sábado, 7 de fevereiro de 2015
Homenagem a João Sarzedas em Torres Vedras
A Paços – Galeria Municipal de Torres Vedras
vai acolher de 7 de fevereiro a 11 de abril uma exposição de homenagem à obra
gráfica do artista João Sarzedas.
João Sarzedas era conhecido pelo subtil e
refinado sentido de humor que imprimia aos seus desenhos e cartoons. Munido de
inesgotável imaginação, de apurada técnica e possuindo um profundo sentido de
observação, deixou uma obra gráfica que ilustra, principalmente por meio do
humor, o quotidiano, a sociedade e a política de uma época.
A inauguração da referida exposição (“Obra
Gráfica de João Sarzedas – Uma Homenagem”), será antecedida da sessão de
lançamento do livro “Sorria com Eólicos na Paisagem”, o que acontecerá no dia 7
de fevereiro, pelas 16h, no Edifício dos Paços do Concelho de Torres Vedras.
http://bedezine.blogspot.pt/2015/02/7-de-fevereiro-em-torres-vedras.html
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
ÚLTIMA SEMANA DE INSCRIÇOES no WORKSHOP DIÁRIOS GRÁFICOS de FEVEREIRO
No decurso das inscrições recebidas e pelo facto de ainda existirem vagas, venho lembrar-vos que já só falta uma semana para acabar o período de inscrição no próximo workshop de Diários gráficos de Fevereiro, que se realizará ao ar livre no Parque Recreativo dos moinhos de Santana, no Restelo.
Toda a informação sobre o workshop e como se inscrever está no programa em anexo.
Crónica Rosário Breve - Dica da semana por Daniel Abrunheiro
Todos os dias os vejo: aos
homens de já descriada idade atulhando de publicidade não endereçada as bocas
de correio dos prédios. Não puderam e/ou não quiseram salvaguardar-se da
penúria. No outono da idade, dão de si & por si propagando prospectos de “mestres” africanos, de “massagistas” brasileiras e de afins
subprodutos, ou escombros, ou despojos, ou escórias, do alegado “Império Português”. Os ociosos de
esplanada como eu são por eles mirados à sorrelfa, ciosos dos cigarros fáceis
que fumamos e dos cafés perfumados de aguardente com que ilusoriamente adoçamos
o desbaratar da (nossa, do lado de cá) vida.
Aos domingos, no
entanto, em vez de a eles, assisto às parelhas de mulheres de já descriada
idade que, munidas elas também de prospecta literatura que ninguém pediu nem
quer, teimam em jeovandar caducos evangelismos sem ortografia nem esperança por
essas campainhas insones.
Os prédios são os
mesmos. O resultado, também.
Em verdade V. digo que
me sinto companheiro, tão destas como daqueles, em má fortuna & pior
ventura. Há anos que também eu ando neste negócio (aliás crónico) das mèzinhas
contra o particular mau-olhado, o pé-chato da inveja, a psoríase da alma, a
amarração infiel & a despolítica geral. Sim, também eu violo, no caso dos
assinantes do Jornal, as frinchas virginais das caixas postais.
No gasto da tinta,
esvai-se-me a mocidade física, que revérbero foi já noutros lustros e em
lustres outros. Na usura do papel, descriou-se-me, a mim também, a sacanita da
idade, sedimentando-se-me no palato o salitre equívoco de tanta oportunidade
perdida.
Ao espelho, todavia,
isso Vo-lo garanto também e com alguma soberba até, ainda faço, de quando em
vez, as pazes mansas comigo, mercê da seguinte síntese zoológico-geométrica: besta-quadrada
que ao menos de si mesma ri, com gosto quase até. E só não me dou de fuças como
pedaço-de-asno por deveras ser o asno completo.
Não me inscrevi –
prescrevi.
Não tirei cartão – nem o
passei a ninguém.
Não creio em Deus – nem
Ele em mim,
Não fui a tempo – mas o
Tempo veio-me.
Está certo assim. A
pessoa é, de si, o preço que por si mesma paga, ainda que o não valha.
A sequência é a
consequência.
O remédio, porventura,
estaria em nascermos todos com a idade daqueles homens e daquelas mulheres que,
uns, nos dias úteis entopem as caixas de correio, e que, outras, ensurdecem as
campainhas doménico-matinais. Nascermos já madurotes e, desse ponto aí então,
rejuvenescermos à força toda de cada dia anversamente revertido, decrescendo em
altura atlética e em sombra cismática.
Até que mais nos não
pudessem pedir do que fôssemos, apenas, brincar – coisa que, aliás, não
parecemos ter senão feito a vida toda, a julgar pela caixa do correio.
