quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Crónica Rua dos Combatentes - LOUSÃ, MEU HUMOR por José Oliveira (in jornal TREVIM da Lousã)

Nunca acreditei que Lisboa fosse, verdadeiramente, ‘capital’ de Portugal; antes pelo contrário. Foi por isso que, há um quarto de século, sendo necessário um título para o primeiro livro de recolha dos cartoons de ‘O Broncas’, optei por “Portugal, Capital de Lisboa”.
Felizmente, há evidentes sinais de algum esvaziamento da tutela macrocefálica, ao mesmo tempo que o ‘Portugal autêntico’ (ou devido a isso…) vai, paulatinamente, crescendo na afirmação da(s) sua(s) identidade(s) e na(s) sua(s) capacidade(s) de afirmação; ainda é em Lisboa que se cose (com ésse) e se cozinha (com zê) o Plano e Orçamento, ainda é em Lisboa, no hemiciclo de S. Bento, que os deputados vão dormir a sesta (e estou a tentar averiguar quais é que dormem mais… se os da capital, se os do Portugal autêntico…) mas vou notando que, na grande metrópole lisboeta (que engloba vários municípios envolventes da vetusta Olissipo), a tendência é para o desmantelamento de iniciativas que versem as artes da Caricatura e/ou da Banda desenhada. Porquê? (vou tentar averiguar); por serem actividades comunicacionais de grande adesão popular mas, ao mesmo tempo, caracterizadas pelo gene da irreverência? ou porque as respectivas organizações estavam a custar muito dinheiro? (e também tentarei averiguar por que é que custavam tanto). Não descarto a possibilidade de a verdadeira explicação radicar em ambas as razões. E assinalo: o ‘World Press Cartoon’ arvorou bandeira, durante bastantes anos, primeiro em Sintra e depois em Cascais; mas este ano já não se realiza. O Salão Nacional de Caricatura, cujas realizações se haviam consolidado em Oeiras, deixou de ter acolhimento naquele município e não teve continuidade. O Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, do quadro municipal da Amadora, foi desmantelado; e o próprio festival de BD daquela cidade perdeu a pujança que tinha e – pior – suprimiu a sua componente de Caricatura.

Tudo se encaminha para que a Caricatura e, de um modo geral, o Humor, regressem à Lousã dentro de poucos meses. Vamos ver se para ganharem raízes, neste terreno que lhes tem sido propício.

