No dia 21 de Março celebramos o aniversário de Bordalo Pinheiro com a inauguração da Exposição Lisboa de Bordalo.
Um passeio sobre a Lisboa do fim do século XIX, com todos os condimentos que Bordalo sabe tão bem usar: informação, talento, humor.
Venha até ao Museu 3a feira, dia 21 de Março, às 18.30, ajudar a celebrar o 171º aniversário de Rafael Bordalo Pinheiro!
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segunda-feira, 20 de março de 2017
sexta-feira, 3 de março de 2017
Tertulia - Caricatura, Historia & Iconografia dia 6 de Março pelas 18h30 no Museu Bordalo Pinheiro (Lisboa - Campo Grande)

Pense bem: já imaginou o tecto de uma biblioteca com a representação de 1.695 personalidades da História da Arte Mundial?
Foi o que o caricaturista Rui Pimentel fez para a sua casa e que agora apresenta aqui no Museu Bordalo Pinheiro, na exposição Uma História da Arte Mundial.
Irene Flunser Pimentel, historiadora, Osvaldo Macedo de Sousa, historiador do humor e o próprio Rui Pimentel vão sentar-se connosco a conversar sobre esta exposição e a interpretar a razão de ser desta escolha tão pessoal e a forma como as personagens foram representadas.
Caricatura, História e Iconografia são assim os temas que vão iniciar a conversa, que se adivinha animada !
Na próxima 2a feira, dia 6 de Março, às 18.30
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
LANÇAMENTO DO LIVRO “GAJO BORBULHA” DA AUTORIA DE MÁRIO JOSÉ TEIXEIRA – 4 de Março em Cabeceiras de Bastos
No próximo dia 4 de março (sábado), pelas 16h00, realizar-se-á na CASA DO
TEMPO a cerimónia de lançamento do livro “GAJO BORBULHA”, uma publicação em
banda desenhada da autoria do criativo MÁRIO JOSÉ TEIXEIRA, nosso talentoso
conterrâneo.
O “GAJO BORBULHA”, uma animada edição de autor que
conta com o apoio da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, é uma sátira a
alguns dos pontos-chaves do ser português, rindo-se mordazmente de si próprio e
fazendo-nos rir com ele.
MÁRIO JOSÉ TEIXEIRA é um artista que se destaca pelos
seus dotes mas também pela sua versatilidade, um atributo que só o talento
permite e que se espalha pela ilustração, cartoon, caricatura, banda desenhada,
maqueta e até pela escultura, cenografia ou carpintaria.
Para além dos trabalhos artísticos que vai expondo, da
bibliografia deste nosso conterrâneo consta outras publicações, designadamente:
“TAMOS TRAMADOS” (edição de autor), “O FORAL DE CABECEIRAS DE BASTO”, “O NOSSO
MOSTEIRO” e “A LENDA DO BASTO”, três edições da Câmara Municipal de Cabeceiras
de Basto que têm como objetivo transmitir, afirmar e perpetuar junto das
gerações vindouras a identidade cultural do nosso concelho e as raízes
históricas das nossas gentes.
Francisco Alves, presidente da Câmara Municipal de
Cabeceiras de Basto, e Fátima Marinho, autora local com vasta obra publicada,
farão a apresentação do trabalho em referência, bem como do historial artístico
do respetivo autor.