Vivinha a Saltar ! - As varinas na obra de Bordalo no Museu Bordalo Pinheiro a partir de 31 de Janeiro
No próximo sábado vamos inaugurar uma nova exposição: Vivinha a Saltar !
A exposição divide-se em duas partes: As varinas na obra de Bordalo, em que mostramos a forma como Bordalo representou este tipo popular lisboeta, das aguarelas Naturalistas aos desenhos humorísticos e As novas sardinhas de Bordalo, em que mostramos a forma como a EGEAC e a fábrica Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro, com o designer Jorge Silva, entregaram uma sardinha feita por Rafael a artistas contemporâneos para a reinventarem.
É no sábado, dia 31, às 7 da tarde no Museu Bordalo Pinheiro.
Esta exposição completa outra, Varinas, Memórias de Lisboa, que inaugura no Museu da Cidade, às 5 da tarde. Venha às duas!
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Dia 24 presentação do livro "30 Anos a dar Broncas" (edição Trevim - Lousã) de Zé Oliveira
No âmbito da apresentação do livro "30
Anos a dar Broncas" (edição Trevim - Lousã), já pode ser visitada na
Arquivo (Leiria) a exposição de originais constantes do livro. Mas a
apresentação será no dia 24, com participações de Manuel Freire e Carlos Fernandes. Falar-se-á, naturalmente, dos... riscos do Humor Gráfico.
Crónica Rosário
Breve - Terá parentes idosos sem saúde o
senhor ministro da Saúde? Por Daniel Abrunheiro
Até aos
nossos tristes dias, os idosos pobrezinhos de Portugal não tinham onde cair
mortos. Agora já têm: é nas urgências hospitalares, esses brancos matadouros da
contemporaneidade. Esperam e recebem a morte ao abandono das macas dos
bombeiros, vá lá que agasadalhadinhos e venha cá que com direito a chá mijão e
a bolachas de cianeto.
Cá fora, os
órfãos desses velhos despojados de toda a esperança e de toda a dignidade
sempre têm direito, pouco depois de cada passamento, a quinze segundos de fama
nos telenoticiários, à maneira dos “talentos” instantâneos que a hílare Teresa
Guilherme garimpa a preceito rasca aos monturos.
Logo de
seguida, a prestidigitação dos cultores da Estatística (essa arte da mentira
matemática) enleva-os (aos mortos e aos órfãos) de cerúlea (que é o azul do
Céu) misericórdia, lustra-os logo do áureo esmalte da fatalidade, banha-os de
pio sebo cristão, unta-os da mais chilra água-benta à beira da fervura das
lágrimas crocodílicas, logo os ungindo, enfim, de um seráfico esplendor que
lhes fica, precisamente, a matar.
Eu já não
consigo ter muita pena dos pobrezinhos de Portugal que, à asneira de aqui terem
nascido, somaram o disparate de se terem deixado envelhecer cá. E não consigo
ter muita pena deles porquê?
Porque a) sou ímpio; e b) foram eles a votar c) nestes
que lá estão; d) naqueles que lá
estiveram e e) nos homólogos de c) e d)
que lá hão-de estar.
Nos
entrementes, dez metros a estibordo da minha caligrafia, uma bonitíssima
velhota marca presença e dá sinal de vida. Está no passeio frontal da
pastelaria à espera do marido, que foi ali num instantinho à Caixa transferir
uns patacos-SOS aos filhos divorciados e sem emprego nem uso que tem
ó-tio-ó-tio em Lisboa. A senhora apresenta-se enroupada de abafos nacarados como
o dentro das conchas. Sopra os dedos enregelados das mãos. Sei que lhe apetece
o chá-das-cinco. Voto na esperança de que o marido (que roça já, como ela
também, as oito décadas de nascido) se não sinta mal de repente enquanto espera
vez para o caixa. Porque esta terra tem urgências hospitalares: esses brancos matadouros etc.
Nota: o
senhor ministro da Saúde está, à hora a que V. escrevo, de visita ao morredouro
hospitalar local. “Reunião de trabalho
com a administração”, parece. Ao que sei, o senhor ministro da Saúde é um
patusco bem assalariado. Tem motorista, isso também sei. E alcavalas de
mordomias inerentes ao cargo, claro. Não sei é se tem parentes idosos. Ou se,
tendo-os, estarão ou não eles bem de saúde. Oxalá que sim. Devem estar. O mais
certo é que, em caso de indisposição súbita, não tenham de penar odisseias de infindável
espera multi-horária nos calabouços esfregados a lixívia, a creolina e a ácido
fénico das unidades médicas. Um parente-ministro sempre é um ministro-parente,
caraças.
