domingo, 5 de abril de 2015

Curso de Banda Desenhada por Penim Loureiro no Museu Bordalo Pinheiro a partir de 11 de Abril


Rosário Breve Marcello, se não vero, veríssimo por Daniel Abrunheiro

 Concluí recentemente a leitura integral duma obra da autoria de um ribatejano. O livro intitula-se Marcello Caetano – Confidências no Exílio (Editorial Verbo, 8.ª ed., Março de 1985). O Autor é Joaquim Veríssimo Serrão (JVS), historiador e professor com sobejas provas dadas no âmbito da historiografia portuguesa de qualidade.
Amigo, confidente e confesso admirador de Marcello (MC), JVS procede neste livro àquilo que sente como necessária reparação do, para ele, bom-nome do visado. Não poupa no mais rasgado encómio da figura, roçando vastas e bastas vezes a louvaminhice do delfim de Salazar e deste último sucessor na Presidência do Conselho, após a célebre queda da cadeira do tirano de Santa Comba Dão e do resto do País todo.
Muitos temos presente o filme daquela malta toda vitoriando no Largo do Carmo a acção militar tão honrosa e tão corajosamente capitaneada por Salgueiro Maia, capitão que, aliás respeitosa mas firmemente, deu ordem de prisão ao deposto Chefe do Governo, tratando-o com uma dignidade que o próprio detido mais tarde reconheceu com sinceridade e sem ironia ou amargura, ao contrário de ditos e escritos seus a propósitos de figuras que, sendo-lhe próximas nos tempos de poleiro, o renegaram depois como Pedro terá triplamente feito ao mesmo Cristo.
Sabemos todos o que depois aconteceu: MC na chaimite, embarque primeiro para a Madeira, voo a seguir para o exílio no Brasil, país em que, sem jamais, por manifesta vontade própria, haver regressado a Portugal (nem para ser sepultado), acabou por morrer no Rio de Janeiro a 26 de Outubro de 1980.
Da referida obra que assunta esta crónica, digo coisas simples: é muito legível, muito interessante e muito propiciadora de muitos toma-lá-dá-cás contr’opinativos. Já tal é, a meu ver, de mérito q.b.
Todavia, o que me fez trazer tal título à colação da crónica foi uma série de referências a personagens da política (mortas algumas já, ainda vivas outras). Com a devida vénia ao Autor do livro e ao Emissor das passagens (ex)citantes em discurso directo (com excepção ao discurso indirecto de JVS a propósito de Veiga Simão), passo assim, em ipsis verbis apropriadamente itálico, à transcrição de tão sumarentos ditames marcellianos.

