terça-feira, 25 de março de 2014
"A Batalha - 14 de Agosto de 1385" em BD a nova obra de Pedro Massano lançada no próximo dia 27
No dia 27 de março, a Gradiva publica A
Batalha – 14 de Agosto de 1385, um livro de capa dura com banda
desenhada da autoria de Pedro Massano ao longo das suas 88 páginas.
Eis a sinopse da editora: Páginas de
História de Portugal iluminadas pelo traço inconfundível de Pedro Massano e as
palavras dos cronistas da época. Um relato épico de um acontecimento marcante,
com pranchas arrebatadoras e de grande beleza. A Batalha de Aljubarrota pela
mão de um mestre, para oferecer e guardar para si. Este livro descreve o
que foi um dia decisivo para Portugal. A 14 de Agosto de 1385, o exército
comandado pelo rei D. Juan de Castela foi derrotado, no campo de S. Jorge, por
uma força muito inferior de portugueses. Os heróis dessa jornada memorável
foram Nun’ Álvares Pereira, D. João I, e a hoste heterogénea de quantos
combateram sob as suas ordens. O autor Pedro Massano procurou, de acordo
com as fontes históricas da época – Froissart, Castañeda, o próprio D. Juan e,
sobretudo, Fernão Lopes – fazer justiça a esses quantos que souberam dar-nos
uma nova vida e reinventar o seu país.
Entrevista ao autor por Geraldes Lino no http://divulgandobd.blogspot.pt
segunda-feira, 24 de março de 2014
Morreu Zé Penicheiro no dia 16 de Março de 2014, com 94 anos.(noticia dada por Fernando Campos)
O pintor José Penicheiro morreu no dia
16 de Março de 2012, com 94 anos.
Porque o conheci, julgo natural que me
seja exigido um depoimento que vá um pouco para lá da ditirâmbica palermice
circunstancial, habitual noutros meios. Tal seria indesculpável, dada a minha
responsabilidade e a dimensão incontornável do artista.
Ficará para mais tarde. Por hoje,
fiz-lhe um retrato. Com um abraço amigo.
http://ositiodosdesenhos.blogspot.pt/
http://ositiodosdesenhos.blogspot.pt/
todos os quadros têm
teias de aranha no cu
Marcel Duchamp
.
.
Nos anos oitenta do século passado, o
chuveirinho de fundos perdidos proveniente da então CEE achou em Portugal solo
fértil para o milagre económico e sociológico do novo-riquismo, que ficou
popularmente conhecido por “cavaquismo”. Mas também acabou por proporcionar um
outro fenómeno sociológico, e económico, inaudito na história de Portugal: a
eclosão de um mercado de arte na província.
.
É verdade. De repente, num país
atrasado e atavicamente pouco dado a coisas do espírito - acabadinho de sair de
uma ditadura de quatro décadas, de um pequeno sobressalto “revolucionário” e de
duas intervenções assistenciais do FMI - pessoas acabadas de ascender a uma próspera e inesperada classe
média-alta descobriram em si um ideal abstracto e, num inusitado interesse plo espírito das coisas, o amor acrisolado pela arte. Foi assim que médicos,
engenheiros, advogados, magistrados, altos funcionários e pequenos empresários
com poder aquisitivo e alma deconnoisseurs, de coleccioneurs ou de
investideurs criaram as condições para que um pequeno
núcleo de artistas, alguns já activos desde os anos 40 e 50, se pudesse dedicar
à arte a tempo inteiro. Foi o caso de José
Penicheiro.
.
O poder autárquico, pla aquisição de
obras e encomendas de arte pública, também deu um valioso contributo para a
consagração destes petits maitres regionais; assim como o Serviço Nacional de Saúde que, com o seu generoso
patrocínio das multinacionais do medicamento, permitiu a impressão mecenática
de sucessivas e copiosas edições limitadas de serigrafias e litografias cujos
exemplares, assinados e numerados pelos artistas, reproduziam originais e eram
distribuídas, como oferendas, em alegres congressos médicos pla província - num
contributo precioso, e definitivo, para a divulgação das suas obras e para a sua
imensa popularidade.
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Na Figueira, por exemplo, não há casa
nem casebre que não possua as paredes engalanadas com uma destas (já
desbotadas, no caso das litografias) reproduções. O povo tinha mesmo os seus
artistas preferidos. Contudo, nunca houve unanimidade. A admiração popular, tal
como no futebol, ainda hoje se divide plos três grandes: Cunha Rocha, Mário
Silva e José Penicheiro.
