quinta-feira, 28 de março de 2013


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António Ferreira dos Santos (F´Santos)

segunda-feira, 25 de março de 2013

Correia Dias um Pioneiro do Modernismo inaugura no dia 3 de Abril em Vila Real

Fernando Correia Dias (Lamego 10/11/1892 - Rio de Janeiro 19/11/1935)
A exposição retrospectiva organizada pela Douro Alliance e produzida por Osvaldo Macedo de Sousa, integrada nas comemorações dos 120 anos do nascimento deste genial artista realizadas em Lamego em Novembro de 2012 vai estar agora patente no Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real de 3 a 28 de Abril. é uma oportunidade única de se descobrir uma pequena parte da obra genial deste grande artista luso-brasileiro, responsável pela dinâmica modernista nos dois países no âmbito do desenho satírico  da caricatura, da ilustração, do design gráfico, da cerâmica, das artes decorativas, das artes aplicadas, da pintura...

Habemus Papa em cartoons de Lailson




Habemus papa in cartoons de Pedro Molina



www.pxmolina.com


Europe in cartoon by Christian Indus




Viva a Graciete - Rosário Breve por Daniel Abrunheiro


Viva a Graciete - Rosário Breve por Daniel Abrunheiro

Tive um sonho em que apareciam como protagonistas Passos Coelho e Lee Harvey Oswald. Já não me lembro do enredo, só que acordei feliz.
Levantei-me, pois, fresco e retemperado. Na cozinha, liguei o rádio e aqueci café. A antena debitava pela enésima vez as últimas (ou as primeiras) de Francisco I, o novo sumo pontífice. “Com papas e bolos se engana os tolos”, surdinei eu, ferrando um bolo entre goles de chávena. Lavei-me à gato com água do bidé. Ambas as torneiras do lavatório estão perras, mas é que, como vos disse na semana passada, já não há canalizadores em Portugal. Tenho em Espanha um primo que percebe disso, mas o Gaspar já disse que até pelo menos 2015 ele não volta. Quer dizer que até 2021 o não vejo. Ao meu primo.
Penteei-me com um resto de brilhantina de um boião que me deram no Natal de 2008, época em que (é curioso, enquanto escrevo, que tal me ocorra) eu já tinha sonhos tipo Sócrates & Buíça. Olhei-me ao espelho: parecia a Gioconda penteada a leite. Fiquei satisfeito, até porque não sou dos desempregados mais carrancudos da viela.
Voltei à cozinha, meti quatro bolachas-maria no bolso esquerdo da jaqueta e na direita uma garrafa que foi de iogurte líquido meia de aguardente vínica que a tonta da minha senhora se esqueceu ontem de esconder depois de assar o chouriço de colorau que a mãe dela nos deu por pena. Fiz-me então ao rio da rua. Chovia, última coisa que Deus ainda dá.
O café da Graciete tem desde sábado a bica a cinquenta cêntimos outra vez. Baixou dez para chamar de volta os fregueses. Graciete e Gaspar, em inteligência, só têm de comum a primeira letra do nome. Como meio euro é o que as pessoas que ainda têm carro dão para estacionar, ninguém explicou ainda porquê, a Graciete voltou a ter de manhã, certinhos, cinco de nós, arrumadores.
Tomei a bica devagar para parecer muita. De frio, o último sorvo sabe a gato molhado, mas paciência: ao menos habemus papam, que é como se diz tolo em latim.
Fui então, por assim dizer, trabalhar. Foi uma manhã mais ou menos: fiz quatro euros e trinta e dois tostões – tive uma senhora que se me desfez em desculpas mas que só tinha pretas, como agora acontece nos investimentos pós-coloniais em Portugal. Por ser bom gajo, disse-lhe que ela para a próxima me dava dois euros e ficámos assim muito amigos tipo troika.
Comi as bolachas, poupei para um aperto da tristeza quanta vínica pude e voltei à Graciete, devia ser quê, uma e meia já. Bebi dois bagaços com o Zé Pisco que faz o estacionamento do mercado da fruta, o sortudo, o leiteiro. Como o Record estava ocupado pelo gajo da farmácia, bocejei as cáries e deixei-me estar a pensar em nada, que é o desporto preferido do nosso povo a seguir ao futebol. Alguém porreirinho-pá deve ter pago mais alguns cálices valentaços, também já não me lembro, isto de beber é como nos sonhos, vale que um gajo se esquece até do mal, quanto mais do bem, o certo é que já não fui, por assim dizer, trabalhar todo o resto da parte da tarde.
Dei por mim era já noite (e eu matéria dela, noite), por modos que arrepimpado no rebordo do chafariz e de cós virado para as gárgulas premonitórias de uma improvável pedra-de-Ançã talhada num século diferente e talvez melhor do que este. Nem triste nem eufórico, eu. Algo desalentado, apenas, desse desalento de cortiça que faz ranger a pituitária aos bebedores sem alegria nem lembrança.
Desalentado, digo, porque eu nem toda a vida quis ser arrumador. A falar verdade, o que eu queria mesmo era ser o Oswald. Ou o Buíça, que sempre era português.
E professor, como eu também já fui.

