos, primeiro em Sintra e depois em Cascais; mas este ano já não se
realiza. O Salão Nacional de Caricatura, cujas realizações se haviam
consolidado em Oeiras, deixou de ter acolhimento naquele município e não teve
continuidade. O Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, do quadro
municipal da Amadora, foi desmantelado; e o próprio festival de BD daquela
cidade perdeu a pujança que tinha e – pior – suprimiu a sua componente de
Caricatura.
Tudo se encaminha para que a Caricatura
e, de um modo geral, o Humor, regressem à Lousã dentro de poucos meses. Vamos
ver se para ganharem raízes, neste terreno que lhes tem sido propício.
Rosário Breve - Coisas que a vida e Abrantes me ensinam por Daniel Abrunheiro
1.
“Lamento
ter nascido.”;
“Gostei muito de ter nascido.” A
primeira frase é do ensimesmado poeta António Ramos Rosa. A segunda, do feliz
& polivalente fazedor de campeões Moniz Pereira. Constam ambas de um livro
intitulado O que a Vida me Ensinou. A
obra compreende 34 depoimentos (23 homens, onze mulheres) de notórias figuras
da nossa intelectualidade contemporânea coligidos pelo jornalista Valdemar Cruz
para o semanário Expresso entre 2002
e 2005. A edição livresca aconteceu em Março de 2007, sob a chancela editorial
da Temas e Debates. À data do livro,
três dos entrevistados haviam morrido já. No entretanto destes nove anos &
sete meses, muitos deles partiram já também. Todos tinham não menos do que 70
anos quando o jornalista com eles se encontrou.
A leitura enriqueceu-me. É
um trabalho limpo, que vivamente recomendo a todos quantos dispensam à
livralhada uma atenção & uma intenção que só proveitosas podem ser.
Sublinhei muito, gastei todo um lápis. Adriano Moreira patenteou sem esforço a
sua clara, incontornável sageza. O excesso pró-aforístico de Agustina não me
aborreceu tanto, não desta vez. Siza Vieira, todo elegância. O sobredito Ramos
Rosa pareceu-me o que o labor poético dele me parece: cansado & cansativo.
Gostei muito do auto-retrato vital da fadista Argentina Santos. Eduardo
Lourenço é um monumento. O investigador Fernando Catarino deu-me ideia de areia
a menos para a camioneta exibida. Fernando Lanhas, giro, patusco, sábio. M.ª
Helena da Rocha Pereira, maravilhosa. Manoel de Oliveira, banal &
sobrevalorizado. D. Manuel Martins, vero filantropo & alma boa. Maria Keil
do Amaral angustiou-me. Nella Maissa, prodigiosa. Óscar Lopes, outro monumento.
Margarida Tengarrinha, humaníssima & exemplar. Sequeira Costa, profundo,
grave, ortoépio. O industrial José Manuel de Mello, absolutamente execrável.
Completam o rol: Anthimio de Azevedo, Borges Coelho, Eunice Muñoz, Fernando
Távora, Galopim de Carvalho, Glicínia Quartim, Helena Sá e Costa, José Pinto da
Costa, José Saramago, Júlio Pomar, Júlio Resende, Luísa Dacosta, M.ª de Lourdes
Levy, Nuno Grande, Ruy de Carvalho e Vítor Crespo. Da minha leitura, mais por
ora não digo. Diga-me da sua o Leitor, se caso disso for.
2.
Outra
proveitosa leitura que fiz por estes dias: Intelectuais
Portugueses na Primeira Metade de Oitocentos (de M.ª de Lourdes Costa Lima
dos Santos para a Editorial Presença,
Lx., 1988). É tese de doutoramento muitíssimo bem lavrada. A poucas páginas do
fim, aprendi que foi fundada em Abrantes, no remo(r)to ano de 1802, uma tal Sociedade Literária Tubuciana. Era dela
figura-de-proa um Rodrigo da Silva Bivar, “Inspector
da Plantação das Amoreiras e Director da Fiação da Seda”. A doutoranda
Autora remete o interessado (em a nota remissivo-bibliográfica n.º 11, pp. 325)
para uma monografia de há 40 anos – A Academia
Tubuciana e os seus Membros, de Luís Bivar Guerra, in Anais da Academia Portuguesa de História, Lx., 1976. A abrantina
agremiação de nome esquisito não esgotava o intuito pragmático na amoreira e no
bicho-da-seda. Não. Leia-se: “(…) os seus
objectivos eram mais vastos, visando concorrer para a felicidade da Nação
através dos trabalhos dos seus membros nos campos mais variados (nos Programas
da Tubuciana para 1803 e 1804 os assuntos propostos para apresentar
comunicações abarcavam os domínios da História, da Literatura, do Direito, da
Economia Política e da Agricultura).”