Rosário Breve - Coisas que a vida e Abrantes me ensinam por Daniel Abrunheiro

1. “Lamento ter nascido.”; “Gostei muito de ter nascido.” A primeira frase é do ensimesmado poeta António Ramos Rosa. A segunda, do feliz & polivalente fazedor de campeões Moniz Pereira. Constam ambas de um livro intitulado O que a Vida me Ensinou. A obra compreende 34 depoimentos (23 homens, onze mulheres) de notórias figuras da nossa intelectualidade contemporânea coligidos pelo jornalista Valdemar Cruz para o semanário Expresso entre 2002 e 2005. A edição livresca aconteceu em Março de 2007, sob a chancela editorial da Temas e Debates. À data do livro, três dos entrevistados haviam morrido já. No entretanto destes nove anos & sete meses, muitos deles partiram já também. Todos tinham não menos do que 70 anos quando o jornalista com eles se encontrou.
A leitura enriqueceu-me. É um trabalho limpo, que vivamente recomendo a todos quantos dispensam à livralhada uma atenção & uma intenção que só proveitosas podem ser. Sublinhei muito, gastei todo um lápis. Adriano Moreira patenteou sem esforço a sua clara, incontornável sageza. O excesso pró-aforístico de Agustina não me aborreceu tanto, não desta vez. Siza Vieira, todo elegância. O sobredito Ramos Rosa pareceu-me o que o labor poético dele me parece: cansado & cansativo. Gostei muito do auto-retrato vital da fadista Argentina Santos. Eduardo Lourenço é um monumento. O investigador Fernando Catarino deu-me ideia de areia a menos para a camioneta exibida. Fernando Lanhas, giro, patusco, sábio. M.ª Helena da Rocha Pereira, maravilhosa. Manoel de Oliveira, banal & sobrevalorizado. D. Manuel Martins, vero filantropo & alma boa. Maria Keil do Amaral angustiou-me. Nella Maissa, prodigiosa. Óscar Lopes, outro monumento. Margarida Tengarrinha, humaníssima & exemplar. Sequeira Costa, profundo, grave, ortoépio. O industrial José Manuel de Mello, absolutamente execrável. Completam o rol: Anthimio de Azevedo, Borges Coelho, Eunice Muñoz, Fernando Távora, Galopim de Carvalho, Glicínia Quartim, Helena Sá e Costa, José Pinto da Costa, José Saramago, Júlio Pomar, Júlio Resende, Luísa Dacosta, M.ª de Lourdes Levy, Nuno Grande, Ruy de Carvalho e Vítor Crespo. Da minha leitura, mais por ora não digo. Diga-me da sua o Leitor, se caso disso for.
2. Outra proveitosa leitura que fiz por estes dias: Intelectuais Portugueses na Primeira Metade de Oitocentos (de M.ª de Lourdes Costa Lima dos Santos para a Editorial Presença, Lx., 1988). É tese de doutoramento muitíssimo bem lavrada. A poucas páginas do fim, aprendi que foi fundada em Abrantes, no remo(r)to ano de 1802, uma tal Sociedade Literária Tubuciana. Era dela figura-de-proa um Rodrigo da Silva Bivar, “Inspector da Plantação das Amoreiras e Director da Fiação da Seda”. A doutoranda Autora remete o interessado (em a nota remissivo-bibliográfica n.º 11, pp. 325) para uma monografia de há 40 anos – A Academia Tubuciana e os seus Membros, de Luís Bivar Guerra, in Anais da Academia Portuguesa de História, Lx., 1976. A abrantina agremiação de nome esquisito não esgotava o intuito pragmático na amoreira e no bicho-da-seda. Não. Leia-se: “(…) os seus objectivos eram mais vastos, visando concorrer para a felicidade da Nação através dos trabalhos dos seus membros nos campos mais variados (nos Programas da Tubuciana para 1803 e 1804 os assuntos propostos para apresentar comunicações abarcavam os domínios da História, da Literatura, do Direito, da Economia Política e da Agricultura).”
Mais: a Tubuciana não queria saber de não ser na Capital que tinha a sede. Pelo contrário, chateava Lisboa sempre que tinha por bem chateá-la. Exemplo: faltando “provimento de professores de primeiras-letras e de latim em Abrantes”, Diogo Bivar (filho e sucessor de Rodrigo) foi de mandar “uma representação ao Governo, censurando a Junta da Directoria Geral dos Estudos”. Lisboa ainda refilou, dando ordem ao juiz-de-fora de Abrantes (que até presidia à Tubuciana…) no sentido de “repreender severamente a ousadia com que na representação tinham sido caluniadas as diligências públicas da Junta” – mas o certo é que, “logo depois”, houve mando de “abrir concurso para que as cadeiras de latim e de primeiras-letras fossem providas de professores seculares com os devidos ordenados”.

3. Que aprendi eu, pois & assim? Aprendi que nem a Vida nem Abrantes me parecem ser já o que eram dantes.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Dia 12 de Outubro Inaugura a exposição "Mont'Alvão o Lado Irreverente de um democrata" na Biblioteca Municipal de Chaves, uma produção Humorgrafe


A retrospectiva da obra humorística do médico oftalmologista e fundador do Partido Socialista Júlio Augusto Morais de Montalvão Machado (Vila Real 27/7/1928 - Chaves 25/6/2012), o qual assinava Mont'Alvão, foi uma encomenda da Vila Real - Capital da Cultura Eixo Atlântico 2016, ou seja do Município de Vila Real à Humorgrafe (Osvaldo Macedo de Sousa) a qual após o seu sucesso no Museu da Vila Velha em Vila Real é apresentada agora em Chaves a partir do dia 12 de Outubro até 11 de Novembro de 2016