terça-feira, 12 de março de 2013

GOGUE no WASHINGTON POST


Salão Internacional de Humor recebe inscrições para edição histórica dos 40 anos


Salão Internacional de Humor recebe inscrições
para edição histórica dos 40 anos

O Salão Internacional de Humor de Piracicaba celebra quatro décadas em 2013. Para participar dessa edição histórica, artistas profissionais e amadores devem se inscrever até o dia 19 de julho. Os prêmios somam R$ 43 mil e os trabalhos podem ser enviados pela internet ou via Correios. O regulamento está disponível no site salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br.

Cada artista pode enviar no máximo três obras, com tema livre, por categoria: Cartum, Caricatura, Charge e Tiras/HQ. Também são aceitas obras tridimensionais com teor humorístico. O prêmio para cada uma delas é de R$ 5 mil. Na 40ª edição, a organização também sugere o desenvolvimento de obras sobre Futebol, que concorrerão ao prêmio temático de R$ 5 mil.

O Salão conta, ainda, com o Prêmio Aquisitivo Câmara de Vereadores de Piracicaba (R$ 3.131,11), exclusivo para Caricatura; o Grande Prêmio Salão de Humor de Piracicaba – Zélio de Ouro (R$ 10 mil), concedido ao melhor entre os premiados; e o Prêmio Júri Popular Alceu Marozi Righetto (R$ 5 mil), criado em 2012. Além do valor monetário, os autores premiados recebem troféus (criação de Zélio Alves Pinto).

ALCEU RIGHETTO – Criado no ano passado por lei municipal, o Prêmio Júri Popular Alceu Marozi Righetto homenageia um dos idealizadores do Salão e a escolha do vencedor se dá por meio de votação pública no site oficial do evento. Na estreia do prêmio, Fabrício Rodrigues Garcia, o Manohead, ficou em primeiro lugar com uma caricatura de Winston Churchill.

Righetto pertencia ao grupo que criou o Salão em 1974 e quatro anos depois se tornou o primeiro secretário da Ação Cultural em Piracicaba. Jornalista, radialista e educador com mais de 30 anos de atuação na rede estadual de ensino, ele morreu em 17 de junho de 2008, aos 70 anos.

O diretor do CEDHU Piracicaba (Centro Nacional de Humor Gráfico de Piracicaba), Eduardo Grosso, adianta que novos prêmios podem surgir até a abertura do evento. “Com o sucesso e a consolidação do Prêmio Alceu Righetto, trabalhamos para uma edição realmente especial em 2013, buscando parcerias com empresas para aumentar a premiação”, diz Grosso.

CARTAZ – O cartaz comemorativo da 40ª edição foi escolhido de maneira única, por meio de concurso contemplado na lei municipal nº 7.295/2012. Além do prêmio aquisitivo de R$ 4 mil, o artista Daniel Kondo, de Cotia (SP), tem a honra de assinar o cartaz desta edição.
 
