sábado, 22 de dezembro de 2018
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Na proxima sexta-feira dia 16 de Novembro 2018 a partir das 14 Colóquio Grande Guerra e Participação Portuguesa - Repercussões no Arquivo Municipal Sophia Mello Breyner de Gaia
Com a participação de Jorge Fernandes Alves, Miguel Brandão, Luis Alberto Marques Alves, J.A. Gonçalves Guimarães, Osvaldo Macedo de Sousa, Teresa Cirne e Sónia Ferreira. Eu falarei sobre "A Grande Guerra no estilete dos caricaturistas".
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Puntadas sen fío - Franco sobrevoa a Almudena Por Siro
As máis das achegas novedosas que o politólogo Maquiavelo ofreceu aos
Príncipes do Renacemento, son sabenzas que <veñen de serie> nos políticos
actuais. Ningún ignora que a política non ten relación coa moral; que nunca
faltan razóns para romper a promesa feita; que non paga a pena gañar pola forza o que
se pode gañar pola mentira; que non é preciso ser virtuoso, pero é
imprescindible semellalo; e tantas outras que, xuntas todas, se resumen na máxima
<a fin xustifica os medios>, que Maquiavelo non escribiu, pero recolle
fielmente a doutrina exposta no libro O
príncipe, que dedicou a Lourenzo de Médicis no século XVI.
Pedro Sánchez sabe
todo isto de pe a pa e coma un habelencioso
prestidixitador sacou , de bóbilis,
bóbilis, unha presidencia da chisteira. Porén, sospeito que o presidente non
leu a Maquiavelo. Se o fixese, sabería que a virtú do político, da que tanto fala o florentino, é un conxunto de
cualidades, nas que <prudencia e previsión> son especialmente
importantes. Ante calquera conflito, o político de Maquiavelo infórmase, deseña
a estratexia e actúa. Non dá xamais puntada sen fío. No conflito de Franco e o
Val dos Caídos, o presidente entrou a saco e actuou sen información e sen
estratexia. Nin sequera sabía que os Franco teñen mausoleo propio na Almudena
e, ao descubrilo, ante a perspectiva de que o Invicto vaia ao centro de Madrid
e as peregrinaxes de nostálxicos lle colapsen o tráfico a Carmena, quixo que llo
resolvesen o bispo e o Vaticano. Alguén deberíalle advertir: -Tente Sánchez,
que coa Igrexa topamos. Ninguén o fixo e as xestións foron un fracaso.
Aínda que o cardeal
Reginald Pole, contemporáneo de Maquiavelo, afirmara que O príncipe fora escrito coa man de Satanás, certas actuacións das
autoridades eclesiásticas son perfectamente maquiavélicas, e nos enterramentos
en sagrado temos un claro exemplo. O Código de Dereito Canónico promulgado pola
Autoridade do papa Xoán Paulo II, en 1983, di ao respecto: <Non se deben
enterrar cadáveres nas igrexas, a non ser o do Romano Pontífice ou, en igrexas
propias, os de Cardeais e Bispos diocesanos, mesmo eméritos>. Faltou unha
nota para advertir que habería manga
ancha porque templos de toda España acollen a mortos de primeira, selectos
e de calidade suprema. En xuño de 2001 o suplemento Crónica do xornal El Mundo informaba
de que, ademais das familias con privilexio adquirido no pasado, a arquidiócese
de Madrid optara por crear, a cambio de diñeiro, unha nova aristocracia
funeraria de familias con grandes fortunas. As doazóns –nestas transaccións as
palabras prezo, venda, pago, non existen- ían das 400.000 pts. por un
columbario na igrexa de San Martín, aos 20 millóns por unha tumba na Almudena. Por
algo Maquiavelo eloxiara a avaricia e a cutrería dos príncipes.
E o maquiavelismo da
familia ao sacar o Caudillo do Val para levalo á Almudena? Se lles sae ben, a xogada
será perfecta, a non ser por un detalle: o día da resurrección, na vez de se
atopar coa dona –triste e soa nunha cripta do Pardo-, Franco vaise dar de
fociños co xenro, o marqués de Villaverde; e nin Maquiavelo, que gabou <o bo
uso da crueldade>, xustificaría tal atrocidade.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
terça-feira, 14 de agosto de 2018
Awarded works at the 6th Biennial of Humor Luiz d'Oliveira Guimarães – Espinhal / Penela 2018 Portugal
MINUTES OF THE MEEETING OF THE JURY
On July 8, 2018, by eleven hours met at Biblioteca Municipal Dr. António Arnaut – Penela, the jury of the VI Biennale of Humour Luíz d’Oliveira Guimarães. The jury was composed by Rui Seoane (Council Vice-President) / Rafael Baptista (Councillor) / Mário Duarte (the Technical Superior of Culture)
Luís Oliveira (President of the Junta de Freguesia do Espinhal), António Alves (representative of Oliveira Guimarães Fundation), Renato Barroso (family representative), MMS (Margarida Macedo de Sousa (Photograph), Carlos Sêco (Cartoonist honored in V BHLOG 2018), Osvaldo Macedo de Sousa (Artistic Director of the Biennale).