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E contudo, dos “três grandes”,
Penicheiro era o artista menos óbvio para agradar ao novo gosto dos novos
burgueses emergentes - o seu trabalho era prejudicado pela má qualidade dos
suportes (cartão ou platex) e dos materiais (o guache e a tinta plástica) e o
seu imaginário, enraizado ainda em modelos neo-realistas, era povoado
de gente humilde e anónima numa paisagem ribeirinha sempre ligada ao
universo do trabalho árduo e penoso: no salgado, na pesca, na lota, em andaimes
e estaleiros - os novos-ricos, mesmo de origem humilde, não gostam que lho
recordem. Também desprezam o trabalho duro, que acham desqualificado, e desconfiam da arte que o representa: invariavelmente acham-na
subversiva ou, no mínimo, inconveniente.
Mas foi isso mesmo que Penicheiro fez:
encheu-lhes as paredes das vivendas e dos palacetes de trolhas e marnotos,
costureiras, pescadores, moliceiros, lavadeiras e cavadores.
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A grande arte de Zé Penicheiro
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Filho de um carpinteiro, Zé Penicheiro
começou pela caricatura em madeira. Bonecos em volume, como ele dizia.
Auto-didacta orgulhoso (quase até à arrogância) aprendeu o desenho e aprimorou
o traço na tarimba do humor gráfico e da caricatura de imprensa, nos anos de
chumbo da censura. Desenhador compulsivo, o seu traço vigoroso, sintético e
eloquente era alicerçado num sentido da composição rigoroso, numa
sensibilidade de colorista requintado – adquiridos ao longo de muitos anos
de trabalho na publicidade e na decoração – e num instinto ornamental que se
foi tornando cada vez mais sofisticado e exuberante.
.
Quando o conheci, em 1981, trabalhei com
ele em publicidade. Aprendi imenso (a relevância do seu contributo para a
linguagem desta arte de comunicação dava para escrever um tratado, um capítulo à parte na sua vasta obra criativa (só semelhante ao de outro figueirense, Cândido
Costa Pinto. Este até com obra teórica publicada sobre o assunto, embora nunca
tenha exercido actividade na região). Mas em 84 (ou 85), quando trabalhei para ele - na impressão serigráfica dos seus
trabalhos – já ele se dedicava finalmente, em exclusivo, à sua paixão de toda a
vida, a pintura. Tinha mais de sessenta anos.
.
Numa idade em que a maior parte dos
homens calça as pantufas e se senta ao borralho a olhar
para ontem, Penicheiro preparava-se para começar outra vida. Criativa. E para
consumar a sua obra – uma obra que teria, contudo, um carácter sempre
reminiscente, também a olhar para ontem, numa espécie de
interminável “Amarcord”.
Todavia, ao contrário de Fellini, não
existe em Penicheiro o conflito, o pormenor, o improviso, a blasfémia, o humor
(ou o sarcasmo), a revolta, a gargalhada, a obscenidade, a subversão, o
grito.
Não há rostos, nem olhares, nem
expressões na sua obra. Nem se vêem das mãos as linhas da vida, ou as unhas
negras e as calosidades. Apenas vultos. Os homens, de chapéu; as mulheres, de
lenço na cabeça, sempre curvada. Tudo sob um manto intrincado de manchas
opacas, numa densa bruma esquartejada de harmoniosas decomposições tonais
atenuadas. E uma indelével impressão de nostálgica e solene mansidão
resignada.
Penicheiro não pinta o que vê, pinta o
que viu. Ou melhor, a impressão com que ficou.
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Foi esta visão sentimental, silenciosa e
velada pela distância do tempo que talvez tenha tranquilizado os novos (e até
os velhos) burgueses. A-do-ra-ram. Penicheiro tornou-se mesmo o artista mais
premiado e homenageado pelos “clubes de serviço”. Arrematavam tudo,
em alegres e selectas jantaradas. À peça ou à molhada.
A consagração popular veio depois, naturalmente.
O povo, como é sabido, aplaude sempre os vencedores.
.
Porém, a coroa de glória de Zé
Penicheiro, a verdadeira consagração, surgiu já quase no fim da sua vida (e
carreira, que os artistas trabalham sempre até ao fim), em 2004: a
encomenda de um mural monumental pela Universidade de Aveiro, para comemoração
dos seus trinta anos.
