segunda-feira, 7 de abril de 2014

Lançamento do álbum "Living Will" de Joana Afonso e André Oliveira no próximo sábado dia 12

A apresentação do segundo número da série de mini-comics Living Will ocorrerá este Sábado dia 12 de Abril pelas 14 horas no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Telheiras (durante o Anicomics Lisboa 2014).

Living Will é uma série de 7 mini-comics de 16 páginas publicados pela Ave Rara, integralmente em inglês, com argumento meu e arte de Joana Afonso.

Espero poder contar com a vossa presença.

Um abraço



André Oliveira 

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXXIII - Da Cegueira dos Pintores de Júlio Pomar

2014 - O Atelier-Museu Júlio Pomar esta a reeditar os textos de arte de Júlio Pomar e neste volume achou importante uma recensão crítica que escrevi em 1985, quando trabalhava para o Diário de Notícias. Naturalmente para mim é uma honra estar integrado nesta colectânea que acaba de ser lançada a público.

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXXII - Novos Temas de História

1986 - O meu primeiro artigo pblicado na imprensa (Rev. Historia) de repente aparece publicada neste compendio escolar sem eu saber de nada

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Todos Fazemos Tudo, de Madalena Matoso no CNBDI da Amadora a partir de 10 de Abril


Estimados Amigos,

No dia 10 de Abril, pelas 19h00, inauguramos a exposição Todos Fazemos Tudo, de Madalena Matoso.

Apareça! contamos consigo.

Todos Fazemos Tudo foi o livro  vencedor de um concurso realizado pelas Éditions Notari, em colaboração com o município de Genebra.
A capital dos direitos humanos ofereceu um exemplar a todas as crianças do ensino pré-primário, contribuindo assim para a promoção da igualdade entre homens e mulheres.
À importância da mensagem junta-se a forma como ela é apresentada através do corte horizontal das páginas e da combinação das ilustrações que transformam este livro num jogo.
Mas, a maior riqueza de Todos Fazemos Tudo é o saber ser um mapa possível e sem coordenadas fixas para que cada um descubra o mundo e o confirme diverso e sem monotonia. Haverá melhor mensagem?

Prémio Nacional de BD 2012: Melhor Ilustração de Livro infantil, Todos Fazemos Tudo, de Madalena Matoso, Planeta Tangerina

TLS WEBMAG #6 Abril/Maio

Caros amigos

A edição de Abril/Maio da TLS WEBMAG, revista digital do colectivo The Lisbon Studio, já se encontra online.

Para ler, aceder aqui.


Um abraço e até Junho.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

IV BIENAL de HUMOR “LUÍS D’OLIVEIRA GUIMARÃES” - PENELA 2014

IV BIENAL de HUMOR “LUÍS D’OLIVEIRA GUIMARÃES” - PENELA 2014

Uma Organização: Câmara Municipal de Penela / Junta de Freguesia do Espinhal
Uma Produção: Humorgrafe
Director Artístico: Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.oms@gmail.com)