A total of 1160 works (100 caricatures for the sub-theme Leonor Oliveira Guimarães and 1060 for the Cycle of Life theme) were received from 450 artists from 78 countries.
The meeting began by analyzing the cartoons related to Leonor Oliveira Guimarães. The family and the Artistic Director had already performed a pre-selection of the thirty works that came closest in resemblance to the "victim." Of these 30 finalists the jury decided to grant:
1st Caricature Prize of VI BHLOG - 2018 to the work of Walter Toscano (Peru)
Special Caricature Prize of the VI BHLOG 2018 to the work of Henrique Monteiro (Portugal)
Special Caricature Prize of the VI BHLOG 2018 to the work of Mohamed Ajeg (Morocco)
Regarding the Cycle of Life theme, after eliminating works that did not comply with the regulation (theme and monochrome), 700 jury papers were presented to the jury, which were exhaustively analyzed and after several rounds, the jury decided to award the Prizes provided for in the Biennial following works:
1st Prize of the VI BHLOG - 2018 - Horia Crisan & Bogdan Petry (Romania)
# 2nd Prize of the VI BHLOG - 2018 - Agim Sulaj (Albania)
# 3rd Prize of BHLOG VI 2018 Prize - Safaa Odah (Palestine)
# Special Prize António Oliveira Guimarães VI BHLOG - 2018 - Sepideh Seifizadeh (Iran)
# Special Prize Municipality of Penela VI BHLOG - 2018 - Reynerio Tamayo (Cuba)
# Special Prize of the Junta de Freguesia do Espinhal VI BHLOG - 2018 - Oleh Smal (Ukraine)
# Special Prize Oliveira Guimarães Foundation BHLOG - 2018 - José Bandeira (Portugal)
# Special Prize Humorgrafe VI BHLOG - 2018 - Ali Miraee (Iran)
Nothing more to be discussed, the meeting was closed at twenty-thirty minutes, and adjourned for the drawing up of these minutes, which after read and approved were signed by all the members of the jury.
terça-feira, 15 de maio de 2018
“Conversas com…A caricatura em Portugal” - 18 de maio - 21h00 - Museu Municipal de Santiago do Cacém iniciativa paralela à Exposição “Caricaturas de Delfino” (António dos Reis Pereira)
No dia 18 de
maio, convidamo-los para participarem na iniciativa “Conversa com…A Caricatura
em Portugal”, com o historiador Dr. Osvaldo Macedo de Sousa e o caricaturista
Ricardo Galvão (do jornal “A Bola”) que se realiza, às 21h00, no Museu Municipal
de Santiago do Cacém, no âmbito das
Comemorações do Dia Internacional dos Museus.
A partir das
22h00 venha ao Museu fazer a sua caricatura!
domingo, 18 de março de 2018
VI BIENAL de HUMOR “LUÍS D’OLIVEIRA GUIMARÃES” – ESPINHAL/PENELA 2018 Portugal
Uma Organização: Câmara Municipal de Penela / Junta
de Freguesia do Espinhal
Com o apoio da Fundação Luiz d’Oliveira Guimarães
Uma Produção: Humorgrafe - Director Artístico:
Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.oms@gmail.com)
A Bienal onde o humor
não necessita de cores, apenas um sorriso, inteligência filosófica e uma cor
simples e directa – o negro e seus matizes.
1 - Tema:
a)“O Ciclo da Vida” - convidamos os artistas de todo o mundo a filosofarem
sobre a existência, como cada cultura enfrenta a vida e a morte, que simbologias
rituais fazem para superar o terror à incógnita do além. A morte é apenas uma
meditação do que é a vida, ou uma anedota que nos amedronta o quotidiano da
eternidade? Não desejamos viver aqui a morte, mas homenagear a vida com humor e
optimismo em momentos, como o de 2018 em que é evocada o centenário do
Armistício da Grande Guerra de 1914/18, a mãe de todas as outras guerras que se
tem desenvolvido ao longo do séc. XX e que hoje através do dito terrorismo de
fundamentalistas, continua presente na sociedade contemporânea. Como louvar a perenidade
do espírito, em vez de cultivarmos uma sociedade que financia a morte da
humanidade e do planeta?
b) Caricaturas
de Leonor d’Oliveira Guimarães (nora de L.O.G) que foi a impulsionadora
desta Bienal
2 - Aberto à participação de todos os artistas
gráficos com humor, profissionais ou amadores.
