domingo, 4 de maio de 2014

Workshops Diários Gráficos em Maio por Richard Câmara

LEMBRETE: CONTINUAM A DECORRER AS INSCRIÇÕES para os dois Workshops de Diários Gráficos previstos para o mesmo fim de semana de Maio.

O de "Almada e o Rio" no sábado 17 de Maio:

E em "Serralves" (no Porto) no domingo 18 de Maio:


SE ESTIVEREM INTERESSADOS, NÃO DEIXEM AS VOSSAS INSCRIÇÕES PARA A ÚLTIMA HORA PORQUE AS VAGAS SÃO LIMITADAS  ;)

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXCI - Eloquências do lápis: Humor de Santiagu

2010

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXC- A I República na Génese da Banda Desenhada e no Olhar do século XXI

2010 - Edição Centro Nacional BD e Imagem - Amadora

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXXIX - A República foi ao Teatro

2010 Edição do Museu Nacional do Teatro

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Crónica - Rosário Breve Caderneta da fome por Daniel Abrunheiro

Diz que há por aí famílias com fome.
Excelente janela-de-oportunidade para exercício do catolicismo esmoler. Nada beatifica mais do que uma sopinha-dos-pobres. Unto de gozo purinho, sermos todos Madres, todos Teresas, de Calcutá todos. Andarmos todos por aí a distribuir sacos plásticos para a canonização em vida da Jonet. Isso – e no intervalo das esmolinhas coleccionarmos presépios piíssimos como a Maria do Coiso.
Temos quase tantos anos de “democracia” quantos suportámos de fascismo legionário: oito anos são um sopro de fósforo. E no entanto. Mas todavia porém.
Que a Direita babe homilias coitadinhistas de templária grã-cruzada, nada me surpreende: é subgente apenas, apenas antónima da humanidade chã dos dias reais. Mas certa Esguelha que por aí anda, histriónica, calendária, instalada, acomodada, papagueadora de grândolas por calendário e casseteficadora de boas-intenções que povoam o inferno – essa gente nem me diz coisa boa, nem este Jornal assina sequer, não vá o saber o Edil que ainda somos uns mil.
Ponho-me na pele do professor Manuel Sousa, protagonista involuntário, ou talvez não, do Editorial que abriu a edição passada deste mesmo semanário. Por via da caderneta, sinalizou o docente à mãe que o filho era desinteressado, alheado, cabeceador de estranho sono. Vai-se a ver e a saber, era a fome. Era da fome, afinal.
Uma pessoa lê isto – e fica com um calhau onde era suposta a garganta. No país que hesita entre a “saída limpa” e o “programa cautelar”. No país do indizível Portas, esse indefectível devoto dos virginais pastorinhos e das epifanias a néon em azinheiras anti-republicanas. No país da Albuquerque, essa Barbie cuja brincadeira favorita é destruir casinhas. No país do pavor aos que “comem criancinhas ao pequeno-almoço” e do louvor aos que “comem o pequeno-almoço às criancinhas”. No país do valha-te-deus-que-o-diabo-não-se-distrai. No país onde parece terem-se tornado obrigatórias a estupidificação massiva dos estudantes e o genocídio imbecil das praxes.
Aqui perto de onde redijo estas linhas amargas, morreu atropelada uma velhota que, de burro e carroça, andava às couves. O animal também morreu na colisão. Mais perto da minha mesa, um jovem titila o seu tablet modernaço. Coexistências do caraças: o I de XXI aparecer a meio dos XX. Entretanto, bufarinheiros de Mercedes pato-braveiam jogatanas municipais, manilhas, tout-venants, esquemas-negociatas-almoçaradas de favor, empenho, cunha & falcatrua. O Benfica joga em Turim a sua Europa de alienação de massas. A Jonet quer saber o número de telemóvel do professor Manuel Sousa, em cuja caderneta inscrevo esta crónica por procuração da amargura.
E no espeto da tumba santacombadense, o Salazar, esse santo estéril, esse pesadelo de que se não acorda, roda voltas de gozo o mais apostólico, o mais sacro, o mais pró-famélico, o mais eu-bem-vos-avisei-não-foi?