Dia 2 de Março - 18h30 - Conferência - Stuart Carvalhais e a Cidade de Lisboa por Osvaldo Macedo de Sousa no Palácio Beau Sejour (Estrada de Benfica 368 Lisboa)
Dia 2 comemoram-se 56 anos da morte deste genial artista dos humores,
e dia 7 de Março 130 anos do seu nascimento
Nesta palestra, vamos realizar uma viagem pela sua vida e obra, principalmente nas que usam a cidade de Lisboa como cenografia humorística
GEO - Gabinete de Estudos
Olisiponenses - Estrada
de Benfica, 368 | 1500-100 LISBOA
domingo, 26 de fevereiro de 2017
Inauguração da extensão da V Bienal de Humor Luis d'Oliveira Guimarães - Espinhal - Penela 2016 no Espaço Atmosfera M no Porto no dia 20 de Fevereiro de 2017
A exposição de uma selecção de trabalhos da V Bienal de Humor Luis
d'Oliveira Guimarães - Espinhal / Penela encontra-se patente no Porto - Espaço
Atmosfera M (Rua Julio Dinis) até ao final do mês de Março
Momento dos discursos com Fernanda de Freitas (Coordenadora do Atmosfera M), António Alves (Presidente da Junta de Freguesia do Espinhal), Luis Filipe Matias (Presidente do Município de Penela) e Osvaldo Macedo de Sousa (Director Artístico da Bienal)
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Tertúlia . Rafael Bordalo Pinheiro no Brasil no Museu Bordalo Pinheiro em Lisboa no dia 22 de Fevereiro pelas 18h30
Rafael Bordalo Pinheiro viveu no Brasil entre 1875 e 1879.
É um período da sua vida menos conhecido em Portugal, apesar de ter sido muito rico e de ter deixado ficar o seu nome ligado ao humor brasileiro (nomeadamente com a publicação de jornais como o Besouro e o Psst!).
Rômulo Farias Brito é doutorando da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e está no Museu a investigar estes tempos brasileiros de Bordalo.
Venha ouvir o resultado da sua investigação no dia 22 (4ª feira) às 18.30.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
Crónica Rosário Breve Pilhéria com pilhas au cognac por Daniel Abrunheiro
Na semana passada, dei-vos
conta de (in)certa viagem minha para breve. Esta semana, digo-vos que parte
desse périplo está cumprida já. Não interessa por ora aonde fui fazer o quê.
Não é por rebuço de mistério que fecho isso em copas – é porque (ainda) não vem
ao caso. Ao caso, todavia, vem o ganho com que fui remunerado. Digo: os ganhos,
que vário me foi o lucro pessoal na & da jornada. Mostro exemplos.
Fui e vim de expresso
rodoviário. Anoto: achei-me bem servido. Horário escrupulosamente cumprido.
Segurança, conforto, placidez, despacho. Um senãozito
apenas: à ida, tive por vizinhança de assento um papagaio ginecológico com
quase tantos aniversários quantas camadas de tinta na tromba engelhada. Quase
não largou o telemóvel a viagem toda. Ao filho divorciado, para inquirir se o
pobre tem ou não tem visto os filhos que co-fez com a inominável outra que o trocou por um dentista do
Sabugal. À filha, professora num paul de Portalegre, a demandar se sempre vai
com a mamã ao espectáculo do papa Francisco (sessão dupla em Maio numa
cova-da-iria perto de si). À amiga Madalena para lhe contar tudo-tudinho do que
filho & filha lhe mentiram.
Estive perto – ou antes, não
andou ela longe – do estrangulamento, radical remédio a que não dei deferimento
por ter alergia micótica a pescoços de galinha velha e por não estar para me
chatear depois com o motorista, que era um gordo feliz & sabedor das letras
todas das canções todas com que a Rádio Renascença unge o desmiolado rebanho de
Deus que é o meu. Lá chegámos, enfim.
