sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Rosário Breve - Para afinal tão pouco por Daniel Abrunheiro

Sonhei que era José.
Que era José e proprietário senhor de um solar de, precisamente, sonho.
Finjo que a dormir continuo. Sonâmbulo cicerone de bom grado V. serei.
Este é o meu Vestíbulo. Ornam-no contadores de pau-santo, bufete e cadeiras seiscentistas cuja gravidade faz cismar – cismar no que, objecto, dura; e no que, sujeito, não perdura. Os anjos talhados em madeira policromada são, como a infância e como a velhice, barrocos. Há pintura Italiana e há pintura Portuguesa, que o resto da Casa reiterará. Há a maravilha das faianças nacionais, quando ainda tal indústria cometíamos. Há tapeçaria de Arraiolos nimbada da ancestralidade de Seiscentos & de Setecentos.
A Primeira Sala honra a memória do senhor meu Pai, que no sonho é Carlos. E Malhoa, o nosso Grande José Malhoa, pintou-o a cavalo: selas pespontadas a veludo & prata, contentes xairéis & felizes telizes bordados também e ricamente também brasonados – de XVIII. Madeiras e couros guarnecidos a pregaria.
A Segunda Sala é Sacra: meditabundos relicários, figuras presépias sob a tutela da Sagrada Família, capa de asparges & casulas, frontal de altar, mais tessituras arraiolanas.
Átrio e Escadaria acedem ao Andar Nobre. Andai, vinde comigo, não permitais que a solidão me caustique na derivação já não de todo adormecida.
Painéis de azulejo português ruralizam o olhar chacota-vidrado. O patim escadariandante gentil-humaniza o Visitante feliz. Há cópia, por Hidalgo de Caviedes, do Velásquez de “Los Borrachos” – estamos em família, ó como eu degustadores da vínica ambrosia! Primeiro e Segundo Andares, todavia, nos querem. Defiramos deles o apelo.
Formosas porcelanas orientalizam e indianizam a soporífera visitação nossa. Somos como faunos em bosque enxuto. De cerce, minha Irmã Margarida olha-nos nos olhos. Carlos & Eugénia alastram amor nidificado: olhai-lhes, a nós, os Filhos. A minha materAvó é Condessa – de Podendes. Podendo, sabei que meu paterAvô era já José: como eu & como Mestre Malhoa.
Impossível, sei-o bem (e não sem laivo ligeiro de leve angústia o sei), em coisa de oníricos 4240 caracteres (671 palavras, incluindo espaços), sonhar convosco a Casa toda. As casas só são todas, afinal, quando perdidas. As Salas sobrantes não são labirínticas, isso não são, mas são maduras como frutos multiplicados: a das Colunas, a de São Francisco, a dos Primitivos, a de Boileau, a de Parquet, a das Aguarelas, a de Jantar; a Galeria Verde; o Salão Renascença (ou dos Arraiolos); a formosíssima Biblioteca. Ai! Alma & calma, todavia: não acordámos ’inda. Mais V. digito um pouco.
Antecâmara de música camarária também – benévolos fantasmas de quinteto a assolam benignamente: meu Avô Zé com César MacKee, Lambertini, José Carneiro & D. Luiz da Cunha Menezes. Profusão (e confusão, talvez; e efusão, decerto) de idades & preciosidades: Soares dos Reis, Domingo & Márquez, Coypel, Rubens (o Pierre Paul, que temo ainda me lo roubem), Madrazzo, Stevens; Bordalo, mais Malhoa, Zurbarán, Josefa de Óbidos (talvez). Substanciais substantivos também: mognos de uma polidez austera, ferragens douradas como as celestes linfas e como as ninfas fluviais, aguarelas de águas belas, gravuras assuntando mitologias pagãs fora da jurisprudência censória do Vaticano, vitrines claras como nórdicos olhos, bustos que sonham com o resto do corpo, fogão aprazível, relógio mortífero & dois obeliscos à egípcia. E mármores de veios claros, claro.
Ui, porcelanas de Saxe! (Sou rico, no sonho; no sonho ao menos, abastado sou.) Ezequiel Pereira. Carlos de Haes. Vista Alegre (muito alegre). Marfins. Essência indo-portuguesa da memória viva. Simão da Veiga, Mesdag & Silva Porto. Não podemos parar. Mas arretar & arrestar-nos devemos. Mais do que vida, breve é a crónica. Mais do que a crónica, o sonho é breve.
Um pouco mais ’inda, todavia: relíquias flamengas que não são queijo; barros policromados de Luísa Roldán (talvez); Nicolau Boileau (que baptiza de seu nome a Sala) figurado a escultura em biscoito-de-Sèvres. Há Delacroix (Eugène). Há um Desconhecido atirado a Vénus e os Amores; outro Idem em Cena Bíblica. E há, enfim, que despertar.
Desperto em Alpiarça. Estou só. Sou José Relvas, é minha a Casa dos Patudos. Acontece Outubro. Vou a Lisboa proclamar a República.
Para isto.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Inauguração da exposição "Artistas Portugueses na Grande Guerra" na Galeria dos Paços do Concelho da Amadora no dia 5 de Outubro