Foi.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

40 Anos de Abril - Uma vâ memória de um sonho, de uma esperânça

O Parlamento Português - ou seja a panela presidencial e partidos governantes e ex-governantes) tem razão em não deixar que os militares e outras expressões, que não sejam os mafiosos, corruptos que açambarcaram a liberdade e a democracia para os seus interesses pessoais


Carlos Rico

Carlos Rico

Zé Oliveira

Zé Oliveira

Hermínio Felizardo

Álavro

Ricardo Galvão

"Outro Abril" Telmo Quadros

José Monginho

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXXVIII - 6.900 dias de Cartoon de Carlos Laranjeira


Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXXVII - Republica das Artes - Caricatura

2010 Capa de Vasco Gargalo

Crónica Rosário Breve - Em modo leitor antes que a reforma nos falhe por Daniel Abrunheiro


E de diverso modo não cuidara eu jamais, que pronto & aprontado sou & estou & sinto, antes vingo & vinco dos humanos circo-instantes os detalhes alguns de seus corpos ao meu idênticos mas deveras outros, de fábrica outra e para outros préstimos.
Pouca me dura cada cigarro, que na sinistra esqueço cinzardendo mentre a dextra labora & lavora linhas que ao Diabo não lembraram & a Deus não aprouveram, o contrário de ambas coisas sim, ou talvez, nisto de certezas nem o remédio tem mal nem o mal é não ter remédio.
Sobre pano de relvado defrontante, nódoa limpa de pomba sozinha, que o chão está lendo de boca decifradora de rimas afinal migalhas, fulgura fresca & voluminosa, bem alimentada anda tal ave municipal, pois que de todos autarquia & de ninguém posse, no concreto como no abstraído, longa delonga me mereceria a explicação, que não merece nem haver vai, gravura sim & dada está.
No entrementes, cuidadosa carícia falsa iço à asa narigosa a barlavento da cara, por ali me migar miúdirritante prurido um danado retorcido pêlo do ranho seco emerso, descambando a carícia, por falsa, em traidor sacão puxante, que lágrima pronta & fervente me faz estrelar em névoa ao olho do mesmo lado do vento facial mas em glória de pêlo caçado interpolegaríndex.
Derredor-me, esplanadociosos sem utilidade nem utilização como eu, como eu se espraiam estios de imaginação, dado o que chove & é muito, cumprindo-se do neomês aprilíneo a prestação prima a que novecentas & noventa & nove outras se cumularão, pluvial conta que a Abril torna toante de mil.
Casal antigo a dois cães não novos atrelado vem oxidoxigenando-se em paulatino ambular por berma-rio, do hemisfério cardiosquerdo assustados por via das recrudescentes arritmintermitências e do direito meio pelo que aí vem, já veio & mais há-de vir de cortes brutais em as respectivas aposentações já de si, deles & delas, fracas.
Em montra de bazar electrodomesticante, ardem a frio aparelhos de recep(ta)cão televidente, em cujos luz & brilho rutila a alvar euforia dos pogroms da manhã para holocáustico gáudio dos pupilos do doutor Alzheimer, esquecidos até do que lhes roubaram, roubam e mais hão-de roubar à reforma, como ao casal de cães passeante, em impenitente procissão matinodiária à laica nossa-senhora-da-acefalia.
Alvíssara não de somenos, todavia, ei-la que se me plasma ao par de lentes, bifocal & trifatal, uma alta amazona de botas altas também, visão substanciosa de torre fêmea toda empedrada a leite & a torresmos de nata viva, rescendente humananimal a cabedal feito de humana seda animal também mas seda, mas voluptuosa seda a alheio tacto destinada, ó mal de mim, fulgindo dela a adaga de cada mão e a safira de cada olho, perdoando-Vos eu de mais & maior minúcia no temor respeitoso de Vossa mulher conVosco estar isto lendo também.
Como quem a coisa não quer, mas quero, conto as linhas por mano escritas já, isto no cuidado de, por eventual demasia verbochilreante, acabar embaraçando o bom Vítor Arsénio, do departamento gráfico oficiante mandador nesta Casa tão ao Outono símile porque de folhas feitas também e sacerdote o mais sumo no que a caracteres, palavras, colunas, esquadrias e maismacintoshices respeito diz, que sem tal prestidigitador nem por ilusão O Ribatejo, fechado enfim, ao almoço de quarta-feira haveria de chegar, quanto mais ao lume e à luz das quintas a que teimosamente vem saindo há trint’anos quase.

Posto que um derradeiro parágrafo possível me surge restante, ele o voto devota & incensamente à insígnia nunca insignificante do meu Leitor, que, se a meu par aqui chegou, também não haveria de ser agora que comigo se não achegasse a nenhures, que é onde, há quase sete anos já e em página última sempre, fiel & lealmente nos encontramos, cinza que somos, à guisa destoutro cigarro que entretanto também esqueci mas a ele, Leitor, não, nunca & jamais, em de verso modo. 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

18 de Abril 1914 / 18 de Abril de 2014 - Centenário da Chegada de Correia Dias ao Brasil

Auto-caricaturta 1912
FERNANDO CORREIA DIAS E OS PIONEIROS DO MODERNISMO
NO CENTENÁRIO DA SUA CHEGADA AO RIO DE JANEIRO A 18 DE ABRIL DE 1914