1 - Tema: “A Liberdade” (Com o objectivo de comemorar os 40 Anos de Abril – A Revolução dos Cravos que restituiu a liberdade e democracia a Portugal, desafiamos os artistas a meditarem sobre o que é a Liberdade, esse direito pessoal que começa onde a dos outros acaba e impõe-se aos outros quando a nossa começa. “A Liberdade” na sua expressão ampla, seja a do pensamento, escolha política, integração social, opção religiosa, sexual, de géneros…)
2 - Aberto à participação de todos os artistas gráficos com humor, profissionais ou amadores.
3 – Data Limite: 10 de Junho de 2014
Devem ser enviados para humorgrafe.oms@gmail.com, humorgrafe@hotmail.com ou humorgrafe_oms@yahoo.com (No caso de não receberem confirmação de recepção, reenviar de novo SFF)
4 - Cada artista pode enviar, via e-mail em formato digital (300 dpis formato A4) até 4 trabalhos a preto e branco (uma só cor – não são aceites desenhos a 2, 3 ou 4 cores), aberto a todas as técnicas e estilos como caricatura, cartoon, desenho de humor, tira, prancha de bd (história num prancha única)... devendo estes vir acompanhados com informação do nome, morada e e-mail.
5 - Os trabalhos serão julgados por um júri constituído por: representantes da Câmara Municipal de Penela; representante da Junta de Freguesia do Espinhal; representante da família Oliveira Guimarães; pelo Director Artístico da Bienal; um representante dos patrocinadores, um representante de comunicação local e um a dois artistas convidados, sendo outorgados os seguintes Prémios:
* 1º Prémio da IV BHLOG- 2014 (no valor de € 1.800)
* 2º Prémio da IV BHLOG- 2014 (no valor de € 1.300)
* 3º Prémio da IV BHLOG- 2014 (no valor de € 800)
* Prémio Revelação de Humor da IV BHLOG- 2014 (no valor de € 250) (para autores nacionais com menos de 25 anos de idade)
O Júri, se assim o entender poderá conceder “Prémios Especiais”, a título honorífico, com direito a troféu.
6 - O júri outorga-se o direito de fazer uma selecção dos melhores trabalhos para expor no espaço disponível e edição de catálogo (o qual será enviados a todos os artistas com obra reproduzida).
7 – A organização informará todos os artistas por e-mail se foram selecionados para a exposição e Catálogo, e quais os artistas premiados. Os trabalhos premiados com remuneração, ficam automaticamente adquiridos pela organização. Os originais dos trabalhos premiados deverão ser entregues à organização (o original em trabalhos feitos a computador é um print de alta qualidade em A4, assinado à mão e numerado 1/1), porque sem essa entrega, o Prémio monetário não será desbloqueado.
8 - Os direitos de reprodução são propriedade da organização, logo que seja para promoção desta organização, e discutidos pontualmente com os autores, no caso de outras utilizações.
9 - Para outras informações contactar o Director Artístico: Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.oms@gmail.com) ou IV Bienal de Humor Luís d’Oliveira Guimarães, Sector de Cultura, Câmara Municipal de Penela, Praça do Município, 3230-253 Penela - Portugal.

10 - A IV Bienal de Humor Luís d’ Oliveira Guimarães – Penela 2014, realiza-se de 6 a 21 de Setembro na Biblioteca Municipal de Penela, com extensão ao Centro Nacional BD e Imagem da Amadora de 25 de Setembro a 19 de Outubro.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Humor de Rodrigo de Matos


Novo Horário do Museu Rafael Bordalo Pinheiro de Lisboa

Agora também abre ao Domingo (grátis até às 14h)

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXXI - Luiz de Oliveira Guimarães - Espírito de uma Época


Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXX - 19º FIBDA 2008


Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXIX - IX Bienal da Caricatura - Ourense 2008

IX e última, acabando assim um ciclo formidável de exposições de humor em Ourense, tudo fruto do extraordinário trabalho de Benito Losada, o motor deste e mais eventos na Galiza. O seu desaparecimento é uma perda inestimavel. Para esta Bienal eu levei a exposição "a Homenagem a João Abel Manta" e "As Vozes Líticas do Séc. XX"

Diário de um Médico - De rir e chorar por mais...

O médico é do IPO-Porto e já se aposentou. Carlos Barreira da Costa , médico Otorrinolaringologista da mui nobre e Invicta cidade do Porto, decidiu compilar no seu livro "A Medicina na Voz do Povo", com o inestimável contributo de muitos colegas de  profissão, trinta anos de histórias, crenças e dizeres ouvidos durante o exercício desta peculiar forma de apostolado que é a prática da  medicina. E dele vão verdadeiras jóias deste tão pouco conhecido  léxico.
Os aparelhos genital e urinário são objecto de queixas sui generis"Venho aqui mostrar a parreca".
"A minha pardalona está a mudar de cor".
"Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas".
"Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza".
"Fazem aqui o Papa Micau ( Papanicolau )?"
"Quantos filhos teve?" - pergunta o médico. "Para a retrete foram quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três".
"Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma f... mal dada".
"Tenho de ser operado ao stick . Já fui operado aos estículos".
"Quando estou de pau feito... a p... verga".
"O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã".

O diálogo com um paciente com patologia da boca, olhos, ouvidos,nariz e garganta é sempre um desafio para o clínico:"Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo corpo, suar, ou o ca..., o nariz não se destapa".
"Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho".
"Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido".
"Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída".
"Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as lágrimas saiam".
"Tenho a língua cheia de Áfricas".
"Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor".
"O dente arrecolhia pus e na altura em que arrecolhia às imidulas infeccionava-as".
"A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor".