Mais:
a Tubuciana não queria saber de não ser na Capital que tinha a sede. Pelo
contrário, chateava Lisboa sempre que tinha por bem chateá-la. Exemplo:
faltando “provimento de professores de
primeiras-letras e de latim em Abrantes”, Diogo Bivar (filho e sucessor de Rodrigo) foi de mandar “uma representação ao Governo, censurando a
Junta da Directoria Geral dos Estudos”. Lisboa ainda refilou, dando ordem
ao juiz-de-fora de Abrantes (que até presidia à Tubuciana…) no sentido de “repreender severamente a ousadia com que na
representação tinham sido caluniadas as diligências públicas da Junta” –
mas o certo é que, “logo depois”,
houve mando de “abrir concurso para que
as cadeiras de latim e de primeiras-letras fossem providas de professores
seculares com os devidos ordenados”.
3. Que aprendi eu, pois &
assim? Aprendi que nem a Vida nem Abrantes me parecem ser já o que eram dantes.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Dia 12 de Outubro Inaugura a exposição "Mont'Alvão o Lado Irreverente de um democrata" na Biblioteca Municipal de Chaves, uma produção Humorgrafe
A retrospectiva da obra humorística do médico oftalmologista e
fundador do Partido Socialista Júlio Augusto Morais de Montalvão Machado (Vila
Real 27/7/1928 - Chaves 25/6/2012), o qual assinava Mont'Alvão, foi uma
encomenda da Vila Real - Capital da Cultura Eixo Atlântico 2016, ou seja do
Município de Vila Real à Humorgrafe (Osvaldo Macedo de Sousa) a qual após o seu
sucesso no Museu da Vila Velha em Vila Real é apresentada agora em Chaves a
partir do dia 12 de Outubro até 11 de Novembro de 2016
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
2 de Agosto - terça-feira inaugura no Parque Nascente (Piso 1, Espaço Arte no Parque) exposição de Onofre Varela
2 de Agosto - terça-feira inaugura no Parque Nascente (Piso 1, Espaço Arte no Parque)
uma exposição de cartunes recentes, maioritariamente publicados nos jornais "O Gaiense" e "Gazeta de Paços de Ferreira".
domingo, 31 de julho de 2016
Crónica Rosário Breve Terrorismos estivais por Daniel Abrunheiro
1
O
terrorismo não se esgota nos atentados suicidas, nem no fundamentalismo
mascarado de religião, nem no maniqueísmo simplista nós bons/eles maus. Ah pois
não. Ele há mais terrorismo. O das famigeradas “sanções” da alegada União
supostamente Europeia, por exemplo. Intolerável ingerência na soberania de cada
Estado mais “periférico” (isto é: tudo o que não é Paris, não é Bruxelas &
não é Berlim), todo este aparato dos “défices estruturais” e da “Dívida” traz
água estragada no bico. Para mim, é terrorismo. E não costumo enganar-me nas
palavras que uso.
