sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Crónica Rosário Breve - R. & A. mas é por Daniel Abrunheiro
Às 08h43m de quarta-feira, 16
de Dezembro de 2015, Cavaco ainda não tinha aparecido a garantir aos
Portugueses que o BANIF merece toda a confiança pela óbvia razão de porque-sim. E todos sabemos que o senhor
Silva e a Madeira se entendem bem, sempre se entenderam bem, que são panela
& testo, Roque & Amiga, etc. & etc. E quão ele é infalível guru em
imbróglios económico-financeiros. E quão nada duvidosos são os seus enganos,
aliás nenhuns, jamais-em-tempo-algum. E quão a Academia sueca já há q’anos o
deveria ter nobelizado – se não com a Economia, ao menos com a Paz. Ou com a
Literatura, que o Churchill também dela foi agraciado – e mais era gordo e
bebia e fumava.
Às 08h56m da mesma matina, o facialmente
barbado mas politicamente imberbe edil de Santarém ainda não tinha percebido a
relação causa-efeito entre estudo de
mobilidade e estado de imobilidade. Nem que o pandemónio evitável da
Estrada da Estação é um atestado a céu-aberto de que a puerícia e a política
autárquica não são panela & testo, Roque & Amiga, etc. & etc.
Às 09h03m, a entrevista de Sócrates
à antiga têvê da Igreja ainda não
tinha atingido as duas centenas e meia de repetições, o que é estranho. Muito
estranho, aliás – posto estarmos na quadra em que estamos, acreditar no Pai
Natal sempre nos faz mais bem do que mal.
Às 09h11m, a rábula triste do
2.º aniversário da morte dos praxados do Meco já não comovia nem revoltava
senão os pais dos afogados – pela economia da comiseração, talvez. Ou pela
saturação colectiva de um “jornalismo” baseado em ora-a-desgraça-seguinte-ó-fáxavôr. Ou porque as licenciaturas à la Lusófona não obstam a uma carreira
no Ministério Público, muito pelo contrário talvez até.
Às 09h23m, um pardal pousou na
grade do meu terraço. Cessei imediatamente de mexer-me. Nem um caracter crónico
inscrevi no papel virtual enquanto aquele atirador de voos livres sentinelava a
realidade a partir do meu promontório de terceiro-andar. Foi só quando partiu
que voltei a contar minutos, esses grãos de areia que ao rio da vida assoreiam.
Às 09h29m, os agricultores de
horta-para-a-panela (sem testo) ainda não eram licenciados todos em
Fito-Farmácia, nem mestrados em Nitrato-do-Chile, muito menos doutorados em
Couves-Esquizofrénicas-de-Bruxelas, havendo inclusivamente a suspeita de nem
todos terem, sequer, o 12.º novo-oportunista das vacas-mais-gordas daquele
senhor que está sempre a passar na TVI.
Às 09h32m, enrolei um
mata-ratos e fui cuspinhar fumo & pedacitos de tabaco para o terraço onde
há pouco o pardal. Era amena a temperatura, temperada a luz, luminosa a
realidade. Mas atenção: é da realidade das 09h23m que falo. Levei
trinca-de-arroz para o varandim. Pode ser que a ave volte.
Se voltar, faz de minha Amiga.
E eu faço de Roque só para ela.
O resto, que se banife mas é.
Que é feito dos nossos jornais de humor? por António Gomes de Almeida
Segundo um Humorista cujo nome se
perdeu no esquecimento, “Humor é uma faca sem lâmina, à qual falta o cabo”...
Isto quer dizer, entre outras coisas, que o Humor é algo muito difícil de
definir. Mas... interessará mesmo defini-lo? Será isso importante?...
Na verdade, mais importante do que
definir o Humor, é praticá-lo. O que não acontece com tanta frequência como
seria desejável. O Homem é o único animal que tem a capacidade de rir –
mas ri muito pouco. Talvez porque, embora possa rir, não deixa de ser um
animal.
Humor, do Latim humore, é
uma forma de divertimento e de comunicação humana, que faz com que as pessoas
se sintam felizes. As origens da palavra "Humor" vêm da medicina
humoral dos antigos Gregos, que trata de uma mistura de fluidos,
ou humores, que controlam a saúde e as emoções.
O Humor é uma revolta em que as
armas são o Riso, a Troça, o Escárnio, com as quais se faz o combate ao
Ridículo, à Imbecilidade e à Prepotência. É um combate um tanto desigual, pois
os Humoristas são muito menos numerosos que os seus adversários. Os
Prepotentes, os Imbecis e os Ridículos estão em ampla maioria e têm muita força
neste mundo. No entanto, os Humoristas constituem (segundo uma terminologia
muito na moda) uma Minoria Esclarecida, capaz de mobilizar as massas para o
combate a essas forças retrógradas.
É por isso que os Humoristas, como
todas as forças minoritárias, são geralmente mal vistos por quem manda. Porque
constituem um perigo para a sua estabilidade, para a sua imagem pública, para o
alto conceito que têm de si próprios.
Uma boa piada, no momento próprio,
pode derrotar o mais valente general.
Mas os Humoristas são
anti-violência. Não acreditam no uso da força. Os verdadeiros Humoristas só
acreditam na força do Humor para conseguir melhorar a vida. E crêem que Humor
com Humor se paga.