Por: Osvaldo Macedo de Sousa

            A História é um processo de reescrita eterna, moldada, não apenas, pelas correntes historiográficas, mas essencialmente pela constante redescoberta de documentos e de testemunhos novos… O Modernismo é um desses períodos que ainda tem muitos hiatos por reescrever. Se já é aceite que o “Grupo de Coimbra” foi um impulso fundamental que levou ao desenvolvimento do pensamento e da obra modernista; estando já razoavelmente estudados Christiano Cruz e Luíz Filipe Rodrigues… ainda há muito por revelar sobre outros pioneiros como Álvaro Cerveira Pinto, António Balha e Melo ou Fernando Correia Dias.
            Comemorando os 120 anos do nascimento (em 2012) e o centenário da chegada ao Brasil (em 2014) a editora brasileira Batel acaba de lançar um super álbum sobre o luso-brasileiro “Fernando Correia Dias, um poeta do traço”.

A génese Conimbricense do Modernismo

            A História “clássica” aponta a “Exposição dos Livres”, realizada em 1911 em Lisboa, como o “momento” revolucionário que impulsionou as artes plásticas para a modernidade, apesar de toda ela ser super-académica, com excepção das obras irreverentes do humorista Emmérico Nunes. Na realidade, a única diferença entre esta e as outras que por cá se realizavam está no título – dos Livres… Contudo, a história irreverente da caricatura portuguesa tem outra leitura desta génese modernista, ao desviar o olhar da capital para a província, mais concretamente para a cidade universitária de Coimbra onde a sorte confluiu, temporalmente e ideologicamente, num grupo de jovens que no seu contacto estudantil, descobriram o desenho e a irreverência estética, procurando no experimentalismo gráfico desenvolver uma nova linha ideológica e estética, como expressão pessoal e colectiva.
            Em 1908, Fernando Correia Dias e Christiano Shepard Cruz mudam-se para Coimbra, para prosseguirem os estudos liceais (na época só havia 3 Liceus em Portugal com o Curso Complementar - 6º e 7º ano). Em 1909, pelos mesmos motivos, chega Álvaro Cerveira Pinto. Estes três jovens, em cumplicidade com outros de tendência mais literária, fundam o jornal do liceu “O Gorro” (14/11/1909 – 27/5/1910), entrando logo de seguida também na aventura de “A Farça” (20/12/1909 – 27/4/1910), liderada agora por um estudante universitário, Luiz Filipe Rodrigues. Este quarteto desenvolve uma ruptura gráfico-ideológica que, em breve, se expandirá para o resto do país através do humor gráfico.
            Se, nesse longínquo 1908, Amadeo de Souza-Cardoso discutia epistemologicamente com Manuel Laranjeira a modernidade na sua pesquisa da caricatura sintética, o “Grupo de Coimbra” fazia-o também nas suas tertúlias boémias, não nos deixando registo escrito das suas ideias, dúvidas ou certezas, apenas conhecendo as suas opções práticas desenvolvidas na imprensa. Só a partir de 1912, através de uma série de testemunhos de Christiano Cruz sobre a actividade da Sociedade dos Humoristas vamos conhecer a base desse ideário conimbricense. No essencial, a ruptura estético-ideológica centra-se na defesa de uma arte irreverente, mas apartidária, de uma arte pedagógica em que a criação está ao serviço da educação da sociedade na liberdade de expressão, na critica às más tradições e construção do bom gosto aliado a despojamento do supérfluo naturalista e na aceitação do progresso como a via do futuro modernista. Europeísta, mas sem abandonar os aspectos de qualidade estética nacionalista.

Balha e Melo por Correia Dias (1911)