3 – Data
Limite: 10 de Junho de 2018. Devem ser enviados para humorgrafe.oms@gmail.com, humorgrafe@hotmail.com ou humorgrafe_oms@yahoo.com (No caso de não receberem confirmação de recepção,
reenviar de novo SFF).
4 - Cada artista pode enviar, via e-mail em formato
digital (300 dpis formato A4) até 4 trabalhos monocromáticos (uma
só cor com todos os seus matizes – não
são aceites desenhos a 2, 3 ou 4 cores –aberto a todas as técnicas e
estilos como caricatura, cartoon, desenho de humor, tira, prancha de bd (história num prancha
única)... devendo estes vir acompanhados com informação do nome, data de
nascimento, morada e e-mail.
5 - Os trabalhos serão julgados por um júri
constituído por: representantes da Câmara Municipal de Penela; representante da
Junta de Freguesia do Espinhal; representante da família Oliveira Guimarães;
pelo Director Artístico da Bienal; um representante dos patrocinadores, um
representante de comunicação social local e um a dois artistas convidados,
sendo outorgados os seguintes Prémios:
1º Prémio da VI BHLOG- 2018 (€ 1.800)
2º Prémio da VI BHLOG- 2018 (€ 1.300)
3º Prémio da VI BHLOG- 2018 (€ 800)
Prémio Caricatura da VI BHLOG- 2018 (€1.000)
O Júri, se assim o entender, poderá conceder “Prémios
Especiais” António Oliveira Guimarães, Leonor Oliveira Guimarães, Município de
Penela, Junta de Freguesia do Espinhal e Humorgrafe), a título honorífico, com
direito a troféu.
6 - O Júri outorga-se o direito de fazer uma selecção dos
melhores trabalhos para expôr no espaço disponível e edição de catálogo (o qual
será enviado a todos os artistas com obra reproduzida).
7 – A Organização informará todos os artistas por e.mail
se foram selecionados para a exposição e catálogo, e quais os artistas
premiados. Os trabalhos premiados com remuneração, ficam automaticamente
adquiridos pela Organização. Os originais dos trabalhos premiados deverão ser
entregues à Organização (o original em trabalhos feitos a computador é um print
de alta qualidade em A4, assinado à mão e numerado 1/1), porque sem essa
entrega, o Prémio monetário não será desbloqueado.
8 - Os direitos de reprodução são propriedade da Organização,
logo que seja para promoção desta organização, e discutidos pontualmente com os
autores, no caso de outras utilizações.
9 - Para outras informações contactar o Director
Artístico: Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.oms@gmail.com) ou V Bienal de Humor Luís d’Oliveira Guimarães,
Sector de Cultura, Câmara Municipal de Penela, Praça do Município, 3230-253
Penela - Portugal.
10 - A VI Bienal de Humor Luís d’ Oliveira Guimarães –
Espinhal/Penela 2018, Inaugura dia 1 de Setembro no Centro Cultural do
Espinhal, podendo contudo ser também exposta em outros locais a designar.
Nomes / Name: …… …………… ………… ………… … … … …… …… ……… ……… …………………..
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E.mail: ……………………………………………………………………………………
Morada / Adress:
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Obras /
Works :
1) ……………………………………………………………………………
2) ……………………………………………………………………………
3) ……………………………………………………………………………
4) ……………………………………………………………………………
Aceito as
condições do Regulamento / I accept the conditions of Rules
Assinatura / Signature
VI Bienal de Humor Luiz d’Oliveira Guimarães – Espinhal / Penela 2018
O Ciclo da Vida - HUMOR É VIDA E TRANSFORMAÇÃO
Por: Osvaldo Macedo de Sousa
O sonho de qualquer humorista, ou cómico, é
que alguém morra de riso com as suas
intervenções. Na realidade não há melhor morte
que a que se vive com o sorriso na alma, com a gargalhada no coração,
desintoxicando o azedume, o avinagrar da idade e do quotidiano, contudo só o
termo “morte” assusta, é um tema tabu.
O que é para cada um de nós a “morte”? Se não
falarmos dela nunca a encaramos e nunca sorrimos com ela, frontalmente,
irreverentemente, despreocupadamente, como se deve viver com todo o nosso
quotidiano. Acreditas
na Vida depois do Parto?