Para dar um toque erudito a esta
crónica, talvez valha a pena citar São Tomás de Aquino, que dizia (no século
XII): “Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae” –
“O humor é necessário para a vida humana”, e ainda que o Humor
seria importante para as “forças do espírito”.
Claro que esta não era, nem foi,
durante séculos, a opinião da maioria das forças políticas, nem das forças
religiosas, que sempre acharam o Riso uma coisa perniciosa. Lembram-se do “Nome
da Rosa”? Umberto Eco conta-nos a história de uns livros que haviam sido
proibidos pelo Vaticano, por conterem um estudo de Aristóteles sobre o Riso.
Já foram feitos muitos estudos
académicos, sérios, sobre o Humor, nas suas variadas formas, que incluem a
Ironia, a Sátira, a Paródia, a simples Anedota. Até Sigmund Freud
escreveu uma obra intitulada “O chiste e a sua relação com o inconsciente”,
em que o pai da Psicanálise dividia as piadas em duas categorias básicas: as
“ingénuas”, que utilizam jogos de palavras, e as “tendenciosas”, que apresentam
um aspecto erótico ou preconceituoso. Nas primeiras, o Humor não estaria no
conteúdo, mas no trocadilho, enquanto nas segundas ele consistiria no gozo dos
estereótipos ou das diferenças.
Isto parece complicado? Com Freud,
tudo era complicado. Mas houve um Humorista português, que teve algum êxito em
meados do século XX, chamado Santos Fernando, que tinha uma definição
muito mais acessível. Dizia ele que “só existem vinte anedotas básicas
– e estão todas na Bíblia”. E explicava que as anedotas vivem,
sobretudo, de situações, umas insólitas, outras corriqueiras, mas sempre repetidas: a
situação de conflito entre o homem e a mulher; ou entre o marido, a mulher e a
maldita sogra; a situação do avarento (judeu, ou, em alternativa, escocês) que
não empresta dinheiro a ninguém; a situação de conflito entre o santo e o
pecador; e outras semelhantes, que vão sofrendo variações no decorrer dos
tempos, adaptando-se a novas personagens e a novas linguagens – mas
sempre com as mesmas piadas basilares.
Do ponto de vista médico, o Riso é
considerado saudável, pois liberta endorfina (uma proteína produzida no
cérebro, que produz sensação de bem-estar), diminuindo a pressão arterial e
aliviando a dor.
Se os dirigentes políticos
tivessem mais senso de Humor, nunca haveria guerras. Infelizmente, como já se
disse, poucos o têm. Por isso fazem e dizem coisas tão estúpidas. Assim, é de
encarar muito a sério uma sugestão para a criação de uma cadeira de Humor nas
Universidades de todo o Mundo, com frequência obrigatória para todos os Chefes
de Estado, Ministros, dirigentes de Partidos, etc. Eles riem-se ao lerem isto,
porque julgam que o Humor é uma coisa secundária, que podem dispensar, que não
lhes faz falta. Alguns até julgam que o possuem... Só quando um Humorista
lhes revela, através de uma piada certeira ou de uma caricatura cruel, a verdadeira
opinião que o Povo tem deles, é que reconhecem que o Humor é uma coisa muito,
muito séria.
Os Estados não têm, normalmente,
grande espírito. Mas o espírito tem estados. O Humor é um estado de espírito.
Ora bem, é difícil exercer o Humor
sem criar uma porção de inimigos. Isto porque ninguém gosta de ser caricaturado
– em desenho ou por palavras, tanto faz. O chamado senso de Humor é
aquilo que todos nós dizemos que os outros não têm – e não têm mesmo. O
pior é que nós também o não temos – quando são os outros a
caricaturar-nos. Daí que muito pouca gente tenha o hábito de rir. Porque é
muito chato ter problemas com os vizinhos.
Em Portugal, sempre fomos bastante
macambúzios, mas, nos últimos tempos, estamos bastante pior. Justificamos a má
cara com que andamos atribuindo-as à Política, à Economia, à Sociologia e a
outras patranhas assim. Disparate! Se as pessoas se rissem mais dos Políticos,
dos Economistas e dos Sociólogos, etc., talvez eles deixassem de se considerar
tão importantes e chegassem a parecer-se vagamente com seres humanos normais.
Então, afinal, porque não há
publicações de humor em Portugal?
As explicações são as do costume:
o país é pequeno, as pessoas lêem pouco, os jornais e revistas de Humor
constituem um tipo de negócio que não interessa, porque as tiragens são
ridículas…
Esta palavra (“ridículas”) traz à
memória de alguns leitores da meia-idade, ou de idade mais vetusta, o título de
um jornal de Humor que foi dos mais marcantes entre os seus congéneres.
Refiro-me a Os Ridículos, o bissemanário que foi fundado, em
1895, por Cruz Moreira (que assinava “Caracoles”) e teve depois cinco séries, a
última das quais terminou, penosamente, em 1984, já quase sem leitores –
depois de ter sido uma publicação importante, até a nível político, com
excelentes capas de Stuart Carvalhais e Natalino Melchíades, entre outros bons
artistas nacionais.
Outro jornal de Humor que teve
grande popularidade foi o Sempre Fixe, fundado em 1926 e que
durou uns bons 35 anos, com reaparecimento pontual depois do 25 de Abril. As
capas de Francisco Valença eram, muitas vezes, excelentes, com humor e crítica
social – e havia também a última página, assinada por Carlos Botelho, com
o seu personagem Parecemal…
Antes, houvera a época gloriosa de
Rafael Bordalo Pinheiro, com a Lanterna Mágica (1875),
onde apareceu, pela primeira vez, a figura do Zé Povinho – e, depois,
o António Maria (1879 a 1898) e A Paródia (1900
a 1907).