Correia Dias o poeta do traço português

            Do “Grupo de Coimbra”, Fernando Correia Dias seria o único que prosseguiria na carreira artística, já que este encontro, esta encruzilhada de irreverências, de sonhos e utopias foi breve. Em Outubro de 1910 Christiano Cruz muda-se para Lisboa onde evangelizará a juventude da capital, mas que, desiludido com as traições, ciúmes e invejas do meio artístico se “suicidará” artisticamente em 1919 quando parte para África, como veterinário, deixando praticamente de desenhar; em Novembro de 191, Álvaro Cerveira Pinto falece; em Julho de 1912, Luiz Filipe, terminado o curso de Direito, parte para o seu Minho natal, afastando-se aos poucos das artes, para que o jurista sério não seja incomodado pela áurea do artista irreverente. Entretanto, ou seja entre Novembro de 1910 e provavelmente Fevereiro de 1911, o jovem José Almada Negreiros passa por Coimbra, onde nas boémias acabará por beber a influência artística de Correia Dias e Luiz Filipe, para depois, em Lisboa, aceitar Christiano Cruz como seu orientador nos primeiros passos da irreverência gráfica.
            Fernando Correia Dias nasceu, fisicamente, no Lugar da Mata – Penajoia – Lamego, a 10 de Novembro de 1892 mas, como artista, germinou na cidade de Coimbra, nas tertúlias boémias do grupo que se desenvolveria à volta de “O Gorro”, “A Farça”, “A Rajada”… A pesquisa de um novo traço, de uma expressão mais livre, conduziria o lápis de todos eles para a síntese e para a intervenção social da arte. Correia Dias encarará, desde logo, a sua actividade como uma missão no conceito filosófico das “artes & ofícios” ruskiniano.
            Director Artístico dos primeiros números de “O Gorro”, daria logo a sua marca como designer na paginação e vinhetas, as quais, vêm assinadas pelo seu pseudónimo “tira-linhas”. Esta assinatura manter-se-á nas colaborações para “A Farça” e “Limia”.
            De 1908 a 11 é o período de auto-descoberta, do domínio da mão, da investigação estilística através das tertúlias, da leitura de imprensa estrangeira e de uma brevíssima viagem a Paris. 1912 será o ano de viragem, de ruptura do projecto de futuro vaticinado pela família, cortando com os estudos universitários, optando por uma carreira artística.
            O facto do “Grupo de Coimbra” se ter desenvolvido à volta de projectos jornalísticos, de tertúlias estudantis mais vocacionadas para a discussão literária que a plástica, molda o carácter e a filosofia criativa de Fernando, numa visão mais humanística, onde toda a expressão, todas as técnicas e meios são fundamentais para um criador completo, desde o design básico da página, passando pela caricatura, ilustração, cerâmica, pirogravura, marcenaria, desenho arquitectónico, decoração de interiores à publicidade gráfica ou decorativa de montras, não esquecendo de contribuir com um vocalizo na arte musical.
            Para além da Tuna do Liceu, pertencerá posteriormente ao Orfeon Académico que, para além de lhe ter proporcionado uma visita a Paris (Abril de 1911), lhe lançará um desafio que despoletará a viragem da sua vida. Após Paris, onde só cantaram, o projecto seguinte é ir ao Rio de Janeiro não só cantar, como realizar uma exposição da sua obra pictórica com o tema de Coimbra. Aqui, o seu papel de artista plástico era já um posto entre os estudantes e, inclusivé, entre os “Futricas” (a população conimbricense não estudante). Nas actuações do Orfeon, para além de cantar no grupo, era também o responsável pela animação dos espectáculos, com a realização de caricaturas ao vivo (acompanhado por um novo membro do “Grupo de Coimbra”, Balha e Melo), fazer o design dos programas ou organizar iniciativas como as conferências de Leal da Câmara…
            A deslocação do Orfeon ao Rio de Janeiro foi sendo adiada de mês a mês, de ano a ano, mas o desafio estava lançado e o entusiasmo nunca esmoreceu, criando uma obra extraordinária para a época, em que ultrapassou a centena de trabalhos. Essa criação orientou o seu dia-a-dia, ao mesmo tempo que, para sobrevier, ia respondendo às encomendas locais e nacionais, como cartazes, ex-libris, móveis, campas funerárias, vitrais, pirogravuras, cerâmicas, design de revistas, capas, ilustrações…numa abordagem polimórfica, impondo-o como um pioneiro nos mais variados campos do modernismo, incluindo o primeiro auto-anúncio, estruturado como tal com ilustração, na sua revista “A Rajada”.    Este último título é a revista icónica do modernismo conimbricense e nacional, porque aí se encontra a obra madura dos artistas do “Grupo de Coimbra” (com natural ausência do já falecido Cerveira Pinto), com a inclusão dos “novos”, como Almada Negreiros, Jorge Barradas, Silvio Duarte, para além de um riquíssimo plantel de intelectuais como o Director Literário Afonso Duarte, Nuno Simões, Vergílio Correia, Veiga Simões, João de Barros, Manuel Laranjeira, Jaime Cortesão… O simbolismo filosófico e a síntese gráfica dominam o movimento criativo ligado à “Renascença Portuguesa” cujo porta-voz jornalístico “A Águia” Correia Dias também era colaborador.
           