domingo, 31 de julho de 2016

Crónica Rosário Breve Terrorismos estivais por Daniel Abrunheiro


1 O terrorismo não se esgota nos atentados suicidas, nem no fundamentalismo mascarado de religião, nem no maniqueísmo simplista nós bons/eles maus. Ah pois não. Ele há mais terrorismo. O das famigeradas “sanções” da alegada União supostamente Europeia, por exemplo. Intolerável ingerência na soberania de cada Estado mais “periférico” (isto é: tudo o que não é Paris, não é Bruxelas & não é Berlim), todo este aparato dos “défices estruturais” e da “Dívida” traz água estragada no bico. Para mim, é terrorismo. E não costumo enganar-me nas palavras que uso.
2 Outro terrorismo: a Corrupção. Ela é o fascismo de colarinho-branco. É também & ainda, por dentro da Democracia, o mais voraz inimigo dos direitos básicos que são a própria essência da dita. O direito ao trabalho, o direito à justiça, o direito à saúde, o direito à educação – tudo é quotidianamente minado e apodrecido em consequência do que por aí vai de gente vil, sem uma pinga de vergonha na cara, que infesta a banca. Por exemplo, a banca – claro que articulada com a sabujice de certa politica. O clientelismo amiguista à portuguesa prima ainda, todavia, por um outro fenómeno iniludível. Este aqui: uma substancial porção do povoléu não deixa de sentir admiração pelos agiotas que roubam, pelas gravatas que garrotam, pelos euromilhões públicos gamados à escala industrial. É verdade: muito portuguesinho médio sente a sua veneraçãozinha pelos manhosos cujas roubalheiras tornam o erário público numa gamela a céu-aberto & à boca-fechada. Reforço & repito: há por aí muito Zé-Ninguém que gostaria de volver-se Zé-Alguém, não pela justa recompensa de um trabalho justo, mas pelo “esquema”. Haverá por aí algum Leitor meu que não conheça alguém assim?

3 Termino por esta semana com uma confissão: cada ano que acumulo, o Verão torna-se-me mais intolerável. A inflação centígrada dos últimos dias tem-me tornado um bicharoco recluso cozendo à sombra dos quarenta graus. Amanheço a desejar a noitinha. Jornada é fornada. No céu sem fronteiras, o grande Sol, rei ímpar, dardeja uma violência que calcina. Antigamente (falo por mim, só por mim), era uma estação bem-vinda. A trégua escolar chamava & juntava os grandes ócios maravilhosos de ir à fruta, ao rio, à mata, aonde o nariz livre apontasse. Aos 52 anos, sou um velhinho transido de calor que quer tão-só esses estores bem descorridos para baixo, essas cortinas bem encerradas, a casa tornada mosteiro de pedra fechada à violência solar. É como se o Sul da Europa tivesse sido tragado para sempre pelo Norte de África. Ou por Berlim. E ainda temos Agosto aí à porta, raios o partam.

terça-feira, 21 de junho de 2016

O GOLPE DE ESTADO NO BRASIL (impeachment da presidenta Dilma Roussef) PELA PENA SATÍTICA DE LUIZ GÊ