“Pensamos em maneiras de tornar os 40 anos do Salão em um evento inesquecível. O cartaz é a identidade da edição e já contou com assinaturas de grandes nomes, como Glauco, Ziraldo, Zélio, Millôr Fernandes, Laerte e tantos outros”, comenta a secretária da Ação Cultural, Rosângela Camolese.

NÚMEROS – O Salão de Humor de Piracicaba, um dos mais tradicionais do mundo, realizou no ano passado a maior mostra da história do evento, com 436 obras, selecionadas entre 3.442 inscritas. Ao júri de seleção coube analisar os trabalhos de 845 artistas de 64 países.

Realizado pela Prefeitura do Município de Piracicaba, por meio da Secretaria da Ação Cultural, e pelo CEDHU Piracicaba, o 40º Salão abre sua mostra oficial no dia 24 de agosto, no Engenho Central, com visitas até 20 de outubro. A seleção está programada para 3 e 4 de agosto e o anúncio dos premiados para 17 de agosto. O jornalista e publicitário Carlos Colonnese, um dos fundadores do evento, é o presidente desta edição.

SERVIÇO – Inscrições para o 40º Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Até 19 de julho. Informações e envio de trabalhos: CEDHU Piracicaba (avenida Maurice Allain, 454, Parque do Engenho Central, Piracicaba-SP – CEP 13405-123). Informações: (19) 3403-2615, contato@salaodehumor.piracicaba.sp.gov.brou www.salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br.

Assessoria de imprensa do 40º Salão Internacional de Humor de Piracicaba
Press office of the 40th International Humor Exhibition of Piracicaba
Marcela Delphino (19) 9645-0009 | Rodrigo Alves (19) 9147-5733

sábado, 9 de março de 2013

André Carrilho ilustra Painel da "Vanity Fair"




Agim Sulag in United Kingdom


Exposição de cartoons de Antonio Ferreira dos Santos "Errare Urbanum Est"


O Humor de Lailson









Papa Bento XVI na caricatura


Marinela Nardi

Pedro Molina

M. Avilez

Tango Eterno por Francisco Puñal in Siglo XXI


16º Concurso de Banda Desenhada e Cartune - MouraBD


Com o regresso do Salão Moura BD, na sua 18ª edição, decorre igualmente o 16º Concurso de Banda Desenhada e Cartune. Uma oportunidade que apela ao espirito criativo de todos quanto queiram, porque está aberto à participação de artistas nacionais ou estrangeiros. Há prémios monetários e a exposição dos melhores trabalhos. Deixo aqui uma síntese que não dispensa a consulta do regulamento oficial que pode ser efectuada neste link.
  • O concurso decorre dentro de duas modalidades: banda desenhada e o cartune, que engloba o desenho de humor e a caricatura.
  • O tema dos trabalhos é livre.
  • Os trabalhos podem ser apresentados a cores ou a preto e branco, em qualquer técnica ou suporte, num formato máximo de 50 x 50 cm, embora para efeitos de publicação se aconselhem o A4 (210 x 297 mm) e o A3 (297 x 420 mm).
  • A data limite para envio dos trabalhos é de 1 de Abril de 2013 (data do carimbo dos CTT).
  • Em cada escalão haverá um prémio monetário para o vencedor.
  • Os melhores trabalhos serão expostos no MOURA BD 2013 que se realiza entre 19 de Abril e 1 de Maio.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Antes cavalo nos relinche, que asno nos Ulrich - Crónica de Daniel Abrunheira


A revista Forbes ulrichou recentemente a filha do presidente vitalício de Angola como primeira mulher afrobilionária. E isto dá-se, vergonhosamente, ao mesmo tempo que a UNICEF, sempre boazinha como o padre Melícias e a senhora Maria Barroso desde o susto da avionet’UNITA  do filho na Jamba, se propõe outra vez pedinchar por aí umas migalhas de milhões de dólares “para” (mas é mentira, como tudo o que faz esta espécie de gente) as crianças subnutridas da malograda Angola. O que eu digo à UNICEF é que os vá pedir à Isabelinha. De volta. Que os milhões, um dia, devem desmilhõenar-se de volta a quem os criou.