Christiano Cruz por Correia Dias
Correia Dias, para além, das colaborações em “A Águia” (e criação da capa da segunda série), “A Sátira”, “Alma Académica” e “Ilustração Portuguesa”, foi Director Artístico de “A Rajada”, “Gente Nova” e da projectada revista “Terra Mãe” de que só faria a capa 0, porque foi um projecto que não vingou.
Entretanto, a sua criatividade não parava e em 1912, como balanço desse esforço, realiza a sua primeira exposição individual em Agosto, no Espaço Gymnasio, ao mesmo tempo que ia decorando algumas montras com obras suas. Esta exposição magna, ou parciais, não tinham verdadeiramente como objectivo a venda, já que necessitava de toda essa obra para a referida exposição carioca, mas as necessidades fizeram com que algumas peças fossem mesmo vendidas, logo substituídas por outras que em 1914 somam o montante de 98 obras expostas em nova exposição, agora no seu próprio ateliê, antes de seguirem para o Salão da Ilustração Portuguesa, onde Lisboa - o país, pode descobrir a obra genial deste jovem artista. Os críticos frisam que esta é a melhor e mais irreverente exposição realizada naquele conceituado espaço, uma pedrada no charco amorfo de uma capital com muitas intenções ideológicas, intenções plástico revolucionárias e raras concretizações na ousadia e vanguardismo modernista. Surpreendeu não só a diversidade de estilos, onde incluía pintura cubista, cerâmicas abstraccionistas, caricaturas expressionistas, ou paisagens simbolistas, como a diversidade técnica deste jovem artista. Surpreendeu os críticos, sem os chocar, como o faria Amadeo de Souza-Cardoso, razão pela qual acabou por, finda a exposição, ser logo esquecido, entrando os modernistas/orfistas/futuristas lisboetas na modorra dos debates inconclusivos de café sem avançarem, verdadeiramente, para a criação da obra revolucionária de vanguarda. Não era intenção de Correia Dias ser um revolucionário, apenas queria fazer a sua obra, fazer a sua vida a qual estava projectada como passo seguinte seguir finalmente para o Rio de Janeiro, onde chega em Abril de 1914.



Correia Dias, o poeta do traço modernista brasileiro

            No cais do Rio seria recebido de braços abertos pela intelectualidade literária e jornalística que, de imediato, arranjam o Salão da Associação dos Jornalistas para realizarem tão esperada exposição que inaugurou a 5 de Maio. O sucesso foi tão abrangente como o de Lisboa, mas com consequências diferentes. Estava ainda na mente de Fernando um possível seguimento para Paris, onde pensava expôr de novo, mas a venda da maioria das peças (que não estavam à venda em Lisboa, tendo sido contudo desfalcado de uma peça quando foi confrontado com o pedido do Presidente da República), os múltiplos convites de trabalho da sedenta sociedade carioca e a posterior explosão da Grande Guerra na Europa fez com que Fernando se deixasse embalar no futuro risonho que se esboçava naquele continente.
            O Rio de Janeiro vivia ainda um momento de reestruturação do urbanismo, reconstruindo-se a cidade na modernidade cosmopolita, acompanhada, naturalmente, por uma tentativa de revolução social, numa filosofia europeísta que queria apagar a “mancha” colonial” do fazendeiro rico, para uma sociedade moderna em que o ideário cultural procurava absorver todas as influências internacionais, principalmente francófonas. Dentro desta dinâmica de renovação, a indústria tipográfica luta pela recuperação do seu atraso tecnológico, não só na qualidade de impressão, como na produção de papel, agrupando à sua volta as mais variadas mentes criativas na pesquisa de novas linhas gráficas, novas estéticas de design que cativem o publico, e que incentivem o consumo. Fernando chega na hora certa para integrar e até liderar parte desse núcleo de pioneiros do desenho gráfico e da ilustração modernista.
  Chega com o epíteto de caricaturista, já que essa era a designação comum para os desenhadores de imprensa, e continuará a realizar, de vez em quando, caricaturas pessoais e ilustrações humorísticas, mas a sua principal valia é que Correia Dias não era apenas um esteta, mas também um técnico que dominava as múltiplas técnicas artesanais e mecânicas. Já em Portugal, sendo responsável como Director Artístico de periódicos, era também responsável pela paginação, ilustração, diafragmação e montagem, ou seja, o homem dos sete ofícios que resolvia todos os problemas. No Brasil, apesar de não ter de assumir todas aquelas funções, ao ser convidado para director artístico de Gráficas e de periódicos, desenvolveu novas técnicas, novas linhas de desenvolvimento do design gráfico carioca. A sua aposta, prazer, dedicação, foi essencialmente no desenho gráfico das revistas, dos livros, das páginas como capista, paginador, ilustrador de poemas / crónicas / contos… ex-librista, publicitário… revolucionando estas artes no universo carioca. Dispersou o seu talento por dezenas de títulos, nomeadamente: Fon-Fon / Revista da Semana / O País / Selecta / Front / Rio / Revista Nacional / Boa Nova / D. Quixote / Apolo / A Época / A Manhã / Brazilian American / Ilustração Brasileira / O Globo / O Jornal / O Radical / O Malho / A Rajada / Arvore Nova / Terra de Sol / Ilustração Musical / O Cruzeiro / Festa / A Nação / Diário de Notícias
           