O Brasil está sofrendo um novo tipo de golpe de estado que foi aplicado primeiro em Honduras, depois no Paraguai e, para nossa vergonha, agora é aqui.
Existe muito dinheiro e poder em jogo, e os países ricos, e, em especial, as multinacionais não iriam deixar que o Brasil conseguisse formar um novo bloco econômico como o dos BRICS que estava começando a se desenhar e que ameaçava e se contrapor à sua hegemonia. Mas o campo de petróleo aqui descoberto vale pelo menos um trilhão de dólares e compensa a ninharia que a Secretaria de Estado americano possa vir a gastar para fazer o que fez, desestabilizar, depor e implantar um governo formado por bandidos para que lhes entregue a riqueza que for do seu interesse.
Desde o começo do ano voltei a fazer charges políticas (que não fazia desde o fim da ditadura militar em 84) lutando contra essa violência que mais uma vez se abate contra o Brasil e contra um melhor equilíbrio de forças do mundo inteiro, bem como contra a elevação do nível de vida de um  povo que já muito sofreu sob essa oligarquia truculenta que é a brasileira. Estou mandando algumas charges que fiz desde o acirramento do golpe (que na verdade se desenrola há muito mais tempo) e está sendo concertado pela mídia (dos maiores milionários brasileiros), pela justiça, que sempre foi muito classista, e que é fácil de manipular, pois um pequeno número de seus membros é suficiente para que os juízos sejam dados, e pelo congresso, que é o pior da nossa história, com mais da metade dos congressistas respondendo a processos, às vezes até por assassinatos (e que foi alçado ao poder também com a ajuda da mídia, é preciso que se diga)!
Este material foi produzido em um ambiente angustiante e kafkiano, de alguém que vê a nossa jovem democracia mais uma vez sucumbir aos golpes truculentos de uma oligarquia que jamais pensou na construção de um país, mas apenas no vil metal, para o qual desde sempre se vendeu às custas do sofrimento alheio.
Sei como as charges (não sei se vocês usam esse termo aí, ou se usam apenas caricatura?), precisam do contexto para serem compreendidas. Por isso comecei a escrever e a coisa virou uma espécie de resumo dos acontecimentos até agora. Se for necessário que eu explique alguma não hesite em me mandar uma mensagem.
Essa BD fala sobre o poder midiático e a dificuldade que o indivíduo tem, caso pense de forma diferente. Isso é o pano de fundo em que se desenrola todo o episódio do impeachment/ golpe atual. Era muito difícil emitir uma opinião e não ser, imediatamente, escorraçado pelos demais.
O símbolo da rede Globo, a mais poderosa e onipresente estação brasileira de TV é uma esfera com uma outra inserida numa tela da TV e que, na charge/ caricatura  abaixo aparece em azul. Seu dono é um dos mais, senão o mais rico dos brasileiros. A Globo foi criada para dar suporte à ditadura militar nos anos sessenta. Assim como ela mais duas das emissoras também o foram. Essa charge, a meu ver, resume toda a correlação de forças e a própria situação em que nos encontramos.
A soma das duas charges anteriores produz essa abaixo. Foi uma verdadeira epidemia de linchamentos morais e reais conduzida pela classe média e movida por esse incutido ‘moralismo’ midiático.
Nas manifestações contra o governo, amplamente apoiadas e divulgadas pela mídia, as pessoas, costumavam usar camisetas da Confederação Brasileira de Futebol, órgão totalmente corrupto, cujo presidente, José Maria Marin, foi preso na Suíça e enviado para os EUA para responder a processo. Era uma verdadeira ironia, que aqueles que protestavam contra um governo, cuja presidente era totalmente honesta, vestiam esse símbolo da própria corrupção  que hipoteticamente atacavam.
Mas o discurso dessas pessoas logo se revelou em toda a sua hipocrisia, quando a classe política que era o seu alvo predileto se transformou em força para derrubar o governo de esquerda que  
O congresso se tornou a principal forma de realizar o impedimento da presidente Dilma. Todos os partidos que haviam aderido ao governo do PT apenas por motivos fisiológicos, como o PMDB, passaram para o outro lado e, inclusive com medo de serem condenados na justiça, já que eram, em sua maioria réus de um ou mais processos. Engrossaram assim as fileiras pró-impeachment. O vice presidente Temer virou a casaca, quando percebeu que se tornaria presidente, mas também o fez por ser homem de Cunha, um super vilão (com cara de rato) que conseguira se tornar o presidente da Câmara dos Deputados. Esse super bandido, com milhões de dólares na Suíça e em outros paraísos fiscais, manobrava quase a metade da Câmara, repassando dinheiro para essa gentalha que representa, entre outras, siglas de aluguel, bancadas religiosas protestantes totalmente caça níqueis, argentárias, especializadas em tirar dinheiro dos fiéis. Quando o PT se negou a apoiá-lo ele aprovou o impeachment da presidente Dilma e deflagrou o processo. Saltou aos olhos o fato de que a Justiça nada fez até que ele tomasse essa medida. Apenas o retirou do cargo de presidente do congresso quando o ‘trabalho’ estava feito.


Veio então o infame dia 16 de Abril, quando um congresso de bandidos, incentivado pelas manifestações pseudo-moralistas apoiadas pela mídia fizeram o maior papelão da história política nacional, votando o impeachment da presidenta Dilma Roussef, pessoa sem uma única mancha em sua carreira política e profissional. O detalhe ficou por conta dos votos dos deputados, que repetiam hora após hora o mesmo discurso absolutamente monótono, medíocre, hipócrita e revelador: “ pelo meu filho”, “ pelo meu neto”, “ pela minha mulher”, “pelo meu sobrinho”, enfim, por “eles mesmos”. Às vezes diziam “pelo meu Estado”. Mas houve aqueles que disseram que o faziam por algum militar torturador da época da ditadura militar.