O Comissário da exposição dando entrevista para a TVAmadora
 Visita guia do Comissário Osvaldo Macedo de Sousa
 Entre o público encontravam-se vários familiares do Christinao Shepard Cruz e de João Menezes Ferreira
 aqui o pintor Luis Vieira Baptista junto ao Vereador da Cultura
 O Vereador da Cultura António Moreira proferindo algumas palavras junto do comissário da exposição Osvaldo Macedo de Sousa



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Novo álbum de Pedro Manaças - "Manegas Vai De Scooter"

Amigos, é com inteira satisfação que vos apresento o meu próximo livro em edição de autor "Manegas Vai De Scooter". Quero agradecer a colaboração de Luiza Tavares e César Branco, assim como alguns movimentos que me acompanharam nestes 3/4 anos, nomeadamente Corroios Mostrarte e Escrítica... Quem quiser, esteja à vontade para partilhar e apoiar este pobre El Solitário da BD nacional. Em breve anunciarei lançamento.
Encomendas: pmmm72500@gmail.com
Muito obrigado a todos!
https://www.facebook.com/ManegasSketchs

Pedro Manaçs

Faleceu o grande mestre do humor português José Vilhena


FALECEU  JOSÉ VILHENA
Nascido a 7 de Julho de 1927, José Vilhena (aliás, José Alfredo de Vilhena Rodrigues), que há muito estava doente, faleceu a 3 de Outubro do corrente ano.
Grandioso no seu humor cáustico e implacavelmente mordaz, fundou e dirigiu famosas revistas, como “O Mundo Ri”, “Gaiola Aberta”, “Fala Barato”, “O Cavaco” ou “O Moralista”.
Foi igualmente o autor de dezenas de delirantes livros (textos, ilustrações e fotos), donde, alguns títulos: a trilogia “História Universal da Pulhice Humana” (“Pré-História”, “O Egipto” e “Os Judeus”), “Branca de Neve e os 700 Anões”, “Julieta das Minhocas”, “Arre Burro!”, “O Depoimento de Américo Thomaz”, “O Evangelho Segundo José Vilhena”, “Os Reis de Portugal, suas Taras e Pulhices”, “Cinto de Castidade”, “O Filho da Mãe”, “A Vingança do Filho da Mãe”, “A Boa Viúva”, etc.