2
Outro
terrorismo: a Corrupção. Ela é o fascismo de colarinho-branco. É também & ainda,
por dentro da Democracia, o mais voraz inimigo dos direitos básicos que são a
própria essência da dita. O direito ao trabalho, o direito à justiça, o direito
à saúde, o direito à educação – tudo é quotidianamente minado e apodrecido em
consequência do que por aí vai de gente vil, sem uma pinga de vergonha na cara,
que infesta a banca. Por exemplo, a banca – claro que articulada com a sabujice
de certa politica. O clientelismo amiguista à portuguesa prima ainda, todavia,
por um outro fenómeno iniludível. Este aqui: uma substancial porção do povoléu
não deixa de sentir admiração pelos agiotas que roubam, pelas gravatas que
garrotam, pelos euromilhões públicos gamados à escala industrial. É verdade:
muito portuguesinho médio sente a sua veneraçãozinha pelos manhosos cujas
roubalheiras tornam o erário público numa gamela a céu-aberto & à
boca-fechada. Reforço & repito: há por aí muito Zé-Ninguém que gostaria de
volver-se Zé-Alguém, não pela justa recompensa de um trabalho justo, mas pelo
“esquema”. Haverá por aí algum Leitor meu que não conheça alguém assim?
3
Termino
por esta semana com uma confissão: cada ano que acumulo, o Verão torna-se-me
mais intolerável. A inflação centígrada dos últimos dias tem-me tornado um
bicharoco recluso cozendo à sombra dos quarenta graus. Amanheço a desejar a
noitinha. Jornada é fornada. No céu sem fronteiras, o grande Sol, rei ímpar,
dardeja uma violência que calcina. Antigamente (falo por mim, só por mim), era
uma estação bem-vinda. A trégua escolar chamava & juntava os grandes ócios maravilhosos
de ir à fruta, ao rio, à mata, aonde o nariz livre apontasse. Aos 52 anos, sou
um velhinho transido de calor que quer tão-só esses estores bem descorridos
para baixo, essas cortinas bem encerradas, a casa tornada mosteiro de pedra
fechada à violência solar. É como se o Sul da Europa tivesse sido tragado para
sempre pelo Norte de África. Ou por Berlim. E ainda temos Agosto aí à porta,
raios o partam.
terça-feira, 21 de junho de 2016
O GOLPE DE ESTADO NO BRASIL (impeachment da presidenta Dilma Roussef) PELA PENA SATÍTICA DE LUIZ GÊ
O Brasil está sofrendo um novo tipo de
golpe de estado que foi aplicado primeiro em Honduras, depois no Paraguai e,
para nossa vergonha, agora é aqui.
Existe muito dinheiro e poder em jogo, e
os países ricos, e, em especial, as multinacionais não iriam deixar que o
Brasil conseguisse formar um novo bloco econômico como o dos BRICS que estava
começando a se desenhar e que ameaçava e se contrapor à sua hegemonia. Mas o
campo de petróleo aqui descoberto vale pelo menos um trilhão de dólares e
compensa a ninharia que a Secretaria de Estado americano possa vir a gastar
para fazer o que fez, desestabilizar, depor e implantar um governo formado por
bandidos para que lhes entregue a riqueza que for do seu interesse.
Desde o começo do ano voltei a fazer
charges políticas (que não fazia desde o fim da ditadura militar em 84) lutando
contra essa violência que mais uma vez se abate contra o Brasil e contra um
melhor equilíbrio de forças do mundo inteiro, bem como contra a elevação do
nível de vida de um povo que já muito sofreu sob essa oligarquia
truculenta que é a brasileira. Estou mandando algumas charges que fiz desde o
acirramento do golpe (que na verdade se desenrola há muito mais tempo) e está
sendo concertado pela mídia (dos maiores milionários brasileiros), pela
justiça, que sempre foi muito classista, e que é fácil de manipular, pois um
pequeno número de seus membros é suficiente para que os juízos sejam dados, e pelo
congresso, que é o pior da nossa história, com mais da metade dos congressistas
respondendo a processos, às vezes até por assassinatos (e que foi alçado ao
poder também com a ajuda da mídia, é preciso que se diga)!
Este material foi produzido em um
ambiente angustiante e kafkiano, de alguém que vê a nossa jovem democracia mais
uma vez sucumbir aos golpes truculentos de uma oligarquia que jamais pensou na
construção de um país, mas apenas no vil metal, para o qual desde sempre se
vendeu às custas do sofrimento alheio.
Sei como as charges (não sei se vocês
usam esse termo aí, ou se usam apenas caricatura?), precisam do contexto para
serem compreendidas. Por isso comecei a escrever e a coisa virou uma espécie de
resumo dos acontecimentos até agora. Se for necessário que eu explique alguma
não hesite em me mandar uma mensagem.