As perturbações da fala impacientam o doente:"Na voz sinto aquilo tudo embuzinado".
"Não tenho dores, a voz é que está muito fosforenta".
"Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais".
"O meu pai morreu de tísica na laringe".

Os "problemas da cabeça" são muito frequentes:"Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João".
"Andei num Neurologista que disse que parti o penedo, o rochedo ou lá o que é...".
"Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra nós".
"Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima...".
"A minha cabecinha começa assim a ferver e fico com ela húmida, assim aos tombos, a trabalhar".
"Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal".

As dores da coluna e do aparelho muscular e esquelético são difíceis de suportar:"Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência para a tensão alta".
"O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura".
"Já tenho os ossos desclassificados".
"Alem das itroses tenho classificação ossal".
"O meu reumatismo é climático".
"É uma dor insepulcrável".
"Tenho artroses remodeladas e de densidade forte".
"Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala".

O português bebe e fuma muito e desculpa-se com frequência:"Tomo um vinho que não me assobe à cabeça".
"Eu abuso um pouco da água do Luso".
"Não era ébrio nato mas abusava um pouco do álcool"
"Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios caseiros, a aguardente queimada faz-me muito bem".
"Eu sou um fumador invertebrado".

O aparelho digestivo origina sempre muitas queixas:"Fui operado ao panquecas".
"Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina".
"Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais baixo".
"Eu era muito encharcado a essa coisa da azia".
"Senhor Doutor a minha mulher tem umas almorródias que com a sua licença nem dá um peido".
"Tenho pedra na basílica".
"O meu marido está internado porque sangra pela via da frente e pinga pela via de trás".
"Fizeram-me um exame que era uma televisão a trabalhar e eu a comer papa".
"Fiz uma mamografia ao intestino".
"O meu filho foi operado ao pence (apêndice) mas não lhe puseram os trenos (drenos), encheu o pipo e teve que pôr o soma (sonda)".

Os medicamentos e os seus efeitos prestam-se às maiores confusões:"Ando a tomar o EspermaCanulado"- Espasmo Canulase
"Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião" - Sermion
"Andei a tomar umas injecções de Esferovite" - Parenterovit
"Era um antibiótico perlim pim pim mas não me fez nada" - Piprilim
"Agora estou melhor, tomo o Bate Certo" - Betaserc
"Tomo o Sigerom e o Chico Bem" - Stugeron e Gincoben
"Ando a tomar o Castro Leão" - Castilium
"Tomei Sexovir" - Isovir
"Tomo uma cábulas à noite".
"Tomei uns comprimidos "jaunes", assim amarelados".
"Tomo uns comprimidos a modos de umas aboborinhas".
"Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha".
"Estava a ficar com os abéticos no sangue".
"Diz lá no papel que o medicamento podia dar muitas complicações e alienações".
"Quando acordo mais descaída tomo comprimidos de alta potência e fico logo melhor".
"Ó Sra. Enfermeira, ele tem o cu como um véu. O líquido entra e nem actua".
"Na minha opinião sinto-me com melhores sintomas".

O que os doentes pensam do médico:"Também desculpe, aquela médica não tinha modinhos nenhuns".
"Especialista, médico, mas entendido!".
"Não sou muito afluente de vir aos médicos".
"Quando eu estou mal, os senhores são Deus, mas se me vejo de saúde acho-vos uns estapores".
"Gosto do Senhor Doutor! Diz logo o que tem a dizer, não anda a engasular ninguém".
"Não há melhor doente que eu! Faço tudo o que me mandam, com aquela coisa de não morrer".

quarta-feira, 26 de março de 2014

Crónica Rosário Breve - Quatro não-histórias para crestomatia alguma por Daniel Abrunheiro

1. Futebol

As formigas verdes querem comer, ou pelo menos matar, as brancas, que vêm contentes da casa das encarnadas, onde mataram e comeram na semana passada.
José Alves trabalha na Mutual e é fiel ao seu balão de anis, que toma ao balcão do senhor Assis. José Alves, branco, encarnadeja acintes ao senhor Assis, que, encarnado, reverdece de raiva.
Nisto, entra Filinto Elísio, um poeta de outro século. Não percebendo a discussão, sai de cena e vai tomar capilé a outro sítio, que alguém pintou de azul sem ser para provocar ninguém.