Nada mal. Para um homem que se tinha
feito a si próprio, que se gabava de nunca ter ido à escola e de toda-a-vida
ter nutrido um sincero desprezo pelo conhecimento académico.
domingo, 23 de março de 2014
Cortador de profissão (Grande poeta é o povo)
Chamo-me Passos Coelho
Cortador de profissão
Corto ao jovem, corto ao velho,
Corto salário e pensão
Corto subsídios, reformas
Corto na Saúde e na Educação
Corto regras, leis e normas
E cago na Constituição
Corto ao escorreito e ao torto
Fecho Repartições, Tribunais
Corto bem-estar e conforto,
Corto aos filhos, corto aos pais
Corto ao público e ao privado
Aos independentes e liberais
Mas é aos agentes do Estado
Que gosto de cortar mais
Corto regalias, corto segurança
Corto direitos conquistados
Corto expectativas, esperança
Dias Santos e feriados
Corto ao polícia, ao bombeiro
Ao professor, ao soldado
Corto ao médico, ao enfermeiro
Corto ao desempregado
No corte sou viciado
A cortar sou campeão
Mas na gordura do Estado
Descansem, não corto, não.
Eu corto
a Bem da Nação
Cortador de profissão
Corto ao jovem, corto ao velho,
Corto salário e pensão
Corto subsídios, reformas
Corto na Saúde e na Educação
Corto regras, leis e normas
E cago na Constituição
Corto ao escorreito e ao torto
Fecho Repartições, Tribunais
Corto bem-estar e conforto,
Corto aos filhos, corto aos pais
Corto ao público e ao privado
Aos independentes e liberais
Mas é aos agentes do Estado
Que gosto de cortar mais
Corto regalias, corto segurança
Corto direitos conquistados
Corto expectativas, esperança
Dias Santos e feriados
Corto ao polícia, ao bombeiro
Ao professor, ao soldado
Corto ao médico, ao enfermeiro
Corto ao desempregado
No corte sou viciado
A cortar sou campeão
Mas na gordura do Estado
Descansem, não corto, não.
Eu corto
a Bem da Nação
sábado, 22 de março de 2014
Às Quintas falamos de BD - 27 de Março 21h no CNBDI da Amadora - Heróis de Papel - Batman 75 Anos
O próximo encontro dedicado aos 75 Anos de Batman é já na próxima quinta-feira, dia 27 de março, pelas 21h00.
Para nos falarem deste super-herói norte-americano estarão presentes João Miguel Lameiras – especialista em banda desenhada que dará a conhecer o nascimento de Batman e desvendará um pouco da sua história – Luís Salvado – jornalista especializado em BD e cinema que recordará as várias vidas de Batman no cinema e a forma como todas elas refletiram não só as adaptações da BD ao grande ecrã mas, também, todo o cinema popular do respetivo período – e, ainda, José de Freitas, ex-editor da Devir que publicou Batman nos anos 2000.
Apareça! Na próxima quinta-feira venha tomar um café ao CNBDI e conhecer um pouco mais sobre a vida deste super-herói.
EXPOSIÇÃO “RISO AMARELO” – OBRAS DE JOSÉ DE LEMOS – ATÉ DIA 9 DE ABRIL – CASA DA CULTURA DE SETÚBAL
Uma exposição de desenhos
do antigo “Riso Amarelo”, rubrica criada pelo ilustrador José de Lemos no
extinto Diário Popular, encontra-se patente na Casa da Cultura, em Setúbal.
A mostra, patente até 9 de abril, exibe algumas das ilustrações publicadas no
vespertino, com a particularidade de suprimir a legendagem original de cada
trabalho, o que deixa ao imaginário dos visitantes a interpretação das figuras
e realça o rigor da linguagem estética de José de Lemos.
O acervo em exposição pertence a Eugénio Fidalgo, proprietário do restaurante Fidalgo, em Lisboa, a quem o ilustrador ofereceu muitas das criações de o “Riso Amarelo”.
A mostra, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal e pelo atelier DDLX, foi inaugurada pelo ilustrador José Ruy e por Rosário Alçada Araújo.
A mostra, de entrada livre, pode ser visitada na Galeria de Exposições da Casa
da Cultura de terça a quinta-feira, das 10h00 às 24h00, às sextas-feiras e aos
sábados, das 10h00 à 01h00, e aos domingos, até às 20h00.
O acervo em exposição pertence a Eugénio Fidalgo, proprietário do restaurante Fidalgo, em Lisboa, a quem o ilustrador ofereceu muitas das criações de o “Riso Amarelo”.
A mostra, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal e pelo atelier DDLX, foi inaugurada pelo ilustrador José Ruy e por Rosário Alçada Araújo.