Escreveu também Teatro, como “Os Infiéis Defuntos” e “As Calcinhas Amarelas”. Esta farsa estreou nos anos 70 no então Teatro Laura Alves (Lisboa) com interpretações de Irene Izidro, Barroso Lopes, Carlos Miguel, Luís Horta, Teresa Ziloc, Manuela Maria e outros, tendo sido um enorme êxito.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

"Artistas Portugueses na Grande Guerra" inauguradia 5 de Outubro na Galeria dos Paços do Concelho da Amadora

Uma exposição produzida por Osvaldo Macedo de Sousa na qual viaja pela Grande Guerra 1914/18 através das obras realizadas por artistas militares que estiveram na frente africana e europeia. Uma retrospectiva de croquis, desenhos, postais, fotos e pinturas de Brusco Junior, JJ Ramos, Menezes Ferreira, Arnaldo Garcês, Sousa Lopes, Christiano Cruz e Balha e Melo.
Inaugura dia 5 pelas 18h e estará patente ao publico até 11 de Novembro

Luís Filipe e a Farsa da Vida no Museu Rafael Bordalo Pinheiro


"Paródias de Rui Pimentel na Cavalo de Pau (a São Bento) até 8 de Outubro


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Crónica Rosário Breve - Palavreado esti(o)utonal (I & II) por Daniel Abrunheiro


I
História Lenta com Hortênsia mais Dois Azúis

Aconteceu-me há momentos uma coisa que vos quero contar.
Não vou escrever um poema sobre o que se passou.
Vou só contar.
Por volta das seis da tarde, saí para descansar os olhos.
Subindo ia eu pelo lado esquerdo da avenida, o lado do Parque.
Do lado oposto, vinha descendo uma mulher jovem.
Vestia uma blusa azul-celeste.
Vinha longe.
Parei, voltei-me para o Parque e tirei algumas fotografias verbais ao chão vegetal.
A luz era baça, outoniça (ainda o é, posto que escrevo vinte minutos depois).
Quando me preparava para colher a imagem de certa hortênsia azul que ali vigora em solidão, ouvi nas minhas costas a voz:

Boa tarde!

Ela tinha parado no passeio dela para me dizer isto.
Virei a cabeça e mergulhei naqueles totais olhos azúis (como a blusa dela e como a minha hortênsia).
Eu devolvi-lhe a boa-tarde e levantei a mão em saudação.
Nunca a tinha visto por aqui.
É uma rapariga doente.
Tudo dela emanava a outra dimensão, a inexpugnável cosmogonia da doença mental.
Ela deu-se por satisfeita, prosseguiu a descida nos seus passinhos chineses, Ariadne enrolando por si o fio invisível da vida dela.
Eu fotografei a hortênsia e subi até vós.
Eu e ela ficámos, por assim dizer, quites:
nada posso fazer quanto à loucura dela,
ela nada pode fazer pela minha.

II
Fernando António Nogueira

Uma palavra pode ser uma pessoa.
Há uma idade-maçã em cada pessoa.
De novo, e descaradamente, rói a infância-maçã a velha pessoa.
A velhice é o bicho adentro a maçã-pessoa.
A pública noite vence a particular de cada pessoa.
Vence-a pessoa a pessoa.
De mínimas vitórias é feita a Grande Derrota da pessoa.
A minha noite não é a de todos – é a da minha pessoa.
Vou falar-vos da minha mais recente noite em pessoa.
Não vou escrever um poema sobre o que se passou.
Vou só contar:

Sucedia ser pelo entardenoitecer. Sob a latada adoçada pelo Estio e acossada já pelas vespazzzzzzângonas do açúcar verde-âmbar-mel, eu ventilava-me em aura de buda vestido. Da mata derredor, os últimos bichos urdiam deles, e do dia, a música derradeira, essa que antecede o sono – ou o passamento – ou o pensamento.
A hora à aurora avessa adentrava-me a mente à maneira de um nihil obstat o mais generoso. Por conseguinte, a vida mesma coçava-me e acossava-me, vespa ela também, o corpo escrevente à guisa de um imprimatur potest o mais facundo.
Escutei o chiar do carro-de-bois do meu vizinho Nando-Tó Nogueira, cuja xiloacústica tracejava o vidro do ar em limalhas de ponta-de-diamante. Sentia em perfeição a feição da gravidez fecunda e jucunda das macieiras (Há uma idade-maçã em cada pessoa etc.)
Nenhum incêndio queimav’ardia o Bosque-de-Existir-e-Pensar-no-P’ra-Quê-Disso.
Era o sossego, era a açucena, era a cegarrega, a doçura sensível, a seiva sedosa, a seda & a sede saciada. Era a tal hortênsia. Sentia-me bem, a ponto de me não causar mal a consciência de haver nascido sem que opinião me houvesse sido pedida.
Foi então que me chegou a Palavra.