Um simples alento separa os conceitos da
morte e da vida, quando a incógnita os une numa linha de transmutação. A
filosofia milenar há muito nos ensina que nada morre tudo se transforma, em
diferentes fôlegos de energia viva e revigorante. O que separa um estado do
outro é apenas o medo. No primeiro, esse sentimento claustrofóbico deixa de
existir e no segundo nos condiciona.
Não há melhor forma de enfrentar os medos, as
preocupações e opressões que com o humor, não só porque este lhes dá uma nova
luz, como nos obriga a enfrentar a realidade sem as sombras dos costumes e as
burkas das educações castrantes. A sorrir, a rir, a pensar com filosofia humorística
não há medos mas irreverência e segurança, não há opressão mas ousadia e
liberdade.
Há vida? Há morte? O que é que nos ultrapassa
no quotidiano? A preocupação do futuro, a saudade do passado e a não vivência
do presente, dominado por aqueles sentimentos castradores. Porquê tanto medo da
dita morte carnal, se tudo não passa de uma ilusão grotesca, macabra imposta
por educações apocalípticas e pessimistas?
Comicamente os que se dizem Ateus, graças a
Deus, acabam por ser os mais espiritualistas porque ACREDITAM que após a
passagem terrestre integram o NADA, do EU, passando ao NÃO EU, ou seja, são
utopistas que não se querem sujeitar às passagens de crescimento, integrando de
imediato o NADA ABSOLUTO, o absoluto divino, o NÃO SER para SER na energia
primordial.
É no sorriso que encontramos a vida, a
ressurreição do humor como verdadeira essência do quotidiano em que a
degradação, a perenidade e a morte se transformam em energia revigorante do
dia-a-dia, sem medos, sem temores porque não há maior sensação de liberdade que
uma boa gargalhada, que enfrentar o espelho e aceitarmo-nos como somos, nessa
energia eterna no optimismo.
A morte acaba por ser a caricatura da vida,
aquele reflexo grotesco que nos mostra como somos todos iguais, porque nesse
estado não há ricos nem pobres, não há raças nem religiões, vivendo-se antes na
igualdade e simplicidade humorística.
Todos os dias nos desaparecem da vista, do
tacto, seres queridos, como aconteceu recentemente com uma das grandes almas
desta Bienal, Leonor de Oliveira Guimarães contudo, ela mantém-se presente numa
outra dimensão, como tem acontecido com António Oliveira Guimarães que também
foi um dos promotores, sem ter conseguido, fisicamente, ver a concretização da
Bienal, não esquecendo referir a presença do mentor de todas estas
irreverências, o nosso Luíz.
É esse universo de dimensões, de pensamentos,
de conceitos, de vivências paralelas que queremos aqui revalidar ao usar este
tema como mote da VI Bienal Internacional de Humor. Enquanto acreditarmos nos
valores, no espírito que impulsiona a criação, ele não morre, subsiste não
apenas na esperança mas na concretização de sorriso, de cumplicidades. A dita
morte não nos assusta, apenas nos incentiva a rirmo-nos com o presente e a usar
a filosofia do espírito como alento de vida, de ressurreição no quotidiano.
Como é que cada artista, cada cultura, cada
povo ri com a morte e com a vida? Só os artistas nos podem responder e é isso
que os desafiamos – falem-nos do vosso ponto de vista e da vossa cultura da
morte como triunfo da vida, da vida como algo mais importante que o conceito da
morte. O importante não é saber se há vida pós-mortem
mas, se há vida apesar da obsessão com a morte.
Não há desrespeito rir com a “morte”, antes
uma homenagem à vida, razão pela qual no imediato após o desaparecimento
físico, nos recordamos mais das boas memórias que das más, talvez o único
momento em que a tragédia é ultrapassada pelo optimismo da memória.
Uns dizem que é humor negro, mas como pode
ser negro se todos os que tiveram experiências pós-mortem falam da luz? Choramos pelos que partem ou pelos que
ficam? Não será mais negra a comicidade sobre o nosso quotidiano, razão pela
qual se faz humor para nos dar luz e força para o superar? É mais fácil viver
na tragédia porque dá mais trabalho estar constantemente alegre, optimista e
filosofar com espírito.
Luíz d’Oliveira Guimarães foi um irónico da
vida que preferiu ignorar a morte até aos 98 anos, nunca escrevendo sobre este
tema. Por pavor ou por sabedoria? Na realidade, ninguém lhe escapa porque todos
a temos de enfrentar na linha da transformação morfológica da matéria desde que
nascemos e se uns a ignoram, outros cultivam-na, como é o caso da cultura
mexicana. Todos nos transformamos ao longo das vidas e se assim tem de ser,
pelo menos que seja com humor.