Belinha por Belocas, acontece portugalmente à custa dos carneiros que Isabel Diana Bettencourt Melo de Castro Ulrich (pois, Ulrich) foi re-ulrichada por Cavaco a 9 de Março de 2011 como “consultora” da Casa Civil da Presidência da República. Já o era desde 2006. Ena de carreira! No Diário da República, a profissão da senhora é “funcionária do PSD”. É demasiada profissão, digo eu, para merecer DR. Porra.

Ou chiça.

Franquelim, ali da Linhaceira, Tomar, foi agora ulrichado secretário de Estado do Empreendorismo por essa có(s)mica evidência de Nada (ou Nata) chamada Álvaro. Vem, o Franquelim, da SLN, esse esgoto por onde se escoou em alegre im(p)unidade a cenosa cloaca chamada BPN. Se o pastel de nata é cake-cream, o cream compensa.

Ou então vou eu descalço sobre silva(s) de Tavira a Valença.

A 3 último do corrente, no Público, Jorge A. Fernandes citava um economista espanhol chamado Molina. E, parafraseando o bom e saudoso Dinis Machado, o que diz Molina? Diz esta admirável e contundente verdade: “A classe política é uma elite assente num sistema de captura de rendas que permite, sem criar nova riqueza, desviar rendas da maioria da população.”. Contundente. Sim. Mas. Inútil.

Inútil – porque tudo demonstra que o que se diz à classe política não entra por um ouvido para sair pelo outro. Porquê? Porque o som não se propaga no vácuo.

O problema é a vida ser agora.

O problema é aquele verso de Jorge Fazenda Lourenço: “(…) que nada ter depois é pior que não ter nada.”.

O problema é termos mais carneiros por metro quadrado do que a Nova Zelândia.

O problema é termos deixado que nos ulrichassem o 25 de Abril.

O problema é sermos precisos dez milhões de sem-abrigo para sustentar um único Ulrich.

O problema é que o que ontem era República hoje ser Reprivada.

Quando deixaremos nós de ser um estábulo manso de carneiros da Nova Zelândia a que qualquer besta de pasto vem acertar as horas de pulso-Rolex? A que horas é que o pastor dos carneiros vem, sustentado pela ordenha do Estado, conferir-BPI a hora da ração?

A que horas acertaremos enfim a hora da razão?

Ou, alvalademente falando, quando é que seremos dez milhões de sportinguistas a correr com o Godinho que não querem o Coelho de ninguém?

Eu sei o que diz Molina. Mas esse é espanhol. Estou mais para adulterar um provérbio asiático, fácil de perceber até para o resto dos dez milhões de carneiros que não são asiáticos mas vivem entre Tavira e Valença. Assim:
Se vires um pobre, não lhe dês peixe algum; dá-lhe o Ulrich e ensina-o, ao pobre, a amanhar.

O Ulrich.

Work-shop - "Lisboa-Safari": animais em diário gráficopor Richard Câmara


 

Estão oficialmente abertas as inscrições para o meu próximo workshop intensivo de diários gráficos intitulado "Lisboa-Safari" a decorrer no fim de semana de 9 e 10 de Março de 2013, das 10h às 13h e das 14h30 às 17h30 em ambos dias. Desta vez iremos desenhar os vários animais que podemos encontrar pela cidade, passando pelo recinto do Museu da Cidade, os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, a Quinta Pedagógica dos Olivais e como não poderia deixar de ser, o Jardim Zoológico de Lisboa. E a inscrição neste workshop já inclui um bilhete gratuito no Zoo de Lisboa!

Para os interessados:

  • Qualquer pessoa pode pedir o envio do programa através do gda@montepio.pt
  • As inscrições são aceites por ordem de chegada e limitadas às vagas disponíveis e só são válidas após o pagamento/pessoa de 30€ para Associados ou 40€ para não Associados do Montepio.
  • Para se inscrever deverá fazer a respectiva transferência bancária para a conta do Montepio com o NIB 0036 0216 99100097452 89, enviando a referência por email do seu pagamento ao gda@montepio.pt com o seu nome completo, data de nascimento, NIF, contacto telefónico e número de Associado (caso o tenha).