Em Pessoa.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

"O gentilíssimo e talentoso João Amaral" no Museu de Lamego

 "O gentilíssimo e talentoso João Amaral" é o mote para a edição especial de agosto dos "apontamentos" do Museu de Lamego (inclui dois vídeos).
   
   Um guia para uma visita à exposição.
   

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Humor de Yuriy Pogorelov


Crónica Rosário Breve Tela Cénica – ou então – Tudo Ou Nódoa por Daniel Abrunheiro


Nota Preambular – Porque sou doido por bom teatro (Arte-de-Talma para os eruditos e para os decifradores de palavras-cruzadas, a ponto de de mim poder dizer-se que tenho ‘pancada’ de Molière, e porque gosto muito de listas telefónicas pela razão de serem obras com muitas personagens e acção nenhuma, surgiu-me a composição do seguinte aparato dramatúrgico:

À esquerda-alta, o cavalheiro de azul remói o desgosto-mor da sua vida: a filha única desgosta dele – já a mãe dela e a mãe dele lhe fizeram o mesmo. É de joelhos pontudos e de coxas magras, calvas e muito brancas – vir de calções para esta crónica teatral não foi grande ideia sua. Nem ajuizado adereço. Fuma como se pensasse, baforando argolas perfeitas quais calamares de fumo.
Ao centro-alto, duas mulheres-pavoas. Bustos como bandejas. A mais velha cheira a cabeleireiro recente: fede a madeixas quentes, que lhe estriam o capacete de unhadas postiças; a mais nova é uma rosa branca como aquelas que se amontoaram em plenário miraculoso aquando do enterro da Alexandrina de Balasar (morte a 13, funeral a 15 de Outubro de 1955: “"Hoje no Porto não há rosas brancas, foram todas para Balasar."), a santinha daquela mui pia freguesia do concelho da Póvoa de Varzim. Só que a sobredita não é santa nem virgem, é só rosa branca. E está viva, também. E é vivaça como as rosas encarnadas.
À direita-alta, a mesa está desocupada, assim permanecendo até final desta peça quieta mas não isenta de seu drama (como no fim se verá). Por conseguinte, as quatro cadeiras conversam umas com as outras, mormente acerca dos traseiros volvidos que os tampos lhes enceraram do muito uso, tampos e tempos ora velhos mas outrora bons, anos de muita freguesia, de muito tostãozinho amealhado chávena a galão, carioca a cálice, prego-no-pão a meio-bife-no-prato-com-ovo-a-cavalo, bola-de-berlim a pirâmide de massa-de-chocolate, macinho de cigarros a (valha-nos Deus!) cigarrilhas-de-café-creme, ’inda o isqueiro carecia de licença de porte & uso, salazar-salazar-salazar. E cerveja preta à pressão como outra não havia nem voltou a haver.
À esquerda-baixa, uma criança-menina obtém da mãe o emolumento (“uma-vez-sem-exemplo”) de um ovo-kinder com néctar de manga-laranja avec palhinha de plástico. A mãe propriamente dita tem qualquer coisa de tremente zebra: ou de égua gentia, brusca, nervosa, fremente – do ser divorciada há pouco tempo, só pode.
Ao centro-baixo, um senhor que foi padre mas que agora prèga benefícios, protecções e condições excepcionais para uma companhia de seguros. Não desleixou, todavia, nem a castidade genital nem o latinório daqueles antigamentes de rendadas sobrepelizes & de mulheres ajoelhadas: vive só numa garagem com quarto-de-banho (só com retrete e lavatório, lavando-se estoicamente ele a balde & púcaro) que uma tia velha devota da Alexandrina cedeu por caridade ao desavindo e materialista, quiçá marxista,
apóstata.
À direita-baixa, uma arara enjaulada apregoa a aguarela tropical de si mesma. Bisneta de enjauladas, não compreende nem enseja qualquer veleidade aeronáutica – é feliz com umas poucas sementes e bebedouro fresco como o povo português, além de nicotinómana passiva, pois que se pode fumar (e fuma-se, como já vimos) em palco.
O fosso-da-orquestra não tem músicos nem música a sério, mas sim um “DiJêi” de bairro-social que faz uma máquina bolçar kizombas & hip-hops intermináveis e iguais entre si como a universalidade da merda, pseudomúsica intolerável até ao mais rude pavilhão auditivo. (Cometemos o crime continuado do colonialismo bélico-cristiano-civilizador-ultramarino, não cometemos? Cometemos. Então agora há que aguentar e penar, em remorso mal-mordido, tal caca sonora.)
A plateia apresenta um punhado octogonal de melros que cuspimastigam pipocas em voz-alta e não puseram em silêncio os respectivos telemóveis. São deveras oito, ao todo: um que escreve coisas idiotas na contracapa de um jornal em acelerado e recrudescente descrédito (o jornal e ele); outro que é idiota também e mais nada; outro que é coisa também; o quarto é professor há 29 anos e concorreu para os Açores mas nem assim; o n.º 5 é o Chanel mais famoso; o meia-dúzia quis, em pequenino, ser astronauta mas não chegou a astronauta, ficou sempre pequenino e cá em baixo como os outros; o hepta é um hepático tipo Bílis-the-Kid cuja amarelidão de rosto reverbera e refulge no escuro como uma hóstia de pus, para além de croupier de vinte-e-um, banca-francesa & roletas vesgas numa manhosa tabanca clandestina; e o derradeir’oitavo é um dos meus irmãos, aquele que não fala comigo por causa de algo de que nem ele nem eu nos lembramos já o quê, o porquê e o para-quê.
O arrumador-lanterninha coxeia o reumatismo sem esperança de gorjeta. A da bilheteira cobiça tão-só na vida a sopa requentada e o gato sarnento que em casa a esperam ao cabo de representada a representação, desligada a ribalta e aferrolhado o pórtico-hall. Só que não é, a dela, uma casa-casa – é, isso sim, uma garagem anexa à do ex-padre-agora-mediador. E paga um balúrdio de renda pelo cubículo (mas com bidé para o inevitável chape-chape das mulheres), ao contrário do sobrinho da velha-alexandrinófila, que não paga nada mas há-de pagar nos infernos por haver renegado a Deus.