A
morte é apenas uma meditação do que é a vida, ou uma anedota que nos amedronta
o quotidiano da eternidade? Não desejamos viver aqui a morte, mas homenagear a
vida com humor e optimismo em momentos, como o de 2018 em que é evocado o
centenário do Armistício da Grande Guerra de 1914/18, a mãe de todas as outras
guerras que se tem desenvolvido ao longo do séc. XX e que hoje através do dito
terrorismo de fundamentalistas, continua presente na sociedade contemporânea. Dessa forma, meditar
como o egocentrismo e a megalomania de uns poucos, pode trazer a morte a tantos
milhões. Como a ganância economicista (que existe e incentiva qualquer guerra)
de grupelhos pode ser a miséria de muitos mais. Qualquer motivação ideológica
que esteja na base da morte ou de uma guerra não passa de uma irracionalidade
humana, de um acto doentio de uma sociedade perdida entre o suicídio e a
destruição. Uma primeira guerra que se prolongou nos tempos com as guerras
subsequentes e se mantém um pouco por todo o mundo, de forma declarada ou feita
terrorismo. Devemos ter medo da morte ou enfrentá-la abertamente sem medos e
temores? Como louvar a perenidade do
espírito, em vez de cultivarmos uma sociedade que financia a morte da
humanidade e do planeta?
Como subtema, no âmbito do retrato-charge,
vamos criar outro espaço de homenagem à vida, com o concurso de caricaturas de
Leonor Oliveira Guimarães (nora de L.O.G) que foi a impulsionadora desta Bienal
(para ajudar os artistas, enviaremos algumas fotos).
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
HUMOR: E agora um congresso completamente diferente... que se irá realizar nos dias 22 a 24 de Novembro de 2017 no Museu da Farmácia (Lisboa) numa organização Instituto Prometheus.
Parte das inscrições será doada para a Operação Nariz Vermelho,
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Dia 22 de Julho na Lousã nova Festa da Caricatura para além da inauguração da exposição "Trevim 50 Anos com Humor" (pelas 15h na Biblioteca Municipal da Lousã) e "O Anti-heroi no humor de Imprensa - Do Zé Povinho ao Broncas / Ti Belmiro" pelas 15h30 (na Redacção do Jornal Trevim).
Integrada nas comemorações dos 50 anos do jornal regional "Trevim" (da Lousã) vai-se realizar naquela localidade mais uma Festa da Caricatura ( com quase uma dezena da caricaturistas a retratarem ao vivo quem apareça a partir das 16h30 e pelas 21h30 ) para além da inauguração da exposição "Trevim 50 Anos com Humor" (pelas 15h na Biblioteca Municipal da Lousã) e "O Anti-heroi no humor de Imprensa - Do Zé Povinho ao Broncas / Ti Belmiro" pelas 15h30 (na Redacção do Jornal Trevim). Nesta homenagem aos anti-herois não foi esquecido o Palhaço de Aleppo. Uma Organização Trevim e Produção Humorgrafe
terça-feira, 18 de julho de 2017
Dia 21 pelas 18h no Museu do Vinho de Alcobaça
O Museu do Vinho de Alcobaça dá continuidade à sua programação de exposições temporárias, inscritas no circuito nacional, com uma mostra que une o bom humor à cultura imaterial e material do vinho. Entre 22 de julho e 27 de agosto, estará patente, na Adega dos Balseiros, a exposição “O Espírito do Vinho e os Humores” cuja temática se insere no levantamento histórico do desenho humorístico associado ao tema do vinho.
A exposição comissariada por Osvaldo Macedo de Sousa (historiador e colecionador) é uma oportunidade rara para o público estabelecer contacto com trabalhos de desenho humorístico que vão do século XIX à contemporaneidade. Partindo de conceitos enológicos faz-se uma viagem pela história da caricatura na imprensa portuguesa e dos problemas que o vinho representou na sociedade ao longo dos anos, ou seja, desde 1809 à atualidade.
Uma exposição com alto teor alcoólico, com cultura e diversão e acima de tudo com muita arte. Os artistas que assinam estes desenhos são referencias históricas como Raphael Bordalo Pinheiro, Jorge Colaço, Jorge Barradas, Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Carlos Laranjeira, Xaquin Marin, Zé Oliveira. São também apresentados trabalhos mais recentes, como os criados nos Salões de Humor de 1999 e 2013 em Vila Real, ou outros de artistas luso-galaicos feitos de propósito para este evento.