Pinheiro de Azevedo - “um tonto” (pág.ª 256, op. cit.);
Alçada Baptista - “com o seu ar de filósofo iluminado, (…) gosta de parecer original e frondeur e agora aspira a ser embaixador em Brasília” (pág.ª259);
M.ª de Lurdes Pintasilgo - “a primeira freira (embora sem hábito) a dirigir a política de um país. Foi grande amiga minha. É ambiciosa, inteligente e voluntariosa (introduzirá virilidade na política portuguesa. Esteve para ser deputada pela U.N. em 1969 (só o não foi porque se tinha esquecido de recensear-se) e não foi ministra do meu Governo porque a não convidei. Agora aparece ligada à esquerda, como a sua congregação do Graal já há tempos anda. Que fará uma mulher-homem, ainda por cima com nome de pássaro?” (págs. 259/260);
Spínola - “o parvo” (pág.ª 257);
Costa Gomes - “Por mim não que outra coisa se lhe possa chamar: um verdadeiro nojo para a consciência de um homem.” (pág.ª 266);
Vasco da Gama Fernandes - “Veja como o enfatuado Gama Fernandes, que nem os próprios correligionários tomam a sério, conseguiu em 1974 a administração de um Banco estatal e apenas em quatro ou cinco anos logrou uma reforma choruda. ” (pág.ª 266);
PPM - “os monárquicos não passam de uma anedota” (pág.ª 290);
PCP - “Apesar do repúdio da grande maioria do povo português, apesar do combate aberto em que se empenhou a Igreja, apesar da dispersão resultante de grupúsculos à sua esquerda, o Partido avançou, coeso, disciplinado, doutrinado, e consegui um milhão e cem mil eleitores com uma representação de quase cinquenta deputados. É inquietante.” (pág.ª 290);
Soares Carneiro - “O homem é excelente, mas a manobra do Sá Carneiro sempre me pareceu mal conduzida e temo que a A.D. se espalhe nas eleições presidenciais.”” (pág.ª 307);
AD - “apesar de tudo, torço pela A.D. …” (pág.ª 307);
Sá Carneiro - “Vejo que o Sá Carneiro é nessas coisas  mais autocrata do que o próprio Doutor Salazar.” (pág.ª 307);
Francisco Balsemão - “Aqui tive notícias do Francisquinho Balsemão, mas só pelos jornais. Bem pobre é a matéria-prima em Portugal, para se recorrer a tão medíocre mensageiro.” (pág.ª 315);
Marx (e marxistas) - “É curioso que o Marx tratou com o maior respeito e inteligência a Idade Média, e cada vez que leio O Capital, mais consideração tenho por ele e menos pelos marxistas.” ” (pág.ª 317);
Veiga Simão (palavras de JVS indirectamente citando MC) - “Entre as razões apontadas [para não regressar a Portugal – nota do cronista] dizia não querer encontrar antigos colaboradores, como o Prof. Veiga Simão, por quem sentia o maior desprezo.” (pág.ª 343);
João Soares- “O João Soares, pai do Mário, foi realmente padre (e capelão militar) e nessa condição teve o primeiro filho, ao qual pôs um nome de que só um padre se lembraria; Tertuliano. Este foi meu amigo, era um excelente clínico  e nunca embarcou nas ideias do mais novo. ” (pág.ª 347);
Mário Soares - ”sinistro” (pág.ª 361);  (…) “foi um aluno mediano, mas cumpridor. Já então usava do discurso fácil, só que o estudo do Direito exige estudo atento e adequada disciplina mental. Continua hoje a prometer o que sabe não poder cumprir, deliciado com os riscos da manobra política. (…) O Soares pode com o ardor tribunício convencer um parlamento, mas nunca será um homem de Estado. Não tem dimensão nem estrutura para esse papel que julga estar ao seu alcance. (…) Bem vê, não basta apertar a mão ao Mitterrand ou almoçar com o Brandt para se possuir estofo para governar Portugal. (…) nunca precisou de trabalhar, porque o pai se incumbia de o fazer no colégio que tinha em Lisboa. Foi sempre o que pode chamar-se um menino rico. (págs. 332/333);
Álvaro Cunhal - ”Goste-se ou não dele, é um homem de inteligência superior e que tem uma visão messiânica da vida.O Cunhal está convencido de que pode recriar o mundo, mas esquece-se de que milhares de gerações passaram e outras hão-de passar e o mundo há-de continuar com os defeitos que são inerentes à natureza humana.” (pág.ª 332);
Finalmente, ao “menino rico” Soares e ao Cunhal “filho de um advogado com dinheiro”, MC contrapõe-se a si mesmo na companhia de Salazar: “Quem devia então sentir complexos de classe? Eles ou o Doutor Salazar e eu, que viemos da humildade da terra e somos, na realidade, filhos do povo?”

Leia tal livro o meu Leitor. Ou tão-só esta crónica. E por si pense no que leu. E que depois responda como muito bem quiser e entender, sem porém esquecer-se de que foi pelo megafone de um tal Salgueiro Maia que até Marcello Caetano arranjou maneira de exprimir-se livremente.

Homenagem ao Cineasta Manoel de Oliveira (Porto 11/12/1908 - 2/4/2015) em caricaturas de Paulo Fernandes


sábado, 4 de abril de 2015

O Humor do Barão de Itararé

"O que se leva desta vida é a vida que a gente leva"

O uísque é uma cachaça metida a besta.

A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.

Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.

Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.

A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.

Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.

Não é triste mudar de idéias, triste é não ter idéias para mudar.

Mantenha a cabeça fria, se quiser idéias frescas.

O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.

Genro é um homem casado com uma mulher, cuja mãe se mete em tudo.

Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.

De onde menos se espera, daí é que não sai nada.

Quem dá aos pobres ou empresta, adeus.

Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.

O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente, se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.

Tudo seria fácil, se não fossem as dificuldades.

A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.

Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.

Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.

O fígado faz muito mal à bebida.

O casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e um religioso.

A alma humana, como os bolsos da batina de padre, tem mistérios insondáveis.

Eu Cavo, Tu Cavas, Ele Cava, Nós Cavamos, Vós Cavais, Eles Cavam. Não é bonito, nem rima, mas é profundo…

Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.

Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra!

Devo tanto que, se eu chamar alguém de “meu bem”, o banco toma!
Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta…
Tempo é dinheiro. Paguemos, portanto, as nossas dívidas com o tempo.
As duas cobras que estão no anel do médico significam que o médico cobra duas vezes, isto é, se cura, cobra, e se mata, cobra.

O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.

Em todas as famílias há sempre um imbecil. É horrível, portanto, a situação do filho único.

Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados.

Quem não muda de caminho é trem.

A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.
Quem ama o feio é porque o bonito não aparece
O Brasil é feito por nós. Está na hora de desatar esses nós.

Pobre quando come frango,um dos dois está doente.

A sombra do branco é igual a do preto.

A pessoa que se vende sempre recebe mais do que vale.

Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer


Senso de humor é o sentimento que faz voce rir daquilo que o deixaria louco da vida se acontecesse com voce.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Inauguração da Mostra de trabalhos da IV Bienal de Humor Luiz d'Oliveira Guimarães na Atmosfera M (Rua Castilho 5) onde fica até ao final do mês






 Tertulia com Guilherme Valente, Vasco Gargalo, Osvaldo Macedo de Sousa, José Bandeira, Fernanda Freitas

Os representantes da Organização - Presidente da Junta de Freguesia do Espinhal, Drª Leonor Oliveira Guimarães, o Presidente do Município e o Vice-Presidente e Vereador da Cultura de Penela
Ontem inaugurou no espaço Atmosfera M a mostra de trabalhos do IV Bienal de Humor Luís d'Oliveira Guimarães - Penela 2014 com a realização de uma tertúlia.
Esta inauguração foi publicitada no Irão, devido aos actos de Censura da Assembleia da Republica Portuguesa.
http://tabrizcartoon.com/en/news/tcan/1714-selction-celebrate-of-the-fourth-biennial-of-humor-luiz-d-oliveira-guimar%C3%A3es-penela-2014.html

segunda-feira, 30 de março de 2015

Dia 1 de Abril inaugura no espaço Atmosfera M (Rua Castilho nº5) uma mostra de trabalhos da IV Bienal de Humor Lu'iz d'Oliveira Guimarães - Penela com o tema Liberdade


Rosário Breve Morreu Helder, viva Herberto por Daniel Abrunheiro

 Morreu Helder, viva Herberto (1930-2015)

1
Nas fêmeas envelhecidas revejo a minha extinta Mãe.
Como Francisco de Assis, amantes todas de animais – do animal da Morte sobretudo.

2
Consta que o mais veloz ser do mundo é o falcão-peregrino. Em voo-picado, já 400 km/h lhe cronometraram. Pobre equívoco de ornitólogos e velocistas: nem maior velocidade nem mais brusco voo há que o da humana vida.

3
Leitor, és ledor: vedor de águas subterrâneas. Ou de freáticos sentidos ocultos. De bífido ramúsculo de oliveira nas mãos, busca o aquático veio da tua vida. Não está nos livros. Ou estará?

4
Em menino, breve rapaz.
Homem feito, grave rapace.

5
1930-2015: duas datas podem sumir, podem consumar, podem consumir – mas resumir, não podem.

6
Morre o homem, a Poesia dele fica: retumbante vitória fora de casa. Isto é e seja: fora do corpo. Finalmente. Final mente.

7
Não mais passos em volta. Não mais a cabeça entre as mãos. Nem depois da morte, como lho relembrou Ruy Belo. O futuro ganhou o direito a ser todo antes.

8
Bares anoitecidos como cerveja preta, marinheiros em terra esclarecendo a cálices de genebra a manhã enregelante. Placentas sem uso e preservativos por usar atirados ao lixo do amor-de-aluguer. O peixe vermelho-amarelo-preto. Nenhum Pã e nenhuma flauta. Camões a morrer de fome, Pessoa de sede, Herberto por estar na hora. Toda a gente com o seu empregozinho a ir-vir-ar-e-tornar de uma Cacilhas sem Ameríndias à gávea. Mas a Poesia na mesma. Mas a inelutabilidade dela.