Tentando fazer uma lista dos
outros jornais de Humor portugueses do século XX, encontrei os títulos que se
seguem. A lista estará, provavelmente, incompleta, e deve haver mais títulos.
Mas foram estes os que consegui achar. Vejamos:
A Bomba (1946 a 1947) – Só
durou 2 anos, mas marcou uma viragem no estilo do Humor nacional. Ere um
semanário pobre no aspecto gráfico, mas de bom conteúdo. O Director era Mário
Ceia e o Chefe de Redacção Mário de Meneses Santos. Neste jornal se estreariam,
a escrever, Ruy Andrade e Manuel Puga, que ao acabarem as emissões radiofónicas
que o jornal mantinha no Rádio Peninsular, viriam a criar os programas dos
Parodiantes de Lisboa.
Riso Mundial (1947 a 1948) – Era
uma simples compilação de anedotas, sem grandes preocupações quanto ao aspecto
e conteúdo.
O Mundo Ri (1954) – Revistinha
mensal de pequeno formato. Aqui comecei como colaborador, passando depois a
Director. Quando abandonei o cargo, ficou como colaborador José Vilhena, que já
publicara Branca de Neve e os 700 Anões e outros livros que
tinham dado algum escândalo.
Cara Alegre (1951 a 1958) –
Dirigida por Nelson de Barros, com boas capas coloridas de Stuart, no seu 1º
ano de publicação, e, depois, de José Viana, o actor e pintor.
O Picapau(1955) – Semanário
muito colorido, de que fui Director, tendo Stuart Carvalhais como Director
Artístico. Durou sete curtas semanas, mas marcou um estilo e uma grande
diferença em relação a todos os anteriores.
Parada da Paródia (1960 a 1962) – Este
semanário dos Parodiantes de Lisboa, do qual fui Director, chegou a ter
tiragens de mais de 50 mil exemplares, o que era notável para a época. Publicou
trabalhos do maior lote de ilustradores e cartoonistas jamais reunidos numa só
publicação, em Portugal.
A Mosca (anos 70) – Era um
suplemento do Diário de Lisboa, dirigido por Luís de Sttau
Monteiro. Humor inteligente.
Gaiola Aberta (1974)
– A revista do José Vilhena, na sequência de alguns livros que tinham
dado escândalo e levaram o autor à cadeia, mais que uma vez. O Humor de Vilhena
era contundente e, não raro, de mau gosto, mas muito corajoso e acutilante.
Bomba H (1963 a 1978) –
Durante cerca de 16 anos, saiu esta revista em forma de livrinho, coligindo
milhares de textos e cartoons nacionais e internacionais. Fui seu Chefe de
Redação.
Fala Barato (1978) - novamente o
José Vilhena a mudar de título, mas não de estilo.
O Moralista – na continuação dos
anteriores.
Depois do 25 de Abril, surgiram,
em catadupa, muitas revistas e jornais de Humor, todos de existência efémera,
numa autêntica “revolução humorística”. Eis alguns desses títulos:
Puflas (1974) – Gustavo
Fontoura e os seus “fotogozos”.
Pé de Cabra (1974) – Imitação
pobre do espanhol Hernano Lobo, teve vida curta.
O Macaco – Não chegou a sair. Pensado para
ser um jornal semanal da empresa do Diário Popular, reuniu um lote
de excelentes colaboradores, mas apenas foi impresso o Número Zero, com data de
29/11/1974. Não chegou a ser distribuído, pois foi boicotado pelos tipógrafos,
que gostavam do jornal, mas desconfiavam da Administração e dos proprietários.
O Coiso (1975) – Tinha como
Chefe de Redação Mário-Henrique Leiria, o originalíssimo autor dos Contos
do Gin Tónico. O nº 1 saiu a 7 de Março.
Evaristo (1975) – Projecto
gráfico interessante, mas elitista. Durou pouco.
A Chucha (1975) – Iniciativa de
Helder Martins, que queria à viva força ter um jornal. Teve um nº 1
decepcionante , outros quase bons, e acabou mais por falta de organização
interna do que de bons colaboradores.
Chaimite (1976) – Jornal
político disfarçado de humorístico. Vida breve.
A Pantera (1976) – Ideia
original (papel cor de rosa) mas texto fraco.
A Pomba (1976) – Número único,
bons colaboradores, uma ideia romântica de Luís Lagriffa.
O Chato (1077) – Dele não
ficou memória.
O Cágado (1978) – Os frustrados
colaboradores de O Macaco tentaram um semanário que, como se
viu, não era economicamente viável. Fui seu Director.
A Laracha (1980) – Número único,
sem história.
Pão Com Manteiga (1981) – Revista que
retomava o êxito de um programa da Rádio Comercial, feito por Carlos Cruz. O
Director era José Duarte, o do jazz. Durou alguns meses.
O Olho (1983) – Com um título
destes, não admira que se tenha perdido de vista.
O Bisnau (1983) – Mesmo sendo
dirigido por Afonso Praça, não sobreviveu.
O Bocas (1983) – Apenas saiu o
nº 1.
