quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O XV Salão Luso-Galaico de Caricatura – Douro 2013 na Biblioteca Municipal do Peso da Régua de 10 a 31 de Janeiro' 2014,

O XV Salão Luso-Galaico de Caricatura – Douro 2013 viaja até ao Peso da Régua cumprindo o circuito pelas cidades do Eixo Urbano do Douro - Na Biblioteca Municipal do Peso da Régua de 10 a 31 de Janeiro' 2014, uma organização da Douro Alliance – Eixo Urbano do Douro e produção da Humorgrafe



A Biblioteca Municipal do Peso da Régua recebe,de 10 a 31 de Janeiro, a exposição do Salão de Caricatura nas suas instalações que se encontram abertas ao público entre as 10h e as 19h de Segunda a Sábado.
Em exposição estarão 74 trabalhos de mais de 40 artistas, portugueses e espanhóis, que concorreram à edição deste ano do Salão de Caricatura que teve como tema o Património Arquitectónico do Douro na sua vasta expressão de intervenção humana quer na estrutura geográfica quer na infindável quantidade de monumentos megalíticos, medievais e barrocos… ou mesmo contemporâneos.
Alternando entre artistas portugueses e galegos, nesta edição, e depois do tributo feito a Xosé Lóis González Vasquez em 2011, a organização homenageia o conceituado artista António Santos, que se tem celebrizado como Santiagu. O caricaturista presidiu ao Júri, foi convidado a desenhar a imagem da edição deste ano e uma exposição dedicada exclusivamente ao seu trabalho foi integrada no Salão de Caricatura. 


A celebração da chegada da Caricatura ao Peso da Régua faz-se também com a realização de um workshop de desenho humorístico, orientado por Santiagu, e dirigido aos alunos de artes da Escola Secundária João de Araújo Correia.






Lembramos que o Salão esteve já patente nas cidades de Vila Real, em Julho, e Lamego, em Setembro. Chega, agora, ao Peso da Régua cumprindo a itinerância pelo Eixo Urbano do Douro.

Uma organização da Douro Alliance – Eixo Urbano do Douro e produção da Humorgrafe.

Crónica Rosário Breve - O Henrique, o David e eu com dentes novos por Daniel Abrunheiro


Pode ser uma chatice, isto de acordar às seis da manhã já vestido e na pastelaria já. À saída do transe, a vida põe-se toda a saber a bolos de ontem e a aguadilha de café refervido. Na nublação, as caras não chegam a rostos: parecem, antes, moedas gastas, trocos indiferentes de nota nenhuma cujo único câmbio áureo é o amarelo do alerta-idem que há semanas invernosamente varre o litoral continental de Norte a Sul.
A coisa agrava-se se, como segunda-feira passada foi o meu caso, for manhã de ir ao dentista. Lá estive, de bocarra escancarada como betoneira mole, exposto ao doutor que implacavelmente me garimpava poços novos naquela parte do corpo que uso para urdir sílabas, cuspos e ontens cariados. Mas estou melhor, obrigadinho, isto passa – como tudo passa.
“Toda a gente quer endireitar o mundo; ninguém quer ajudar o vizinho.”
Assim fala um homem chamado Henrique Moleiro. Por apreciar o que dele ouço, presto-lhe uma atenção mais por escrito. Não faz mal que tenham dado já as nove e ¼ e que por isso seja eu o único freguês da confeitaria, tirante a empregada, que é Deolinda e também sofre dos dentes. Não faz mal que Henrique seja de facto Henry e Miller em vez de Moleiro, que o que lhe ouço dizer esteja afinal escrito em Max e os Fagócitos Brancos, prosa que escancarei no tampo da mesa, à maneira da própria boca no trono reclinado do odontologista, para melhor suporte meu da realidade dos outros.
Faz-se entretanto horas-de-não-sei-quê. No entrementes, chega o David Jornaleiro com os jornais do dia para leitura gratuita dos fregueses. A Deolinda dá-lhe a esmola discreta do galão-pão-com-margarina, esta afinal sempre ajuda o vizinho ao contrário do que o Miller diz, o David é vizinho de toda a gente por ser sem-abrigo, isto de entregar os jornais pelos Cafés e de andar aos recados é um favor que lhe deixam fazer a troco do pão-margarina de cada dia. O mundo que se endireite por conta própria, afinal o David sempre faz pela vida, que a esperança pode ser a última a morrer mas cada um de nós é o penúltimo a fazer o mesmo.
O jornal traz a doutrina do costume: ex-maridos que, possessos de furioso ciúme venatório, caçadeiram as ex-mulheres, multibancos estoirados à botija, velhotes que, como pescadores em terra, amanhecem afogados dentro de poços a céu-aberto (como a minha bocarra no dentista segunda-feira passada, já não me lembro se Vos falei disso já), baixas mortais da guerra civil em que o trânsito rodoviário se tornou, Cavaco escrevendo Direita por linhas mortas. E São Cristiano Ronaldo, espécie de anjo feliz com lágrimas que, na esteira multigloriosa de Santo Eusébio, nos reitera o rotativismo monárquico-geracional do “rei morto, rei posto”.
Vale-nos, de França, que uma certa errante fragrância parisiense de sedosas saias e de anáguas emanuellianas, com furtivos motociclos abandonando de madrugada o ninho-de-amor à mistura, nos chega das peripécias com uma actriz até jeitosinha frequentada a nu pelo senhor presidente gaulês, monsieur que, por se chamar Hollande, sempre dá outro prospecto erótico a moinhos rouges e a tulipas abaixo do nível do mar em plenos Champs Elysées. Nos arredores tristonhos desse divertimento com Tour Eiffel ao fundo, aqui a maltosa cá vai aprendendo inglês pelo lado mais dark da moon, que é como por mania os Bifes chamam a uma coisa que se vê logo ser a Lua. Exemplos desse poliglotismo: bullying escolar (suicídio do miúdo de 15 anos no concelho de Braga), carjacking (com fartura e por todo o lado), rating (agências ratonas de Wall Street em desprezo total pelas Constituições ex-livres e ex-democráticas das nações), spread (manigâncias tipo usura-à-BPN), swaps (tipo papagaio-louro-de-bico-amarelo-põe-as-pensões-pobres-dentro-dum-chinelo): e tudo isto com sotaque à Lauro António, tipo léte-se-lu-két’da-trêila.