Por ocasião da exposição, é lançado ainda um catálogo, com a chancela do Museu do Vinho de Alcobaça, que reporta a história da caricatura dedicada ao vinho e que pode ser adquirido no Museu por todos aqueles que se interessem por este tema.
Museu do Vinho de Alcobaça – Adega dos Balseiros
Terça a domingo: 10h às 13h / 14h às 18h
Entrada livre
Siga-nos em https://www.facebook.com/ MuseudoVinhodeAlcobaca/
sexta-feira, 9 de junho de 2017
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Crónica Rosário Breve Mau tempo no curral por Daniel Abrunheiro
1.
O
curral me(r)diático nacional é sobrepovoado de “homens da embalagem prateada” e de “rapazes do gongo dourado”. Por assim dizer. São reses pífias, gado
repugnante a toda a decência cívica e impermeável ao atavio ético das poucas
pessoas-de-bem que ainda por aí haja. A corrupção à portuguesa tinha de ter
laivos afrobrasileiros. E tem. O colonialismo não acabou – passou mas foi a ser
de lá para cá também, relegando-nos o ultramar ao estatuto de província que
nunca deixámos afinal de ser. Mas calma. Nem era disto que queria falar-vos. De
Agricultura é que sim.
2.
De “Agricultura”? Sim. Mesmo? Mesmo. Explicando: tenho andado a ler o Virgílio das Bucólicas, primeiro, e das Geórgicas, logo a seguir. Delícias de há
dois mil anos e uns trocos. Sabeis bem que me refiro ao mesmo grande Poeta da
épica Eneida. Claro, esse mesmo que
amou em Teócrito e Hesíodo o que Dante e Camões amaram nele: o verso perfeito,
o diapasão silábico, o frescor pitoresco e a rendida gratidão à Natura-Mater.
Esse todo. Mas adiante, que já semelho sacristão sonhando com o vinho
eucarístico que sobrou do santo sacrifício.
3.
E
a Agricultura? Que raio a ver com leiturices clássicas e/ou corrupções
pindéricas? Calma. Ter, tem. Tem e cá vai: tanto nas Bucólicas como nas Geórgicas
(sobretudo nestas derradeiras), elogia-se vivamente o desprendimento filosófico
e a serenidade existencial resultantes da sã interacção, pelo trabalho como
pela fruição, com o campo, a vida nele, a sabedoria da observação dos índices
meteorológico-sazonais (as estações do ano, pronto), o cultivo de tudo:
árvores, solos, sabores e aromas, a maravilha cíclica e ritual da dialéctica
sementeira-colheira-poda-vindima. Até o omnipotente instintozinho sexual que
faz o gado parecer-se com a gente. Ou nós com ele. E as abelhinhas. Não
esquecer as abelhinhas.
4. Sim. OK. Porreirinho. Mas – e
portanto? Aquilo da Agricultura o quê? O portanto
está em que eu, uma destas manhãs, cedo como se nascesse, me achei achando, aos
pés de um contentor juncado, um suplemento em papel daquela coisa digital a que
a Direita de cá da parvónia chama Observador.
Como sempre faço, colhi do chão o lixo. Preparava-me para o esquecer no odre
municipal quando, de viés, o título me cativou: Dicionário dos Grandes Negócios, panfleto com textos de um Luís
Rosa e ilustrações de um Henrique Monteiro.
Já o não sacrifiquei à voragem benigna da reciclagem. Guardei-o no bornal,
cheguei à pastelaria, botei café a ferver para a entranha e fumei como quem
nunca há-de morrer a tossir. Tinha ante mim um dilema aparentemente fácil de
solver: Virgílio ou o pasquinzito das escandaleiras
inocentes-até-trânsito-em-julgado? Fraco, vim por estas. Virgílio, sendo
eterno, podia bem esperar um bocadito. Lixei-me. Passei o mor e o melhor da
matina a tresler, primeiro, e a sublinhar a fluorescente, depois, o coiso
achado no chão. Entradas alfabéticas: Azul
(Saco), Bataglia (Hélder), Bava (Zeinal), Espírito Santo (Família), Granadeiro
(Henrique), Loureiro (Dias), Salgado (Ricardo), Silva (Carlos Santos), Sócrates
(José), Veiga (José) e Vicente
(Manuel). [Nota relevantíssima: este rol nada tem a ver com as “embalagens prateadas” nem com os “gongos dourados” do paleio figurado do ponto 1. desta crónica. Cuidado com isso, que não tenho dinheiro para
prestidigitadores da vara.] Só que,
assim de fulminante repente qual trombose terminal, zás! e zinga! – a
Agricultura outra vez.