Ele viveu toda a sua vida preferencialmente nos meios literários e a poesia será sempre a linha filosófica, o traço orientador da sua vida e da sua criatividade. Esse risco literário-grafico foi desenvolvido como uma construção lírica e cenográfica da página. Não é um estilo fechado à volta da sua assinatura, nem uma corrente estética uniformizada por modismos, mas sim uma explosão da versatilidade criativa, da genialidade polifacética do artista que, em vez de impor ditatorialmente uma estética pessoal, adapta-se em cada criação a cada obra, dialogando, comungando com o escritor a sua veia estilística, respeitando cada conteúdo numa interpretação lírica objectiva, com cenografias que tanto podem viajar até à iluminura mediavelista, como nos transportar ao fantástico arabesco, do exotismo do extremo-oriente ao naturalismo puro, do barroco ao sintético, do modernismo ao deco… com a sombra do simbolismo sempre presente. Esta mesma filosofia criativa reinará no design dos livros, onde foi pioneiro de uma escola gráfica modernista brasileira, com uma produção que ultrapassa as cinco dezenas de títulos.
  Entretanto, temos de referir que, se em Portugal Correia Dias usou temporariamente o pseudónimo de “tira-linhas”, a partir de 1917 viverá uma vida dupla de criatividade usando o seu próprio nome ou assinando como “esp”, uma marca iconográfica que sugere um pseudónimo, ao mesmo tempo que, fazendo uma análise caligráfica, podemos defender que mais não é que as suas iniciais “cd” em escrita corrida. Sendo “esp” ou “cd”, é uma assinatura que convivendo com a “correiadias”, veio dificultar a identificação de muitas das suas obras, já que não sendo um anagrama bem legível pelos historiadores de hoje, faz com que muitos deles não lhe atribuam as referidas obras. Isto acontece a partir de 1918 e, segundo creio, usada pela primeira vez na "D. Quixote".
          
  O mercado livreiro acabará por ser a ponte que o manterá, ocasionalmente, ligado à pátria lusa, como capista e ilustrador de edições da “Renascença Portuguesa” e outras editoras, em títulos como “Tragédia do Sol-posto” de Afonso Duarte (1914), “A Forja da Lei” de Joaquim Madureira, “A Zagala” de Costa Macedo (1915), “Etnografia Artística Portuguesa” de Vergílio Correia (1916), “Humus” de Raul Brandão (1921), “Itália Azul” de Jaime Cortesão (1922)… No Brasil a sua acção de capista e ilustrador bibliográfico estende-se por mais de sete dezenas de títulos.
            Mas a sua criatividade multifacetada não se restringiu ao universo tipográfico, já que a sua irreverência também abordou as artes decorativas, nessa função social modernista ruskiniana de embelezar o quotidiano. A sua actividade abordou o mobiliário de casa ou urbano, a tapeçaria, a marroquinaria, o metal, a cerâmica… numa exploração preferencial por uma arte nacionalista (corrente nativista) em que o deco-carioca, moldado pela recuperação da arte amazónica marajoara, teve especial relevo. O neo-marajoara será um estilo iconográfico de Correia Dias que deixará marca profunda no Rio dos anos vinte. Infelizmente, devido à dificuldade de identificação da autoria neste género de obras “artesanais”, a maior parte das suas criações vivem anonimamente nas residências da cidade carioca.
            A par da vida criativa há sempre a vida privada, de amizades, de família que, em Correia Dias não podia estar desligada da poesia. Em 1922, temos notícia do seu casamento com a revelação poética do momento, a escritora Cecília Meirelles, que virá a ser um dos expoentes da poesia brasileira e lusófona. Deste casamento nascerão três filhas, uma delas que se celebrará como actriz – Maria Fernanda. É uma vida profissional de sucesso, complementada por uma vida familiar e de amigos harmoniosa, em que, inclusive, tem a companhia de um dos irmãos, também emigrado para o Rio. Porém, a mente humana é complexa, nas suas circunvoluções tortuosas dos equilíbrios emocionais entre as responsabilidades e os medos de conseguir sempre a originalidade, a insatisfação perante a folha branca da pré-criatividade. A verdade é que Fernando foi sendo assolado pelo anjo das neurastenias, empurrando-o para abismos da impotência vivencial e criativa.
           