Indiferentes a tais apuros apenas humanos, porém, a Grande Roda do Tempo marcha em ímpia surdez rumo ao próximo Natal via Época-de-Incêndios-Caça-ao-Bombeiro-do-Verão. Que até lá, enfim, nos não doa fisicamente a cabeça. Ou os dentes. A mim de certeza que não, digo os dentes, que por essa altura já não hei-de ter nenhum dos naturais, por tê-los estragado com bolos tão de ontem como a vida, mas sim daqueles que fazem do sorriso um pequeno milagre feito de resina acrílica, cuspinhenta e silábica, ó Deolinda.

Reportagens do Festival Internacional BD da Amadora com notas sobre o AmadoraCartoon 2013


Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CXX - V Salão Luso-Galaico de Caricatura - Vila Real 2001

Odisseia em Vila Real com capa de Zé Oliveira

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CXIX - XV Salão Nacional de Humor de Imprensa - Oeiras 2001

Prosseguindo na organização e produção deste Salão que outorgava os prémios nacionais de humor de imprensa. Capa de Eduardo Esteves

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CXVIII - Carlos Laranjeira Recordando 10 Anos de Cartoon

2001 - Prefaciei e organizei para a Câmara Municipal de Espinho esta retrospectiva de Carlos Laranjeira

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CXVII - Os Compadres de Sergei

Prefaciei este álbum de Paulo Teixeira (Sergei)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Humour de René Bouschet




Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CXVI - João Abel Manta

Prefácio do catalogo da exposição sobre João Abel manta que o Museu da Cidade - Edifício Chiado organizou deste mestre.

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CXV - Humor Contemporâneo Português

2001 - Museu de Humor de Fene (Galiza - España) Capa de Xaquin Marin (Director do Museu)

Livros sobre Humor e caricatura com textos de Osvaldo Macedo de Sousa - CXIV - - Caricaturartes - 2º Fest. Internacional de caricatura - Seixal 2001


O Barão de Itararé

"O que se leva desta vida é a vida que a gente leva" uma das frases antológicas de Barão de Itararé

Frases impagáveis do Barão de Itararé

Criador do jornal “A Manha”, o Barão ridicularizava ricos, classe média e pobres. Não perdoava ninguém, sobretudo políticos, donos de jornal e intelectuais.
Ele não era barão, é claro. Mas deu-se o título de nobre e nobre se tornou. O primeiro nobre do humor no Brasil. Debochava de tudo e de todos e costumava dizer que, “quando pobre come frango, um dos dois está doente”.Ele é um dos inventores do contra-politicamente correto.
Há muito que o gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé (1895-1971) merecia uma biografia mais detida. Em 2003, o filósofo Leandro Konder lançou “Barão de Itararé — O Humorista da Democracia” (Brasiliense, 72 páginas). O texto de Konder é muito bom, mas, como é uma biografia reduzida, não dá conta inteiramente do personagem, uma espécie de Karl Kraus menos filosófico mas igualmente cáustico.
Quatro anos depois, o jornalista Mouzar Benedito lançou o opúsculo “Barão de Itararé — Herói de Três Séculos (Expressão Popular, 104 páginas). É ótimo, como o livrinho de Konder, mas lacunar. No final, há uma coletânea das melhores máximas do humorista, que dizia:

“O uísque é uma cachaça metida a besta”.
O que se leva desta vida é a vida que a gente leva.
A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.
Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.
Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.
Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar.
Mantenha a cabeça fria, se quiser ideias frescas.
O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.
Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
Quem empresta, adeus.
Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.
O fígado faz muito mal à bebida.
O casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e um religioso.
A alma humana, como os bolsos da batina de padre, tem mistérios insondáveis.
Eu Cavo, Tu Cavas, Ele Cava, Nós Cavamos, Vós Cavais, Eles Cavam. Não é bonito, nem rima, mas é profundo…
Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.
Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra!
Devo tanto que, se eu chamar alguém de “meu bem”, o banco toma!
Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta…
Tempo é dinheiro. Paguemos, portanto, as nossas dívidas com o tempo.
As duas cobras que estão no anel do médico significam que o médico cobra duas vezes, isto é, se cura, cobra, e se mata, cobra.
O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
Em todas as famílias há sempre um imbecil. É horrível, portanto, a situação do filho único.
Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados.
Quem não muda de caminho é trem.
A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.
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