Atenção: A participação no workshop está limitada às vagas disponíveis e o período de inscrição acaba na quinta-feira 7 de Março de 2013.

 

Charges de Lailson De Holanda (que por acaso é do Brasil)




Exposição "Ribanho" com desenhos de Luca (Luis Afonso / Carlos Rico) na Vidigueira até 16 de Fevereiro


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Quino: “Los chicos fueron mis mejores lectores”El creador de Mafalda presenta '¿Quién anda ahí?'', una mirada desde el humor sobre los miedos contemporáneos por Raquel Garzon


"Conozco a una señora en mi Mendoza natal que cuando se enojaba con su perro lo trataba de usted”, cuenta al teléfono Joaquín Salvador Lavado, Quino, y reímos ante la originalidad de ese desdén, que le sirve al papá de Mafalda para dibujar un chiste en el aire. Es la tercera conversación telefónica que mantenemos y falta una aún para que acceda a un encuentro cara a cara en su apartamento de Buenos Aires, a pocas calles del Obelisco, donde pasa la mitad del año (“mi mujer Alicia y yo seguimos al invierno: cuando el calor empieza aquí, volvemos a Italia”).
No resulta sencillo entrevistar al humorista gráfico más global y más querido de Argentina: es casi un tímido profesional. A pesar de haber cumplido 80 años y de ser homenajeado en cada ciudad que pisa por haber creado a esa niñita sabihonda, internacionalmente famosa y políticamente comprometida, que Umberto Eco calificó en 1969 como “una heroína iracunda”, las entrevistas le gustan tan poco como que le pidan autógrafos. Pero quiere la suerte que la cronista se llame como la mamá de Mafalda (“le puse Raquel en homenaje a mi dentista de muchos años”, contará luego el autor) y ese detalle sumado a la publicación en España de su nuevo título, ¿Quién anda ahí? (Lumen), justifican la excepción.
En ese libro Quino reflexiona desde el humor sobre los miedos de nuestro tiempo a partir de las últimas páginas que publicó en medios “y de algunos inéditos”. Irónico como siempre, pasa revista con agudeza y sensibilidad a situaciones tan diversas como reveladoras de la topografía contemporánea. Viñetas de muestra sobran: la oración nocturna de una señora —más consumidora compulsiva que creyente— que le ha conseguido a su Cristo un par de cascos conectados al micrófono desde el que reza, para que no pierda palabra de su ristra de peticiones; un terrateniente ante una videowall que vigila con cámaras la productividad de cada rincón de su campo; un detective que duda ante el puñal clavado en el ombligo de la víctima si está ante un caso de body piercing; un matrimonio desavenido porque el “hobby” de él consiste en “imaginar gorditas” o un alto ejecutivo que ve cómo el recambio generacional define que su puesto lo ocupe un crío que aún usa chupete. La selección incluye además una rareza: los escasísimos dibujos en color realizados en la carrera de alguien que, devoto del cine mudo, se ha expresado en blanco y negro.
Sentado frente a su escritorio —un tablero de dibujo rodeado de libros, retratos de sus afectos y una pequeña escultura de su criatura más famosa (“la hizo el mismo artista que realizó la estatua de Mafalda que hoy está en el barrio de San Telmo”)— , Quino nos recibe finalmente una mañana. Es amable, habla lentamente, le gusta reír y no escatima ternura cuando recuerda cómo llegó al dibujo: “Yo heredé el nombre y el oficio de mi tío Joaquín. Ver que de su lápiz salían montañas, árboles, personas… me maravillaba. Todos los chicos dibujan, pero yo seguí. Estudié un poco en Bellas Artes y dos años después cometí el error de creer que a los 15 ya lo sabía todo y abandoné. De eso me arrepiento cada vez que puedo”.
PREGUNTA. El título de ¿Quién anda ahí? sale de una página de humor en la cual un hombre habla del miedo: primero a salir de su ciudad, luego de su casa y, finalmente, de sí mismo. ¿Percibe el temor como una clave de esta época?