Uma visita à mãe pátria, em vez de lhe renovar a alma na recepção calorosa dos amigos e familiares por cá deixados, resultou na ampliação da solidão perante a ausência total de amigos como Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Balha e Melo… que o evitaram; perante a frustração da realização de uma prometida exposição das obras criadas durante a viagem; perante a situação de não ser mais do que o marido da grande sensação da viagem, a jovem e bela Cecília Meirelles; a conferencista de sucesso com o triunfo da sua poesia e dos seus desenhos que até mereceram exposição…
            No seu retorno ao quotidiano carioca, a depressão intensifica-se, envolvendo-o no nó da angustia, o qual o estrangulará a 19 de Novembro de 1935. Se para a sua mente foi a única saída do momento, para a família foi uma traição, um acto de egoísmo e cobardia que mancharia para sempre a vida da esposa e das filhas que, no seu luto, lançaram um tabu sobre esta figura, preferindo o esquecimento da pessoa e da obra arrumada num sótão familiar.
          
Auto-caricatura 1933
  Setenta anos após este dramático desaparecimento, é pois tempo de recuperar essa obra “perdida” nos baús do constrangimento familiar, no esquecimento das memórias efémeras das hemerotecas, alfarrabistas e historiadores desatentos. É o momento de se abrirem as arcas, de desempoeirar a memória, recuperar o esplendor desta obra genial deste pioneiro do modernismo luso-brasileiro e dar-lhe o verdadeiro destaque na história de arte.



Bibliografia: Fernando Correia Dias um Poeta do Traço” de Osvaldo Macedo de Sousa Editora Batel (Rio de Janeiro 2013)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Às Quintas Falamos de BD no CNBDI da Amadora - (re)encontro dos artistas que colaboraram na Visão no dia 29 de Abril

Este ano comemoram-se os 40 Anos da Revolução de Abril e, por esse motivo, o nosso Encontro Às Quintas Falamos de BD não se realiza na quinta-feira dia 24, mas no dia 29 de Abril, como sempre, às 21h00.
A alteração da data prende-se com o elevado número de iniciativas que acontecem no dia 24 à noite e com a impossibilidade de podermos contar com a participação de todos aqueles que gostariam de estar presentes neste encontro, tão especial, que preparamos para o mês de abril.

Assim, no dia 29 assinalamos a passagem dos 40 anos da revolução dos cravos com um (re)encontro dos artistas que colaboraram na Visão, revista de banda desenhada nascida em 1975, e que encetaria um novo capítulo na BD nacional.

 Neste serão contamos também com a participação musical de Francisco Fanhais, conhecida voz de Abril, ex-sacerdote
católico, condecorado com Ordem da Liberdade, em 1995, e que será, certamente, uma excelente forma de comemorar Abril na casa da banda desenhada.


No dia 29 de abril esperamos por si, apareça!

A Liberdade está no Museu (da Cidade de Lisboa) - João Abel Manta 24 de Abril pelas 18h30


VEM FAZER O 25 DE ABRIL em Banda Desenhada!





















VEM FAZER O 25 DE ABRIL em Banda Desenhada!

Dia 19 de Abril de 2014 das 15h00 às 18h00, na El Pep Store & Gallery [lojas 34+35, centro comercial Imaviz || Imaviz Underground || Av. Fontes Pereira de Melo, #5, Lisboa], irá decorrer uma oficina de Banda Desenhada destinada a crianças dos 8 aos 12 anos.
Será orientado por Nuno Saraiva. O horário será das 15h00 às 18h00 com intervalo para lanche.
Os trabalhos produzidos na oficina de BD serão publicados em formato fanzine e serão entregues às crianças que frequentaram o workshop. Os trabalhos ficarão, também, em exposição durante a semana de comemoração dos 40 anos da Revolução, na El Pep Gallery.
As inscrições devem ser feitas para o email: edicoeselpep@gmail.com e o pagamento (25,00€) será efectuado no local, no início do workshop.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

CONCURSO DE CARTOONS SEXY PONCHA… by Câmara de Lobos

CONCURSO DE CARTOONS SEXY PONCHA… by Câmara de Lobos

REGULAMENTO

Introdução
Este é um concurso de âmbito nacional (artistas portugueses ou residentes em Portugal) aberto a todos os amantes do cartoonismo, profissionais e amadores, tendo por objeto de ilustração a mais popular bebida da Madeira, a PONCHA, que, segundo história passada de geração em geração, teve origem em CÂMARA DE LOBOS.