Nisto, mesmo à maneira daquelas coisecas para representar na TV (com a respectiva mulher a protagonista, claro) que o senhor Moita Flores escreve), não cai o pano – cai a nódoa. 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Fotos do Lançamento do livro "30 Anos de Broncas" de Zé Oliveira na Ler Devagar na ExFactory

 Na mesa José Orlando Reis (Do Trevim), Osvaldo Macedo de Sousa, Zé Oliveira e Manuel Freire

“Viriato na Banda Desenhada” EXPOSIÇÃO NO ESPAÇO INOVINTER, EM MOURA


“Viriato na Banda Desenhada” é o nome da exposição que será inaugurada amanhã, dia 16 de julho, às 19:30, no espaço Inovinter, na cidade de Moura.
A mostra é uma coprodução da Câmara Municipal de Moura e do Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (Gicav), com colaboração da Câmara Municipal de Viseu, Junta de Freguesia de Viseu, Instituto Português do Desporto e Juventude e Inovinter – polo de Moura.
Trata-se de uma exposição composta por 15 quadros que incluem todas as adaptações em banda desenhada sobre a figura de Viriato. Estão 13 desenhadores representados nesta exposição, nomeadamente, 11 portugueses – Artur Correia, José Garcês, Fernando Bento, Victor Mesquita, Crisóstomo Alberto, José Ruy, José Salomão, Eugénio Silva, Baptista Mendes, João Amaral, Pedro Castro – e dois espanhóis – Chuty e Manuel Gago.
A exposição “Viriato na Banda Desenhada” pode ser visitada de 16 de julho a 2 de agosto, nos seguintes horários: sexta-feira, 17, das 17:30 às 20:00; durante o fim de semana, 18 e 19, das 10:00 às 13:00 e das 18:30 às 22:30. Nos restantes dias das 17:30 às 20:00.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