2. Acento Grave

Uma pessoa aclimata-se de pequenina a objectos preciosos que depois lhe tomam a vida.
Nalguns milhões de casos, a solidão colecciona selos: é a selidão.
Outros coleccionam pègadas, mantendo, por pura ortoteimosiagráfica, o acento grave.
Mulheres seleccionam amantes finos como caules de champanhe.
Rapazinhos domesticam rãs.
Menininhas adoram avôs.
No tudo, a vida e a morte coladas a cuspo pelo Tempo.
Depois, as segundas e as quintas dispersam-se como fins de feiras: horas ciganas, minut’oldos, segun’bancas, existir a saldo e a soldo, caixas aeróbicas com galinhas tísicas rodeadas de pintos de bairro social.
Eu fui escolhido por alguns Mundos de Aventuras (Matt Marriott, Wes Slade, Rip Kirby, Cisco Kid, Garth, Matt Dillon) com capas de Carlos Alberto, o mesmo de Camões e de Romeu e Julieta em cromos.
Uma pessoa é para o que nasce, é para o que morre.

3. Pensar em Si

O pensamento tem ruas onde entardece.
Também nessas ruas deflagra o pequeno comércio: frutas de furta-cores, flores de tela, sapatos de corda, relógios também de corda, café de cheiro, banco de frio numerário, açougue em sangue, farmácia asséptica, electrodomésticos de ocasião electrodoméstica, lotarias lá fora por uma vida melhor, próteses básicas.
O pensamento é uma (c)idade feita de outras (c)idades, trechos de aldeias e bosques, planos directores sem direcção de pormenor e, ainda ou até, placas de desorientação que dizem Coimbra, Leiria, Barrocal; Porto, Lisboa, Espanha; Albergaria, Londres, Guia; Viseu, Baleal, Carriço; Versalhes, Lameira, Lagares; Santiago, Santarém, Charneca.
Por tais ruas passam como segundos incertos certas pessoas pensadas a vagaroso contra-relógio: benignos fantasmas à hora do chá, de magras mãos depostas ao lado do prato de biscoitos sobre mesa-de-camilha. Nas paredes das ruas-de-pensar-nisso, há cartazes que antigueceram sem dor: touradas de outros verões, bailes de falidos outonos, recenseamentos eleitorais que coincidem com a época venatória, Julio Iglesias no Casino Atlântico, Marco Paulo no Viuveiro, vota Partido Nacional, uma Promoção a Pensar em Si.

4. A Dor, o Alívio

Não quero contar a dor, mas a memória da dor.
Fazer de conta que ela não me interessa nem existe senão na forma contada, dia a dia contada. Conto e conta: palavra e número: meus recursos.
Dias contados sem apelo e com agravo: histórias, imagens, lances, datas, pânicos, serenidades.
No fundo, o mar de terra vegetal, seus peixes calcários, seus tufos de espargos, trevo, funcho, um monte geodésico, o horizonte vertical do meu Irmão.
É isto que estou a fazer, enquanto a vida, de lado, me assiste, meteorológica, escrita, sem outra memória possível que a da invenção da dor deveras.
Recordo: o alívio de, comparada a vida com o céu nocturno de Verão, a dor não ter sentido. No sentido de não ter aonde ir. A dor, não ter aonde ir a dor: o alívio.
Era outro Verão. Tinha anoitecido. Cheirava a feno e a animais cansados no limite da doçura. O ar podia arredar-se à mão como a uma cortina.
Tudo tinha o ar de ter vivido o suficiente. As coisas mundiais muito bem dispostas no tabuleiro largo: o céu estilhaçado de cardumes de cristal, o monte de veludo negro parado como um touro, a terra estremecida de silveiras e ratos, os olhos do menino expostos à mais pobre e mais terrena imitação das estrelas: os pirilampos.
Eu não podia saber mais do que tudo. E tudo era a sombra ambulante de meu Pai: dupla sombra. Então, nessa outr’hora hoje falseada por minhas artes e manhas de aliviado, a felicidade era a moeda que luzia na arca.
Hoje, não tenho em que gastar esse dinheiro sem câmbio nem remissão.
Não importa.

Olha o céu. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Portugal na sátira de Henrique (site SAPO)




"A Batalha - 14 de Agosto de 1385" em BD a nova obra de Pedro Massano lançada no próximo dia 27

No dia 27 de março, a Gradiva publica A Batalha – 14 de Agosto de 1385, um livro de capa dura com banda desenhada da autoria de Pedro Massano ao longo das suas 88 páginas.