Além destas publicações satíticas,
devem mencionar-se algumas secções de Jornais, dedicadas a este tema. É o caso
de:
Bocas (1975 a 1984) – Por
Magalhães dos Santos, no jornal O País, ilustrada por Zé Manel.
Trocas & Tretas – Dos mesmos, no Correio
da Manhã.
Tunfas! – Ainda dos mesmos,
no CM, de 1993 a 2002.
Tempiada (1983) – Página
inteira no jornal Tempo, textos que assinei com ilustrações
de Artur Correia. Aqui começou a ser publicado O País dos Cágados.
Actualmente, não existe nenhuma
publicação de Humor em Portugal. Sim, há o Inimigo Público, mas não
se trata de um jornal autónomo, que pudesse ter uma vida económica
independente, se não vivesse à sombra do Público. Porque, doutra
forma, já teria acabado há muito tempo, pelas razões explicadas: por um lado,
não angariaria Publicidade que o sustentasse economicamente – e, por
outro, sendo independente, e acabando por, algum dia, ofender alguém, isso
ser-lhe-ia fatal.
Como é o humor nacional?
Existe um tipo de Humor
característico da gente lusitana? Sim, existe. A tradição vem muito de trás, de
Gil Vicente, com o seu linguajar vernáculo. E das cantigas de
escárnio-e-mal-dizer. E dos antigos “robertos-de-feira”, cujas piadas eram
sempre sublinhadas à traulitada. A nossa sátira baseia-se, historicamente,
quase sempre, na piada pesadona, bruta, malcriada, perante a qual o Humor
refinado é como uma picadinha de alfinete, em comparação com uma valente
cacetada.
Não é, portanto, um Humor
requintado e elegante, muito longe disso. E também aqui, como noutros capítulos
da produção artística destinada ao grande público, este tem, como costuma
dizer-se, aquilo que merece e de que gosta. Os Autores trabalham “em estilo
grosso” para um público que não é fino.
Claro que há excepções, como
sempre. Mas essas não passam disso mesmo: de excepções.
A justificação, que algumas
pessoas (ainda) apresentam para este fenómeno, é que, durante muitos anos, a
Censura impediu ferozmente tais picardias, não permitindo que o Respeitável
Público fosse violentado por qualquer palavrão mais ousado, ou por qualquer
ideia mais pràfrentex.
Assim, agora, os autores estariam
a vingar-se dessa frustração, deitando cá para fora o que tinham atabafado
dentro de si, ou cuidadosamente escondido numa gaveta secreta. A explicação não
colhe. Onde é que já vai a Censura! Pelo menos a oficial… Embora haja
quem sinta que vingaram outras mini-Censuras, e que sobeja a
falta de coragem e de frontalidade.
Nota do Autor – Este
texto, agora reformulado, com as alterações e actualizações necessárias, foi parcialmente
publicado, em 2002, na Revista Meios, da AIND – Associação Portuguesa de
Imprensa. Continua actual.
domingo, 13 de dezembro de 2015
sábado, 12 de dezembro de 2015
Crónica Rosário Breve - Fala o da voz que não chega ao céu por Daniel Abrunheiro
Uma
senhora da minha terra colecciona presépios. Consta que já juntou coisa de um
quarto-de-milhar deles. Serão, pois, cerca de 250 vaquinhas. É muito corninho
de barro. O mais curioso, no entanto, não é tanta vaquinha junta – isso em
qualquer casa-de-alterne se caça por trinta aéreos
ou nos pinhais por quinze. O mais curioso é ser só um burrinho. Um só. 250
Meninos-Jesus. 250 Sãos-Josés. 250 Nossas-Senhoras. 750 Reis-Magos. Mas só um
orelhas-de-feltro.
Como
em tempos andei disfarçado de repórter, deu-me para breve retorno a essa
prática inquiridora que é o fel-de-boca dos autarcas mais fraquitos & o
desassossego dos menos. Fui-me (por assim dizer) à senhora e zingas!,
inquiri-a. Para amnésia futura, aqui fica a acta oratória da dita
entrevis(i)ta(ção):
–
Olá, ti’ Maria!
–
Olá, ti’ Coiso!
–
Atão só um burrinho a modos que proquê?
–
Proq’ foi o único suficientemente pa’ mim.
–
Suficientemente pa’ si o quê?
–
Suficientemente burro, menino.
–
Menino?
–
Jesus…
–
Ah.
–
Os maiores m’stérios às vezes num custam nada.
–
Tou a ber.
–
Num sei se tá.
–
Faz-m’um bocado ’spé’ce ser só um.
–
É quanto me chega. Quanto mais burro, mais zurro.
–
Atão e com’é q’a senhora faz quand’a chamam pa’xposições & assim?
–
Bou.
–
Num é isso. Não a chagam por ser só um burro?
–
Não, nadinha. Dão-me mazé munta binho-do-Porto & trouxas-d’obos como à
Josefa d’Óbidos dita pelo Mário Viegas.
–
E as vaquinhas?
–
Tamãe bêm muntas.
–
Num é essas, é as de barro.
–
Essas num tugem nem mugem.
–
Proqu’é q’ não?
–
Por respeito ao senhor.
–
A mim?
–
Não: ao senhor burrinho.
–
Tou a ber.
–
Num sei se tá. Ao Senhor, burrinho.
–
Acha a s’nhora que s’eu puser isto no jornal as pessoas ficam a pontos
que’sclarecidas?