Vieram buscar-me ao ponto
combinado. Recebi logo demasias de lorde. Deram-me café & conhaque, tabaco
acabadinho de amortalhar, uma fotografia emoldurada do senhor presidente da
Câmara a rir-se muito por ter na mão direita um saco cheio de pilhas para o
pilhão & na mão esquerda um vereador de barbas oitocentistas também muito
feliz por causa das pilhas e das barbas e de estar na mão do senhor presidente
da Câmara, uma caneta de tinta mais permanente do que as tretas que escrevo, um
CD autografado pelo Tony Carreira com espaço em branco para eu lá fingir o meu
nome com a caneta nova, deram-me mais conhaque a pretexto da filosofia
maravilhosa que é a de um-dia-não-são-dias,
levaram-me ao W Shopping para eu fazer um poema de fazer lacrimejar os calhaus
da calçada sobre a pedinte de serviço à porta, fiz o poema e fui muito
aplaudido pelos analfabetos do tipo isto-é-um-país-de-poetas,
levaram-me aos ombros até um tasco maravilhoso que fez da feijoada de caracoleta
uma religião do palato e cujo vinho-da-casa assentava no porão como um colchão
de veludo, por estar a chover ficámos deliciosamente sitiados no dito tasco,
cujo conhaque-da-casa era servido a biberão aquecido, deram-me conselhos sobre
como resguardar o meu desta comédia
toda da Caixa Geral de Depósitos, aproveitei para mandar umas bocas impenitentes & impertinentes
sobre a mansidão acrítica do vulgo cada vez que há autárquicas, coisa que não
foi bem recebida porque o vulgo às vezes percebe que é corno-manso mas não
gosta que lho digam nas ventas, valendo-me a intempestiva chegada, a
recolher-se da chuva, da senhora que tem uma filha professora em Portalegre ou
no Sabugal ou em Fátima, na altura não fui capaz de precisar e agora também
ainda não.
Trouxeram-me em
carrinho-de-mão de volta à Rodoviária, descalçaram-me de botas porque o inchaço
das patas me dava ânsias de morrer sem ter feito mais filhos, nem escrito mais
livros, nem urinado em mais árvores, à cautela marcaram-me nova viagem para
quando o pus do fígado desse sinais de conformidade com os níveis impostos pela
União Europeia, semearam-me no bolso da jaqueta uma de vinte para o táxi entre
a gare & a mulher, pediram-me que voltasse para a semana por ser certo que
o W Shopping muda de pedinte à porta, havendo pois que fazer versos novos em
celebração de tal aparato. Aquiesci, claro que aquiesci.
Se por ora mais não conto, é
por me faltarem as pilhas, ao contrário dos barbudos felizes para quem isto da
responsabilidade é tudo uma letra vã como a das canções da Rádio Renascença.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Rui Pimentel no Museu Bordalo Pinheiro a partir de 6 de Fevereiro
Uma História da Arte
Mundial é a proposta de Rui Pimentel para a exposição que inaugura no dia 8 de Fevereiro (quarta-feira), às
18.30, no Museu Bordalo Pinheiro em Lisboa (Campo Grande, 382).
São 1695 personagens notáveis (telas criadas para decorar o tecto da Biblioteca do autor) que vão povoar o Museu pela mão do caricaturista Rui Pimentel.
Ponha já na agenda!
São 1695 personagens notáveis (telas criadas para decorar o tecto da Biblioteca do autor) que vão povoar o Museu pela mão do caricaturista Rui Pimentel.
Ponha já na agenda!
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Bariş Inan POLITICAL CARTOONIST IN PRISON SUED AGAIN FOR DRAWING ERDOGAN
FOR DRAWING ERDOGAN
Bariş Inan, a political cartoonist whose works have been published in the
GUNDEM newspaper and our magazine
HOMUR, and who has been serving an aggravated life imprisonment in the
Izmit-Kandira F-type Prison, has been sued for drawing the Turkish president
Recep Tayyip Erdoğan as a baby in diapers. His trial will be heard on January
31- 2017, Tuesday, at the criminal court of first
instance in Izmit-Kandira. Political powers behind this legal/judicial? action
seem to be attempting to break new ground by suing a person that is already
serving an aggravated life imprisoment sentence, who they have never considered
to release at all. We strongly believe that this new lawsuit is an attack on
the world of caricature, as well as on free speech and communication, and thus
feel it is our duty to announce it to the public.
HOMUR
Caricature and Humor Group
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
CrónicaRosário Breve A idade de Deus & a minha: descubra a diferença prática por Daniel Abrunheiro
Uma boa
maneira de haver menos idiotas no mundo é não fazermos mais filhos às mulheres
deles. Digo-o eu, assim um bocadito co’s nervos. Mas só um bocadito: na minha
idade, é bem mais curial cansar-me galgando escadas do que dando fôlego à
globalizada imbecilidade que pelo mundo campeia e ao mundo infesta.