Eis a sinopse da editora: Páginas de História de Portugal iluminadas pelo traço inconfundível de Pedro Massano e as palavras dos cronistas da época. Um relato épico de um acontecimento marcante, com pranchas arrebatadoras e de grande beleza. A Batalha de Aljubarrota pela mão de um mestre, para oferecer e guardar para si. Este livro descreve o que foi um dia decisivo para Portugal. A 14 de Agosto de 1385, o exército comandado pelo rei D. Juan de Castela foi derrotado, no campo de S. Jorge, por uma força muito inferior de portugueses. Os heróis dessa jornada memorável foram Nun’ Álvares Pereira, D. João I, e a hoste heterogénea de quantos combateram sob as suas ordens. O autor Pedro Massano procurou, de acordo com as fontes históricas da época – Froissart, Castañeda, o próprio D. Juan e, sobretudo, Fernão Lopes – fazer justiça a esses quantos que souberam dar-nos uma nova vida e reinventar o seu país.
Entrevista ao autor por Geraldes Lino no http://divulgandobd.blogspot.pt


segunda-feira, 24 de março de 2014

Morreu Zé Penicheiro no dia 16 de Março de 2014, com 94 anos.(noticia dada por Fernando Campos)

O pintor José Penicheiro morreu no dia 16 de Março de 2012, com 94 anos.
Porque o conheci, julgo natural que me seja exigido um depoimento que vá um pouco para lá da ditirâmbica palermice circunstancial, habitual noutros meios. Tal seria indesculpável, dada a minha responsabilidade e a dimensão incontornável do artista.
Ficará para mais tarde. Por hoje, fiz-lhe um retrato. Com um abraço amigo.
http://ositiodosdesenhos.blogspot.pt/