–
Num m’aq’enta nem m’arrefenta.
–
Mazé q’eu preciso d’escrabêr coisa assim tipo sentimentos-de-natal, ó ti’
Maria…
–
Acontece munto, ó ti’ Coiso.
–
O q’é q’acontece munto?
–
O Natal. E os burrinhos q’ind’acreditam nele.
–
Diga-m’agora cá, faxabôr: o q’é q’a s’nhora a modos que colecciona nos outros
onze meses do ano?
–
Barizes.
–
Tou a ber.
–
Não tá mazeu amostro-l’e.
–
Sou casado, ó ti’ Maria.
–
Burrinho…
–
Num sei se tá.
Vasco Gargalo expõe Caricaturas no SOHO - Café and Lounge em Vila Franca de Xira
O caricaturista Vasco Gargalo vai inaugurar uma exposição intitulada Personalidades do Século XX. Veja no cartaz quem está a espreitar no canto inferior direito: o mestre Rafael Bordalo Pinheiro.
Já agora faça o exercício: quantas destas personalidades reconhece?
A inauguração é no sábado, dia 12, no SoHo - Café and Lounge, em Vila Franca de Xira.
Já agora faça o exercício: quantas destas personalidades reconhece?
A inauguração é no sábado, dia 12, no SoHo - Café and Lounge, em Vila Franca de Xira.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Floreano se sirve un albariño
El personaje de Gogue es la imagen del nuevo blanco de bodegas Carballal
Uno de los carteles
promocionales del vino albariño "Floreano e punto".
Floreano se ha
metido a viticultor de la mano de Juan Carlos Vázquez, enólogo y director de
las bodegas Carballal. El popular personaje del dibujante de FARO Gogue tiene
vino propio, "Floreano e punto", el nuevo albariño de estas bodegas
de Ribadumia, cuya principal novedad es su maceración en frío antes de ser
prensado. "Los vinos blancos siempre se maceraron y en este sentido, esta
nueva línea de albariño es una recuperación de los vinos de siempre, pero
elaborados con las técnicas y los medios actuales, entre ellos, el acero
inoxidable", afirmó ayer el enólogo.
En este sentido, Vázquez explicó que la
bodega apuesta por este material al entender que es el más adecuado para los
"vinos singulares" del Altántico, ya que no les añade ningún sabor.
"Floreano y punto" es macerado a una temperatura de entre 10 y 13
grados, según el enólogo, antes de su fermentación, con levadura indígena.
Esta bodega, perteneciente a la
Denominación de Origen Rías Baixas, lanzará 100.000 botellas de "Floreano
e punto", de las cuales, casi la mitad serán exportadas, principalmente a
Estados Unidos y Gran Bretaña. El vino tendrá dos etiquetas, una con el popular
Floreano y otra con una joven tocada con boina. Con esta dualidad, la bodega y
el humorista gráfico han querido representar las dos caras de Galicia: la
tradicional, que encarna Floreano, y la moderna, representada por la que Juan
Carlos Vázquez y Goguen llaman, cariñosamente, "la novia" de
Floreano. "Ella pone la sofisticación y Floreano la autenticidad gallega",
puntualizó el enólogo. Así, las cajas de este vino llevarán botellas con una y
otra etiquetas.
Hacía tiempo que Gogue acariciaba la idea
de que Floreano tuviese su propio vino albariño, aunque no por ello abandonará
la cunca de tinto, asegura el artista. "En la diversidad está la
grandeza", señaló. La presentación en sociedad de este nuevo blanco será
este jueves, en un acto que se celebrará en el Casino La Toja.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
O seminário Portugal Contemporâneo: História e Património 2 Dezembro 2015 - 18h - A caricatura e as artes do espetáculo em Portugal por Osvaldo Macedo de Sousa - Artes do Espectáculo. Património em Portugal
O seminário Portugal Contemporâneo:
História e Património é composto por um conjunto de sessões organizadas em três
categorias: tipologias, equipamentos associados às práticas de cultura e
estudos de caso. As sessões são compostas pela exposição
de especialistas seguidas de debates.
Série IV - Artes do Espectáculo. Património em Portugal
Série IV - Artes do Espectáculo. Património em Portugal
Local: Universidade Nova - FCSH/Edifício
ID - Sala 0.06 (Av. Berna 26 – Lisboa)
2 Dezembro 2015
A caricatura e as artes do espetáculo em Portugal
Osvaldo Macedo de Sousa
A caricatura e as artes do espetáculo em Portugal
Osvaldo Macedo de Sousa
Analisando a
caricatura / cartoon e a sua génese criativa, descobrimos quão importante é a
questão dramatúrgica. O artista ao observar o momento, as notícias que correm
no fluxo constante da vida / comunicação social, tem de selecionar o que lhe
parece mais pertinente para a sua análise filosófica e para o público. Captada
a ideia base e desconstruída nos artifícios humorísticos da abstração, esta tem
de ser materializada pela teatralização gráfica, não só cenográfica, como
também dramatúrgica dos heróis intervenientes. Pode-se dizer que o cartoonismo
é uma arte cénica, na reinterpretação do espectáculo do quotidiano?