Ah, tivera
eu hoje menos uns vint’anitos no couro que decerto me indignara mais & com
mais férrea força ante tanta incomunicação-dita-social do jornaleirismo-croquete em voga. Sabeis? A gula dos mirones ante as sessões de porrada
Carrilho-Bárbara. A gosma dos voyeurs
perante as neonamoradas do Futebol Pinto da Costa & do Sporting Carvalho do
Bruno. O frisson do galinhedo
paraliterário cacarejando o-Dylan-merece-o-Nobel-porque-sim-sim-senhores
e/ou por-causa-disso-é-que-o-Leonard-Cohen-morreu-de-desgosto
e/ou/ainda com-a-azia-o-Lob’Antunes-já-deve-andar-a-sonhar-com-pelo-menos-um-Grammy-para-o-ano-que-vem.
E depois,
aquela farruscada toda da questão dos taxistas (de Lx., note-se) co’ a Uber
& a Cabify, a qual só me desperta uma ilação de pronto & evidentíssimo
teor homofóbicoiso e que é a seguinte: nunca é de confiar num gajo que nos
deixa ir atrás. Ou então aquela que mete meninas: o Instituto Nacional de (ment’)Estatística
revela que em Lisboa existem 189 meninas virgens por cada taxista sério – mas
só há prova confirmada de 188.
Mais: a
clara & flagrante certeza de as praxes estarem para a dignidade académica
como o Relvas para a mesma. Isto por causa de uma equivalência que me parece clara como aquilo à volta da gema do
ovo: se o analfabetismo funcional fizesse ondas, o ensino-dito-superior
português seria um tsunami de
alto-lá-co’-baile-e-pára-o-charuto.
E a
carneirada das selfies? Não V. faz
impressão, nas tragicomediantes redes-alegadamente-sociais, aquela malta toda
só com um braço? O problema de tanta clonestupidez
é afinal napoleónico: por causa do seguidismo, vai tudo para (o) maneta.
E a rábula
do declara-não-declaro-nada-o-património
dos indigitados (tu)barões daquela Caixa que dizem ser nossa? Ide por mim:
fornicar os ricos não é sexo – é amor.
Ainda há
pouco, era voz-corrente esta barbaridade acéfala: “Taxar os gajos de 500 mil euros p’ra cima é matar o investimento.”
Ai é? Ai é? E fomentar o desemprego é o quê, ó cáfila de cornúpetos
descalcificados?
Cá p’ra
mim, a pessoa deixa de ser criança quando cessa de acreditar no Pai Natal. E
volta a sê-lo quando começa a acreditar no Sócras.
Foi como com aquilo das entrevistas do juiz Carlos Alexandre – só achei mal ele
ter escolhido a SIC e o Expresso. Sim, mal: então duas vezes o
exclusivo para o PSD-à-la-Balsemão
porquê? Não há mais papagaios nas outras gamelas partidário-jornaleiras? Há.
Então, quid juris?
Ai,
estranha és, ó Madre-Língua-Portuguesa minha. Estranha mas bela. Bela mas
estranha. Quando decides elogiar alguém, dizes: “Não há pai para fulano.” Ou seja, valorizas o fidapu. Há mas é que não confundir o burkini raso com o Burkina Faso. E saber que a frieira rebenta a pele por vir da geada islâmica. E topar de antemão que a
melhor maneira de abrir buracos num green
novo é praticar o golf pérsico. O
Deus de cá sabe que eu nisto tenho toda a razão, o (a)lá deles é que não.
Quanto a mim, só sei que a fé & a ignorância são unha-com-carne vezes demais.
E que não é solução roer as unhas até fazer carne-viva.
E agora que
a UE já não é só p’ra-inglês-ver? Agora que a UE já não é só p’ra-inglês-ver, retenhamos
do brexit ao menos uma coisa boa,
muito boa, pelo menos uma: são maiores as hipóteses de vermos menos por cá os
execráveis McCann, esse inenarrável par-de-jarras que fez carreira vitalícia do
abandono de três filhos menoríssimos para ir prá comezaina.