9
Morreu o corpo-Helder: cinza reiterada. Persi’xiste o escriba-Herberto: glorioso maluco, sigilosa máquina voadora (falcão-peregrino, mãe de si mesmo). Não concedia entrevistas. Vistas, sim: todas. Interiores todas.

10
Todos seremos, um dia, uma sombra numa frase de alguém a nosso respeito. Ele, HH, não. Ele, uma luz sim. Vêde vós essas assisfranciscanas senhoras tão envelhecidamente amáveis para com os animais. Cabeça entre mães.
E Herberto de volta.

Ouvi-lhe os passos. 

Evento Marc'Aurélio no Cinema S. Jorge - 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

Ontem, no Cinema de S. Jorge, integrado no 8 1/2 Festa do Cinema Italiano falou-se do cartoonismo italiano (Marc'Aurélio), português (Sempre Fixe, Ridículos), do humor, do cinema, de Fellini... Na mesa pode-se ver Stefano Savio (Director Artístico da Festa), Lorenzo Codelli (crítico cinematográfico e conselheiro dos principais Festivais de cinema),  Paola d'Agostino (tradutora / escritora italiana), Fabiana de Bellis (historiadora italiana) e Osvaldo Macedo de Sousa (historiador português), A razão desta intervenção no mundo dos humores é a apresentação do novo filme de Ettore Scola "Que Estranho Chamar-se Federico" um filme que nos leva ás origens de Fellini e Scola na redacção do jornal humorístico Marc'Aurélio.

domingo, 29 de março de 2015

7th Salão Medplan de Humor

Regulation Salão Medplan 2015

1 - PARTICIPATION : 07 April to 14 June 2015. 
The 7th Salão Medplan de Humor is open to all graphic artists , in charge and / or cartoon modalities .
The opening of the Exhibition will be July 19 , with the announcement of winners .
Each artist can enroll with the maximum of five ( 5 ) unpublished works in the format 30x40 cm and using any technique . On the back of each drawing , or in registration/e-mail must include the author's full name , address, email , phone number , ID number , social security number and bank account .
The artist can participate by sending their work through the website
www.medplan.com.br (with maximum size of 3 megabytes ), sending to salaodehumor@medplan.com.br or sending the originals to :
7º Salão Medplan de Humor
Rua Coelho Rodrigues, 1921
Centro CEP: 64000-080 
Teresina ? PI BRASIL
2 - THEME
The theme of the 6th Salão Medplan de Humor will ENVY .
3 - AWARDS
First prize: R$ 5,000.00 (five thousand reais) 
Second Place : R$ 3,000.00 (three thousand reais). 
Internet Award : R$ 2,000.00 (two thousand reais) .
Medplan Award Caricature: R $ 2,000.00 (two thousand reais). Theme free.
The Internet Award will be chosen by Internet users, 9-13 June at the site :
www.medplan.com.br
The best works will be part of the traveling exhibition of the 7th Salão Medplan de Humor. The awarded works will be considered acquisitive and will become part of the acquis Medplan.
The works will not be returned.
May not participate in this hall officials Medplan, their relatives and anyone involved in your organization.
The simple inscription configure automatic participant's agreement to all such terms.
Other information: +55 (86) 9975 2514

quinta-feira, 26 de março de 2015

Evento Marc'Aurelio - 29 de Março /17h - Cinema S. Jorge no 8 1/2 - Festa do Cinema Italiano

Dia 29 de Março, pelas 17h no Cinema S. Jorge de Lisboa (Sala Montepio) vai-se falar de cartoonismo e cinema.
Por ocasião da antestreia do último filme de Ettore Scola, "Che strano chiamarsi Federico", o 8 - 1/2 organiza um encontro sobre a sátira e o cartoonismo em Itália e Portugal durante os anos 30 a 50. Fabiana de Bellis, historiadora e neta do fundador do "Marc'Aurélio" (onde Federico Felli, Ettore Scola... iniciaram a sua vida profissional como cartoonistas antes de enveredarem pelo cinema) e Osvaldo Macedo de Sousa, historiador do cartoonismo em Portugal vãoapresentar imagens e conteudos das revistas satíricas "Marc'Aurélio" / "Sempre Fixe" e conversar em torno do humorismo gráfico e cinematográfico.
Segue-se pelas 19h30 a projecção do filme