Sabendo como
sabemos que uma imagem é, podendo contudo não ser o que aparenta, é nossa
função explorar este património para descobrir os porquês. A imagem histórica
não interessa apenas pelo que representa, mas por tudo o que a envolve, na sua
relação com o mundo, desde o autor até ao leitor, passando pelo intérprete. O
desafio do historiador está em chegar ao que não está explícito, e mesmo ao que
não está implícito, ultrapassando a superfície e ver através dela, recompondo o
discurso entre o passado e o presente. Muitas das vezes, a mensagem é falsa,
manipulada pelo poder, pela comunicação social, ou por outros interesses.
Na
realidade, para o historiador não importa se a imagem mente, porque o
importante é saber se mente e saber porque mente, como e porque foi alterada,
com que fim foi encenada essa realidade. De todas as formas, como documento,
como património histórico gráfico, a caricatura / cartoon continua a ser um dos
melhores elementos arqueológicos para se conhecerem, não só os factos
noticiosos, mas também a História sentida, vivida de uma época e o pensamento
da sociedade contemporânea.
Osvaldo Macedo de Sousa é natural do Porto (1954). Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Especializou-se no campo do humor gráfico. Realizou conferências em algumas instituições de ensino portuguesas, bem como em universidades de Espanha, França, Alemanha, Polónia, Chipre, Turquia, Costa Rica e Brasil.
Organizou mais de 4 centenas de exposições por todo o país, como também em Espanha, França, Croácia, Turquia, Dinamarca, Brasil, Costa Rica, Macau… e, consequentemente, editou, para essas exposições, mais de três centenas de álbuns e livros ("História da arte da Caricatura de imprensa em Portugal", “Crónicas d’um Stuart”, “Iconografias da Censura na Caricatura Portuguesa”, “Raphael Bordallo Pinheiro o Cidadão e o Artista”, "Humores ao fado e à Guitarra", “Esse ser Comediante”, “João Abel Manta Obra Gráfica”, “O Modernismo pel’ O Humorismo”, “Vozes Líricas do séc. XX”, “As Caricaturas da Primeira República”, “O que é o Humor Gráfico?”, “Artistas Portugueses na Grande Guerra”….) editados em Portugal, Espanha, Eslovénia, Moçambique, Brasil. Curador de exposições nos Museus Rafael Bordalo Pinheiro, da República e Resistência, Leal da Câmara, Museu Nac. da Imprensa, da Água, Amadeo de Souza Cardoso, Grão Vasco, Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa, Museu Nac. do Teatro, Fund. Gulbenkian, entre tantos.
Foi director da Galeria Stuart (1984/5); da Casa do Humor em Lisboa (1989/90). Comissário Nacional das Comemorações dos 150 Anos da Caricatura em Portugal (1997); do AmadoraCARTOON no AmadoraBD (desde 1999); MouraBD (1995/2013); Bienal de Caricatura de Ourense (de 1996 a 2009), Fundador e Director do Salão Nacional Humor de Imprensa (1987/2006); Salão Livre de Humor Nacional (1998 - 2003); do primeiro PortoCARTOON (em 1998); Salão Luso-Galaico de Caricatura - Vila Real (desde 1997); Fest. Int. Humor de Praia - Espinho (em 2000); Bienal de Humor Raiano - Idanha-a-Nova (2002 e 04); Bienal de Humor Luiz d’Oliveira Guimarães – Penela (desde 2008). Membro de Júris de Festivais Internacionais em Portugal, Espanha, França e Chipre.
Osvaldo Macedo de Sousa é natural do Porto (1954). Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Especializou-se no campo do humor gráfico. Realizou conferências em algumas instituições de ensino portuguesas, bem como em universidades de Espanha, França, Alemanha, Polónia, Chipre, Turquia, Costa Rica e Brasil.
Organizou mais de 4 centenas de exposições por todo o país, como também em Espanha, França, Croácia, Turquia, Dinamarca, Brasil, Costa Rica, Macau… e, consequentemente, editou, para essas exposições, mais de três centenas de álbuns e livros ("História da arte da Caricatura de imprensa em Portugal", “Crónicas d’um Stuart”, “Iconografias da Censura na Caricatura Portuguesa”, “Raphael Bordallo Pinheiro o Cidadão e o Artista”, "Humores ao fado e à Guitarra", “Esse ser Comediante”, “João Abel Manta Obra Gráfica”, “O Modernismo pel’ O Humorismo”, “Vozes Líricas do séc. XX”, “As Caricaturas da Primeira República”, “O que é o Humor Gráfico?”, “Artistas Portugueses na Grande Guerra”….) editados em Portugal, Espanha, Eslovénia, Moçambique, Brasil. Curador de exposições nos Museus Rafael Bordalo Pinheiro, da República e Resistência, Leal da Câmara, Museu Nac. da Imprensa, da Água, Amadeo de Souza Cardoso, Grão Vasco, Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa, Museu Nac. do Teatro, Fund. Gulbenkian, entre tantos.
Foi director da Galeria Stuart (1984/5); da Casa do Humor em Lisboa (1989/90). Comissário Nacional das Comemorações dos 150 Anos da Caricatura em Portugal (1997); do AmadoraCARTOON no AmadoraBD (desde 1999); MouraBD (1995/2013); Bienal de Caricatura de Ourense (de 1996 a 2009), Fundador e Director do Salão Nacional Humor de Imprensa (1987/2006); Salão Livre de Humor Nacional (1998 - 2003); do primeiro PortoCARTOON (em 1998); Salão Luso-Galaico de Caricatura - Vila Real (desde 1997); Fest. Int. Humor de Praia - Espinho (em 2000); Bienal de Humor Raiano - Idanha-a-Nova (2002 e 04); Bienal de Humor Luiz d’Oliveira Guimarães – Penela (desde 2008). Membro de Júris de Festivais Internacionais em Portugal, Espanha, França e Chipre.