José de Lemos nasceu em 1910 e morreu em 1995. Além de criar o “Riso Amarelo”,
rubrica que se tornou famosa pela visão crítica da sociedade portuguesa da
época através de desenhos e comentários assertivos, notabilizou-se ainda por um
vasto conjunto de trabalhos desenvolvidos na área do desenho e da ilustração,
além de criar diversas obras de cariz infantil, para as quais concebeu as
imagens, assim como as histórias.
terça-feira, 18 de março de 2014
domingo, 16 de março de 2014
Crónica Rosário Breve - Onde falam homens/ calam-se estátuas por Daniel Abrunheiro
Eu agora era o Salgueiro Maia/
capitão não de mas por Portugal/ eu agora como sempre até agradeceria que nem
me mudassem de sítio/ isto porque o sítio onde eu estiver há-de ser sempre
apenas o sítio onde eu me quiser/ eu morto ou vivo/ ou eu mais vivo agora até
do que nunca/ hoje até se calhar/ mais
do que alguma vez/ preciso sou do que no sítio onde estou/ escusado é até que
chamem Liberdade ao Jardim onde me puserem/ liberdade há-de
ser sempre o sítio onde homens como eu estiverem/ nunca na puta-da-vida liguei
a efemérides de busto-em-vida/ da minha vida a despedida terá sido fugaz mas
nunca arrependida/ a chatice do cancro/ chove Deus ou o Diabo por ele a
cancros/ a melancolia de deixar pesarosa a mulher que tive por privada rosa/
mudar-me de sítio para quê? / mudem mas é de sítio a des-gente do meu País/
esta sub-canalha que nunca há-de ser feliz/ não de azimute-topografia/ não a
mera rectangular geografia/ mudem-se-vos antes dessa estranha gente canalha que
mais despreza a terra contra quem mais a trabalha/ e que faz de todos nós
connosco mesmos mudos da surdez da voz/ um País de si mesmo Pátria indiferente/
uma estátua de sal para mim não é ser natural/ é nocivo/ é virtual/ alguém que
pela tarde fria/ da História-Pátria-Mitologia/ viu na estátua de sal/ um tal Salgueiro
Maia tudo menos real/ alguém que olhou para trás e se arrependeu/ ora tal tipo
de gajo ou capitão nunca fui eu/ tive pena até do Marcello do catano com dois éles/ coitado/ ratito encafuado no Carmo/ onde o cerca-sitiei/ por e
de maneira que eu cá sei/ na manhã atónita vibrava o megafonialtifalante/ como
quem vibrava o nítido futuro naquele mesmo instante/ do cravo o rendilhado
rubroverdeava tanta coisa rouca/ que até ser livre/ começando-o só a ser/
parecia coisa tão pouca/ e a minha mulher tão preocupada em casa/ as
mães-mulheres deste País/ desinfeliz/ tão preocupadas em casa/ rosa/ asa/ digo/
mulher em casa/ sem saber se ir a pé a Fátima/ se de chaimite ao futuro/ um
homem é um homem/ uma rosa é um País/ é um homem com mulher/ lembro-me agora/ estátua/
de ter mudado de sítio por ter sido eu a querer fazê-lo/ bronze ou não/ sal ou
sopas/ quero lá saber/ eu agora não era isso/ eu estátua é que nunca fui/ estátua
é que eu nunca fui não/ saí de Santarém e vi Lisboa/ a madrugada era boa/
amanhã ainda sou Salgueiro & Maia & Capitão.
O País é que se calhar não.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Inauguração da Exposição "Éros uma fez... o humorista Zé Manel" no CNBDI da Amadora dia 13 de Março
Galeria de Exposições Temporairas do CNBDI da Amadora (Av. do Brasil)
As BDs
Os Cartunes
Os Vereadores da Câmara Municipal da Amadora, Osvaldo Macedo de Sousa (comissário da Exposição) e o Artista - Zé Manel
A Vereadora da Câmara Municipal da Moura (responsável pela organização desta exposição para o Moura BD 2013) dizendo uma palavras. Atrás Cristina Gouveia a Directora do CNBDI
O Mestre José Ruy e esposa observando a produção bilbiográfica de Zé Manel
De vermelho Carlos Rico o Director do Moura BD e também um dos responsáveis desta exposição
O Presidente da Câmara Municipal de Moura, A Directora do CNBDI (Cristina Gouveia) e o Vereador da Câmara Municipal da Amadora
"Zoo Fluo" Workshop de Diários Gráficos Montepio Geral + Richard Câmara
Já estão abertas as INSCRIÇÕES, para o meu próximo WORKSHOP DE DIÁRIOS GRÁFICOS com o título "Zoo Fluo", no sábado 5 de Abril de 2014 das 10h às 20h, no Jardim Zoológico de Lisboa. E uma vez mais, a inscrição neste workshop já inclui um bilhete gratuito no Zoo para cada um dos participantes (cortesia do Montepio Geral). Por isso não deixem a vossa inscrição para o final porque as vagas são limitadas... Toda a info AQUI.

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