Uma das forças que impulsionou o movimento de impeachment, ou melhor, o golpe, foi outra vez, assim como em 1964, na ditadura militar, a FIESP a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Essa federação já pode ter sido mais importante. Hoje, acho bastante misteriosa sua representação. Quem será que ela representa? Digo isso, porque a indústria brasileira sofreu dois processos de desmantelamento brutais. Um foi no final da ditadura, que, sob o comando do FMI, a indústria brasileira, inclusive a estatal (trens, navios, material pesado, que aliás começaram a ser reativadas no governo do PT), sofreu um golpe devastador. O outro momento, que foi o tiro de misericórdia, foi no governo Fernando Henrique Cardoso do PSDB que, realizando as recomendações neoliberais do Conselho de Washington, retirou de um só golpe as medidas protecionistas e escancarou o país para as importações e a entrada facilitada de indústrias estrangeiras multinacionais. Mil e duzentas empresas nacionais de tradição, renome, mercado conquistado, desapareceram, falidas ou vendidas para multinacionais a troco de banana. Desconfio que a FIESP represente, hoje, apenas indústrias que executem serviços menores para as multinacionais. Pois bem, a FIESP realizou uma campanha acirrada pelo impeachment e usou como símbolo um pato inflável gigante usado nas manifestações e cujos olhos tinham em seu lugar cruzes. No peito do pato tinha uma inscrição: “não vou pagar o pato”. Isso era uma referência a um imposto, um dos raros impostos claramente justos, que no caso era sobre os cheques. Era justo porque era pequeno, e quem pagava mais eram os ricos que dão mais cheques e maiores (ou seja, eles da FIESP, por exemplo). Todo mundo hoje em dia usa cartão. Esse imposto ia diretamente para a área de saúde que é uma área muito carente no Brasil. Quando o PSDB, um dos principais partidos contrários ao governo do PT conseguiu derrubar o imposto, esse dinheiro que era crucial, deixou a área da saúde sem uma parcela importantíssima de recursos. Esse símbolo do pato, tão mal compreendido pela classe média, mostra como os poderes plutocráticos do Brasil conseguem manipular essas pessoas que se acham “esclarecidas” por lerem jornais (de propriedade dos ricos), que, é lógico, os manipulam como querem, geralmente apelando para suas crenças conservadoras. O, literalmente, patético é que pato (que virou o símbolo das passeatas golpistas) no Brasil, é gíria para trouxa, bobo. E, pior, o pato inflável foi copiado do pato de um artista europeu que havia exposto aqui no Brasil exatamente esse mesmo pato inflável de sua criação e que representa um daqueles patinhos com os quais as crianças brincam na banheira. No meio das manifestações da direita com esse pato, o artista se manifestou horrorizado pelo uso de seu trabalho de forma totalmente desautorizada (e pela direita, ainda por cima).


A revista semanal que virou um panfleto caricatural. Acabou o jornalismo isento no Brasil.

Atrás do pato, o prédio da FIESP na avenida Paulista, em São Paulo.
Mas a pior coisa que aconteceu, a mais infame, até o momento, foi a oligarquia ter colocado a democracia ‘no prego’ sem ao menos termos um juízo concreto sobre o mérito das questões apresentadas pelo impeachment de um presidente. Jamais houve um consenso. Centenas e centenas de juristas já apresentaram ou subscreveram demonstrações mostrando que não há base para um impedimento. Mas isso até agora não foi considerado pelo Supremo Tribunal Federal, que até agora apenas deu seu aval para as resoluções da câmara e senado, totalmente políticas e não legais, e muito provavelmente não será. A nação ficará sob tutela de gente sem um único voto, entregando o país para a sanha imperial, e quando vier esse ajuizado, será feito por meia dúzia de juízes do supremo. Ou seja, nada mais fácil de manobrar quando se tem o poder econômico e financeiro à disposição, como têm os poderosos interessados, nacionais e estrangeiros.
Impressionante como da classe média para cima, o pensamento nada tem a ver com o país, ou com os brasileiros. Até os médicos que tradicionalmente sempre foram das classes mais abastadas, da classe média para cima, tem o mesmo pensamento. Meu Deus, que luta insana e inglória!
Por fim, um pouco da nossa história, que não tem nada de alegre. Não sei como é que há o mito do brasileiro cordial.



Diga 33 - 33 anos de Cartoons de Bandeira inaugura dia 24 (Sexta-feira) dia 24 às 18:30 - Pátio do Sol, Fábrica da Pólvora de Barcarena, Oeiras