Portugal
Contemporâneo: História e Património
Coordenação:
Carlos Vargas e Maria Fernanda Rollo
Opção livre aberta a todos
os cursos de Doutoramento (3o ciclo – 10 ECTS)
Faculdade de Ciências
Sociais e Humanas - UNL, Edifício ID
Série IV
Artes do Espectáculo. Património em Portugal
Sempre às quartas-feiras das 18h às 20h Local: Avenida de Berna, 26 | FCSH/Edifício ID | sala 0.06
Artes do Espectáculo. Património em Portugal
Sempre às quartas-feiras das 18h às 20h Local: Avenida de Berna, 26 | FCSH/Edifício ID | sala 0.06
O seminário Portugal
Contemporâneo: História e Património tem como objectivo caracterizar, analisar
e reflectir sobre o património português, abrangendo as suas múltiplas
naturezas e diversas manifestações, na sua inter-relação com a história
contemporânea - para o estudo da qual constitui uma inestimável fonte de
conhecimento e compreensão.
Visa-se promover o conhecimento
e a compreensão do património, nas suas múltiplas feições e dimensão universal,
como reflexo e fonte para a história contemporânea portuguesa; identificar,
estudar e valorizar dimensões múltiplas do património nacional na grandeza da
sua riqueza e diversidade; captar e valorizar o conhecimento da realidade local
e regional, entendida também como valor estratégico, garante da integridade da
memória e da identidade nacional.
Cada uma das sessões
dedicar-se-á ao estudo de uma determinada realidade patrimonial, material ou
imaterial, contextualizando-a historicamente, caracterizando-a, compreendendo a
sua inserção e relação com o Estado (administração central e administração
local), com os diversos patrimónios, as questões suscitadas pela sua preservação
e conservação e o desenvolvimento de práticas de cultura associadas, promovendo
a reflexão a sobre a sua inter-relação com a própria história contemporânea.
Procurar-se-á
apresentar uma visão transversal e diversificada do património nacional,
compreendendo, designadamente, a observação de diversas tipologias, estudos de
equipamentos associados às práticas de cultura e estudos de caso, em quaisquer
circunstâncias numa perspectiva problematizante e em muitos casos, no quadro de
análises inter e pluridisciplinares.
Pretende-se também
estimular o estudo e promover a investigação histórica de um legado de enorme
riqueza, que cruza áreas tão diversificadas como o património edificado, os
equipamentos e recursos materiais com intervenção humana (cultural, artístico
mas também científico, tecnológico…), ou o património imaterial (música, dança,
língua…) que representa, a par do seu valor intrínseco, por um lado, um recurso
fundamental para análise e aprofundamento da história contemporânea do País,
abarcando evidentemente a história local, chamando a atenção, noutro sentido,
para a importância do seu estudo à luz do conhecimento histórico.
A diversidade dos
temas garante a riqueza da análise, decorrente do cruzamento de contribuições
múltiplas, no campo socio-cultural, artísitico, político, económico,
industrial, técnico, científico, visando-se estimular e valorizar a prática das
análises de práticas e conteúdos inter-disciplinares e mesmo a sua contribuição
para o aprofundamento dos estudos locais ou regionais, da história comparada –
à escala nacional ou internacional – das mobilidades, das infraestruturas, das
relações políticas, económicas, sociais e culturais…
O estudo, a
valorização e a divulgação do património, para além do que significa enquanto
objecto artístico, material ou cultural, é de inestimável significado enquanto
reflexo da história do País, na qualidade de fonte relevante para a sua
compreensão, para a escrita da história de Portugal Contemporâneo.
O Seminário é composto
por um conjunto de sessões organizadas em três categorias: tipologias,
equipamentos associados às práticas de cultura e estudos de caso.
Perspectiva-se a abordagem das
seguintes temáticas a partir da exposição de especialistas nas diversas áreas
em sessões comentadas e segui
domingo, 29 de novembro de 2015
Rosário Breve Crónica ourives por Daniel Abrunheiro
I.
Não há razão para euforia. Há razão para
contentamento.
A euforia é bebedeira dos nervos. O
contentamento é uma vindicta mansa, lúcida, avisada.
Posto isto, há que apurar se:
1) a Esquerda existe (mesmo);
2) a Esquerda presta;
3) a Direita, cumprindo o verbo em 1),
não logra tão-depressa o verbo em 2).
Trocadilhando a preceito, a Esquerda tem
de ser destra, por isso mesmo que a Direita é sinistra. E ainda: quanto mais a
Esquerda se adestra, menos a Direita nos amestra.
Pronto – esta parte já cá está & já
lá mora. É como no testemunho do próprio: o gigante olímpico (e muito nosso)
Carlos Lopes, ao atingir a meta de ouro da maratona de Los Angeles/1984,
exultou consigo mesmo través este pensamento definitivo: “Esta, já ninguém ma
tira!”.
Escrevo pouquíssimas horas depois do
ocaso dos pífios PàFistas. Alerto:
não me/nos basta que o primeiro-ministério mude de mãos – o crucial é que mude
de rumo.