Exposição Cartoon - Liberdade - Na Atmosfera M a partir de 1 de Abril (Selecção de trabalhos da IV Bienal de Humor Luiz d'Oliveira Guimarães - Penela

Para comemorar Abril uma selecção de trabalhos concorrentes à IV Bienal de Humor Luiz d'Oliveira Guimarães - Penela 2014, com o tema Liberdade vai ser exposta na Atmosfera M (Montepio- Rua Castilho nº5 - Junto à Sociedade Nacional de Belas Artes / Cinemateca de Lisboa).
Esta mostra esteve para se realizar na Assembleia da República mas, depois de aceitarem a proposta arredaram pé. Primeiro queriam fazer eles uma selecção dos desenhos. Não era CENSURA apenas uma questão de ser uma casa com muitas susceptibilidades. Depois afinal não era por questão de censura mas por questões logísticas, ou seja logisticamente a Liberdade Humorística, a Liberdade de Expressão parece não ter espaço logístico nos corredores (chamados Passos perdidos - quando se deveria chamar politicas perdidas) cheios de jogos do "politicamente correcto".
Assim quem quiser visitar, ou participar numa pequena tertúlia sobre o cartoonismo e a Liberdade pode aparecer no próximo dia 1 pelas 18h na Atmosfera M onde vão estar presente, pelo menos, os cartoonistas Bandeira, Henrique e Vasco Gargalo.

sexta-feira, 20 de março de 2015

21 de Março - 17h Museu Bordalo Pinheiro - Aniversário de Rafael Bordalo Pinheiro


Rosário Breve - Santo da casa por Daniel Abrunheiro


É inelutável: com a idade, vamos todos volvendo-nos cacos arqueológicos que já só sonham com cola. É da lei natural, tal ocaso cerâmico. Não me queixo delas: nem da lei, nem da idade. No geral, sinto-me até sofrivelmente feliz da e com a vida. Entre o 11 de Junho do ano que estiver em curso e o nono dia do mesmo mês do ano seguinte, vivo em razoável paz com a minha arqueologia portátil. O meu único desassossego é cada 10 de Junho. Cada ano, e por essa data exacta, temo (e tremo) à força toda que o Cavaco se lembre de medalhar-me entre fachos de espada à cinta e come(nda)dores de lautos bolos pagos pelo erário dos tolos. Ou que, caco escaqueirado que cada vez mais sou, o senhor de Boliqueime me etiquete a lapela com um daqueles camafeus (para lhes não chamar broches, não os da oral sucção erógena mas os penduricalhos heráldicos) geriátrico-museológicos de que ele mesmo é já figurativo paradigma de não despicienda evidência.
O 10 de Junho patrioteiro é o Natal dos pançudos que sentem um nojo invencível pelos cristos esqueléticos. É a Páscoa dos imoladores de cordeiros em nome dos deuses de si mesmos. É o Ramadão do jejum dos outros. É a Torah dos mosaicos caça-níqueis. É o Carnaval dos Infiéis ainda não Defuntos. E é uma tragifarsa que me sarapinta a alma de uma invencível pitiríase versicolor contra que não encontro em lugar algum qualquer unguento de largo espectro de acção fungicida.
Pretendo, todavia, perorar-vos agora a propósito de algo bem diferente. De algo, não - de alguém.
Mais de seis décadas a fio, foi, sem metáfora, cerâmico. Pintor cerâmico. Invencíveis eram a finura do seu traço e a fineza do seu trato. A filete de ouro, debruava em perfeito torno circular o rebordo pousa-lábios da chávena de fina faiança. Esponjava a seco a puríssima e alvíssima nuvem branca no céu azul(ejo). Agnóstico por lucidez, a chacota ou sobre vidrado, gravurava painéis em que pontificavam os santos simples e humildes tão ao gosto dos crentes humildes e simples também: São Pedro com suas chaves, D. Fuas acossando o veado, Santo António reparador de bilhas e de hímenes, a Rainha Santa prestidigitadora de pão e rosas, o São José a fazer de padrasto manso, a Sãozinha da Abrigada, o mansarrão Padre Cruz, o Irmão Doutor Souza Martins dos milagres de cera e mármore cuja estátua ainda hoje pontifica no olissiponense Campo de Santana, hoje dos Mártires da Pátria.
Nenhum 10 de Junho, muito menos Cavaco algum, o poderia macular, a esse operário-artista, de falso preito o peito. Nunca.
Esse pintor era o senhor Daniel. Meu Pai. A morte dele escaqueirou-me, é verdade. Mas a memória dele é a minha cola de cada dia. Por quanto neste mundo é sítio, é por senhor Daniel que hoje a mim me tratam.
 Por isso lhe escrevi isto:

O senhor é o meu Pai.