todos os quadros têm teias de aranha no cu
Marcel Duchamp
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Nos anos oitenta do século passado, o chuveirinho de fundos perdidos proveniente da então CEE achou em Portugal solo fértil para o milagre económico e sociológico do novo-riquismo, que ficou popularmente conhecido por “cavaquismo”. Mas também acabou por proporcionar um outro fenómeno sociológico, e económico, inaudito na história de Portugal: a eclosão de um mercado de arte na província.
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É verdade. De repente, num país atrasado e atavicamente pouco dado a coisas do espírito - acabadinho de sair de uma ditadura de quatro décadas, de um pequeno sobressalto “revolucionário” e de duas intervenções assistenciais do FMI - pessoas acabadas de ascender a uma próspera e inesperada classe média-alta descobriram em si um ideal abstracto e, num inusitado interesse plo espírito das coisas, o amor acrisolado pela arte. Foi assim que médicos, engenheiros, advogados, magistrados, altos funcionários e pequenos empresários com poder aquisitivo e alma deconnoisseurs, de coleccioneurs ou de investideurs criaram as condições para que um pequeno núcleo de artistas, alguns já activos desde os anos 40 e 50, se pudesse dedicar à arte a tempo inteiro. Foi o caso de José Penicheiro.
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O poder autárquico, pla aquisição de obras e encomendas de arte pública, também deu um valioso contributo para a consagração destes petits maitres regionais; assim como o Serviço Nacional de Saúde que, com o seu generoso patrocínio das multinacionais do medicamento, permitiu a impressão mecenática de sucessivas e copiosas edições limitadas de serigrafias e litografias cujos exemplares, assinados e numerados pelos artistas, reproduziam originais e eram distribuídas, como oferendas, em alegres congressos médicos pla província - num contributo precioso, e definitivo, para a divulgação das suas obras e para a sua imensa popularidade.
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Na Figueira, por exemplo, não há casa nem casebre que não possua as paredes engalanadas com uma destas (já desbotadas, no caso das litografias) reproduções. O povo tinha mesmo os seus artistas preferidos. Contudo, nunca houve unanimidade. A admiração popular, tal como no futebol, ainda hoje se divide plos três grandes: Cunha Rocha, Mário Silva e José Penicheiro.
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E contudo, dos “três grandes”, Penicheiro era o artista menos óbvio para agradar ao novo gosto dos novos burgueses emergentes - o seu trabalho era prejudicado pela má qualidade dos suportes (cartão ou platex) e dos materiais (o guache e a tinta plástica) e o seu imaginário, enraizado ainda em modelos neo-realistas, era povoado de gente humilde e anónima numa paisagem ribeirinha sempre ligada ao universo do trabalho árduo e penoso: no salgado, na pesca, na lota, em andaimes e estaleiros - os novos-ricos, mesmo de origem humilde, não gostam que lho recordem. Também desprezam o trabalho duro, que acham desqualificado, e desconfiam da arte que o representa: invariavelmente acham-na subversiva ou, no mínimo, inconveniente. 
Mas foi isso mesmo que Penicheiro fez: encheu-lhes as paredes das vivendas e dos palacetes de trolhas e marnotos, costureiras, pescadores, moliceiros, lavadeiras e cavadores.
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A grande arte de Zé Penicheiro
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Filho de um carpinteiro, Zé Penicheiro começou pela caricatura em madeira. Bonecos em volume, como ele dizia. Auto-didacta orgulhoso (quase até à arrogância) aprendeu o desenho e aprimorou o traço na tarimba do humor gráfico e da caricatura de imprensa, nos anos de chumbo da censura. Desenhador compulsivo, o seu traço vigoroso, sintético e eloquente era alicerçado num sentido da composição rigoroso, numa sensibilidade de colorista requintado – adquiridos ao longo de muitos anos de trabalho na publicidade e na decoração – e num instinto ornamental que se foi tornando cada vez mais sofisticado e exuberante.
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Quando o conheci, em 1981, trabalhei com ele em publicidade. Aprendi imenso (a relevância do seu contributo para a linguagem desta arte de comunicação dava para escrever um tratado, um capítulo à parte na sua vasta obra criativa (só semelhante ao de outro figueirense, Cândido Costa Pinto. Este até com obra teórica publicada sobre o assunto, embora nunca tenha exercido actividade na região). Mas em 84 (ou 85), quando trabalhei para ele - na impressão serigráfica dos seus trabalhos – já ele se dedicava finalmente, em exclusivo, à sua paixão de toda a vida, a pintura. Tinha mais de sessenta anos.
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Numa idade em que a maior parte dos homens calça as pantufas e se senta ao borralho a olhar para ontem, Penicheiro preparava-se para começar outra vida. Criativa. E para consumar a sua obra – uma obra que teria, contudo, um carácter sempre reminiscente, também a olhar para ontem, numa espécie de interminável “Amarcord”. 
Todavia, ao contrário de Fellini, não existe em Penicheiro o conflito, o pormenor, o improviso, a blasfémia, o humor (ou o sarcasmo), a revolta, a gargalhada, a obscenidade, a subversão, o grito. 
Não há rostos, nem olhares, nem expressões na sua obra. Nem se vêem das mãos as linhas da vida, ou as unhas negras e as calosidades. Apenas vultos. Os homens, de chapéu; as mulheres, de lenço na cabeça, sempre curvada. Tudo sob um manto intrincado de manchas opacas, numa densa bruma esquartejada de harmoniosas decomposições tonais atenuadas. E uma indelével impressão de nostálgica e solene mansidão resignada. 
Penicheiro não pinta o que vê, pinta o que viu. Ou melhor, a impressão com que ficou.
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Foi esta visão sentimental, silenciosa e velada pela distância do tempo que talvez tenha tranquilizado os novos (e até os velhos) burgueses. A-do-ra-ram. Penicheiro tornou-se mesmo o artista mais premiado e homenageado  pelos “clubes de serviço”.  Arrematavam tudo, em alegres e selectas jantaradas. À peça ou à molhada. 
A consagração popular veio depois, naturalmente. O povo, como é sabido, aplaude sempre os vencedores.
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Porém, a coroa de glória de Zé Penicheiro, a verdadeira consagração, surgiu já quase no fim da sua vida (e carreira, que os artistas trabalham sempre até ao fim), em 2004: a encomenda de um mural monumental pela Universidade de Aveiro, para comemoração dos seus trinta anos.
Nada mal. Para um homem que se tinha feito a si próprio, que se gabava de nunca ter ido à escola e de toda-a-vida ter nutrido um sincero desprezo pelo conhecimento académico.

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXVIII - XII Salão Luso-Galaico de Caricatura Vila Real 2008

Capa de Siro Lopez

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXVII - Vozes Líricas do Séc. XX

2008

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CLXXVI - I Bienal de Humor "Luíz d' Oliveira Guimarães - Penela 2008