Que, paulatinamente embora, nos devolva a
todos algum manuseamento de moedas, algum acesso a víveres, algum retorno ao
trabalho que compense cada final de dia.
Que cesse de des-Educação. Que deixe de
propiciar a in-Justiça. Que não mais privatize ao desbarato o pan-Património.
Que comece por não acabar com a Saúde. E que, entre muitas outras urgências,
deixe de encarar o Trabalho como uma mania dos mal-remediados e como um estorvo
dos colossos empresariais, passando a tê-lo em conta & medida como direito (até
moral, até social, até cívico, até solidário) dos que não nasceram naquele tipo
de berço feito daquele tipo de ouro que só pode vir das roubalheiras
hereditárias.
Do caruncho de que é feito o pau do ainda supremo magistrado, temos dito & por consabido todos.
Assim seja.
II.
Chamamos “frio” ao arrefecimento que,
naturalmente pois que natural, vem sucedendo ao bondoso & cálido Verão-de
São-Martinho. Não sabemos o que dizemos –
frio, isto? Só os proscritos que
portam pouca & fraca roupa, só os despejados de casa, só os que fantasmaticamente
povoam a frigidez das ruas e o relento das noites sem porvir – só eles podem
carpir a penitência baixo-centígrada da quadra. Nós outros, abonados de sobretudo,
inquilinos de furtadas águas em fogos de tijolo, não. A sociedade de consumo
iludiu-nos, mentiu-nos, despojou-nos. Certo estoicismo que foi das gerações
nossas antanhas faz-nos falta. Não falo de, salazarentamente, louvaminhar a
escassez, honrar a pobreza, adorar a miséria, venerar a tesúria – falo de,
querendo, fazer mais com o pouco que nos é presente. É neste fio de pensamento
que chego ao miúdo do iPad a quem
roubaram o livro. Às pessoinhas
frivolizadas por revistecas sinónimas de trampa multicolorida e por televisões
estúpidas como a morte. Aos pobretes-mas-alegretes de espírito que repetem as
argoladas autofágicas & suicidas do Passado porque o não conhecem: nem de
ouvir falar, nem de querer ouvir falar dele. E ao meu Benfica, Farol da
Humanidade Desportiva, não menos do que Zeus do Olimpo do Coice na Bola, que,
perdendo três em três na mesma época ante o seu (aliás único) Rival, me tem
acidulado as entranhas mentais e as pregas intestinas. A mim e a mais 6+6+6
milhões – e toda a gente sabe que 666 é o número místico da Besta. Porque,
enfim, perder com o Sporting é o diabo. E o Diabo é que é frio mesmo.
III.
I, II, III, pim, pam, pum – chegado é o
momento do remate/roda/pé. Este: duas vezes grafei supra o substantivo ouro.
Da primeira vez, foi ardil estilístico: em “meta de ouro”, queira ler-se a medalha
daquele metal precioso com que Carlos Lopes tão altamente subiu todo um Povo –
mais precisa e mais historicamente, a 12 de Agosto de 1984. Tínhamos nós todos,
então, coisa de 20 anos.
Da segunda vez, foi estilizado truque
também – mas a responsabilidade oratória é da proverbial sabença popular
relativa aos bem-nascidos, materialmente falando. (Mais vernaculamente, “Quem não rouba ou não herda, não vale uma
merda”.) No meu caso, “berço feito
daquele tipo de ouro” é vilipêndio oriundo, talvez, da minha inveja de
bêbados e de borrachos que nascem com Deus por os baixos. Mas não importa.
Importa é que saibamos distinguir o ouro
que vem do muito trabalho sério, honroso & honrado (cf. toda a carreira de
Carlos Lopes) e o que é mera usurpação, em e para proveito próprio, do trabalho
dos outros (estás a ouvir, PS?).
De resto, calo-me em voz alta: é que, a
12/8/84, Lopes era Portugal. Mas nos outros dias, peito-de-leão de leão ao
peito, era Sporting. Era, era.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Artistas Portugueses na Grande Guerra - Na galeria Municipal Paços do Concelho da Amadora até amanha
termina amanha, data do armistício a exposição que reúne obras de José Brusco Junior, J. J. Ramos, Arnaldo Garcês, Adriano Sousa Lopes, Christiano Shepard Cruz, António Balha e Melo e João Menezes Ferreira, artistas soldados que viveram a guerra no "front" e no papel.
Exposição produzida por Osvaldo Macedo de Sousa para a Câmara Municipal da Amadora
Exposição produzida por Osvaldo Macedo de Sousa para a Câmara Municipal da Amadora
Dia 14 de Novembro a partir das 15h - Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea de Almada - Divagando sobre a Imagem, a Fotografia .... integrada no Mês da Fotografia do ImaginArte de Almada
Conversas com Jorge Santos, Osvaldo Macedo de Sousa (com a apresentação do livro "Qual o Papel da Imagem na História?" da editorial Escolar), Nuno Melo e José Barata
sábado, 7 de novembro de 2015
Termina amanhã o AmadoraCARTOON na Galeria Municipal Artur Bual na Amadora com obras de Rui Duarte e Fernando Ruibal e "Oxi e o Cartoon Grego"
Reportagem de Renata Macedo de Sousa
Rui Pimentel caricaturando
Pedro Ribeiro Ferreira caricaturando
O Comissário do AmadoraCARTOON Osvaldo Macedo de Sousa e o artista homenageado Fernando Ruibal
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