RESPUESTA. Sí, la situación de la seguridad se ha puesto muy problemática en la Argentina y el título del libro es una frase común, quizás la primera que pronunciamos cuando estamos en casa, de noche, y escuchamos un ruido que nos preocupa, que introduce cierta idea de peligro. Pero también sirve para uno mismo, para pensar y cuestionarse más allá de un hecho concreto: “Quién es este que soy, que da vueltas y anda”.
P. Entre escritores suele decirse que un autor tiene en verdad pocos temas que reelabora a lo largo de su vida. ¿Se da también entre humoristas gráficos?
R. En mi caso sí y esas preocupaciones resurgen en la selección que hicimos para este libro. Vuelvo recurrentemente a algunos temas que me preocupan. La injusticia, la desigualdad social, la vejez… Y temas políticos no coyunturales como la corrupción o el ansia de poder, cosas eternas que ya estaban en la Biblia. Hay otros que no toco por miedo a hacerlo mal. Nunca he dibujado sobre deportes, por ejemplo. Quizás porque no he practicado ninguno y tengo miedo de equivocarme.
Vuelvo recurrentemente a algunos temas que me preocupan. La injusticia, la desigualdad social, la vejez…
P. ¿Equivocarse cómo?
R. Por falta de documentación o de cultura. Me he preocupado siempre por documentarme. Dos grandes del oficio, mi amigo Oscar Conti, Oski, y Hugo Pratt, me inculcaron eso. Antes existía el preconcepto de que los dibujantes de humor podían dibujar sin investigar. Pero cuando yo empecé a publicar en 1954, un lector mandó una carta quejándose de los errores que yo había cometido en un dibujo, uniendo un peinado del siglo XV con un vestido del siglo XVII. Eso tuvo en mí un impacto muy fuerte. ¡Es como hacer a Mozart hablando por teléfono!
P. ¿Sigue percibiendo errores en lo que dibuja?
R. Yo no dibujo ya, por problemas de vista, aunque estoy intentando hacerlo de nuevo. Mi médico me ha dicho que no quedaré ciego sino hasta dentro de 10 años, pero para entonces probablemente no voy a estar por aquí. Considerando lo jóvenes que murieron mis padres, ¡ya soy un milagro de la biología! Pero volviendo a la pregunta, más que errores, soy muy sensible a dibujar cosas innecesarias: nubes de más o elementos que no suman a la idea que uno quiere transmitir. De chico vi mucho cine mudo —Chaplin, Buster Keaton— y aprendí a hacer cosas sin texto. Pero cuando llegué de Mendoza a Buenos Aires y comencé a trabajar en redacciones me dijeron que los lectores querían leer y que no se podía hacer humor mudo. Hay ideas, además, que sin texto son difícilmente expresables. Pero incluso hoy, en los aviones, veo películas sin audio para comprobar si sólo la imagen cuenta el argumento. Un buen filme debería poder pasar esa prueba. Cuando uno ve una película como El puerto, del finés Aki Kaurismaki, filmada con mucha economía de medios, comprueba que no hace falta mostrarlo todo para decir con elocuencia.
P. Volvamos a lo suyo. Sé que su personaje favorito de la tira es Libertad, pero Mafalda es su hija más famosa. ¿Le pesa Mafalda?
P. No, me acompaña mucho y en dos años cumplirá medio siglo. Se quedó en el corazón de la gente, probablemente porque habla de temas eternos: las relaciones entre padres e hijos, entre amigos. La suya es una familia como la que muchos chicos tienen. Aunque la clase media ha cambiado mucho. Si la dibujara hoy, probablemente, Mafalda sería hija de una familia ensamblada. Es una problemática que me atrae: hijos de dos papás o dos mamás, ver cómo se crían. La idea me recuerda un poco esa tira en la que otro personaje de la historieta, Miguelito, ve un cartel que dice: “La familia es la base de la sociedad”, y pregunta: “¿La familia de quién? La mía no tiene la culpa de nada”. Pero en cualquier caso, las preferencias del público son misteriosas. Yo jamás la dibujé para chicos y sin embargo fueron los lectores más agradecidos. Pasa también con la música. Muchos compositores no se explican por qué una canción pega y otra no. Si Beethoven se enterara de que Para Elisa es una de las músicas de espera telefónica preferidas, con toda la obra que tuvo, seguramente le llamaría la atención. Todo humorista lo sabe: hay dibujos que uno entrega lleno de vergüenza porque no se le ocurría otra cosa ese día, y sin embargo pegan, se comentan.