Nada me faltará.

sábado, 14 de março de 2015

Inauguração do CartoonXira 2015


 Fotos dos artistas: Pawel Kuczynski (Polónia), António, Augusto Cid, Antonio Jorge Gonçalves, Cristina Sampaio, António Maia, Carlos Brito, José Bandeira, Henrique Monteiro e Vasco Gargalo
 Augusto Cid
 O Humor de Brito
 Bandeira a Ant. Jorge Gonçalves
 Vistas do Celeiro da Patriarcal em Vila Franca de Xira onde está a exposiçlão patente até 10 de Maio de 2015


terça-feira, 10 de março de 2015

Humor de Lailson


Tha International Cartoon Contest - Haifa - Israel 2015


Exp. Int. Cartoons - Os Direitos dos Trabalhadores a traço de humor no Museu Municipal de Arqueologia de Silves - 14 de Março a 9 de Maio 2015


Organização PCP - Produção Humorgrafe

CARTOONXIRA - 2015

 DE 14 de Março a 10 de Maio


Rosário Breve Graça agradecida por Daniel Abrunheiro

Escrevo hoje sob um céu muito puro, desses céus totais, absolutos e ubíquos cujo azul chega a doer em seda. Raro, um fiapo de nuvem a oeste: fumo branco, dedada de neve não mortífera. Não chega aqui, deo gratias, o fragor estúpido dos carnavais, as idiotas tranquibérnias de machos travestidos sem graça nem mistério de mulheronas hirsutas (quantos não tirarão hoje do armário o esqueleto da sua pederastia reprimida?).
Há sossego, a brisa penteia & despenteia a seu bel-talante o que por aí vai de orquídeas, gardénias, chitas de senhoras. Ronrono ao sol da praça a digestão de enchidos endógenos com que me apancei a tulha. Longe, um amigo (que agora pertence ao MEO) faz anos. Outro amigo (que agora pertence à NOS) fez uma biopsia. Andamos nisto.
De cediça ossatura, um velho osteoporótico atravessa pela ponte de ferro o canal fluvial. Vai a pensar em cenas de há décadas, como aliás também a mim me acontece tanto, protagonista de pretéritos só já. Sobre ele, o sol português dardeja suas radiantes frechas termonucleares. Por aqui, o anho sacrificial grego não tem de morder o pastor alemão. Não é uma paz feita de genuflexão ante o bezerro-de-ouro. A teratologia da coisa é outra.
Todavia, a entristonhar esta fotogravura verbal surge um homem-anúncio: de farpela plástico-amarela pejada de gritantes maiúsculas pretas, roga-nos ele que saibamos como vender-lhe o nosso ouro e as nossas eventuais pratas avoengas. É rapaz já descriado, fará publicamente aquela figura para comer, não sei, por carnaval não será, suponho mas não sei. Ei-lo além já, amarelejando a passadeira à pré-rotunda da velha fábrica de farinhas. A visão troca-mo de imediato por uma fêmea de madeixas roxas que lhe ficam mal – como se alguém lhe tivesse vomitado na cabeça. É de joelhos agudos como álgicas pontadas de papagaio úrico. O olhar brilha-lhe qual moeda nova, porém: esteve com amigas velhas a beber chá de catorze graus, daquele que leva mais branco. É senhora de opiniões tipo TV-cassette, useira & vezeira de fatalismos zodíacos fundamentados, tão-só e afinal, na falta de homem. Conheço-as destes anticarnavais: explora um negócio de unhas pintadas num desvão de escada-urinol-dos-aflitos ali perto da Sé.
Entretanto, a Grécia recusa-se a ser, para já, como as barreiras do planalto santareno. Em fúria, o furão teutónico brande índex-ultimatos de má-fé ariana & pior consciência histórica. Os acólitos portugas rezam, de joelhos naturalmente, à cruz (gamada). Mas por aqui não. É que estou sorrindo à epifania, galeri’afora, do casal de carrinhos-gémeos a quem a lotaria da genética brindou com dois clonezitos de chupetas geminadas. Homem-senhora-menino-e-menina: bonito de se ver, a este sol. Que a saúde nunca se furte ou escasseie a este baralho de quatro naipes, de trunfo todos eles.
Pela avenida passa ora um carro de aparelhagem sonora stum-stum-stum-stum. Condu-lo um pardal imbecil de perfil mumífico à Ramsés II. Vontade minha de autuá-lo com Bach até 2042. Também ele passa e se dissipa, porém. A calma retorna à gravura, pacificadora e materna como flanela mental.
A minha verdade íntima, no entanto, é que quase não tenho pensado noutra coisa senão na biopsia que o meu amigo fez, ou lhe fizeram, por estes dias. Ao pé da faringe dele, nem alemanhas nem grécias contam seja o que for.
É que esse amigo é, por assim dizer, meo.
Ele e eu somos nos.