Ó pessoal,
por favor atenção: apesar de todo o desarrazoado supra, sou muito menos
esquisito do que o mundo em geral & do que a TV-por-cabo em particular.
Ainda agora. Olhai-m’esta: acabo de ver uma série com cenas de vampiras
lésbicas. Sim. Vampiras. Lésbicas. Coitadas! Devem namorar uma só vez por mês.
(Como eu aqui em casa, aliás, num mês bom.) Ai, saudades do tempo da ditadura
da RTP-única….Em casa de meus saudosos Pais, certa vez. Certa vez, em casa de
meus saudosos Pais, o som do televisor pifou-se. A imagem, na mesma. Mas o som,
népias. Eu era então tão moço, que cri com esperança naquilo resolver-se por si
só. Continuei a ver. Nisto, aparecem as Doce.
Lembrai-vos das Doce? Sem som embora,
gostei muito de vê-las cantar. Idade feliz, essa minha. Não é como a idade de
Deus. Deus perdoa, a idade não.
Nem eu.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Lançamento de Paródia Culinária, À Mesa de Bordalo, 3a feira às 18 horas no Museu Rafael Bordalo Pinheiro (Campo Grande - Lisboa)
Na 3a feira, dia 29 vamos apresentar o
livro Paródia Culinária, à Mesa de Bordalo.
É um livro de receitas "à moda
antiga", ilustrado por desenhos de Bordalo, que são apresentados na
exposição Bordalo à Mesa, que pode ver no Museu.
A apresentação vai ser feita por Alexandra
Prado Coelho, com Pedro Bebiano Braga (comissário da exposição) e Rita
Nobre de Carvalho (designer do livro)
domingo, 27 de novembro de 2016
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Conversas com o autor (Renata Macedo de Sousa) no Mês da Fotografia ImaginArte Almada dia 29 pelas 18h30 no Forum Municipal Romeu Correia de Almada
No âmbito da exposição "Arquitectando
Fotografias" de Renata Macedo de Sousa, patente ao público no Forum
Municipal Romeu Correia - Sala Pablo Neruda (Almada) até dia 2 de Dezembro
dia 29 de Novembro, pelas 18h30 a arquitecta /
fotografa Renata Macedo de Sousa falará sobre: "A promoção da Arquitectura através da Fotografia"
domingo, 20 de novembro de 2016
MUSEU BORDALO PINHEIRO - INAUGURAÇÃO HÁ 100 ANOS, AMEAÇA DE “OCUPAÇÃO” HÁ 27… Por ANTÓNIO GOMES DE ALMEIDA
Não,
não é nada disso em que estão a pensar…
O
que se passou há 27 anos – e será aqui explicado – não foi mais que um curioso episódio
de “ocupação pacífica” desse belo Museu, fundado em 1916, e que mantém no seu
interior uma extraordinária colecção de peças da multifacetada obra, tão
variada quão genial, desse Artista versátil, que espalhou o seu talento pela caricatura,
o desenho, o cartoon, a pintura e a cerâmica,
num desbordar de formas de Arte combinadas com certeiro e acutilante Humor.
A
personalidade artística de Rafael Bordalo Pinheiro tem sido tão divulgada que
dispensa a inserção de mais uma nota biográfica, para juntar a tantas outras
que têm aparecido, ultimamente, a propósito do centenário do Museu que tem o
seu nome.
O
que talvez seja menos conhecido, porque nem sequer costuma ser mencionado, é o
facto de ter existido o tal episódio de “ocupação” do Museu, em 1989, em
circunstâncias que me deram o privilégio de ser um dos seus protagonistas – daí
que tenha de pedir desculpas antecipadas, pelo facto de, ao contar o que se
passou, ter de usar a primeira pessoa do singular… É que, na verdade, o caso
também foi, ele próprio, singular.
O MUSEU E O SEU
MECENAS
Comecemos,
como é devido, pelo princípio.