Escrevo
isto sem me rir. Nem me importa que o senhor ministro da Saúde venha ou não
venha a ler este desarrazoado chorincas meu. Eu escrevo para toda a gente, mas
não é com toda a gente que falo. Com o senhor ministro da Saúde, muito menos.
Também tenho os meus pudores. Também sou vulnerável à ira e à indignação.
Também me canso. Também me couraço. Também me blindo. Para mais, os meus Pais
já morreram. Estão safos do corrente genocídio português.
O problema
é que caminho para velho. Uso o meio-capote que o meu Pai me legou, como
naquela história que V. sabeis. A vida sabe-me na boca a noite fria mais vezes
do que o recomendam a posologia medicamentosa e a sensatez existencial. E sim,
confesso ter receio de que o senhor ministro da Saúde me queira mecanografado
nas estatísticas dele. Que é como quem diz: no seu obituário economicista
anti-pessoas e anti-direito à vida.
E que,
portanto, eu ainda acabe por demitir-me de tudo primeiro do que ele do dourado
lugar que ocupa, ele o senhor ministro da Saúde, a quem tal mortandade
geriátrica deve incomodar tanto quanto a mim a boazona da Irina ainda namorar
ou já não com o tão jovem e tão saudável e tão bonzão Melhor-do-Mundo.
Mesa Redonda - "Não sei bem o que dizer, mas tenho de dizer qualquer coisa" sobre o ataque ao Charlie Hebdo no Museu do Carmo
Aconteceu no dia 2o de Janeiro, pelas 18h30 no Museu Arqueológico do carmo uma Mesa redonda com Eduardo Salavisa, Sara Figueiredo Costa, Nuno Saraiva, Osvaldo Macedo de Sousa e Moderação de Pedro Moura. Teve a participação de mais de meia centena de pessoas, destacando-se caricaturistas como o António, Per, Luis Frasco, Vasco Gargalo... Bandadesenhistas como Filipe Abranches... e Geraldes Lino
Neste momento o Director do Museu José Morais Arnaud dá as boas vindas
domingo, 18 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Crónica Rosário Breve - À toujours comme tous les jours por Daniel Abrunheiro
Bruma e geada cingem a
respiração em andamento. Uma pessoa vem por beira-rio, está frio, é tempo dele,
as botas escrevem no chão o dois-por-quatro do caminho, sabe bem devolver em
vapor ao ar o que dele veio em gelo. Com alguma sorte, é-se tão natural como
cada signo do dia novo: os próprios braços como os das árvores, a água na boca
como a do rio persistindo ambas em chegar um dia ao mar, a fervura do cartoon do pensamento como o desenho-animado
do vento nas coisas volúveis, volantes coisas, venais é que não. A hora não é
de relógio, a manhã não é de calendário: outra coisa serão, outro sentido terão,
ser nelas é quanto basta. Para já.
Chega a pessoa ao balcão
da Ermelinda, já ela lida trapos e vidros, da máquina-cafeteira silva o
nevoeiro cálido, pelo chão a serradura fresca espera a cuspidela dos de mais
brutos modos, desligada da ficha a arca dos gelados espera o Estio e a
criançada colorida dele, sabe bem apear o bornal, sabe bem hastear os bons-dias
aos congéneres de Língua e Pátria que vêm ao mesmo, a Ermelinda servindo a cada
um o necessário sem perguntar o quê a quem, longos anos num gesto resumidos que
é serviço e (re)conhecimento do Outro.
Lá fora, a música do
mundo afina seus naipes: as ovelhas-chocalhos, os pardais-apogiaturas, o
sacristão-badalão, a prata barroca do fontanário perpétuo, a trompa de ter
nascido e mesmo assim o sol vir assim mesmo. Ninguém faz por pôr o seu deus, se
algum, à frente dos outros na bicha do Paraíso, se algum, muito menos alguém se
lembra de matar o próximo em nome do longínquo, a Ermelinda é que sempre diz
que o negócio de cada um não é a venda de todos.
Casados no palato o figo
e a aguardente, agora sim, agora é hora-número, o dia é já qualquer-coisa-feira,
o trabalho não azeda, vai o mestre da escola para a escola, o da oficina para a
oficina, o da muita terra para a leira, o do pouca-terra para a estação, o das
cartas para o correio. Ranchos de mulheres algaraviam o perpétuo interesse da
vida a caminho da fiação. Guincha o postigo meio-corpo do sapateiro. Trissa
altíssimo o manicómio feliz da passarada no plátano grande do rossio. Fico a
sós com a Ermelinda, que confia na honestidade da minha solidão para ir ali num
instante ao peixe e aos jornais, olho a repetição de cada mesa à espera da
novidade do fantasma, vou abrindo o bornal, tirando dele o lápis, a caderneta
para que copio as coisas importantes, dessa “suprema
importância que passa no dia seguinte” anotada por um tal Pessoa, pessoa que
também gostava de aguardente, de figos não sei, de figos gostaria Caeiro, se
algum.