5. Sim. Ela toda. Foi quando lia o item relativo ao Granadeiro. O
Granadeiro, sim, que terá preferido enriquecer
a ser Henrique. Foi na pág.ª 7: “[…] Ricardo Salgado (…)
classificou Henrique Granadeiro como um dos grandes sábios portugueses na área
agrícola.” É que nem para mais nem por
menos: Grande. Sábio. E agrícola. Chiça!
Quem? O Henrique? Parece que sim. Parece que sumo mestre de herdades de
comportas, fábricas de arrozes, herdades vinícolas, marcas de vinhos capazes de
vales de ricos homens e de tapadas de barões. Tudo coisas, hoje, de arresto
judicial, infelizmente, mas parece que antes de cornucópica, ou pandórica,
maravilha. Fiquei de boca artilhada na quarta vogal. Então e o meu Virgílio
ganadeiro ao pé deste Granadeiro épico também? Que desgraçado cotejo me o
decepava ali cerce? Calma. Lembrei-me a tempíssimo do resgate. Bucólica Primeira, ali onde, ao pastor
Títiro, o colega Melibeu fala pela vez segunda: “Não te invejo, me espanto, pois que tudo/pelo campo é desordem. De que
modo!/Eu próprio, já doente, a estas cabras/empurro para a frente e à que tu
vês/como custa puxá-la, pois que gémeos/pariu por uma moita e aos dois
coitados/os teve de deixar em pedregulhos,/ó perdida esperança do rebanho!”.
6. Sim. Perdida. Digo: a esperança. O
rebanho soma, que se não some, e segue, que de borla curral lhe damos. Até
trânsito em (jul)gado. Diz a abelhinha.
sábado, 13 de maio de 2017
Rosário Breve A gente B.-B. ê-se por aí por Daniel Abrunheiro
1 Maio também serve para desaparições pouco místicas.
Terça-feira, 9 do corrente, foi a vez da de Baptista-Bastos, ao cabo de 83 anos
de nascido. Foi um cultor da Língua de subido mérito. Gostava de jornais bem
escritos e de livros bem lidos. Era pessoa e personagem. Conhecia milhares de
histórias, foi protagonista de milhentas ele próprio. Correu todas as
redacções, percorreu todas as ruas de uma Lisboa que, sua de nela nascer &
de em ela morrer, poucos terão conhecido tão bem. Deixa admiradores,
indiferentes e rancorosos. A mim, deixa-me vontade e pretexto para mansa
releitura de alguma da sua literatura, que noutra idade abordei talvez sem a
atenção mais proveitosa. Penso que o ângulo do obituário pode ser mais justo
se, em vez de “Morreu Baptista-Bastos”, assentarmos que – B.-B. viveu. Ora,
como é sabido, não se pode dizer o mesmo de toda a gente.
2 Não se pode dizer o
mesmo de toda a gente
porque há mortos-em-vida que por aí andam a roer broa muito mal empregadinha em
tais dentuças. Ocupam os poleiros e mamam as mordomias que lhes presta a
populaça pobrete & alegrete da nossa espécie de fatalidade. Parasitam todas
as áreas da sociedade. Infestam, da mesma, todas as secções produtivas – volvendo-as
improdutivas. Política, desporto, ex-cultura, culinária, turismo, jornalixo, hidráulica, estiva,
transportes, câmaras, clubes de caça & pesca, lares da última idade,
bombeiros, saúde, correios, eléctricas, esplanadas – a tudo esterilizam. E
reproduzem-se muito, gerando criancinhas estupidificadas pela electrónica
amestradora deste século em que a incomunicação pessoal está na razão inversa
da profusão de máquinas de bolçar bitaites.
Não sofro dúvida: o nosso é um tempo sem eira, sem beira e sem ramo de
figueira. Mas quê? Chateio-me muito com isso? Cada vez menos. Sobrevivo e deixo
sobreviver. Reciclo o dia antes que o ontem se faça tarde. Ainda agora.