Essa BD fala sobre o poder midiático e a
dificuldade que o indivíduo tem, caso pense de forma diferente. Isso é o pano
de fundo em que se desenrola todo o episódio do impeachment/ golpe atual. Era
muito difícil emitir uma opinião e não ser, imediatamente, escorraçado pelos
demais.
O símbolo da rede Globo, a mais poderosa
e onipresente estação brasileira de TV é uma esfera com uma outra inserida numa
tela da TV e que, na charge/ caricatura abaixo aparece em azul. Seu dono
é um dos mais, senão o mais rico dos brasileiros. A Globo foi criada para dar
suporte à ditadura militar nos anos sessenta. Assim como ela mais duas das
emissoras também o foram. Essa charge, a meu ver, resume toda a correlação de
forças e a própria situação em que nos encontramos.
A soma das duas charges anteriores
produz essa abaixo. Foi uma verdadeira epidemia de linchamentos morais e reais
conduzida pela classe média e movida por esse incutido ‘moralismo’ midiático.
Nas manifestações contra o governo,
amplamente apoiadas e divulgadas pela mídia, as pessoas, costumavam usar
camisetas da Confederação Brasileira de Futebol, órgão totalmente corrupto,
cujo presidente, José Maria Marin, foi preso na Suíça e enviado para os EUA
para responder a processo. Era uma verdadeira ironia, que aqueles que
protestavam contra um governo, cuja presidente era totalmente honesta, vestiam
esse símbolo da própria corrupção que hipoteticamente atacavam.
Mas o discurso dessas pessoas logo se
revelou em toda a sua hipocrisia, quando a classe política que era o seu alvo
predileto se transformou em força para derrubar o governo de esquerda que
O congresso se tornou a principal forma
de realizar o impedimento da presidente Dilma. Todos os partidos que haviam
aderido ao governo do PT apenas por motivos fisiológicos, como o PMDB, passaram
para o outro lado e, inclusive com medo de serem condenados na justiça, já que
eram, em sua maioria réus de um ou mais processos. Engrossaram assim as
fileiras pró-impeachment. O vice presidente Temer virou a casaca, quando
percebeu que se tornaria presidente, mas também o fez por ser homem de Cunha,
um super vilão (com cara de rato) que conseguira se tornar o presidente da
Câmara dos Deputados. Esse super bandido, com milhões de dólares na Suíça e em
outros paraísos fiscais, manobrava quase a metade da Câmara, repassando
dinheiro para essa gentalha que representa, entre outras, siglas de aluguel,
bancadas religiosas protestantes totalmente caça níqueis, argentárias,
especializadas em tirar dinheiro dos fiéis. Quando o PT se negou a apoiá-lo ele
aprovou o impeachment da presidente Dilma e deflagrou o processo. Saltou aos
olhos o fato de que a Justiça nada fez até que ele tomasse essa medida. Apenas
o retirou do cargo de presidente do congresso quando o ‘trabalho’ estava feito.
Veio então o infame dia 16 de Abril,
quando um congresso de bandidos, incentivado pelas manifestações
pseudo-moralistas apoiadas pela mídia fizeram o maior papelão da história
política nacional, votando o impeachment da presidenta Dilma Roussef, pessoa
sem uma única mancha em sua carreira política e profissional. O detalhe ficou
por conta dos votos dos deputados, que repetiam hora após hora o mesmo discurso
absolutamente monótono, medíocre, hipócrita e revelador: “ pelo meu filho”, “
pelo meu neto”, “ pela minha mulher”, “pelo meu sobrinho”, enfim, por “eles
mesmos”. Às vezes diziam “pelo meu Estado”. Mas houve aqueles que disseram que
o faziam por algum militar torturador da época da ditadura militar.