Boa coisa: à volta da
Ermelinda, quase sem quê e de todo sem para-quê, tenho a crónica feita. Ajunto
caderneta e lápis de retorno às entranhas de pano do saquitel, engulo uma para
o caminho (bebe muito a pretexto de si mesmo, o sacana do caminho) e é já
quando devasso no pórtico as fitas verticais contra o mosquedo que, ao meu Até-logo-Ermelinda, dela ouço esta
bonita coisa:
– Até sempre, Charlie.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Mesa-Redonda "Não sei bem o que dizer, mas tenho de dizer qualquer coisa" dia 20 de Janeiro, às 18h30, no Museu Arqueológico do Carmo.
Não
sei bem o que dizer, mas tenho de dizer qualquer coisa.
Mesa-redonda
aberta sobre o ataque ao Charlie Hedbo: o poder dos cartoons editoriais,
liberdade de imprensa e expressão, limites sociais, contextos históricos da
imprensa ilustrada.
Sara Figueiredo Costa, Nuno Saraiva, Osvaldo Macedo de Sousa e Eduardo
Salavisa, com moderação de Pedro Moura.
Terça-feira,
20 de Janeiro, às 18h30, no Museu Arqueológico do Carmo.
Entrada
livre.
O
crime perpetrado contra o jornal satírico francês Charlie Hedbo colocou
na ordem do dia junto ao grande público uma discussão que tem tido lugar em
círculos especializados. Qual o papel do cartoon editorial nas democracias
modernas, cujas leis de liberdade de expressão permitem um qualquer grau de
negociação entre o que se entenderá por "aceitável" e
"pertinente", por um lado, e "exagerado" e
"ofensivo", por outro. Se se acreditar numa tal categorização, porém,
há que compreender que ambas pertencem a uma longa tradição de trabalhos, e com
particular presença na cultura francesa. A questão desta liberdade vai embater
noutras questões, como os posicionamentos ideológicos, os ditos limites da
imprensa, a censura prévia e as decisões judiciais, assim como a conjuntura
actual a nível mundial cujas fricções são vistas por alguns como um
"choque de civilizações". Não é difícil começar uma discussão sem
tropeçar em controvérsias ou mesmo afirmações elas mesmas insustentadas, já que
tudo isto implica emoções, limites ao nosso conhecimento, posicionamentos extremados,
etc.
A
comunidade de artistas de banda desenhada, ilustração e cartoon editorial,
assim como investigadores e críticos da área têm multiplicado a sua expressão
de solidariedade, assombro e até mesmo incompreensão nos mais variados canais
de comunicação. Alguns dos seus membros não sabem bem como começar a articular
o que pensam e sentem, mas sentem também a urgência em fazer algo mais. Esta é
uma oportunidade, entre outras, de dialogar.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
sábado, 10 de janeiro de 2015
FENAMiZAH EXTRA for the solidarity with CHARLIE HEBDO.
Dear colleagues;
We publish the FENAMiZAH EXTRA for the solidarity with CHARLIE HEBDO.
direct link:
Contributed 66 cartoonists from 33 different countries with 100 works! • Thanks to all friends.
Humor will live always!
Best regards.
( Below editor article )
- - -
Dear friends and colleagues;
We are so sad for the bloody attack made to “Charlie Hebdo” Magazine and
for our four colleagues and the other people who passed away during the
attack.
This savagery has been made against the freedom of thought and can’t be
accepted. That’s why we accept that the attack had not only made to Charlie
Hebdo Magazine; it had been made for all of us and we protest it with violence.
For a world existing more freedom; for a humanity which people lived
brotherly, we will continue drawing and produce ideas. For the ones who are
afraid of humor will get drowned in their own bloods.
We damn the terror and the emperialism who supports the terrorism!
We offer our condolonces to all Charlie Hebdo Magazine workers and to all
our colleagues.
Sincerely..
Aziz YAVUZDOGAN
fenamizah magazine
editor-in-chief.
aziz yavuzdoğan
grafik tasarımcı & karikatürist / graphic designer & cartoonist
grafik tasarımcı & karikatürist / graphic designer & cartoonist
yayın yönetmeni / editor in chief
FENAMİZAH
e-dergi
web: > > www.fenamizah.com
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