O
nome do Museu é bem conhecido, e muita gente o sabe de cor, como também sabe
onde ele está situado: em Lisboa, lá ao fundo do Campo Grande, à direita de
quem vai para o Lumiar, confrontando-se com outro Museu, do lado oposto do
jardim – o da Cidade de Lisboa.
Menos
conhecido é o nome de quem o criou e lhe deu forma e conteúdo. O Museu foi
inaugurado, há 100 anos, por iniciativa particular do poeta e panfletário
republicano Ernesto Cruz Magalhães,
que, por ser um grande apaixonado pela obra do artista, resolveu reservar, naquela
que era então a sua moradia particular, três salas dedicadas a expor a sua
colecção privada de obras de Rafael Bordalo Pinheiro. Era um espólio muito
importante, de carácter pessoal e de enorme riqueza, reunindo correspondência,
objectos pessoais, muitos desenhos originais, algumas pinturas, a obra gráfica,
incluindo 3.500 exemplares de gravura e 3.000 originais, e ainda cerâmica, com 1.200
peças.
Ernesto
Cruz Magalhães era um intelectual, autor de várias obras literárias, que não
tiveram grande divulgação. Era, também, um homem rico, sem descendentes a quem
deixar a sua fortuna. Assim, com o à-vontade de quem vivia desafogadamente, podia
dedicar-se plenamente àquilo que lhe dava prazer: colecionar a variada obra de
Rafael Bordalo Pinheiro, de quem era fervoroso admirador. A tal ponto que,
tendo começado por encher parte da sua moradia particular com trabalhos do
Artista que tanto apreciava, resolveu finalmente que a sua casa seria transformada,
agora totalmente, num Museu, a ser oferecido à Cidade.
É
assim que o Museu mais antigo do país celebra agora os 100 anos dedicados à
divulgação da obra do artista criador do Zé Povinho, que se mantém como a
caricatura do português que faz "manguitos contra as injustiças".
O
fundador acabou, deste modo, por legar oficialmente o Museu Bordalo Pinheiro à Câmara
de Lisboa, depois de algumas obras de remodelação e ampliação. Mas… há um aspecto
pouco conhecido, e que só viria a ser revelado em 1989, muitos anos após a
morte do doador. É esse pormenor que venho contar aqui.
UM AUTARCA
GENEROSO E AMIGO DE RIR
Por
essa altura (fins dos anos oitenta), era presidente da Câmara Municipal de
Lisboa o Engenheiro Krus Abecasis – e, por outro lado, escutavam-se então, na
capital como em todo o país, uns certos programas de Rádio que eram apreciados
praticamente por toda a gente: os famosos programas dos Parodiantes de Lisboa (aos quais estive muito ligado, porque,
durante anos, neles trabalhei como copywriter,
tendo escrito uns largos milhares de diálogos, e dirigindo simultaneamente o
semanário Parada da Paródia).
Em
conversas informais entre o Presidente Abecasis e José Andrade, que, nos Parodiantes, personificava o famoso Inspector Patilhas e o não menos popular
Jack-Taxas, surgiu a ideia de ser
criado um Museu dos Parodiantes, dado
o prestígio de que estes então gozavam, tendo até recebido a Medalha da Cidade.
Fui
convidado para aderir à ideia, partilhando a gestão do projecto. Os meus
parceiros de trabalho seriam: o dr. Osvaldo Macedo de Sousa, experiente organizador
de exposições e festivais de Humor; e o Pintor Vítor Milheirão, com formação em
Conservação de Museus, e então chefe do sector de Restauro da Gulbenkian. Esta
equipa sugeriu desde logo algo bastante mais abrangente que a ideia original: a
criação de uma grande “Casa do Humor”,
onde se realizassem exposições, reuniões e outras manifestações ligadas ao tema
– com a natural preponderância e maior protagonismo dos Parodiantes.