Uma das forças que impulsionou o
movimento de impeachment, ou melhor, o golpe, foi outra vez, assim como em
1964, na ditadura militar, a FIESP a Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo. Essa federação já pode ter sido mais importante. Hoje, acho bastante
misteriosa sua representação. Quem será que ela representa? Digo isso, porque a
indústria brasileira sofreu dois processos de desmantelamento brutais. Um foi
no final da ditadura, que, sob o comando do FMI, a indústria brasileira,
inclusive a estatal (trens, navios, material pesado, que aliás começaram a ser
reativadas no governo do PT), sofreu um golpe devastador. O outro momento, que
foi o tiro de misericórdia, foi no governo Fernando Henrique Cardoso do PSDB
que, realizando as recomendações neoliberais do Conselho de Washington, retirou
de um só golpe as medidas protecionistas e escancarou o país para as
importações e a entrada facilitada de indústrias estrangeiras multinacionais.
Mil e duzentas empresas nacionais de tradição, renome, mercado conquistado,
desapareceram, falidas ou vendidas para multinacionais a troco de banana.
Desconfio que a FIESP represente, hoje, apenas indústrias que executem serviços
menores para as multinacionais. Pois bem, a FIESP realizou uma campanha
acirrada pelo impeachment e usou como símbolo um pato inflável gigante usado
nas manifestações e cujos olhos tinham em seu lugar cruzes. No peito do pato
tinha uma inscrição: “não vou pagar o pato”. Isso era uma referência a um
imposto, um dos raros impostos claramente justos, que no caso era sobre os
cheques. Era justo porque era pequeno, e quem pagava mais eram os ricos que dão
mais cheques e maiores (ou seja, eles da FIESP, por exemplo). Todo mundo hoje
em dia usa cartão. Esse imposto ia diretamente para a área de saúde que é uma
área muito carente no Brasil. Quando o PSDB, um dos principais partidos
contrários ao governo do PT conseguiu derrubar o imposto, esse dinheiro que era
crucial, deixou a área da saúde sem uma parcela importantíssima de recursos.
Esse símbolo do pato, tão mal compreendido pela classe média, mostra como os
poderes plutocráticos do Brasil conseguem manipular essas pessoas que se acham
“esclarecidas” por lerem jornais (de propriedade dos ricos), que, é lógico, os
manipulam como querem, geralmente apelando para suas crenças conservadoras. O,
literalmente, patético é que pato (que virou o símbolo das passeatas golpistas)
no Brasil, é gíria para trouxa, bobo. E, pior, o pato inflável foi copiado do
pato de um artista europeu que havia exposto aqui no Brasil exatamente esse
mesmo pato inflável de sua criação e que representa um daqueles patinhos com os
quais as crianças brincam na banheira. No meio das manifestações da direita com
esse pato, o artista se manifestou horrorizado pelo uso de seu trabalho de
forma totalmente desautorizada (e pela direita, ainda por cima).
A revista semanal que virou um panfleto
caricatural. Acabou o jornalismo isento no Brasil.
Atrás do pato, o prédio da FIESP na
avenida Paulista, em São Paulo.
Mas a pior coisa que aconteceu, a mais
infame, até o momento, foi a oligarquia ter colocado a democracia ‘no prego’
sem ao menos termos um juízo concreto sobre o mérito das questões apresentadas
pelo impeachment de um presidente. Jamais houve um consenso. Centenas e
centenas de juristas já apresentaram ou subscreveram demonstrações mostrando
que não há base para um impedimento. Mas isso até agora não foi considerado
pelo Supremo Tribunal Federal, que até agora apenas deu seu aval para as
resoluções da câmara e senado, totalmente políticas e não legais, e muito
provavelmente não será. A nação ficará sob tutela de gente sem um único voto,
entregando o país para a sanha imperial, e quando vier esse ajuizado, será
feito por meia dúzia de juízes do supremo. Ou seja, nada mais fácil de manobrar
quando se tem o poder econômico e financeiro à disposição, como têm os
poderosos interessados, nacionais e estrangeiros.
Impressionante como da classe média para
cima, o pensamento nada tem a ver com o país, ou com os brasileiros. Até os
médicos que tradicionalmente sempre foram das classes mais abastadas, da classe
média para cima, tem o mesmo pensamento. Meu Deus, que luta insana e inglória!
Por fim, um pouco da nossa história, que
não tem nada de alegre. Não sei como é que há o mito do brasileiro cordial.
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