Exposição “O jogo da política moderna” na Biblioteca Municipal D. Dinis de Odivelas

A I República Portuguesa trouxe consigo a explosão das práticas de humor social e político. O fenómeno foi alimentado pelo teatro de revista, pela comédia de costumes, mas sobretudo pela imprensa humorística e pela caricatura, que conheceram então um novo fôlego
Esta exposição constitui uma excelente oportunidade para, a partir do desenho humorístico e da caricatura política e social publicada na imprensa pelos principais "humoristas" portugueses da época, mergulhar n' "0 Jogo da Política Moderna" da I República Portuguesa, e, com isso, nas virtudes e nos defeitos do novo regime.

Biblioteca Municipal D. Dinis
14 de julho a 12 de setembro


Parceria:Museu Bordalo Pinheiro

Crónica Rosário Breve - Em cartaz só mais esta semana por Daniel Abrunheiro



Demorei-me um pouco mais pelas ruas do que pela noite é meu costume.
O Estio não sufocava já. Antes pelo contrário: temperada, filantrópica, a aragem nocturna convidava à cirand’ambulação em serenidade acrítica. Acrítica e serenamente cirand’ambulei, pois. Fi-lo cismando pequenos-nadas, desses que mais me vale sonhar acordado do que quando presa indefesa do sono.
Descia eu em perfeita solidão a Avenida (aquela assombrada ainda, e cada vez mais, pelo Teatro extinto). A estudantada desertou-a por o motivo das férias sazonais, a Deus graças. Subindo-a (à Avenida, digo), com estes que a terra há-de enxugar vi o casal MM/AM: Marilyn Monroe & Arthur Miller.
Não me pareceram infelizes como nas fotos daquela época em que respiravam a par e a conjugal preceito. Suavizados pela bonomia da temperatura e do anonimato, pareceram-me tão-só gente tão só: como eu, àquela-hora-naquele-lugar.
Ela cometia o pecadilho indultado à nascença de não simular beijos morango-platinados para a câmara.
Ele não espelhava aquela sisudez de grande dramaturgo que de facto foi.
Duas soledades notáveis (a)notadas por uma terceira irrelevante solidão – isto apenas.
Passaram eles, eu passei – como é de força & é de lei que tudo passe e passem(os) todos. Não olhei para trás: já sou de sal q.b. e quanto sobre.
Lançado sem pressa nessa espécie de epifania-technicolor-a-preto-e-branco, não demorei muito a topar, uns meros metros-décadas a baixo, com outra parelha improvável: BC/VS – Beatriz Costa & Vasco Santana. Muito novos ambos, claro, ambos muito Canção-de-Lisboa, naturalmente.
Ela choraming(u)ava; ele fazia por consolá-la. Julgo ter percebido porquê: ela sabia que o Vasquinho dela iria morrer cedo, como de facto morreu; todavia, ele, maganão vero e fingido malandrim como sempre, ia-lhe cici’sussurr’ando que preferia tal destino àquele que sabia já vir a ser, como a ser deveras veio, o dela, o qual destino era, como foi, o de invern’amargar o outonecimento da vida no desamparo sem cura nem companhia de um quarto-casa de hotel antigo.
Não tive tempo de ter pena deles: retive, sim, não quaisquer fúteis lágrimas de basbaque cinémano, mas um sorriso grato – por ele esbracejar mui gordamente, de charuto à Groucho Marx na beiça, no intuito de fazê-la gargalhar em cristal puro como dela era timbre.
Fantasmas os quatro, caixeiros-viajantes prontos a morrer de novo, lá devem ter arranjado maneira de penetrar no fantasmático Teatro encerrado da Avenida. Não sei. Sei que eram horas do último autocarro. Apanhei-o.