Ou assim: meo gratias

sexta-feira, 6 de março de 2015

Crónica Rosário Breve - A vida é só hoje por Daniel Abrunheiro


O meu País já ontem era tarde. E amanhã não será cedo.
Outras formas haveria de dizer isto – mas não as quero. Quero dizê-las assim. E digo.
Nestes mais recentes dias, desavim-me comigo mesmo um pouco mais do que de costume. Pus-me por aí dias a fio sem meta nem retorno, a pé e com a mesma roupa. Calcorreei vastidões que só com muita generosidade podereis imaginar. Um trecho do desconsolado périplo foi rente à minha terra original. De novo me tomaram os olhos as mastodônticas estruturas industriais em ruínas. Abandonadas pela cobiça e pelo anti-humanismo de meia-dúzia de yuppies criminosos, são hoje carcaças grotescas que espelham sem ilusões o avesso do progresso. Sei de cor as famílias completas que nelas labutaram para comer. Hoje, sei de cor os desempregados sem idade para sonhar com mais nada, os reformados da uva-mijona, os novos que por aqui não ficam.
A TV, todavia, continua a ladrar mentiras felizes. Há carnavais por todo o lado e por todo o ano. A populaça gosta que lhe façam o serviço pelas costas, na condição de um bocadito de vaselina primeiro. A anemia dos sistemas de ensino, de saúde e de justiça terceiromundiza-nos a todos, mas nem todos ligamos muito à evidência. As autarquias promovem festarolas de sopas e de espinhaços de bacalhau com aquela presunção de fartura geral que é rasca e que é estúpida e que é mentirosa e que não vale uma buzinadela tripeira das mais sonoras. Aparecem senhoras lambuzadas de banhas lustrais a dizer coisas vãs e flatulentas como ouviram dizer nos programas pimbas da manhã e da tarde e da noite e amanhã o mesmo. Aparecem autarcazitas burros como testos a apregoar moralidades de papelão que eles são os primeiros a não seguir. Professorazitas que não lêem. Jornalistazitos que nem informam nem se informam. Condutores sem o mínimo lampejo de civismo ensanguentando as estradas na maior impunidade e na maior inconsequência. Casamentos e mancebias que, desfeitos, resultam como se por lógica simples em mortandades de faca e caçadeira. Os raios do Diabo, enfim, numa terriola de procissões raquíticas e de santos do caruncho.
Sinto que a crónica me está a sair azeda. Falemos de andorinhas. Ontem vi algumas. Apesar de tudo, apesar do País, das bestas da economia, dos avatares de tanta merdice, o céu deu-me andorinhas. Não eram muitas, mas para mim chegaram como mais do que suficientes. Contra o firmamento, que então era da cor da folha-de-flandres, traçavam elipses molhadas de tinta-da-china. Rápidas, diligentes, bailarinas, como se ébrias. Foram a minha recompensa e foram a minha alegria por alguns minutos. Sabia que acabaria por escrevê-las, como sei que um dia tudo se nos acaba, a começar pela tristeza e pelo se calhar mau hábito de andar por aí a estrangeirar o coração.

Mas ontem, por instantes, não.