3 Ainda agora, na esplanada de mesas daquele amarelo da
publicidade ao chá de palhinha, estava o maralhal muito sossegado a estiolar à
torreira de um sol bruto como as derrocadas mineiras. Nisto, uma inquietude
assolou a assembleia de desirmanados. Uma ansiedade esquisita, um latejar de
próstatas, uma ânsia de ganir à Lua vespertina. A causa? Uma mulher. Apareceu-nos
ali sem azinheira nem aviso. De vestido justo a ponto de segunda pele, era um
clarão de champanhe. Manava uma fragrância de peixe fresco alimentado a fruta e
a leite, decerto por rabejar de cintura qual sereia profissional. Esfíngica,
muda, impositiva & incómoda tipo mulher-do-fraque, fez-nos ranger a prótese
dentária como se de repente tivéssemos começado todos a sorver esferovite. O
B.-B. não lhe perdoaria. Nós perdoámos-lhe. Demorou-se pouco, ficando-nos
portanto para sempre. Abençoada posta não-pescada. Milionàriazinha de sua avó.
Bisontezinho de Foz Côa em diferido de Paris. Vontadezinha de ter um
porta-chaves de BMW. Santa & Senhora. Tive de forçar com conhaque o açude
represo do gasganete. De volta a casa, ainda estive para contar à minha mulher.
Já nem sei porquê, não contei.
À aparição, dei
apenas, cão velho que sou entre flores, um secreto adeus.
Inauguração da exposição de Fotografias de MMS (Margarida Macedo de Sousa) no Atmosfera M Porto no dia 8 de Maio.
Com os primos Fernando e Regina Sousa Lopes
Osvaldo Macedo de Sousa e Onofre Varela
Com os primos Sousa Lopes
sábado, 6 de maio de 2017
Rosário Breve: Crónica à luz-roxa por Daniel Abrunheiro
Vejo mais
pessoas a pé do que de pé. Curto e grosso: a pé, os do embuste anti-republicano
de Fátima; de pé, as pessoas que (ainda) comemoram o 25 de Abril e o 1.º de
Maio.
Por essas
estradas, pirilampos bípedes de coletinho fluorescente: por essas praças,
homens e mulheres livres por conta própria. Talvez sejam dois mundos
irreconciliáveis. O mais certo é que o sejam de facto. Já me importei mais com
isso. Já cheguei, até, a indignar-me com isso. Felizmente, os anos acumulados
tornaram-me mais simples e mais bruto. Tenho repentes de ferocidade incendiária
que um copito de branco fresco apaga sem grande esforço. Na base do que V.
digo, está isto de eu vir do funeral de um Amigo. Aos 58 anos, o Tónio foi para
nenhures. Daqui a uns tempos, o canteiro dos mármores resumi-lo-á a um nome
entre duas datas. Pronto.
Na volta,
vim impregnado da inútil revolta do costume. Entre gares rodoviárias, fui inútil
e triste como uma biblioteca encerrada. As marcas quilométricas da auto-estrada
sucediam-se sem fadiga, estúpidas, inocentes e branquinhas à maneira de
cordeiros da Páscoa. Não pude ler. Não consegui escrever. Fui assistindo aos
eucaliptos velocíssimos da vidraça. O vento que neles dava era o mesmo que me
varre as ideias e as atitudes positivas. Senti-me, naturalmente, tramado: tenho
mais coração do que cabeça. Para a cabeça, ainda há uns paliativos. Para o
coração é que não há remédio.
E lá a
minha terra, como estava a minha terra? Mais cansada, pareceu-me. O meu
envelhecimento projectava-se nela como uma espécie de luz-roxa, dessa que
antigamente, nas matinées dos “clúbios” recreativos dos pobres, punham
os dentes e as fibras sintéticas da roupa a brilhar no escuro. Troquei com essa
minha gente as palavras costumeiras. Alguma dessa minha gente é da classe “a
pé”. Outra (minoritária, claro) é gente “de pé”. Não sei se me faço entender.
Gosto dela toda, para bem dos meus pecados.
Lá deixámos
o Tónio sufocado de flores de celofane. Fazia um calor mortífero. Lá fomos ao
copito de branco fresco. Foi até ser meio-dia. Depois, cada qual foi para casa,
fiquei eu sozinho no largo, dono tão-só de uma sombra vertical e implacável de
toldo sem mesa nem cadeiras por baixo. A incerteza tomou conta de mim sem
resistência. O branco fresco a sós é um bocadito pró triste. Um quase-terror
assolou-me: “E se deixei de saber ler? E
se nunca mais conseguir escrever?”
Pelos
vistos, não aconteceu. Está um dia bonito, nesse mundo a que às vezes pertenço.
Encerrei-me em casa, estores corridos contra a reverberação implacável de Maio.
A realidade funciona sem meu concurso. Olha, telefona-me agora mesmo um dos
meus Amigos ainda vivos. Tesouro, para mim. Dizemos chalaças. Dou por mim a
rir-me como um chimpanzé num bananal.
Mas ai, Tónio.
Ai, António Alves dos Santos (1958-2017).
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