Artigo 1º - Objetivos do concurso:
a)   Incitar ao gosto pelas artes plásticas, em especial o cartoonismo;
b)   Impulsionar a criatividade individual;
c)    Promover o trabalho dos criadores nacionais na área do cartoonismo;
d)      Evidenciar o lado lúdico da poncha, carinhosamente tratada entre os madeirenses por ponchinha. A poncha remete-nos para convívio e momentos de lazer. Por que não dar-lhe um cunho sexy e feminino? Daí a SEXY PONCHA que queremos ver evidenciada nos vossos cartoons. Tal como a mulher, a poncha tradicional tem um lado doce (açúcar ou mel), um lado ácido (limão), um lado “tramado” (a aguardente) e sabe bem o que é tratar alguém com amor e carinho…
Achegas: A poncha é mexida com o chamado pau da poncha, também designado mexelote, mas mais conhecido como “caralhinho”. A poncha pode ser baixinha (quando servida em copo pequeno) ou top model (quando servida em copo alto), mas só será uma boa poncha se obedecer à receita original, nas proporções certas.
Artigo 2º - Organização: A entidade promotora é a Direção da Casa do Povo de Câmara de Lobos.
Artigo 3º - Tema: Os trabalhos apresentados terão que ter como tema base a Poncha, mais especificamente “By Câmara de Lobos”, porque foi nesta pitoresca terra madeirense que tão versátil e apreciada bebida ganhou raízes, entre o vai e volta dos pescadores nas noites de faina, e este é um aspeto em que fazemos ponto de honra nesta iniciativa: a ligação da poncha a Câmara de Lobos.
Artigo 4º - Destinatários: Todos os cartoonistas residentes no país (Portugal continental e regiões autónomas da Madeira e Açores)
Artigo 5º - Trabalhos:
a) Os trabalhos a concurso deverão ser entregues em papel, em formato A3 ou em formato digital (.JPG ou .PNG), com as medidas 42cm x 29,7cm e resolução de pelo menos 300 dpi.
b) Cada trabalho deverá acompanhar-se de uma folha com os dados pessoais do concorrente (nome completo, BI, morada, e-mail, número de contacto) ou no caso de trabalhos digitais enviados por email, com os dados pessoais do concorrente no corpo do e-mail enviado com o trabalho;
c) Os trabalhos devem ser individuais;
d) Não há limites para o número de trabalhos a apresentar;
e) Os trabalhos deverão ser entregues por correio por carta registada para (morada) até o dia 31 de maio de 2014 (data do carimbo dos correios)  ou por e-mail para concursocartoonsponcha@gmail.com até o dia 30 de maio de 2014;
f) Só serão admitidos a concurso os trabalhos que respeitem o tema;
g) Os trabalhos devem ser inéditos, no sentido de nunca terem sido expostos em nenhum evento;
h)   A técnica para a criação artística do trabalho é livre.
Artigo 6º - Critérios de Seleção:
a) Criatividade – humor na construção do cartoon;
b) Componente estética;
c) Originalidade;
d) Conformidade com o tema;
e) Clareza na perceção do objetivo.
Artigo 8º - Júri:
a) Os trabalhos apresentados serão submetidos à apreciação de um júri, que irá selecionar o melhor trabalho, constituído por:
Presidente do júri – Cartoonista convidado…
Jurado 2 – Representante da Associação de Barmen da Madeira
Jurado 3 – Presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos
Jurado 4 – Presidente da Casa do Povo de Câmara de Lobos
Jurado 5 – Museu de Imprensa da Madeira
Jurado 7 – Na Minha Terra.com
b) Todos os trabalhos submetidos a concurso serão avaliados pelo Júri.
c) Caberá ao Júri decidir sobre os casos omissos neste Regulamento.
d) Das decisões do Júri não haverá recurso.
e) O participante assumirá o compromisso de conhecer e cumprir este Regulamento e acatar as decisões do júri do concurso.
Artigo 9º - Atribuição de Prémios e divulgação de trabalhos:
a) Serão atribuídos prémios aos três primeiros classificados;
1.º Lugar - 500 euros
2.º Lugar – 250 euros
3.º Lugar – 150 euros
                b) Exposição de todos os trabalhos, no Museu de Imprensa da Madeira, em Câmara de Lobos, no final de junho ou princípio de julho.
c)  Possibilidade de publicação dos cartoons, ou dos melhores cartoons (consoante a adesão),num trabalho editorial alusivo à poncha. Esta seleção dependerá da qualidade dos trabalhos enviados a concurso, segundo apreciação do júri.
Artigo 10º - Direitos de Autor:
a)    Os autores/ artistas preservam os direitos de autor das suas criações, mas autorizam a eventual utilização e/ou reprodução dos trabalhos pela organização;
b)    Só poderão ser submetidos a concurso trabalhos originais;
c)    Os autores/artistas autorizam o registo fotográfico e/ou audiovisual das fases do
concurso consideradas mais pertinentes pela organização.
Artigo 11º - Divulgação dos resultados do concurso e entrega de prémios:
a)      A divulgação dos resultados do concurso e entrega dos prémios será realizada em (Junho/Julho de 2014).
b)      Os concorrentes serão previamente avisados, por e-mail, dos resultados do concurso.

Artigo 12º - Informações adicionais: Para mais informações, contactar a Casa do Povo de Câmara de Lobos – 291628063