Lançámo-nos
na busca de local apropriado, em Lisboa – mas não foi fácil encontrar o que
procurávamos. Por uma ou outra razão, as várias casas, pavilhões e palacetes
visitados não ofereciam as condições necessárias…Então, foi o próprio
Presidente da CML (que estava interessadíssimo no caso, ele que gostava muito
de Humor, mau-grado a cara séria que habitualmente exibia…) a sugerir que,
estando o Museu Bordalo Pinheiro fechado para obras, se instalasse ali
(provisoriamente) a nossa Casa do Humor,
até que esta pudesse ser transferida para um local novo, uma galeria
apropriada, que iria ser construída em breve nas traseiras do Museu.
E
assim se fez.
- Catálogo da primeira Exposição:
“Paródias em Parada – Da ‘Paródia’ de Rafael
Bordalo Pinheiro à ‘Parada da Paródia’ dos Parodiantes de Lisboa” – capa e
interior
A POLÉMICA
“OCUPAÇÃO”
É
nesta altura que surge uma inusitada polémica… A Dra. Irisalva Moita, que era,
ao tempo, Directora de todos os Museus de Lisboa, levantou um inesperado obstáculo.
Segundo ela, os Parodiantes estariam a ocupar, ilegalmente, aquele espaço… Porquê? Porque, na escritura
de cedência da moradia de Ernesto Cruz Magalhães, estava expressamente mencionado
que aquela casa jamais poderia ter outro uso, para além da exibição da obra de
Bordalo! Mais: se tal acontecesse, a propriedade teria, estatutariamente, de
passar para a posse… do Jardim Zoológico de Lisboa!
Mas,
tendo sido muito bem esclarecida a situação provisória daquela “ocupação” (sugerida,
aliás, como foi explicado, pela própria Câmara, e só para aproveitar a
circunstância de o Museu estava então em obras), e também porque a estadia só duraria
enquanto se esperava pela construção do novo espaço – tudo ficou claro, e a “Casa do Humor” foi inaugurada
oficialmente, no Dia da Cidade (25 de Outubro) de 1989.
Nela
chegaram a realizar-se várias Exposições, sempre com o Humor em primeiro plano.
A primeira tinha por tema “Paródias em
Parada – da ‘Paródia’ de Rafael Bordalo Pinheiro à ‘Parada da Paródia’ dos
Parodiantes”. Seguiu-se a “Exposição
e Encontro Luso-Brasileiro de Humor”. Depois, uma exposição de “Esculturas” do cartoonista Augusto Cid. E, finalmente, “O Humor e A Bola”, com os cartoonistas
daquele jornal desportivo.
Durou menos de dois anos esta “Casa do Humor”. O progressivo apagamento
da actividade dos Parodiantes ditou o
fim do projecto.
Hoje,
no novo espaço que lhe seria destinado (o qual, esclareça-se, está em
funcionamento, desde há vários anos, com excelentes condições), realizam-se
regularmente exposições e outras iniciativas, algumas delas ligadas ao Humor.
Isto é: a “ocupação” teve duração muito
breve, e a ideia original acabou por esfumar-se, juntamente com os Parodiantes, entretanto também desaparecidos,
excepto na recordação de muita gente que ainda se lembra deles – mas não guarda
qualquer memória de uma “Casa do Humor
“que não foi, mas podia ter sido, uma ideia cheia de Graça Com Todos…
sábado, 19 de novembro de 2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
O Cartoonista iraniano Emad Salehi, 1º Prémio na Bienal de Humor Luis d'Oliveira Guimarães - Espinhal - Penela 2016 esteve cá e visitou o Museu Bordalo Pinheiro em Lisboa
Emad Salehi com o Director da Bienal Osvaldo macedo de sousa e com o Director do Museu João Alpuim Botelho
Em conversa com a pintora Emilia Nadal na visita da exposição temporária de Paula Rego
No Museu Raphael Bordalo Pinheiro numa alusão ao tema da Bienal de Humor do Espinhal Penela - Do Mel ao Ferrão (O Director da Bienal Osvaldo Macedo de Sousa e o 1º Prémio Emad Salehi)
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