Apanhei-o, mas só depois de baforar à pressa a ponta final do charuto à Groucho Marx que o Vasquinho me atirou do lado de lá da pantalha e em cujo fumo desapareço da minha plateia por mais uma semana em cartaz.

HERÓIS INESQUECÍVEIS - O PONTO (in bloguedebd.blogspot.pt)

http://bloguedebd.blogspot.pt/2015/07/herois-inesqueciveis-37-o-ponto.html


A 29 de Agosto de 1951, no n.º 852 da saudosíssima revista “Diabrete”, aconteceu um estoiro maravilhoso: o nascimento do herói-BD, O Ponto!...
Pela “estranja”, nada constava de semelhante. Por cá, foi uma firme e encantadora sacudidela na “modorrinha nacional” (como diria Fialho de Almeida), tanto nos leitores como no seio dos nossos desenhistas de então.
Treze pranchas, do n.º 852 ao n.º 864 da já citada revista “Diabrete”, encantaram-nos e divertiram-nos com a história “Loja de Bonecos” ou “O Mistério do Cofre Sarapintado”... 
Pranchas de "Loja de Bonecos", in "Diabrete" (1951)

Foi a loucura das loucuras pela mestria da arte e do humor non sense de mestre Fernandes Silva (1931-2010). Não havia nada que se parecesse pela Banda Desenhada, mormente na nossa, na portuguesa... Era uma incrível narrativa “disparatada” e encantadora!
O herói?... Simplesmente, “O Ponto, o Detective Sem Rosto”.
Pois ele é atrevido e desastrado, pequenino, com uma enorme cabeça (lembrando um aumentado ovo de avestruz), sem qualquer traço no rosto, mas tendo como adereços, o chapéuzito e o clássico cachimbo, que era típico na época em todos os detectives. Só um talento extraordinário como foi (e é) Fernandes Silva teria e teve a deliciosa “loucura” de inventar O Ponto. Na verdade, uma maravilha!...
Ainda nesse 1951, o “Diabrete” publicou a segunda aventura de O Ponto, do n.º 875 ao n.º 887, com o título “Novas Aventuras Por Causa de Uma Talhada de Melão”. Mais tarde, em 1992, com total e amiga autorização do autor, esta narrativa foi publicada no n.º 8 dos “Cadernos Sobreda-BD”.
Pranchas de "Novas Aventuras por Causa de Uma Talhada de Melão", in "Diabrete" (1951)

Depois... depois, só por 1955, agora na revista “Flecha”, apareceu a terceira e tão esperada aventura de O Ponto, intitulada “O Ponto, Detective Privado”.
Durou do n.º 12 ao n.º 37. Mas, desoladoramente para os bedéfilos, ficou incompleta pois a revista finou-se subitamente e o nosso desenhista, desiludido, desinteressou-se... Que pena!
Pranchas de "O Ponto, Detective Privado", in "Flecha" (1955)

De qualquer modo, a revista “Flecha” maltratou quanto baste a publicação desta aventura: começou por prancha/página e passou a tiras mesquinhas em rodapé. Incrível atentado!...
O Ponto, será levianamente apelidado de anti-herói. Mas os anti-heróis não são também heróis?... De qualquer modo, é um marco indelével na BD Portuguesa.
Obrigado, Fernandes Silva!
LB

Capas de "Almada BD Fanzine" #6 (1991) e "Cadernos Sobreda BD" #8 (1992),
publicações onde O Ponto foi personagem em destaque.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

dia 14 de Julho na Ler Devagar - LxFactory em Alcantara a apresentação do álbum "30 Anos a dar Broncas" de Zé Oliveira

Este livro editado pela Cooperativa Trevim terá a apresentação por Manuel Freire e Osvaldo Macedo de Sousa pelas 18h30 na livraria "Ler Devagar" que se encontra em Alcântara (LXFactory) em Lisboa