P. Pero quizá no haya azar en eso sino intuición artística.
R. Puede ser. Yo he dibujado páginas que entendí mucho después. Tengo una, por ejemplo, que dibujé durante la última dictadura argentina cuando ya vivía en Italia, de un señor tirado en la calle con gente alrededor, al que un enfermero cubre con una sábana. Espera un ratito, mira el reloj y luego tira de la sábana y el señor no está, y la gente aplaude mucho, como si fuera un mago. Entendí mucho después que era una página sobre los desaparecidos.
P. El humor requiere gran capacidad de observación para leer una sociedad. ¿Cómo somos los argentinos?
R. No sabría decir cuáles son las características de los argentinos. Hasta no ir a la escuela primaria, yo no hablaba con chicos de aquí. Soy hijo de andaluces y todos mis amigos eran inmigrantes o hijos de inmigrantes españoles, italianos, libaneses. Me crié más en el Mediterráneo que en la Argentina. De grande, en Italia, me acostumbré a que la gente se siente de una región y sabe de qué región es cada quien. Eso supone mucha información de una persona. En España es igual: no es lo mismo un catalán que un vasco o un gallego. Aquí, en cambio, uno sabe que su abuelo era italiano, pero no de dónde.
P. No cree demasiado en la prédica de la globalización, por lo visto.
R. No. Un pintor con el que tomé clases, Urruchúa, iba más allá. Hacía que sus alumnos tomaran un cartón y pintaran zonas de colores y de acuerdo con lo que usaban decía: “Usted es hijo de rumanos, de italianos…”. A mí me sugería romper con esos colores oscuros, tipo Goya, que venían de mi origen: marrones, ocres, esa cosa dramática que tiene la pintura española. La recurrencia de la vejez en mi obra tiene que ver con ese dramatismo. Al cumplir 80 años me acordé de una página mía en la cual una pareja de viejitos mira caer las hojas de un árbol y propone: “¿Y si en vez de pensar que estamos en el otoño de la vida, pensamos que estamos en la primavera de la muerte?”.
P. Para usted es también una época de cosecha.
Las preferencias del público son misteriosas. Yo jamás la dibujé para chicos y sin embargo fueron los lectores más agradecidos. Pasa también con la música.
R. Cuando Borges cumplió 80 le preguntaron qué sentía y contestó “es una temeridad”. A mí me parece lo mismo. Han muerto muchos amigos —la editora Esther Tusquets, Caloi, uno de los grandes dibujantes argentinos…—. A uno le va pasando que tiene más médicos que concertistas de piano en la agenda.
P. Le he escuchado decir que la edad ha cambiado su relación con la música.
R. Sí, me ha permitido escuchar de otro modo.
P. ¿Cómo?
R. Detenidamente. Ahora sé, por ejemplo, que la Quinta Sinfonía de Beethoven empieza con cuatro compases que parecen un enrejado que cae, pero luego se libera: entran los violines y termina en algo agudo y melodioso, en una explosión de libertad hermosísima. En la Novena eso se pesca enseguida. Pero en la Quinta lo descubrí hace poco. Eso y frases musicales. En Italia, debido a la crisis están haciendo óperas en versión de concierto, casi sin escenografía, sólo los artistas sobre el escenario, y uno descubre muchísimas cosas al no estar distraído por lo visual, al escuchar la obra peladita como la han compuesto. Hay algo social también. De encuentro: cuando escucho música en un teatro, muchas veces he tenido la sensación de querer oír lo que los demás escuchan. Quisiera ser mucha gente al mismo tiempo.